quarta-feira, dezembro 31, 2008

CÉSAR MORGADO - "Árvore de Natal"



Se é a este tipo de fado que alguns chamam "o fado da desgraçadinha", então aqui têm um..., mas eu chamar-lhe-ía antes o fado de quem não anda distraído e vê. Não é preciso procurar muito, para encontrar por aí, nessas ruas de Lisboa, do país, do mundo, imagens parecidas com as que escolhi para ilustrar esta "árvore de Natal dos que não têm guarida" e o que me parece estranho e desgraçado é que possamos conviver com a tristeza, a pobreza, a solidão, desviando o olhar, a fingir não ver, a fazer de conta que essa realidade já não existe, que tudo está melhor...
Com este Fado Menor, com letra de Tito Rocha, interpretado por César Morgado, que muitas noites ouvi no Solar da Madragoa, me despeço da convivência de todos os que quiseram fazer-me companhia em 2008, esperando reencontrá-los por aqui no próximo ano, a todos desejando um bom 2009, que a todos traga Guarida.
Até lá!
Nota biográfica
César Morgado, nasceu em Lisboa na Freguesia de Belém a 20 de Novembro de 1931 e faleceu a 7 de Abril de 1974 em Cais das Pedras, Massarelos, no Porto.
Desde muito jovem que era um apaixonado pelo Fado o que aos 7 anos de idade levava os vizinhos a pedirem-lhe para cantar. Aos 11 anos numa tenda de circo no Caramão da Ajuda, cantou pela primeira vez, acompanhado por guitarra e viola.
César Morgado era serralheiro de profissão, e cantava o Fado como amador, até que foi contratado para a "Nau Catrineta" em Alfama ( que mais tarde viria a ser O Poeta), e assim se profissionalizou.
Em 1958 ganhou a "Guitarra de Ouro" num concurso, em que ficou em primeiro lugar, no antigo Café Luso.
Gravou uma dezena de EP´s e vários "long-play".
Foi convidado de várias rádios e em 1961 actuou na televisão.
Em Lisboa cantou ainda no Faia, no Retiro da Calçada de Carriche, e, esteve um bom par de anos no Solar da Madragoa.
No Porto actuou na Candeia, Tamariz e Palladium.
Tem um irmão de seu nome Leopoldo Morgado, que reside no Porto, e que também canta o Fado.
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quinta-feira, dezembro 25, 2008

FERNANDO MACHADO SOARES - "Natal"


