quarta-feira, dezembro 31, 2008

CÉSAR MORGADO - "Árvore de Natal"



Se é a este tipo de fado que alguns chamam "o fado da desgraçadinha", então aqui têm um..., mas eu chamar-lhe-ía antes o fado de quem não anda distraído e vê. Não é preciso procurar muito, para encontrar por aí, nessas ruas de Lisboa, do país, do mundo, imagens parecidas com as que escolhi para ilustrar esta "árvore de Natal dos que não têm guarida" e o que me parece estranho e desgraçado é que possamos conviver com a tristeza, a pobreza, a solidão, desviando o olhar, a fingir não ver, a fazer de conta que essa realidade já não existe, que tudo está melhor...
Com este Fado Menor, com letra de Tito Rocha, interpretado por César Morgado, que muitas noites ouvi no Solar da Madragoa, me despeço da convivência de todos os que quiseram fazer-me companhia em 2008, esperando reencontrá-los por aqui no próximo ano, a todos desejando um bom 2009, que a todos traga Guarida.
Até lá!
Nota biográfica
César Morgado, nasceu em Lisboa na Freguesia de Belém a 20 de Novembro de 1931 e faleceu a 7 de Abril de 1974 em Cais das Pedras, Massarelos, no Porto.
Desde muito jovem que era um apaixonado pelo Fado o que aos 7 anos de idade levava os vizinhos a pedirem-lhe para cantar. Aos 11 anos numa tenda de circo no Caramão da Ajuda, cantou pela primeira vez, acompanhado por guitarra e viola.
César Morgado era serralheiro de profissão, e cantava o Fado como amador, até que foi contratado para a "Nau Catrineta" em Alfama ( que mais tarde viria a ser O Poeta), e assim se profissionalizou.
Em 1958 ganhou a "Guitarra de Ouro" num concurso, em que ficou em primeiro lugar, no antigo Café Luso.
Gravou uma dezena de EP´s e vários "long-play".
Foi convidado de várias rádios e em 1961 actuou na televisão.
Em Lisboa cantou ainda no Faia, no Retiro da Calçada de Carriche, e, esteve um bom par de anos no Solar da Madragoa.
No Porto actuou na Candeia, Tamariz e Palladium.
Tem um irmão de seu nome Leopoldo Morgado, que reside no Porto, e que também canta o Fado.
VÍDEO DE HOMENAGEM


quinta-feira, dezembro 25, 2008

FERNANDO MACHADO SOARES - "Natal"


1 month ago: Portuguese fado singer and former judge Fernando Machado Soares poses at a Lisbon's fado house nightclub November 12, 2008. The same potent voice that once had murderers tremble in court still stirs strong emotions and provokes tears from the eyes of Portuguese fado music lovers who flock to see "Singing Judge" Fernando Machado Soares.
É com este fado-balada coimbrão, com letra de Fernando Pessoa e música de Fernando Machado Soares "O Juiz Cantor", cuja nota biográfica aqui se transcreve, de Lisboanoguiness
"FERNANDO MACHADO SOARES (Dr) Cantor e compositor da canção coimbrã, juiz de Direito, juiz Desembargador e juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Nasceu na Ilha do Pico, Açores a 3 de Setembro de 1930. Cursou Direito na Universidade de Coimbra. Considerado uma das melhores vozes de sempre e dos melhores compositores da canção Coimbrã, a par de nomes como José Afonso, Luiz Góes ou Fernando Rolim. Estudioso dos clássicos de Coimbra, neles procurou diferenciar as raízes étnico-folclóricas da canção de Coimbra, para, sem copiar, relançá-las ou recriá-las em moldes actualistas, capazes de sensibilizar as novas gerações, com base nas experiências de Edmundo Bettencourt e Artur Paredes. Com o impacto das suas interpretações e o enorme poder de comunicação, gravou vários discos, ainda como estudante. Após uma série de actuações em Bruxelas, foi contratado pela Philips para gravar um LP com vista a um lançamento internacional. Por motivos de saúde na altura das gravações, foi substituído por Luiz Góes. Alguns dos temas gravados são da autoria de Machado Soares, como o Fado do Estudante (Fecha os Olhos de Mansinho), Toada Beira (Abaixa-te ó Serra d'Arga), Cantares do Penedo e Canção Açoriana (O Meu Bem Se Tu Te Fores), sendo esta muitas vezes aproveitada por outros cantores. Ainda como estudante, actuou de Norte a Sul de Portugal e em quase todos os países da Europa, no Brasil e em África. Participou no filme Rapsódia Portuguesa. Após ter concluído o curso superior, suspendeu durante alguns anos a sua actividade artística, tendo no entanto acompanhado o Orfeão Académico de Coimbra aos Estados Unidos, onde cantou com êxito em cidades como Nova York (Lincoln Center), Boston, Chicago ou Atlanta, tendo participado num programa televisivo da NBC. Após Abril de 1974, veio trabalhar para os tribunais de Lisboa e arredores (Almada e Seixal), tendo recuperado definitivamente a vida artística. Actuou de novo em muitos pontos de Portugal, cantou na Alemanha, Itália, Estados Unidos da América. Venezuela, Rússia e outros. Em 1976 a Polygram gravou em disco a primeira parte do CD Coimbra Tem Mais Encanto (10 temas) com o título Fernando Machado Soares, no qual interpreta, Balada da Despedida (Coimbra Tem Mais Encanto), letra e música de sua autoria, O Fado dos Passarinhos (Passarinho da Ribeira), de António Menano e Alberto Menano, Canção das Lágrimas, de Armando Góes, Fado da Mentira, de António Menano e António Menano/F Machado Soares, Rosas Brancas, de António de Sousa, Vira de Coimbra (Popular), O Meu Menino, de Alexandre Resende, Santa Clara, de Angelo de Araújo,Fado das Andorinhas, de António Almeida d'Eça, Fado Corrido (popular), Canto de Amor e de Amar, letra de Ana Costa Nunes/Luís de Camões/F. Machado Soares e música de F Machado Soares, Serra d'Arga (Popular) e F Machado Soares, Balada de Outono, de José Afonso, Maria, de Angelo de Araújo, Maria Faia (Popular), Foi Deus, de Alberto Janes, homenagem a Amália Rodrigues pelos 50 Anos de Carreira Artística, Estrelinha do Norte, de A. Jardim e Fado Resende, de Alexandre Resende. Fernando Machado Soares compôs os arranjos do 3o tema, Angelo de Araújo do 8o, António Portugal do 10o e dos restantes José Fontes Rocha. A produção foi de José Luís Gordo na I parte, na II parte (8 temas), gravado em 1988, a produção foi de João Calado. Foi acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e à viola por Durval Moreirínhas. Em 1987 actuou em Toronto, Paris (Olympia), em S. Paulo, no Rio de Janeiro e noutras cidades. De salientar o recital que realizou em 18 de Março de 1987 no Grand Auditoire da Radio France, gravado e editado em compacto disco em Paris pela Ocara (Radio France), cuja apresentação teve lugar a 18 de Outubro de 1988, quando realizou novo recital na Ópera de Bordéus. Nesse ano recebeu o Prémio Popularidade da Casa da Imprensa. Cantou na RTP com Amália Rodrigues. Depois disso realizou quatro recitais no Thêatre de Ia VHIe, em Paris. Em 1994 gravou na editora francesa Auvidis(Ethnic) um CD com o título Le Fado de Coimbra, acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e Ricardo Rocha, eà viola por Durval Moreirinhas. Com literatura em francês e inglês, nele interpretai Ilha e o Sonho, de F Machado Soares e arranjos dej. Fontes Rocha, Senhora d'Aires, popular e arranjos de F M. Soares, Elegia, popular e música dejosé Afonso, com arranjos de J. Fontes Rocha eR Machado Soares, Santa Luzia, de F. Machado Soares e arranjos de J. Fontes Rocha que interpretou Variações em Lá Menor, Teu Nome, de F. Machado Soares, com arranjos dejosé Fontes Rocha, Balada Para Uma Vida, de F. Machado Soares e arranjos de J. Fontes Rocha, Noites de Festa, de f. Machado Soares e arranjos dej. Fontes Rocha, Balada de Outono, de José Afonso e arranjos de J. Fontes Rocha, Canção de Alcipe, Trova do Vento Que Passa, de Manuel Alegre e António Portugal, que compôs os arranjos, Fado Mentira, e de António Menano e António Menano/F. Machado Soares. Após a morte de Amália Rodrigues, da qual tinha sido bastante amigo, foi eleito Vice-Presidente do Conselho de Administração da Fundação Amália Rodrigues.
in: Programa I Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues" ,

que a todos desejo, mais uma vez, um Santo Natal e ofereço este

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terça-feira, dezembro 23, 2008

ALFREDO DUARTE JR. - "Aí vem o Natal"













Aqui fica a minha sentida homenagem a Alfredo Duarte Jr. (1924 - 1999), o "Fadista Bailarino", que faria hoje 84 anos http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/
Através deste fado, que interpreta como só ele sabe, e cuja autoria da música (Fado Cuf) se deve a seu pai, o incomparável Alfredo Duarte Marceneiro e a letra ao consagrado poeta Carlos Conde, a todos quero desejar um Natal Feliz e que 2009 traga a Paz de que o mundo necessita.

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sábado, dezembro 20, 2008

FADO Sempre!



















Encontrei ontem à venda, num posto dos CTT, esta obra que se apresenta como sendo "um conceito criado pela Difference com o objectivo de ser a mais completa obra do Fado reunida num só volume" que se apresenta "em livro com 80 Fados em 4 CD, numa edição de luxo a cores em português e inglês". Textos dos jornalistas Nuno Lopes e Manuel Halpern.
Comprei, gostei e recomendo.
Uma prenda de Natal bem portuguesa!

quarta-feira, dezembro 17, 2008

NATALINA BIZARRO - "Este meu fado"


Da autoria do Dr. J.Mota e de J. Fontes, "Este meu Fado" interpretado "ao vivo" pela Natalina é uma lição de Fado. Que bem que estila, que voz com alma!...
Nascida a 7 de Agosto de 1924, a sua estreia como profissional teve lugar no Café Luso, em 1948, pela mão de seu padrinho Filipe Pinto, tendo assinado , nesse mesmo ano, um contrato de gravação com a Valentim de Carvalho. Faleceu em 24 de Dezembro de 1992. (Informações prestadas por seu irmão António Bizarro).
Como estamos nesta época natalina, brindo-vos até com umas fotografias únicas onde aparecem, ao lado de Natalina Bizarro, que cantou durante bastante tempo na "Viela" e também na "Adega Mesquita", outras grandes vozes e/ou intérpretes do Fado, a saber: Berta Cardoso, Mariana Silva, Sérgio, Beatriz da Conceição, Beatriz Ferreira...
Oiça, cante e aplauda também
VÍDEO DE HOMENAGEM

"Este meu fado
Que ninguém recordará
Não é lamento chorado
Duma vida ao deus-dará
Este meu fado
É uma flor que nasceu
Das ruínas do passado
Onde o nosso amor nasceu."
... ... ... ...

sábado, dezembro 13, 2008

MANUEL FERNANDES - "Ambiente do Fado"

Plat.

Com este interessante fado, da autoria de Frederico de Brito e de Adelino dos Santos, lembro hoje o cantador Manuel Fernandes
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Nota biográfica:
Nasceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1921.
Começa a cantar como amador nas Sociedades de Recreio aos 15 anos.
Estreia-se em 1938 na verbena de Santa Catarina, passando mais tarde para o Solar da Alegria, Mondego e Luso.
Com a o aparecer das Casas de Fado é por lá que costuma cantar acabando a sua vida artística na Severa. Cantou em Angola , Estados Unidos e Brasil onde grava o seu primeiro disco.
Em 1957 é o representante da música portuguesa no Festival de Música Latina em Génova.
Fez parte do elenco da peça teatral “A Rosinha dos Limões” no Coliseu
Foi atracção na peça “Muitas e Boas” no Teatro ABC .
A 4 de Maio de 1962 comemora as suas Bodas de Prata artísticas no Pavilhão dos Desportos, sendo a comissão organizadora composta por Filipe Pinto e Alfredo Marceneiro.
Dos muitos fados que cantou, houve um que embora não fosse da sua criação cantava com muito sentimento, era o fado “Vassourinha”.
(in Lisboanoguiness)

quarta-feira, dezembro 10, 2008

BEATRIZ FERREIRA - "Três beijos"


Lembro hoje Beatriz Ferreira, a primeira intérprete de Luís Alcaria, pseudónimo de José Luís Gordo, fadista que durante anos integrou o elenco da "Viela", com o Sérgio e a Berta Cardoso... Interpretando este fado da autoria de Joaquim Campos.

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segunda-feira, dezembro 08, 2008

FRANCISCO MARTINHO - "Degraus da Vida"


Este fado "Degraus da vida" é da autoria de M. Campelo e de Amadeu Ramin, interpretado por esse grande fadista que foi Francisco Martinho.

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sábado, dezembro 06, 2008

"O FADO DO MARINHEIRO" - Berta Cardoso - Maria Clara - Márcia Condessa

Este fado, que foi criação e enorme sucesso de BERTA CARDOSO na Revista "Manda Ventarolas", foi posteriormente também gravado por MÁRCIA CONDESSA e por MARIA CLARA.
Aqui se faz uma homenagem aos nossos marinheiros, aos autores João Nobre e Cordélio de Oliveira e a estas três magníficas intérpretes deste fado, que foi também intitulado "Fado das Caravelas" e "Canção das Descobertas".

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segunda-feira, dezembro 01, 2008

MANUEL CALIXTO - "Varinas"

Reposição do verbete de 01.11.2007

O fado escolhido é o mesmo, mas o vídeo foi "melhorado".

Esta é mais uma aguarela portuguesa, da autoria de João Linhares Barbosa, "O Príncipe dos Poetas"


BrancoeNegro1897

A música é de Filipe Pinto, a voz, de um dos Senhores da Velha Guarda - Manuel Calixto, que nasceu em Lisboa e começou a cantar o fado em 1924, muito embora só em 1934 se tenha estreado como cantador profissional.

"Este homem da Madragoa ficou célebre com o fado da camiseira, um filão fadista muito realista que teimam em arrumar no "fado da desgraçadinha". aideuseue

Mas é que não há "fado da desgraçadinha"!; o que há, é desgraçadinhos e desgraçadinhas que não percebem nada de Fado, que é o mesmo que dizer que não percebem nada de Cultura Portuguesa!... E esta, hem!?...
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sábado, novembro 29, 2008

HERMÍNIA SILVA na Revista à Portuguesa


Lembrar a genial cantatriz Hermínia Silva, os inspirados autores César de Oliveira, Rogério Bracinha, Ary dos Santos e Thilo Krasman, as talentosas Lina Morgado e Nina Flores, através deste quadro da revista "Afinal como é?" E lembrar também alguns fadistas... que teriam constituído, provavelmente, um governo de sucesso!... E ainda alguns políticos, a quem tanto devemos e que nos devem tanto!...
E o Parque Mayer!, local de eleição da Revista à Portuguesa, esse género teatral tão português, em vias de extinção como o próprio Parque e os Teatros...
Se este Governo de Fadistas tem vingado, outro galo, agora, nos cantaria!...
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quarta-feira, novembro 26, 2008

CÂNDIDA RAMOS - "Lisboa velhinha"



Natural do Porto, Cândida Ramos confessa-nos o seu amor por Lisboa "Linda Lisboa velhinha / Que és minha, muito minha / E eu amo com devoção...", cidade onde viveu vários anos, tendo integrado o elenco do "Faia" e da "Adega Machado", cidade onde também faleceu.
A letra é de Zulmira Maria, a música de José Marques - uma interpretação notável do Triplicado para ouvir e recordar.
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domingo, novembro 23, 2008

ANTÓNIO ROCHA - "Cavaleiro Tauromáquico"


















Para além de talentoso fadista, António Rocha é também notável autor de letras de fado. Contudo, o fado com que hoje o lembro não é de sua autoria, mas sim de Lourenço Rodrigues e tem música de Jaime Mendes; neste fado, António Rocha, dando voz a um cavaleiro tauromáquico, confessa-nos que: "Eu, de cavalos e de mulheres, gosto como ninguém/ São dois prazeres, para mim, difíceis d'igualar/ É que o cavalo pode o homem dominá-lo bem, mas a mulher ninguém consegue dominar!..."
Como diria o Pessa: "E esta, hem?!..."