1 month ago: Portuguese fado singer and former judge Fernando Machado Soares poses at a Lisbon's fado house nightclub November 12, 2008. The same potent voice that once had murderers tremble in court still stirs strong emotions and provokes tears from the eyes of Portuguese fado music lovers who flock to see "Singing Judge" Fernando Machado Soares.
É com este fado-balada coimbrão, com letra de Fernando Pessoa e música de Fernando Machado Soares "O Juiz Cantor", cuja nota biográfica aqui se transcreve, de Lisboanoguiness
"FERNANDO MACHADO SOARES (Dr) Cantor e compositor da canção coimbrã, juiz de Direito, juiz Desembargador e juiz Conselheiro do Supremo Tribunal de Justiça. Nasceu na Ilha do Pico, Açores a 3 de Setembro de 1930. Cursou Direito na Universidade de Coimbra. Considerado uma das melhores vozes de sempre e dos melhores compositores da canção Coimbrã, a par de nomes como José Afonso, Luiz Góes ou Fernando Rolim. Estudioso dos clássicos de Coimbra, neles procurou diferenciar as raízes étnico-folclóricas da canção de Coimbra, para, sem copiar, relançá-las ou recriá-las em moldes actualistas, capazes de sensibilizar as novas gerações, com base nas experiências de Edmundo Bettencourt e Artur Paredes. Com o impacto das suas interpretações e o enorme poder de comunicação, gravou vários discos, ainda como estudante. Após uma série de actuações em Bruxelas, foi contratado pela Philips para gravar um LP com vista a um lançamento internacional. Por motivos de saúde na altura das gravações, foi substituído por Luiz Góes. Alguns dos temas gravados são da autoria de Machado Soares, como o Fado do Estudante (Fecha os Olhos de Mansinho), Toada Beira (Abaixa-te ó Serra d'Arga), Cantares do Penedo e Canção Açoriana (O Meu Bem Se Tu Te Fores), sendo esta muitas vezes aproveitada por outros cantores. Ainda como estudante, actuou de Norte a Sul de Portugal e em quase todos os países da Europa, no Brasil e em África. Participou no filme Rapsódia Portuguesa. Após ter concluído o curso superior, suspendeu durante alguns anos a sua actividade artística, tendo no entanto acompanhado o Orfeão Académico de Coimbra aos Estados Unidos, onde cantou com êxito em cidades como Nova York (Lincoln Center), Boston, Chicago ou Atlanta, tendo participado num programa televisivo da NBC. Após Abril de 1974, veio trabalhar para os tribunais de Lisboa e arredores (Almada e Seixal), tendo recuperado definitivamente a vida artística. Actuou de novo em muitos pontos de Portugal, cantou na Alemanha, Itália, Estados Unidos da América. Venezuela, Rússia e outros. Em 1976 a Polygram gravou em disco a primeira parte do CD Coimbra Tem Mais Encanto (10 temas) com o título Fernando Machado Soares, no qual interpreta, Balada da Despedida (Coimbra Tem Mais Encanto), letra e música de sua autoria, O Fado dos Passarinhos (Passarinho da Ribeira), de António Menano e Alberto Menano, Canção das Lágrimas, de Armando Góes, Fado da Mentira, de António Menano e António Menano/F Machado Soares, Rosas Brancas, de António de Sousa, Vira de Coimbra (Popular), O Meu Menino, de Alexandre Resende, Santa Clara, de Angelo de Araújo,Fado das Andorinhas, de António Almeida d'Eça, Fado Corrido (popular), Canto de Amor e de Amar, letra de Ana Costa Nunes/Luís de Camões/F. Machado Soares e música de F Machado Soares, Serra d'Arga (Popular) e F Machado Soares, Balada de Outono, de José Afonso, Maria, de Angelo de Araújo, Maria Faia (Popular), Foi Deus, de Alberto Janes, homenagem a Amália Rodrigues pelos 50 Anos de Carreira Artística, Estrelinha do Norte, de A. Jardim e Fado Resende, de Alexandre Resende. Fernando Machado Soares compôs os arranjos do 3o tema, Angelo de Araújo do 8o, António Portugal do 10o e dos restantes José Fontes Rocha. A produção foi de José Luís Gordo na I parte, na II parte (8 temas), gravado em 1988, a produção foi de João Calado. Foi acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e à viola por Durval Moreirínhas. Em 1987 actuou em Toronto, Paris (Olympia), em S. Paulo, no Rio de Janeiro e noutras cidades. De salientar o recital que realizou em 18 de Março de 1987 no Grand Auditoire da Radio France, gravado e editado em compacto disco em Paris pela Ocara (Radio France), cuja apresentação teve lugar a 18 de Outubro de 1988, quando realizou novo recital na Ópera de Bordéus. Nesse ano recebeu o Prémio Popularidade da Casa da Imprensa. Cantou na RTP com Amália Rodrigues. Depois disso realizou quatro recitais no Thêatre de Ia VHIe, em Paris. Em 1994 gravou na editora francesa Auvidis(Ethnic) um CD com o título Le Fado de Coimbra, acompanhado à guitarra por José Fontes Rocha e Ricardo Rocha, eà viola por Durval Moreirinhas. Com literatura em francês e inglês, nele interpretai Ilha e o Sonho, de F Machado Soares e arranjos dej. Fontes Rocha, Senhora d'Aires, popular e arranjos de F M. Soares, Elegia, popular e música dejosé Afonso, com arranjos de J. Fontes Rocha eR Machado Soares, Santa Luzia, de F. Machado Soares e arranjos de J. Fontes Rocha que interpretou Variações em Lá Menor, Teu Nome, de F. Machado Soares, com arranjos dejosé Fontes Rocha, Balada Para Uma Vida, de F. Machado Soares e arranjos de J. Fontes Rocha, Noites de Festa, de f. Machado Soares e arranjos dej. Fontes Rocha, Balada de Outono, de José Afonso e arranjos de J. Fontes Rocha, Canção de Alcipe, Trova do Vento Que Passa, de Manuel Alegre e António Portugal, que compôs os arranjos, Fado Mentira, e de António Menano e António Menano/F. Machado Soares. Após a morte de Amália Rodrigues, da qual tinha sido bastante amigo, foi eleito Vice-Presidente do Conselho de Administração da Fundação Amália Rodrigues.
in: Programa I Grande Gala dos Troféus Amália Rodrigues" ,

que a todos desejo, mais uma vez, um Santo Natal e ofereço este

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terça-feira, dezembro 23, 2008

ALFREDO DUARTE JR. - "Aí vem o Natal"













Aqui fica a minha sentida homenagem a Alfredo Duarte Jr. (1924 - 1999), o "Fadista Bailarino", que faria hoje 84 anos http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/
Através deste fado, que interpreta como só ele sabe, e cuja autoria da música (Fado Cuf) se deve a seu pai, o incomparável Alfredo Duarte Marceneiro e a letra ao consagrado poeta Carlos Conde, a todos quero desejar um Natal Feliz e que 2009 traga a Paz de que o mundo necessita.

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sábado, dezembro 20, 2008

FADO Sempre!



















Encontrei ontem à venda, num posto dos CTT, esta obra que se apresenta como sendo "um conceito criado pela Difference com o objectivo de ser a mais completa obra do Fado reunida num só volume" que se apresenta "em livro com 80 Fados em 4 CD, numa edição de luxo a cores em português e inglês". Textos dos jornalistas Nuno Lopes e Manuel Halpern.
Comprei, gostei e recomendo.
Uma prenda de Natal bem portuguesa!

quarta-feira, dezembro 17, 2008

NATALINA BIZARRO - "Este meu fado"


Da autoria do Dr. J.Mota e de J. Fontes, "Este meu Fado" interpretado "ao vivo" pela Natalina é uma lição de Fado. Que bem que estila, que voz com alma!...
Nascida a 7 de Agosto de 1924, a sua estreia como profissional teve lugar no Café Luso, em 1948, pela mão de seu padrinho Filipe Pinto, tendo assinado , nesse mesmo ano, um contrato de gravação com a Valentim de Carvalho. Faleceu em 24 de Dezembro de 1992. (Informações prestadas por seu irmão António Bizarro).
Como estamos nesta época natalina, brindo-vos até com umas fotografias únicas onde aparecem, ao lado de Natalina Bizarro, que cantou durante bastante tempo na "Viela" e também na "Adega Mesquita", outras grandes vozes e/ou intérpretes do Fado, a saber: Berta Cardoso, Mariana Silva, Sérgio, Beatriz da Conceição, Beatriz Ferreira...
Oiça, cante e aplauda também
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"Este meu fado
Que ninguém recordará
Não é lamento chorado
Duma vida ao deus-dará
Este meu fado
É uma flor que nasceu
Das ruínas do passado
Onde o nosso amor nasceu."
... ... ... ...

sábado, dezembro 13, 2008

MANUEL FERNANDES - "Ambiente do Fado"

Plat.

Com este interessante fado, da autoria de Frederico de Brito e de Adelino dos Santos, lembro hoje o cantador Manuel Fernandes
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Nota biográfica:
Nasceu em Lisboa a 9 de Dezembro de 1921.
Começa a cantar como amador nas Sociedades de Recreio aos 15 anos.
Estreia-se em 1938 na verbena de Santa Catarina, passando mais tarde para o Solar da Alegria, Mondego e Luso.
Com a o aparecer das Casas de Fado é por lá que costuma cantar acabando a sua vida artística na Severa. Cantou em Angola , Estados Unidos e Brasil onde grava o seu primeiro disco.
Em 1957 é o representante da música portuguesa no Festival de Música Latina em Génova.
Fez parte do elenco da peça teatral “A Rosinha dos Limões” no Coliseu
Foi atracção na peça “Muitas e Boas” no Teatro ABC .
A 4 de Maio de 1962 comemora as suas Bodas de Prata artísticas no Pavilhão dos Desportos, sendo a comissão organizadora composta por Filipe Pinto e Alfredo Marceneiro.
Dos muitos fados que cantou, houve um que embora não fosse da sua criação cantava com muito sentimento, era o fado “Vassourinha”.
(in Lisboanoguiness)

quarta-feira, dezembro 10, 2008

BEATRIZ FERREIRA - "Três beijos"


Lembro hoje Beatriz Ferreira, a primeira intérprete de Luís Alcaria, pseudónimo de José Luís Gordo, fadista que durante anos integrou o elenco da "Viela", com o Sérgio e a Berta Cardoso... Interpretando este fado da autoria de Joaquim Campos.

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segunda-feira, dezembro 08, 2008

FRANCISCO MARTINHO - "Degraus da Vida"


Este fado "Degraus da vida" é da autoria de M. Campelo e de Amadeu Ramin, interpretado por esse grande fadista que foi Francisco Martinho.