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Acerca deste fadista, aqui tem mais informação
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/71729.html

sábado, novembro 22, 2008

CIDÁLIA MOREIRA - "Fado Freira"


VÍDEO DE HOMENAGEM

"O Segredo da Freira", assim se intitulou originalmente este fado, da autoria de Armando Neves e de Miguel Ramos, que foi do repertório de Joaquim Campos, aqui interpretado por Cidália Moreira que, como se reparará, não canta a 2ª estrofe do poema.

G.P.36

"O QUE FEZ CIDÁLIA
O fado, queiram ou não, tornou-se um dos símbolos vivos da língua: saudosista de primeira, rebelde acima de todas as suspeitas, história em pacto de intimidade com quase tudo o que é comtemporâneo. Ao longo do tempo não faltaram tentativas de lhe atribuir parentescos, descobrir-lhe intenções, ou mesmo dar-lhe um corpo - Maria da Glória ou Glória Maria. Cada um vê o fado à sua imagem e semelhança. Quando Cidália Moreira tomou o lugar entre fios e microfones e, com uma voz meridional, começou a trabalhar como suas as palavras do fado, aquelas caras da noite que assistiam recapitularam todas as perguntas possíveis. Para uns o fado é uma "força cósmica universal". Será? ou antes, uma espécie de antropofagia'? Será? Para outros, um pouco de grito a que a minoria lusitana terá direito. De vez em quando era quase necessário que Cidália parasse para alguém dizer: é isso mesmo. Cidália Moreira é forte e frágil ao mesmo tempo. O olhar é bravo e comove-se: não é teatro onde a simulação tem o seu valor. E as mãos são transparentes e acompanham como ferro uma voz que não é claustro: sente intensamente o mundo presente. Tenta agarrar outras palavras quando estas a tentaram para formas de sentimentalidade. O fado de Cidália deixa bem claro, que é falsa a reputação de distância que cerca o fado. Será então, o fado, um serviço público? É enquanto gerava fado nos poemas de Vasco Lima Couto e de José Carlos Ary dos Santos, alguém se lembrou que fazer fado é uma forma de confissão, de nudez e se não for assim, será brincadeira ou mistificação. E porque não Camões ou Carlos Drummond de Andrade? O fado a prestar um serviço: deselitizar a poesia, pôr a língua na civilidade. Castiço é isto. Vêem alguns no fadista um profeta visionário a relembrar a face menos nítida e menos real de um país que não existe. Não vi Cidália a desgastar-se nisso. O que fez Cidália? Procura textos que digam alguma coisa ligada à vida de todos os dias? Cantigas de amigo? Foram umas longas horas de teste definitivo. A provar que a poesia pode estar no dia-a-dia. Num exercício solitário de fado. E mesmo quando se discorda do texto, Cidália transforma o fado numa adivinha: trabalha cada palavra como se cada palavra estivesse desligada dos que a ouviam. Forma umas longas horas com um fado que vai percorrer o purgatório das interpretações num país onde a educação poética e musical foi sempre moldada por padrões estrangeiros. Por isso, menospreza-se a categoria dos clássicos do fado. a não ser que fique arrumadinha na prateleira folclórica dos costumes vocais nativos. Todavia, a força manifestada por esta algarvia levanta questões e problemas cruciais à prática cultural no Portugal de hoje. Por exemplo: o dilema dos que hesitam entre cantar para o povo e não apenas sobre ele. É evidente que não compete ao fadista tentar sistematizar o estudo do carácter nacional a partir do "português" revelado no folclore, na mitologia e na tradição. Esta tarefa competirá aos que não receiam ser vítimas conscientes das contradições do sistema. Deste ou daquele sistema, é da teoria. Ao fadista compete reflectir deliberadamente um estilo, de vivência ou de narrativa. Cidália criou um estilo tanto mais forte quanto o texto é fruto de uma imaginação fértil. E um estilo que sofistifica o verso. Um estilo que provou, ao longo de horas, que o fado não é para iniciados. É para ser ouvido pelos que o próprio fado retrata. O valor permanente do fado está nessa sua pretensão: a aspiração do fadista que se dispõe a expressar o seu país em palavras e não apenas a entendê-lo. Nesse sentido, o fado é parte de uma luta entre a cultura oral e a cultura escrita. Não existe sem oralidade e não fica limitado a um público restrito. E a nostalgia vem desta identificação... O fado que fez Cidália aponta para tudo menos para o que tem sido entendido como "essencialmente destruidor" e não se circunscreve no que tem sido descrito como "uma vasta ilusão". Nem sequer para uma "orgia intelectual". O que se ouviu de Cidália, pela forma como se ouviu, é um antindividualismo dirigido voluntarioso, para não dizer implacável. Provou ao longo de horas que o fado tem, neste país, o elementar direito permanente à pesquisa estética, à actualização da inteligência artística portuguesa e à estabilização de uma consciência criadora nacional. Uma prova destas é uma conquista muito mais importante do que a sensualidade oral já conseguida para o fado, por exemplo, por Amália Rodrigues, e mais importante do que os cantares do submundo português dos anos 40 e 50 a lembrar as esperanças que restavam no crespúculo do arbítrio. Cidália, possivelmente alheia ao efeito teatral da sua voz, não se veste com fantasias. Tenta fazer uma história. A história do fado que se recusa a ser infeliz por um preço qualquer.
Carlos Albino Guerreiro "
( in http://www.macua.org/biografias/cidalia.html )

I.P.

domingo, novembro 16, 2008

FILIPE PINTO - "O teu cabelo"

















Mais um cantador da velha guarda, Filipe Pinto, "O Marialva do Fado", neste Fado Corrido.
Pode consultar aqui http://www.macua.org/biografias/filipepinto.html alguns dados biográficos sobre o fadista.

BOM DOMINGO!
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sábado, novembro 15, 2008

AUGUSTA ERMIDA - "Foi na Travessa da Palha"

Para o repertório de Maria Alice, Gabriel d' Oliveira escreveu este fado a que deu originalmente o título "Cena Fadista", mas que ficou posteriormente conhecido pelo nome de "Foi na Travessa da Palha", na voz de várias intérpretes, entre elas Lucília do Carmo e Augusta Ermida, cantado no Fado Britinho de Frederico de Brito.

VÍDEO DE HOMENAGEM

No blog BicLaranja, que recomendo e cujo editor daqui saúdo, pode saber mais acerca da Travessa da Palha e da Taberna do Friagem; um artigo muito curioso http://biclaranja.blogs.sapo.pt/269487.html

segunda-feira, novembro 10, 2008

MÁRIO ROCHA - "A vida no Ribatejo"

Um fado da autoria de Fernando Farinha e de Alfredo Correeiro, na interpretação de Mário Rocha. Uma homenagem ao Ribatejo, por altura destas duas grandes festas - o S. Martinho e a Feira Nacional do Cavalo.

VÍDEO DE HOMENAGEM
 
Plat.
 

domingo, novembro 09, 2008

TRISTÃO DA SILVA - "Chinela"


Este fado que, creio, foi criado por Tristão da Silva, é da autoria de Manuel Paião e de Eduardo Damas.
Aproveito para agradecer a sempre preciosa colaboração de Fernando Baptista 
e do fantástico fotógrafo Dias dos Reis

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sábado, novembro 08, 2008

ADA DE CASTRO - "Cigano" ou "Troca por troca"



Este fado, originalmente intitulado "Troca por troca", com letra de J. Linhares Barbosa e música de Armando Machado, foi criado por Berta Cardoso, mas ficou mais conhecido na interpretação de Ada de Castro, que o gravou.
Para saber mais sobre esta fadista, vá a http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/76350.html

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quarta-feira, novembro 05, 2008

JOSÉ COELHO - "Eu gosto daquela feia"


















José Coelho, um dos mais populares fadistas das décadas de (19)30/40, um "cantador nostálgico e de sensibilidade apurada" é de novo recordado neste espaço, interpretando mais um dos seus êxitos -"Eu gosto daquela feia".


Eu gosto deste cantador e gostava de poder ouvi-lo noutros fados que criou e fizeram enorme sucesso... (pois! continuo aguardando...)


Neste sítio http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/83257.html?view=165433 há mais informações acerca deste fadista
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sábado, novembro 01, 2008

MARIA ALBERTINA - "Meu filho"


















Lembro hoje esta cantadeira dos tempos áureos do Fado que, como se refere aqui http://www.macua.org/biografias/mariaalbertina.html , inexplicavelmente nunca alcançou o estrelato ou, diria eu, nunca quis alcançar... Conheci-a pessoalmente e guardo dela a imagem de uma pessoa verdadeiramente encantadora. Este é, de certo, o fado que sempre melhor viveu e cantou .
Gostaria que este blog tivesse outra dimensão e visibilidade e que o Cândido Mota visse este vídeo de homenagem à sua mãe. Pode ser que o improvável aconteça! De qualquer modo, aqui fica a minha saudação fadista ao inesquecível "Passageiro da Noite".
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Verbete publicado em 01.11.2008

(Ele há coisas!... Há bocado recorri ao site do Museu do Fado para ver o que lá constava acerca da Maria Albertina e eis que verifico que o tema escolhido para a Galeria Multimédia desta artista foi exactamente este seu emblemático "Meu filho"; porém, chamou-me a atenção ser indicado o João Linhares Barbosa como sendo um dos autores do tema e, como já não tenho grande confiança na minha memória, logo recorri a este meu blogue para tirar a dúvida que se me instalara 


Ora, como se verifica da ficha incluída no vídeo, aponto o famoso autor do Fado Malhoa como sendo igualmente o autor desta letra, de parceria com Raul Ferrão, autor da música; de facto, parece-me estar a razão do meu lado, tanto mais que é essa a informação constante do fonograma


Devendo ser o site do Museu do Fado a fonte on line mais credibilizada de tudo o que há na Net acerca de Fado, parece-me no mínimo caricata, por improvável, a ocorrência de lapsos destes, estando, demais, o MdoF tão bem assessorado quanto está!... Desculpem lá meus caros amigos, mas, como sabem, esta chamada de atenção em nada altera a consideração e estima que tenho por vós e espero que vice versa, ao contrário do que anteriormente já se verificou em casos semelhantes, se bem que com outros personagens, verdade seja... 
Atrevo-me ainda a acrescentar que não se perdia nada se dessem uma revisão geral à matéria publicada porque, para ser franca, este não foi e não é, nem o primeiro nem o único lapso que verifiquei e, desnecessário será lembrar a obrigatoriedade, por inerência, bem como a responsabilidade de ser "a referência", como acontece in casu. Bem já basta o tanto de incorrecções que se publica acerca do Fado, euzinha incluída porventura..., mas esse é um "luxo" a que o Museu se não pode/deve dar, presumo eu...
Como provavelmente não frequentam este sítio, espero que alguma alma caridosa vos recomende este verbete e que, com a humildade que a Sabedoria requer, emendem este e outros lapsos que não ficam bem no sítio do Museu do Fado. 
Desde já, os meus agradecimentos
Verbete acrescentado e republicado em 08.10.2012)
 
Em Paris
Plat.61

terça-feira, outubro 28, 2008

MARIA DA NAZARÉ - "Ser fadista"








Aqui http://mariadanazare.home.sapo.pt/ encontra uma pequena biografia desta fadista, a discografia e porque canta...
Aqui, pode ouvi-la neste fado que foi criado por Hermínia Silva e é da autoria de César de Oliveira e de Rogério Bracinha.
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domingo, outubro 26, 2008

ANTÓNIO DOS SANTOS - "Minha alma de amor sedenta"


















António dos Santos começou por ser conhecido como cantador humorístico, mas acaba por ser sempre lembrado interpretando "fados-baladas" como este a que empresta esta sua voz singular que pode "ouver" neste
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sexta-feira, outubro 24, 2008

ARGENTINA SANTOS - "A minha pronúncia"



















EP1952


Não se pode falar de Argentina Santos sem falar da sua "Parreirinha de Alfama", conceituada casa de fados por onde passaram grandes nomes da Canção Nacional e onde se come magnificamente.
De facto, Argentina é, para além de uma notável cantadeira, uma excelente cozinheira, ou vice-versa...
Em http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/69863.html encontrará mais informações sobre Argentina Santos e poderá ouvi-la aqui numa interpretação sua deste fado que tem letra de Clemente J. Pereira e música de Alfredo Duarte Marceneiro, que foi uma criação de Carolina Redondo, natural de Setúbal, região onde se verifica essa particular pronúncia do R a que alude a letra.
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terça-feira, outubro 21, 2008

RUA BERTA CARDOSO















http://www.bertacardoso.com/

Em 1 Outubro de 1948, o "Ecos de Portugal" fazia eco da voz da artista cantadeira que melhor vocalizava o Fado...

Uma entrevista a ler, realizada por E. Babo que termina, afirmando: "Tantos anos passados e sempre a mesma voz, o mesmo encanto a reconciliar-nos com o fado no regresso insensível ao passado. -Ontem, como hoje, afinal."

No post que escrevi, há um ano, a assinalar o dia em que Berta Cardoso, se fosse viva, completaria 96 anos, o meu ciber amigo D.Diniz, como usualmente lhe chamo , comentou:

"Grande Berta Cardoso! Inexcedível! Se fosse viva muito nos ensinaria se a quisessem escutar mas hoje cada vez se escuta menos e diz mais, sem nada para dizer. Extraordinária! Se é certo que o Museu do Fado já lhe fez uma homenagem e muito bem feita - exposição e espectáculo de encerramento - que os Amigos do Fado também a homenageram falta Lisboa outorgar o seu nome a uma rua da cidade! aideuseue".

De facto, sou da mesma opinião. E verifiquei, entretanto, que, em 11 de Abril de 2007, essa proposta fora feita pelo vereador José Amaral Lopes, da C.M.L., e aprovada, conforme se pode aqui verificar




Que eu saiba, a dita rua ainda não ostenta o topónimo aprovado; nem sei se a rua já existe ou se ainda se encontra em estado de projectada... Mas não queria deixar de, no dia de hoje, partilhar esta alegria com todos os amigos de Berta Cardoso que, de vez em quando passam aqui pelo meu sítio.

E a si, Sr Vereador, embora este acto seja da mais elementar justiça, bem haja pela lembrança!

sábado, outubro 18, 2008

JÚLIO VIEITAS - "Um Artista"












Estes documentos são fundamentais para a "compreensão redonda do Fado", como diria a minha saudosa e "desaparecida" amiga , fadista Valéria Mendez, cujo regresso à actividade bloguística, em prol do Fado, continuo a aguardar e a qual daqui saúdo, na esperança de ser ainda visita assídua deste meu modesto sítio.

Júlio Vieitas, cantador, letrista e compositor, faz, nesta entrevista, "declarações desassombradas", como se anuncia em subtítulo, que vale a pena ler.

Vale também muito a pena ouvi-lo neste Menor com Versículo ou Versículo que, salvo erro, será ainda da autoria de Alfredo Duarte Marceneiro !?... :)
VÍDEO DE HOMENAGEM

sexta-feira, outubro 17, 2008

FLOR DO FADO




















Não, esta não é a Flor de Fado da Mafalda Arnauth.
Esta é a Flor do Fado do "Retiro da Severa", uma conceituada casa de fados que, em 1937, teve a brilhante ideia de apresentar, deste modo colorido e até cheiroso, o seu notável elenco privativo, a "fina flor do fado" :
ao centro, o empresário do Retiro, Jorge Soriano
nas pétalas, da esquerda para a direita e de cima para baixo, os fadistas
José Porfírio, José Tovar e Júlio Proença
Berta Cardoso e Maria Emília Ferreira
José Pereira, Alberto Costa, Alfredo Duarte Marceneiro e Arminda Vidal
na haste, o gerente Alfredo Meca, e as fadistas Adelina Silva e Deonilde Gouveia
Bem se pode dizer que esta é mesmo "flor que se cheire"

FADO no PORTO
















O Porto também tem Fado!...