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sábado, dezembro 06, 2008

"O FADO DO MARINHEIRO" - Berta Cardoso - Maria Clara - Márcia Condessa

Este fado, que foi criação e enorme sucesso de BERTA CARDOSO na Revista "Manda Ventarolas", foi posteriormente também gravado por MÁRCIA CONDESSA e por MARIA CLARA.
Aqui se faz uma homenagem aos nossos marinheiros, aos autores João Nobre e Cordélio de Oliveira e a estas três magníficas intérpretes deste fado, que foi também intitulado "Fado das Caravelas" e "Canção das Descobertas".

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segunda-feira, dezembro 01, 2008

MANUEL CALIXTO - "Varinas"

Reposição do verbete de 01.11.2007

O fado escolhido é o mesmo, mas o vídeo foi "melhorado".

Esta é mais uma aguarela portuguesa, da autoria de João Linhares Barbosa, "O Príncipe dos Poetas"


BrancoeNegro1897

A música é de Filipe Pinto, a voz, de um dos Senhores da Velha Guarda - Manuel Calixto, que nasceu em Lisboa e começou a cantar o fado em 1924, muito embora só em 1934 se tenha estreado como cantador profissional.

"Este homem da Madragoa ficou célebre com o fado da camiseira, um filão fadista muito realista que teimam em arrumar no "fado da desgraçadinha". aideuseue

Mas é que não há "fado da desgraçadinha"!; o que há, é desgraçadinhos e desgraçadinhas que não percebem nada de Fado, que é o mesmo que dizer que não percebem nada de Cultura Portuguesa!... E esta, hem!?...
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sábado, novembro 29, 2008

HERMÍNIA SILVA na Revista à Portuguesa


Lembrar a genial cantatriz Hermínia Silva, os inspirados autores César de Oliveira, Rogério Bracinha, Ary dos Santos e Thilo Krasman, as talentosas Lina Morgado e Nina Flores, através deste quadro da revista "Afinal como é?" E lembrar também alguns fadistas... que teriam constituído, provavelmente, um governo de sucesso!... E ainda alguns políticos, a quem tanto devemos e que nos devem tanto!...
E o Parque Mayer!, local de eleição da Revista à Portuguesa, esse género teatral tão português, em vias de extinção como o próprio Parque e os Teatros...
Se este Governo de Fadistas tem vingado, outro galo, agora, nos cantaria!...
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quarta-feira, novembro 26, 2008

CÂNDIDA RAMOS - "Lisboa velhinha"



Natural do Porto, Cândida Ramos confessa-nos o seu amor por Lisboa "Linda Lisboa velhinha / Que és minha, muito minha / E eu amo com devoção...", cidade onde viveu vários anos, tendo integrado o elenco do "Faia" e da "Adega Machado", cidade onde também faleceu.
A letra é de Zulmira Maria, a música de José Marques - uma interpretação notável do Triplicado para ouvir e recordar.
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domingo, novembro 23, 2008

ANTÓNIO ROCHA - "Cavaleiro Tauromáquico"


















Para além de talentoso fadista, António Rocha é também notável autor de letras de fado. Contudo, o fado com que hoje o lembro não é de sua autoria, mas sim de Lourenço Rodrigues e tem música de Jaime Mendes; neste fado, António Rocha, dando voz a um cavaleiro tauromáquico, confessa-nos que: "Eu, de cavalos e de mulheres, gosto como ninguém/ São dois prazeres, para mim, difíceis d'igualar/ É que o cavalo pode o homem dominá-lo bem, mas a mulher ninguém consegue dominar!..."
Como diria o Pessa: "E esta, hem?!..."

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Acerca deste fadista, aqui tem mais informação
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/71729.html

sábado, novembro 22, 2008

CIDÁLIA MOREIRA - "Fado Freira"


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"O Segredo da Freira", assim se intitulou originalmente este fado, da autoria de Armando Neves e de Miguel Ramos, que foi do repertório de Joaquim Campos, aqui interpretado por Cidália Moreira que, como se reparará, não canta a 2ª estrofe do poema.

G.P.36

"O QUE FEZ CIDÁLIA
O fado, queiram ou não, tornou-se um dos símbolos vivos da língua: saudosista de primeira, rebelde acima de todas as suspeitas, história em pacto de intimidade com quase tudo o que é comtemporâneo. Ao longo do tempo não faltaram tentativas de lhe atribuir parentescos, descobrir-lhe intenções, ou mesmo dar-lhe um corpo - Maria da Glória ou Glória Maria. Cada um vê o fado à sua imagem e semelhança. Quando Cidália Moreira tomou o lugar entre fios e microfones e, com uma voz meridional, começou a trabalhar como suas as palavras do fado, aquelas caras da noite que assistiam recapitularam todas as perguntas possíveis. Para uns o fado é uma "força cósmica universal". Será? ou antes, uma espécie de antropofagia'? Será? Para outros, um pouco de grito a que a minoria lusitana terá direito. De vez em quando era quase necessário que Cidália parasse para alguém dizer: é isso mesmo. Cidália Moreira é forte e frágil ao mesmo tempo. O olhar é bravo e comove-se: não é teatro onde a simulação tem o seu valor. E as mãos são transparentes e acompanham como ferro uma voz que não é claustro: sente intensamente o mundo presente. Tenta agarrar outras palavras quando estas a tentaram para formas de sentimentalidade. O fado de Cidália deixa bem claro, que é falsa a reputação de distância que cerca o fado. Será então, o fado, um serviço público? É enquanto gerava fado nos poemas de Vasco Lima Couto e de José Carlos Ary dos Santos, alguém se lembrou que fazer fado é uma forma de confissão, de nudez e se não for assim, será brincadeira ou mistificação. E porque não Camões ou Carlos Drummond de Andrade? O fado a prestar um serviço: deselitizar a poesia, pôr a língua na civilidade. Castiço é isto. Vêem alguns no fadista um profeta visionário a relembrar a face menos nítida e menos real de um país que não existe. Não vi Cidália a desgastar-se nisso. O que fez Cidália? Procura textos que digam alguma coisa ligada à vida de todos os dias? Cantigas de amigo? Foram umas longas horas de teste definitivo. A provar que a poesia pode estar no dia-a-dia. Num exercício solitário de fado. E mesmo quando se discorda do texto, Cidália transforma o fado numa adivinha: trabalha cada palavra como se cada palavra estivesse desligada dos que a ouviam. Forma umas longas horas com um fado que vai percorrer o purgatório das interpretações num país onde a educação poética e musical foi sempre moldada por padrões estrangeiros. Por isso, menospreza-se a categoria dos clássicos do fado. a não ser que fique arrumadinha na prateleira folclórica dos costumes vocais nativos. Todavia, a força manifestada por esta algarvia levanta questões e problemas cruciais à prática cultural no Portugal de hoje. Por exemplo: o dilema dos que hesitam entre cantar para o povo e não apenas sobre ele. É evidente que não compete ao fadista tentar sistematizar o estudo do carácter nacional a partir do "português" revelado no folclore, na mitologia e na tradição. Esta tarefa competirá aos que não receiam ser vítimas conscientes das contradições do sistema. Deste ou daquele sistema, é da teoria. Ao fadista compete reflectir deliberadamente um estilo, de vivência ou de narrativa. Cidália criou um estilo tanto mais forte quanto o texto é fruto de uma imaginação fértil. E um estilo que sofistifica o verso. Um estilo que provou, ao longo de horas, que o fado não é para iniciados. É para ser ouvido pelos que o próprio fado retrata. O valor permanente do fado está nessa sua pretensão: a aspiração do fadista que se dispõe a expressar o seu país em palavras e não apenas a entendê-lo. Nesse sentido, o fado é parte de uma luta entre a cultura oral e a cultura escrita. Não existe sem oralidade e não fica limitado a um público restrito. E a nostalgia vem desta identificação... O fado que fez Cidália aponta para tudo menos para o que tem sido entendido como "essencialmente destruidor" e não se circunscreve no que tem sido descrito como "uma vasta ilusão". Nem sequer para uma "orgia intelectual". O que se ouviu de Cidália, pela forma como se ouviu, é um antindividualismo dirigido voluntarioso, para não dizer implacável. Provou ao longo de horas que o fado tem, neste país, o elementar direito permanente à pesquisa estética, à actualização da inteligência artística portuguesa e à estabilização de uma consciência criadora nacional. Uma prova destas é uma conquista muito mais importante do que a sensualidade oral já conseguida para o fado, por exemplo, por Amália Rodrigues, e mais importante do que os cantares do submundo português dos anos 40 e 50 a lembrar as esperanças que restavam no crespúculo do arbítrio. Cidália, possivelmente alheia ao efeito teatral da sua voz, não se veste com fantasias. Tenta fazer uma história. A história do fado que se recusa a ser infeliz por um preço qualquer.
Carlos Albino Guerreiro "
( in http://www.macua.org/biografias/cidalia.html )

I.P.

domingo, novembro 16, 2008

FILIPE PINTO - "O teu cabelo"

















Mais um cantador da velha guarda, Filipe Pinto, "O Marialva do Fado", neste Fado Corrido.
Pode consultar aqui http://www.macua.org/biografias/filipepinto.html alguns dados biográficos sobre o fadista.