Esta é uma notícia dada na Canção do Sul, de 1938, que aqui deixo para lembrar casas de Fado no Porto e os fadistas e instrumentistas que lá actuavam.
O Fado continua vivo no Porto. Aos fadistas, poetas, instrumentistas, fadistólogos do Porto ou no Porto,

Saudações Fadistas!

quinta-feira, outubro 09, 2008

MARIA DA FÉ - "Divino Fado"

Maria da Fé, nome artístico de Maria da Conceição Costa Marques Gordo, natural do Porto, cidade que nos tem presenteado com notáveis fadistas, letristas, compositores e amantes de fado. O Fado, que é muito mais que Canção de Lisboa, é Canção Nacional que se anseia venha a ser reconhecida como Património Mundial.
Desde miúda, Maria da Fé sonhou ser fadista. E o sonho cumpriu-se. Aos 14 anos, Maria da Fé apresentou-se a cantar num concurso de cantadeiras amadoras, tendo ficado em 1º lugar. Aos dezoito anos vem para Lisboa onde começa a cantar em casas de fados, nomeadamente na Adega Machado, e posteriormente na Típóia, na Parreirinha e no Sr. Vinho, restaurante que inaugura, em 1975, de parceria com o marido José Luís Gordo (poeta-letrista) e com António Mello Corrêa (fadista). Integrou o grupo Entre Vozes (2000), ao lado de Alexandra, Alice Pires e Lenita Gentil. Dos seus muitos êxitos, cuja letra de grande parte dos quais se deve a seu marido, lembramos Valeu a Pena, Primeiro Amor, Cantarei Até Que A Voz Me Doa, Obrigado, Vento do Norte, Fado Errado e

Divino Fado


" Minha mãe, eu sou do tempo
Da força que a água tem
Sou do mistério do vento
Que não sabe donde vem.
Esta voz que canta em mim
Não a canta mais ninguém
Sou do Mistério do Fado
Que não sabe donde vem.


Minha mãe, dai-me o Talento
Que só o Poeta tem
Eu sou como o próprio vento
Que não sabe donde vem.
Minha mãe, o vosso amor
Pouco ou nada quase tem
Sou como a própria flor
Que não sabe donde vem.


Minha mãe, eu sou do tempo
Da força que o Fado tem
Sou do Mistério do vento
Que não sabe donde vem"


VÍDEO DE HOMENAGEM

JOSÉ MANUEL OSÓRIO - "Fado da Meia-Laranja"



José Manuel Osório é mais um nome incontornável no fado, não só como fadista, mas também como investigador e estudioso do Fado, com obra editada. Este fado, que lhe ouvi cantar, emocionada, há já alguns anos, numa noite, no "Tostão", continua a ser um dos meus preferidos, não só pela belíssima letra de José Luís Gordo, que tão bem tratou este tema tão difícil, como pela feliz escolha desta música de Joaquim Campos, como ainda pela superior interpretação de J. M. Osório.


Quem me dera saber escrever assim:


"Ali, à Meia-Laranja,


Meio-Inferno de Lisboa,


Onde a morte anda a viver


Há milhares de olhos baços


A vida tem tantos braços


Para a morte se esconder
....

Há punhais de infelicidade

Ali se mata a idade

no coração de Lisboa "

VÍDEO DE HOMENAGEM

ESTELA ALVES - "Contradição"















Um fado de Mário Junqueiro, interpretado por Estela Alves , que nos vai lembrando que "os olhos são o espelho da alma" e que "quem mais jura, mais mente":

"Por mais que queiras fingir / uma afeição que não sentes / não consegues iludir / quanto mais juras mais mentes.

Dizer que gostas de mim / é pura contradição / pois quando afirmas que sim / teu olhar sem fim / está dizendo não."

Ora oiça

VÍDEO DE HOMENAGEM

terça-feira, outubro 07, 2008

MARIANA SILVA - PARABÉNS!


"A Miúda do Alto do Pina"

Hoje, essa menina de laço, que figura na primeira página do Ecos de Portugal , ao lado da consagrada cantadeira Natividade Lopes e do notável cantador João Maria dos Anjos, hoje, essa menina que então contava apenas 14 anos, mas que a IGE (Inspecção Geral dos Espectáculos)autorizara a cantar, essa menina faz 75 anos de idade e 65 anos de cantigas!...

Estreou-se no Salão Monumental, ao lado da já então famosa Berta Cardoso; cantou em grande parte de Retiros e Casas de Fado, desde o Solar do Marceneiro, passando pela Adega Machado e Viela, à Parreirinha de Alfama, locais onde conheceu e cantou ainda ao lado de outros cantadores e cantadeiras históricos. Reconhecida como uma das grandes estilistas do Fado, foi, em 1952, eleita Rainha do Fado Menor. Com cerca de 16 anos, gravou o primeiro disco, para a etiqueta Estoril; gravou posteriormente para a Rapsódia, Alvorada e Orfeu.

De entre os seus maiores êxitos, destaco os fados por si criados: Erva da rua, de J.Linhares Barbosa e Armandinho; A Sina das Marianas, de J.Linhares Barbosa e J. António Sabrosa; Santa Mãe, de J.Linhares Barbosa e A.Marceneiro e Amar não é pecado, de Moita Girão e Pedro Rodrigues.

Este blog tem-lhe dedicado alguns posts
http://fadocravo.blogspot.com/2008/09/mariana-silva-e-assim-nasceu-o-fado.html


http://fadocravo.blogspot.com/2005/10/parabns.html#comments


http://fadocravo.blogspot.com/2006/10/parabns-mariana-silva.html#comments

e figura também no youtube

http://br.youtube.com/watch?v=97Y8jMpV0gs


http://br.youtube.com/watch?v=h894b_Ni9Q0


http://br.youtube.com/watch?v=shqGm8PJTkg

PARABÉNS! OBRIGADA! QUE PASSE UM DIA EXCELENTE!

domingo, outubro 05, 2008

RAUL PEREIRA - "Saudoso Fado"

VÍDEO DE HOMENAGEM


"...a nossa voz, em todo o lado,será, para nós, a porta-voz do nosso fado"

"Quem nunca ouviu, na velha Alfama, o som plangente,
a vibração duma guitarra pelas vielas
Nunca escutou esse queixume que anda ausente,
aquele fado que embarcou nas Caravelas
....
Quem nunca ouviu, no Bairro Alto e Madragoa,
vozes fadistas em vibrantes desgarradas
Nunca escutou, nas velhas ruas de Lisboa,
todo o encanto das saudosas madrugadas
...
Quem não viveu, naquele tempo da nobreza,
junto aos plebeus, na Mouraria, em comunhão
Deve ter pena em não viver toda a grandeza
daquele Fado que nos fala a Tradição
... "

quinta-feira, outubro 02, 2008

ANA ROSMANINHO - "Saudades do Brasil em Portugal"

Mais uma vez a Saudade... sempre a Saudade!...
Vinicius de Moraes, brilhantemente interpretado por Ana Rosmaninho.

VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, outubro 01, 2008

ANTÓNIO MOURÃO - "A Noite"

À noite é que o Fado mais acontece!...
De Vasco de Lima Couto e Maximiano de Sousa(Max), letra e música, respectivamente, este fado na voz inconfundível de António Mourão

VÍDEO DE HOMENAGEM

Notas biográficas do fadista:
http://www.macua.org/biografias/antoniomourao.html

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/79373.html

Plat.

terça-feira, setembro 30, 2008

TRONO DO FADO


















Era este o elenco do Retiro da Severa, em 1938:
- Berta Cardoso - - Mª Emília Ferreira -
- Mª do Carmo Torres - Alfredo Duarte (Marceneiro) - Deonilde Gouveia -
- Arminda Vidal - Carmen Santos / José Pereira / José Tovar / Alberto Ribeiro / Jaime Silva / Manuel Pereira - Lucília do Carmo -
- X. Pinto - Armandinho / José Marques (Guitarristas) - Júlio Proença / José Porfírio -
- Alfredo Costa / Abel Negrão / Santos Moreira (Violistas) -
Se fosse agora, estava lá caída todas as noites!...

domingo, setembro 14, 2008

TEREZA TAROUCA - "Fado do cartaz"

Interpretado por Tereza Tarouca, na Marcha do Marceneiro, o "Fado do Cartaz", com letra de Manuel Andrade. No vídeo, esta informação está errada, dado ter-se optado por manter as indicações constantes no fonograma original...
Aqui encontra um apontamento biográfico acerca da fadista

Atenção
O musical "Fado… esse malandro vadio!" de João Núncio estreia dia 30 de Outubro no teatro-auditório do Casino Estoril, com a participação especial de Teresa Tarouca.

VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, setembro 13, 2008

VICENTE DA CÂMARA - "Milagre de Santo António"

Vicente da Câmara escreveu e interpreta, Na Marcha da Mª Vitória, este "Milagre de Santo António".

Para saber mais sobre Vicente da Câmara, vá por aqui

http://www.macua.org/biografias/vicentedacamara.html


VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, setembro 10, 2008

MARIA TERESA DE NORONHA - "Mataram a Mouraria"


O estilo inconfundível de Mª Teresa de Noronha (Paraty), Condessa de Sabrosa, pelo seu casamento com D. José António Serôdio, guitarrista amador e grande amante de Fado, neste fado com letra de José Mariano, interpretado na Marcha de Manuel Maria, e que diz assim:

"...Enquanto houver portugueses / Ninguém diga em Portugal / Que vai morrendo o passado".


Notas biográficas em português http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/54209.html


em inglês http://fadous.blogspot.com/search/label/maria%20teresa%20de%20noronha

e em espanhol
http://guitarrasdelisboa.blogspot.com/2009/09/maria-teresa-de-noronha.html#links

VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, setembro 07, 2008

FREI HERMANO DA CÂMARA - "Minha mãe, nasci fadista"


"...mora fado no meu peito / não se canse, não insista / não há ninguém que desista / quando vive satisfeito..."

Autores da letra e música- Hermano Sobral e Hermano da Câmara

Nota biográfica

O grande amor à música, e em especial ao fado, vai levar o jovem D. Hermano Cabral da Câmara a juvenis fadistadas com seus irmãos. Tal não é de admirar, havendo ele nascido, em 1934, numa família de aristocratas e fadistas.Grava o seu primeiro disco no circuito comercial em 1959, Sunset and Sentimental, onde se encontram temas ainda hoje conhecidos, como Colchetes de Oiro. Rapidamente a sua voz, muito particular, conquistará o coração de inúmeros fãs.Com 27 anos decide, bruscamente, tornar-se monge beneditino. Desta resolução nasce o mítico Fado da Despedida. Ao longo dos anos, e com a abertura proporcionada pelo Concílio Vaticano II, Frei Hermano da Câmara voltará a gravar temas, marcados pela sua vocação religiosa, onde a sua voz continua a revelar o fulgor que o distinguiu.
PRINCIPAIS ÊXITOS: Colchetes de Oiro, Minha Mãe, Olhos Negros, Guitarra Chora Que eu Canto, O Rapaz da Camisola Verde, Os Teus Olhos São Passarinhos, Ave Maria, Jesus, Sede de Infinito.
(in http://www.macua.org/biografias/freihermanodacamara.html )

"...fado é triste solidão / fado existe em todos nós / cantar fado é um condão / é dar fala ao coração / e viver com essa voz..."

Vídeo de Homenagem

http://fadocravo.blogspot.com/2006/08/fado-de-lisboa.html

sexta-feira, setembro 05, 2008

MARIANA SILVA - "E assim nasceu o fado"


Uma quadra de J. Linhares Barbosa, glosada por Joaquim da Silva, interpretada no Fado das Horas (ou será simplesmente o Mouraria estilizado?!) por Mariana Silva.

E ASSIM NASCEU O FADO

Repertório de Mariana Silva

Quando Deus criou as rosas
Neste país encantado
Caiu uma, desfolhou-se,
E dela nasceu o Fado.


Não havia uma canção
Entre as canções amorosas
Que despertasse a paixão
Quando Deus criou as rosas.

Mas quis o Bom Criador
Que uma lá do seu agrado
Fosse uma canção de amor
Neste país encantado.

Ou por divina magia
Ou fosse lá pelo que fosse
Ao despontar certo dia
Caiu uma, desfolhou-se.

Segundo a lenda nos narra
Foi disposta com cuidado
Nas cordas duma guitarra
E dela nasceu o Fado.

Joaquim da Silva

Vídeo de Homenagem

FÉRIAS



















As férias de Agosto em 1913.
Uma crónica de Júlio Dantas.

Verdade?!...

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quinta-feira, agosto 28, 2008

MANUEL SIMÕES











Foi com sentido pesar que hoje tive conhecimento, através da APAF, da morte de Manuel Simões, da Estoril Discos, proprietário da Discoteca Amália, fundador e Presidente do Conselho de Administração da Fundação Manuel Simões, fundação com "fins de carácter cultural, nomeadamente a difusão do Fado como Canção Urbana de Lisboa, bem como os de beneficência e solidariedade social" (artº 5º dos Estatutos).
Tive o prazer de conhecer este cavalheiro no ano de 1992, quando reeditou uma das (como lhes chama) "intérpretes míticas" do fado -Berta Cardoso-, que já editara nos anos 50; foi com enorme carinho e também com imenso profissionalismo que foi pensado e editado esse CD- edição especial, numerada e autografada- que, penso, será o único registo comercialmente disponível da artista.
O Sr. Manuel Simões fez o favor de me distinguir com a sua amizade e granjeou a minha; Lembrá-lo-ei sempre e a minha admiração perdurará por esse homem sabedor, empreendedor, simples, honesto e apaixonado pelo Fado que sempre soube ser.
Creio que é importante termos uma imagem do homenageado; a única foto que tenho de Manuel Simões é integrado em grupo, sendo o 5º a contar da esquerda; encontra-se acompanhado de João Capela, Pedro Moutinho, Maestro Tavares Belo, Francisco José e José António, o último da esq. p/a a dir.
À família enlutada, os meus sentidos pêsames.

domingo, agosto 24, 2008

CARLOS DO CARMO - "As três normas"


Este fado, cantado por Carlos do Carmo (1), na música do Fado da Azenha, de Frederico de Brito, tem uma magnífica letra de Carlos Conde, que evoca os três Macacos Sábios - Mizaru, Kikazaru e Iwazaru - e a sua mensagem de saber viver.
Diz assim:
"Para quem queira viver
Sem ralhar, sem discutir,
Três normas tem de adoptar
É ter olhos e não ver
Ouvidos e não ouvir
E ter boca e não falar"
... ... ... ...
É receita que dá, por certo, muito resultado, mas não é para todos. Antes de mais, é preciso ter temperamento ou feitio ou qualquer coisa assim para fingir que não se vê e não se ouve e... não falar; depois, é necessário muitos anos de aturado treino e uma grande dose de fdp... para passar a vida a fazer como o cavalo na parada... Mas há quem o faça e muito bem e fica, assim, sempre bem visto. Poderá ser até um tipo de sabedoria macacoide, mas que dá um resultadão, todos sabemos que dá, não é? "Caladinho é que eu sou lindo!" ou "O calado vence tudo", fazem parte do mesmo ideário, até mesmo porque "quem mais fala, mais erra" e, por isso e outras coisas mais, eu vou já calar-me para nem sair mais asneira nem entrar mosca; mas não sem antes aqui deixar estas palavras do poeta:
"Não fales, não sejas louco
Estuda o mundo de forma
A que o leves de vencida
Saber muito e falar pouco
Faz parte da boa norma
Com que se vence na vida"
divirta-se e medite que eu, eu vou a banhos!...