BOM DOMINGO!
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sábado, novembro 15, 2008

AUGUSTA ERMIDA - "Foi na Travessa da Palha"

Para o repertório de Maria Alice, Gabriel d' Oliveira escreveu este fado a que deu originalmente o título "Cena Fadista", mas que ficou posteriormente conhecido pelo nome de "Foi na Travessa da Palha", na voz de várias intérpretes, entre elas Lucília do Carmo e Augusta Ermida, cantado no Fado Britinho de Frederico de Brito.

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No blog BicLaranja, que recomendo e cujo editor daqui saúdo, pode saber mais acerca da Travessa da Palha e da Taberna do Friagem; um artigo muito curioso http://biclaranja.blogs.sapo.pt/269487.html

segunda-feira, novembro 10, 2008

MÁRIO ROCHA - "A vida no Ribatejo"

Um fado da autoria de Fernando Farinha e de Alfredo Correeiro, na interpretação de Mário Rocha. Uma homenagem ao Ribatejo, por altura destas duas grandes festas - o S. Martinho e a Feira Nacional do Cavalo.

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Plat.
 

domingo, novembro 09, 2008

TRISTÃO DA SILVA - "Chinela"


Este fado que, creio, foi criado por Tristão da Silva, é da autoria de Manuel Paião e de Eduardo Damas.
Aproveito para agradecer a sempre preciosa colaboração de Fernando Baptista 
e do fantástico fotógrafo Dias dos Reis

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sábado, novembro 08, 2008

ADA DE CASTRO - "Cigano" ou "Troca por troca"



Este fado, originalmente intitulado "Troca por troca", com letra de J. Linhares Barbosa e música de Armando Machado, foi criado por Berta Cardoso, mas ficou mais conhecido na interpretação de Ada de Castro, que o gravou.
Para saber mais sobre esta fadista, vá a http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/76350.html

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quarta-feira, novembro 05, 2008

JOSÉ COELHO - "Eu gosto daquela feia"


















José Coelho, um dos mais populares fadistas das décadas de (19)30/40, um "cantador nostálgico e de sensibilidade apurada" é de novo recordado neste espaço, interpretando mais um dos seus êxitos -"Eu gosto daquela feia".


Eu gosto deste cantador e gostava de poder ouvi-lo noutros fados que criou e fizeram enorme sucesso... (pois! continuo aguardando...)


Neste sítio http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/83257.html?view=165433 há mais informações acerca deste fadista
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sábado, novembro 01, 2008

MARIA ALBERTINA - "Meu filho"


















Lembro hoje esta cantadeira dos tempos áureos do Fado que, como se refere aqui http://www.macua.org/biografias/mariaalbertina.html , inexplicavelmente nunca alcançou o estrelato ou, diria eu, nunca quis alcançar... Conheci-a pessoalmente e guardo dela a imagem de uma pessoa verdadeiramente encantadora. Este é, de certo, o fado que sempre melhor viveu e cantou .
Gostaria que este blog tivesse outra dimensão e visibilidade e que o Cândido Mota visse este vídeo de homenagem à sua mãe. Pode ser que o improvável aconteça! De qualquer modo, aqui fica a minha saudação fadista ao inesquecível "Passageiro da Noite".
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Verbete publicado em 01.11.2008

(Ele há coisas!... Há bocado recorri ao site do Museu do Fado para ver o que lá constava acerca da Maria Albertina e eis que verifico que o tema escolhido para a Galeria Multimédia desta artista foi exactamente este seu emblemático "Meu filho"; porém, chamou-me a atenção ser indicado o João Linhares Barbosa como sendo um dos autores do tema e, como já não tenho grande confiança na minha memória, logo recorri a este meu blogue para tirar a dúvida que se me instalara 


Ora, como se verifica da ficha incluída no vídeo, aponto o famoso autor do Fado Malhoa como sendo igualmente o autor desta letra, de parceria com Raul Ferrão, autor da música; de facto, parece-me estar a razão do meu lado, tanto mais que é essa a informação constante do fonograma


Devendo ser o site do Museu do Fado a fonte on line mais credibilizada de tudo o que há na Net acerca de Fado, parece-me no mínimo caricata, por improvável, a ocorrência de lapsos destes, estando, demais, o MdoF tão bem assessorado quanto está!... Desculpem lá meus caros amigos, mas, como sabem, esta chamada de atenção em nada altera a consideração e estima que tenho por vós e espero que vice versa, ao contrário do que anteriormente já se verificou em casos semelhantes, se bem que com outros personagens, verdade seja... 
Atrevo-me ainda a acrescentar que não se perdia nada se dessem uma revisão geral à matéria publicada porque, para ser franca, este não foi e não é, nem o primeiro nem o único lapso que verifiquei e, desnecessário será lembrar a obrigatoriedade, por inerência, bem como a responsabilidade de ser "a referência", como acontece in casu. Bem já basta o tanto de incorrecções que se publica acerca do Fado, euzinha incluída porventura..., mas esse é um "luxo" a que o Museu se não pode/deve dar, presumo eu...
Como provavelmente não frequentam este sítio, espero que alguma alma caridosa vos recomende este verbete e que, com a humildade que a Sabedoria requer, emendem este e outros lapsos que não ficam bem no sítio do Museu do Fado. 
Desde já, os meus agradecimentos
Verbete acrescentado e republicado em 08.10.2012)
 
Em Paris
Plat.61

terça-feira, outubro 28, 2008

MARIA DA NAZARÉ - "Ser fadista"








Aqui http://mariadanazare.home.sapo.pt/ encontra uma pequena biografia desta fadista, a discografia e porque canta...
Aqui, pode ouvi-la neste fado que foi criado por Hermínia Silva e é da autoria de César de Oliveira e de Rogério Bracinha.
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domingo, outubro 26, 2008

ANTÓNIO DOS SANTOS - "Minha alma de amor sedenta"


















António dos Santos começou por ser conhecido como cantador humorístico, mas acaba por ser sempre lembrado interpretando "fados-baladas" como este a que empresta esta sua voz singular que pode "ouver" neste
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sexta-feira, outubro 24, 2008

ARGENTINA SANTOS - "A minha pronúncia"



















EP1952


Não se pode falar de Argentina Santos sem falar da sua "Parreirinha de Alfama", conceituada casa de fados por onde passaram grandes nomes da Canção Nacional e onde se come magnificamente.
De facto, Argentina é, para além de uma notável cantadeira, uma excelente cozinheira, ou vice-versa...
Em http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/69863.html encontrará mais informações sobre Argentina Santos e poderá ouvi-la aqui numa interpretação sua deste fado que tem letra de Clemente J. Pereira e música de Alfredo Duarte Marceneiro, que foi uma criação de Carolina Redondo, natural de Setúbal, região onde se verifica essa particular pronúncia do R a que alude a letra.
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terça-feira, outubro 21, 2008

RUA BERTA CARDOSO















http://www.bertacardoso.com/

Em 1 Outubro de 1948, o "Ecos de Portugal" fazia eco da voz da artista cantadeira que melhor vocalizava o Fado...

Uma entrevista a ler, realizada por E. Babo que termina, afirmando: "Tantos anos passados e sempre a mesma voz, o mesmo encanto a reconciliar-nos com o fado no regresso insensível ao passado. -Ontem, como hoje, afinal."

No post que escrevi, há um ano, a assinalar o dia em que Berta Cardoso, se fosse viva, completaria 96 anos, o meu ciber amigo D.Diniz, como usualmente lhe chamo , comentou:

"Grande Berta Cardoso! Inexcedível! Se fosse viva muito nos ensinaria se a quisessem escutar mas hoje cada vez se escuta menos e diz mais, sem nada para dizer. Extraordinária! Se é certo que o Museu do Fado já lhe fez uma homenagem e muito bem feita - exposição e espectáculo de encerramento - que os Amigos do Fado também a homenageram falta Lisboa outorgar o seu nome a uma rua da cidade! aideuseue".

De facto, sou da mesma opinião. E verifiquei, entretanto, que, em 11 de Abril de 2007, essa proposta fora feita pelo vereador José Amaral Lopes, da C.M.L., e aprovada, conforme se pode aqui verificar




Que eu saiba, a dita rua ainda não ostenta o topónimo aprovado; nem sei se a rua já existe ou se ainda se encontra em estado de projectada... Mas não queria deixar de, no dia de hoje, partilhar esta alegria com todos os amigos de Berta Cardoso que, de vez em quando passam aqui pelo meu sítio.