(1) Carlos do Carmo interpretou o "Fado da Saudade", no filme "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura, fado distinguido com o Prémio Goya 2008, na categoria de melhor canção ORIGINAL. Um fado da autoria de "Fernando Pinto do Amaral e Joaquim Campos", de acordo com a notícia em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/805948.html , que remata com a seguinte frase premonitória "De novo apenas poderá haver o facto de ser um fado a roubar o reconhecimento para a melhor canção original."
Relativamente à autoria da música, para além de Joaquim Campos, há também quem diga que se deve a Alfredo Marceneiro, o Fado Versículo, e quem defenda que aquele fado é simplesmente o Menor, embora com complemento de versículo, mas um versículo (tecnicamente) diferente... São, claro, opiniões de catedráticos do Fado e eu, que do fado só sei quanto o aprecio, fico calada; precisamente!... como o macaco! Mas, como estou só fingindo que não ouço, não vejo e não sei, sempre vou repetindo "Menor ou Versículo, original, é que esse fado não é e, esse, é o cerne da questão".
Voltamos a encontrar-nos na "rentrée", combinado?

VÍDEO DE HOMENAGEM

sexta-feira, agosto 22, 2008

"Lembrança é quase presença"

Durante estes últimos meses, aqui foram lembrados ilustres fadistas, alguns da "velha guarda", outros contemporâneos e, desses, alguns ainda no activo. Lembrados foram também os poetas de fado e compositores musicais, alguns deles instrumentistas. Nesta "Tribuna do Fado" falta ainda incluir muitos que, espero, terei ocasião de lembrar de igual modo.

Só morrem os que esquecemos.
Estar vivo é ser lembrado (mas também pode ser "o contrário de estar morto", como diria a tia mais tia de Portugal e arredores).
Como disse o poeta, "lembrança é quase presença"!...

Recordámos os intérpretes:

Alfredo Duarte "Marceneiro"; Alfredo Duarte Jor; Alberto Costa; Amália Rodrigues; Ana Rosmaninho; António Rocha; Adélia Pedrosa; Artur Batalha; Adelina Ramos; Argentina Santos; António Mourão; António Mello Corrêa;

Berta Cardoso; Beatriz da Conceição;

Celeste Rodrigues; Carlos Duarte; Carlos Ramos; Carlos Zel; Cândida Ramos; Carlos do Carmo;

Ercília Costa; Ermelinda Vitória;

Flora Pereira; Fernanda Maria; Fernando Farinha; Frutuoso França; Fernando Maurício; Fernanda Baptista; Filipe Pinto;

Gabino Ferreira;

Hermínia Silva; Hermano da Câmara (Frei);

Ilda Silva;

Júlio Peres; Júlio Vieitas; Júlia Chaves; José Porfírio; José Coelho; Joaquim Silveirinha; José Freire;

Lucília do Carmo; Lina Maria Alves; Linda Leonardo;

Mariana Silva; Madalena de Melo; Maria Emília Ferreira; Maria Alice; Maria do Carmo Torres; Maria de Lourdes Machado; Maria José da Guia; Maria Amélia Proença; Mercês da Cunha Rego; Max; Manuel Calisto;

Natália dos Anjos;

Rodrigo; Raul Pereira;

Recordámos os autores:

António Botto; Armando Neves; Alberto Janes; Amadeu do Vale; Ary dos Santos; Amália Rodrigues; Artur Ribeiro; Alberto Rodrigues; Américo M. dos Santos; A. Pessoa; Alfredo Duarte "Marceneiro"; Armando Machado; Alberto Costa; Armando Freire "Armandinho"; António Chainho; António Mourão;
Baptista Lourenço;

Carlos Conde; Clemente Pereira; Castelo B. Mota; Casimiro Ramos; Carlos Gonçalves;

Domingos Gonçalves Costa; David José; Daniel Gouveia;

Eduardo Damas; E. Costa;

Fernando Teles; Fernando Farinha; Florbela Espanca; Fernando Pinto Coelho; Frutuoso França; F. Pinto do Amaral; Francisco Viana "Vianinha"; Frederico Valério; Fernando Peres; Franklim Godinho; Filipe Pinto; Francisco José Marques;

Gabriel de Oliveira; Guilherme Pereira da Rosa; Gabino Ferreira; G. Teles;

Henrique Rego; Hortense V. César; Henrique Perry; Hermano da Câmara (Frei);

Ivete Pessoa;

João Linhares Barbosa; Joaquim Frederico de Brito; João da Mata; João de Freitas; João Dias; Júlio Vieitas; Jorge Rosa; José Luís Gordo; Jaime Lúcio; José de O. Cosme; Jaime Santos; Jaime Mendes; J. Fontes Rocha; Júlio Calado; Júlio Proença; José Bacalhau; José Marques; J. António Sabrosa; J. Pereira; J. Fontes; J. Campos; J. M. Nóbrega; J. Negro;

Lopes Victor;

Maria Manuel Cid; Miguel Torga; Manuel Pardal; Miguel Ramos; Manuel Soares Portugal; Mário Silva; Mário Gonçalves Teixeira; Martinho d'Assunção;

Paco Gonzalez; Paulo Vidal; Pedro Rodrigues;

Raul Ferrão; Raul Portela; Raul Pinto;

Tiago Torres da Silva;

Vasco de Lima Couto; Varela Silva


segunda-feira, agosto 11, 2008

MERCÊS DA CUNHA REGO - "Cavalo russo"



Há fados assim... pode muita gente cantá-los, mas ficam para sempre colados a um nome... Este é um caso - o "Cavalo russo" ...da Mercês.
De Paulo Vidal e Frederico Valério, a interpretação de Mercês da C. Rego, para recordar
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domingo, agosto 10, 2008

ANTÓNIO MELLO CORRÊA - "Toirito negro"


Mª Manuel Cid escreveu, F. Rocha musicou, António M. Corrêa canta este fado que evoca o Ribatejo.
Para saber mais sobre este fadista, pode ir ao blog
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/antónio+melo+correia

VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, agosto 03, 2008

MARIA DE LOURDES MACHADO - "Balança, balança"

















Com letra de Ivete Pessoa e música de Armando Machado, este fado que convida a um mergulho nas águas calmas do Portinho, depois de um passeio pela serra da Arrábida... Mª de Lourdes Machado, a criadora do fado "A mulher que já foi tua", e também deste, presta homenagem ao seu Portinho d'Arrábida, onde tinha casa e donde vinha sempre "com saudades de não poder lá ficar"... Atrevo-me a dizer que é sentimento comum a quem lá vai; apetece mesmo lá ficar a admirar aquela serra maravilhosa que o mar refresca.

Para ver a letra do fado, pode seguir este caminho

http://fadocravo.blogspot.com/2006_11_01_archive.html


VÍDEO DE HOMENAGEM


sábado, agosto 02, 2008

ALBERTO COSTA - "Boneca de loiça"



Letra de Alberto Rodrigues, interpretação de Alberto Costa. Este fadista actuou, durante algum tempo, n' "A Parreirinha", mas a foto que se encontra no vídeo foi tirada n' "O Faia", podendo ver-se, para além de Alberto Costa, o 2º a contar da esquerda, Martinho d'Assunção, Amália, Linhares Barbosa, Berta e F. Carvalhinho. Full de ases!...
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terça-feira, julho 29, 2008

ADELINA RAMOS - "Não passes com ela à minha rua"

Só hoje tive conhecimento do falecimento, no passado dia 26, de Adelina Ramos, aos 92 anos, intérprete maior deste fado, inicialmente intitulado "Foste meu", com música de Casimiro Ramos e letra de Carlos Conde, que o escreveu para o repertório de Maria da Saudade.

*
Gostaria de ter sabido a tempo e, como eu, provavelmente muito mais pessoas que conheceram a fadista e lhe teriam querido prestar a última homenagem; mas, mais uma vez, a informação falhou, não chegando, em devido tempo, onde devia, ou, tendo chegado, não foi dada a importância devida...

*
Agradeço à APAF a informação que divulgou, tão logo teve conhecimento do facto, assim permitindo que, embora tardiamente, eu possa ainda prestar esta minha sentida homenagem a Adelina Ramos, que tantas vezes ouvi n' "A Tipóia", em boa companhia...