E a si, Sr Vereador, embora este acto seja da mais elementar justiça, bem haja pela lembrança!

sábado, outubro 18, 2008

JÚLIO VIEITAS - "Um Artista"












Estes documentos são fundamentais para a "compreensão redonda do Fado", como diria a minha saudosa e "desaparecida" amiga , fadista Valéria Mendez, cujo regresso à actividade bloguística, em prol do Fado, continuo a aguardar e a qual daqui saúdo, na esperança de ser ainda visita assídua deste meu modesto sítio.

Júlio Vieitas, cantador, letrista e compositor, faz, nesta entrevista, "declarações desassombradas", como se anuncia em subtítulo, que vale a pena ler.

Vale também muito a pena ouvi-lo neste Menor com Versículo ou Versículo que, salvo erro, será ainda da autoria de Alfredo Duarte Marceneiro !?... :)
VÍDEO DE HOMENAGEM

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sexta-feira, outubro 17, 2008

FLOR DO FADO




















Não, esta não é a Flor de Fado da Mafalda Arnauth.
Esta é a Flor do Fado do "Retiro da Severa", uma conceituada casa de fados que, em 1937, teve a brilhante ideia de apresentar, deste modo colorido e até cheiroso, o seu notável elenco privativo, a "fina flor do fado" :
ao centro, o empresário do Retiro, Jorge Soriano
nas pétalas, da esquerda para a direita e de cima para baixo, os fadistas
José Porfírio, José Tovar e Júlio Proença
Berta Cardoso e Maria Emília Ferreira
José Pereira, Alberto Costa, Alfredo Duarte Marceneiro e Arminda Vidal
na haste, o gerente Alfredo Meca, e as fadistas Adelina Silva e Deonilde Gouveia
Bem se pode dizer que esta é mesmo "flor que se cheire"

FADO no PORTO
















O Porto também tem Fado!...

Esta é uma notícia dada na Canção do Sul, de 1938, que aqui deixo para lembrar casas de Fado no Porto e os fadistas e instrumentistas que lá actuavam.
O Fado continua vivo no Porto. Aos fadistas, poetas, instrumentistas, fadistólogos do Porto ou no Porto,

Saudações Fadistas!

quinta-feira, outubro 09, 2008

MARIA DA FÉ - "Divino Fado"

Maria da Fé, nome artístico de Maria da Conceição Costa Marques Gordo, natural do Porto, cidade que nos tem presenteado com notáveis fadistas, letristas, compositores e amantes de fado. O Fado, que é muito mais que Canção de Lisboa, é Canção Nacional que se anseia venha a ser reconhecida como Património Mundial.
Desde miúda, Maria da Fé sonhou ser fadista. E o sonho cumpriu-se. Aos 14 anos, Maria da Fé apresentou-se a cantar num concurso de cantadeiras amadoras, tendo ficado em 1º lugar. Aos dezoito anos vem para Lisboa onde começa a cantar em casas de fados, nomeadamente na Adega Machado, e posteriormente na Típóia, na Parreirinha e no Sr. Vinho, restaurante que inaugura, em 1975, de parceria com o marido José Luís Gordo (poeta-letrista) e com António Mello Corrêa (fadista). Integrou o grupo Entre Vozes (2000), ao lado de Alexandra, Alice Pires e Lenita Gentil. Dos seus muitos êxitos, cuja letra de grande parte dos quais se deve a seu marido, lembramos Valeu a Pena, Primeiro Amor, Cantarei Até Que A Voz Me Doa, Obrigado, Vento do Norte, Fado Errado e

Divino Fado


" Minha mãe, eu sou do tempo
Da força que a água tem
Sou do mistério do vento
Que não sabe donde vem.
Esta voz que canta em mim
Não a canta mais ninguém
Sou do Mistério do Fado
Que não sabe donde vem.


Minha mãe, dai-me o Talento
Que só o Poeta tem
Eu sou como o próprio vento
Que não sabe donde vem.
Minha mãe, o vosso amor
Pouco ou nada quase tem
Sou como a própria flor
Que não sabe donde vem.


Minha mãe, eu sou do tempo
Da força que o Fado tem
Sou do Mistério do vento
Que não sabe donde vem"


VÍDEO DE HOMENAGEM

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