Um beijo de despedida

VÍDEO DE HOMENAGEM

Para saber mais, aceda às páginas

http://fadocravo.blogspot.com/2006/10/recordar-berta-cardoso.html#comments

http://www.fotolog.com/parquemayer1/45832993

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=972915

domingo, julho 27, 2008

CARLOS ZEL - "Mestre João Núncio"


Com letra de Mª Manuel Cid, Carlos Zel canta, no Fado Mouraria, este "Mestre João Núncio", uma homenagem a essa figura maior do toureio a cavalo, que ficou conhecido como "O Califa de Alcácer", alcunha que lhe foi dada pelo cronista e aficionado D. Bernardo da Costa.
João Núncio, um português que faz parte da história de Portugal, pela sua arte, o seu trabalho e os seus valores morais.

Carlos Zel presta homenagem a Mestre João Núncio e eu, com este vídeo, presto a minha modesta homenagem a estes dois portugueses que muito admiro, não só pelo incontestável valor artístico de cada um, mas principalmente pela coragem, comum a ambos.
VÍDEO DE HOMENAGEM

Em Novembro de 1976, no primeiro número da revista “A Semana”, de Miguel de Araújo, surgiu uma comovente despedida a João Branco Núncio, na hora do seu desaparecimento. Foi escrita por Mascarenhas Barreto, multifacetado autor, muito mais conhecido pelas suas incursões na História (o “Colombo Português”) do que pela sua vertente de aficionado. Aqui fica essa vibrante homenagem a Mestre João Branco Núncio (a ele que nunca gostou que lhe chamassem mestre...), o maior vulto da tauromaquia portuguesa, nobre figura de alentejano, cavaleiro e lavrador.

UM HOMEM: João Branco Núncio Que outra figura poderia escolher para breve antecâmara de crónicas taurinas? Raros homens, neste século de galopante putrefacção do carácter, reuniram, como ele, tão altas virtudes de português autêntico: o amor à terra, a coragem moral e física, a generosidade discreta - quase humilde - o sacrifício abnegado nas mais cruéis circunstâncias. Vejo-o fechando na mão tisnada um punhado de torrão seco, enquanto os olhos perscrutavam um céu desesperadamente nu de ansiada chuva. Na luta contra a terra, conquistara honradamente os frutos que generosos só são quando por eles se sangra um trabalho tenaz, constante. Vejo-o fechando na mão tisnada o ferro com que, nas arenas ardentes de sol e emoção, desafiava o toiro, na mais nobre e tradicional festa popular portuguesa. Na luta contra a fera, soubera grangear o mais alto troféu de um toireiro: a admiração, o amor do povo que, ali, com ele se irmanava na valentia instintiva, no gosto por essa arte cinética secular. Vejo-o, enfim, fechando na mão tisnada as rédeas amargas, quando vilmente espoliado da enxada que sempre trouxera na carne para desbravar a terra, empunhava agora a única que lhe restava - na alma: a do toireio equestre. A este trouxera a inovação, o sentido simplista de síntese e medidas, e uma grandeza inolvidável. Não só como Centauro se oferecera aos toiros. De igual, lidava-os a pé, de capote e muleta; corria-os em campo aberto, na euforia do derrube, no apadrinhamento da apartação dos bezerros - a mesma euforia e também o mesmo anseio criador com que sofria o despontar e o envigorar das searas, dos arrozais, da vida que só a terra dá e o homem rouba... Com Núncio passou o toireio equestre a definir-se por axiomas diferentes, magistrais. Poder-se-à dizer que se tornou fronteira de estilos na lide montada: antes de Núncio; depois de Núncio. Contudo, na sua modéstia natural parecia não se aperceber de que criara uma nova era tauromáquica que seus contemporâneos seguiriam: os cânones nuncistas. Como Juan Belmonte, para o toireio a pé, João Núncio foi expoente máximo para o toireio a cavalo. Em crónica futura se falará desta Arte. Nasceu João Alves Branco Núncio a 15 de Fevereiro de 1901, na Herdade de Parchanas, de São Romão, para onde seu avô, Joaquim Mendes Núncio, lavrador da Golegã, se trasladara, em 1878. Aí, em Alcácer do Sal, cingiu esporas. Aos 13 anos, a 23 de Agosto de 1914, toireou pela primeira vez em público, num cavalo - Teodoro - que fora de Manuel Casimiro, quando a glória da "Festa Brava" equestre se disputava entre este cavaleiro e o Morgado de Covas. Depois, alternando com seu pai, Inácio Augusto Murteira, surgiu na Praça de Évora, a 20 de Setembro desse mesmo ano, "não apenas como um caso de precocidade, mas também, e principalmente, como deslumbrante revelação artística" - aplaudiu a crítica: era a sua segunda corrida. Finalmente, veio a hora da regra tradicional: na tarde de 27 de Maio de 1923, António Luís Lopes concedeu-lhe a alternativa, na Praça do Campo Pequeno. Ele próprio a concederia, mais tarde, a onze cavaleiros tauromáquicos: Dr. Fernando de Andrade Salgueiro e Dom Vasco Jardim (1938), Francisco Murteira Correia (1943), Eng.° José Rosa Rodrigues (1944), Dom Francisco de Mascarenhas (1945), Francisco Sepúlveda (1952), Gastón dos Santos (1954), seu filho, Eng.° José Barahona Núncio (1962), Eng.° José Samuel Lupi e Alfredo Conde (1963), Frederico Cunha (1968) e José João Zoio (1972). Em Espanha, onde múltiplas vezes ergueu as praças de entusiasmo e admiração, foi o primeiro cavaleiro português a matar toiros, a cavalo, a estoque. Em Portugal, consagrou-o o povo como sendo "o maior". Era-o, de facto: o maior vulto da história do toireio a cavalo em todo o mundo. Depois, não mais parou de empolgar as arenas, senão quando o acidente da queda de um cavalo aniquilou seu filho e o desgostou para sempre de honrarias, ovações. Contudo, aos 75 anos - salvados três cavalos do assalto infame da negra saga de ocupações predatórias - não lhe faltou coragem para enfrentar, de novo, a vida nos redondéis. Por fim, na Golegã, quando serenamente preparava um dos corcéis, veio a enfrentar a morte - derradeiramente. Estava a cavalo, enforquilhado na sua sela-charrua; pés bem firmes nos estribos da honradez, da dignidade. Pelos olhos nublados, entre terra e céu, ter-lhe-iam desfilado, nos cenários edénicos verde-azuis das lezírias e calmosos verde-pardos das charnecas, essas montadas fiéis em que se prolongara a sua imagem cavaleira: Relâmpago, Santander, Pregonero, Alpompé, Lidador, Numerário, Quo Vadis, Pincelim, Sultão, Gaio, Malhinha, Marialva, Temporal, Gaiato, Ribatejo, Glorioso, Garoto e tantos outros, crinas ao vento, alados como pégasos. Também os toiros, não como adversários de violência animal, mas como nobres lutadores leais (que não os homens semeadores de ódio) e sobretudo aquele inesquecível Trompeta que foi base da sua ganadaria de sangue Urquijo. Inscreveu-se Núncio ao centro de um triângulo: Toiro, Cavalo, Terra. Triângulo iluminado de amor, quase signo da Pátria que ele visceralmente vivia. Nunca a traiu. Quem da vida faz altar de trabalho e esperança não pode - não sabe trair. À terra desceu, entre o amor dos homens - não da escassa escumalha arrebanhada por traidores rapaces, mas do povo-Povo, em cujas veias corre sangue puro, como os ares lavados das manhãs campestres: seiva da própria terra. Morto para a Pátria - com a Pátria -, outro triângulo mais alto o ilumina: o signo de Deus.
Mascarenhas Barreto

Ao lembrar João Branco Núncio, necessário se torna lembrar também os seus belíssimos cavalos-toureiros, "essas montadas fiéis em que se prolongara a sua imagem cavaleira", como se refere no texto acima transcrito, de Mascarenhas Barreto.

Aqui vos deixo esta pérola, retirada do Século Ilustrado de 13 de Fevereiro de 1943, que encontrei aqui http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/ (um blog de referência), uma "entrevista" ao famoso cavalo ALPOMPÉ.