sábado, outubro 24, 2009

MARIA PEREIRA - "Fadista sou eu" e "Primeiro amor"



Veja também http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/78471.html


A cançonetista Maria Pereira

Artigos de Opinião 2008-06-11 12:17
“As nossas belas ilhas possuem características diferentes mas, para mim, a ilha Verde tem a inconfundível paisagem das lagoas das Setes Cidades, o famoso Vale das Furnas e as típicas águas quentes, frias e mornas“. Dizia-me em 1969 a consagrada cançonetista Maria Pereira, que actuou por várias vezes nos Açores, assim como na Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Espanha e Bélgica. Maria Pereira, que durante anos actuou na rádio, não foi só uma portuguesa do Fado, como uma voz de Portugal. Que o digam os seus muitos adeptos, e muitos foram, no país ou no estrangeiro, e que certamente ainda têm discos da vasta discoteca que a cantora deixou. Tudo Maria Pereira cantou. Interpretou canções da nossa terra, transmitiu melodias e versos, tendo percorrido todos os caminhos do mundo português, pois em qualquer parte onde se falasse o nosso idioma, Maria Pereira era conhecida. A propósito, recordamos uma inesquecível passagem ocorrida na sua vida artística, na primeira vez que Maria Pereira se deslocou a Moçambique. Cantava no Teatro Moçâmedes e, quando actuava, um senhor de oitenta anos, entrou no palco interrompendo a actuação. Agarrou-se à artista, a chorar, e disse: ”Há trinta anos que saí de Lisboa, e não mais ouvi uma artista cantar”. A cançonetista havia interpretado um fado triste “menor”, fado esse que a mãe do ancião costumava cantar para o adormecer.
Fado canção e castiço Maria Pereira definia assim o fado : “O fado-canção é mais bonito. O fado-castiço é um grito de alma. A canção tem mais arte e outras características”. Maria Pereira, que na altura que a entrevistei já havia gravado mais de seiscentos discos, recordava que um dos seus maiores êxitos na altura havia sido “O meu Primeiro Amor “, que fez parte de um filme em que participara. Do seu vasto reportório fazia parte, entre outros, “Açores dos meus Amores”, que a cançonetista levava nas suas digressões, salientando que, quando cantava essa canção, o público entusiasticamente acompanhava-a. “Maria Pereira, Um Fado e Três Canções” e “Maria Pereira e o seu espectáculo” são dois filmes em que a cançonetista participou. Para aqueles que se lembram de Maria Pereira, deixámos aqui este breve apontamento de recordação. Para os mais novos e não só, reafirmo de novo que foi uma das grandes fadistas portuguesas.
(in http://www.acorianooriental.pt/ )
VÍDEO DE HOMENAGEM

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quarta-feira, outubro 21, 2009

BERTA CARDOSO - 21.OUT.1911



Para lembrar Berta Cardoso no dia em que faria 98 anos, ofereço, a todos os que costumam passar por aqui, este inédito de João Linhares Barbosa, assinado e datado de 21.10.1952 e escrito "na hora", por certo, saudando a aniversariante e aproveitando as palavras de felicitações do "Sr. Doutor"... Era um inspirado poeta e repentista, este Linhares Barbosa! Deve ter sido bem divertida a comemoração do aniversário, na Parreirinha, onde na altura Berta Cardoso se encontrava a actuar...
Para saber mais acerca desta fadista, pode consultar http://www.bertacardoso.com/

sábado, outubro 17, 2009

NATÉRCIA DA CONCEIÇÃO - "Agora choro à vontade"

VÍDEO DE HOMENAGEM

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É sempre com pesar que se sabe da partida dos que nos são caros... soube há pouco que Natércia da Conceição nos deixou, no passado dia 15, assim desaparecendo mais uma fadista da Escola do Fado Tradicional.

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/nat%C3%A9rcia+da+concei%C3%A7%C3%A3o

Tendo nascido em Vila Fraca de Xira, a 20 de Julho de 1934, aos 12 anos vai viver para Lisboa onde contacta com o meio fadista, ingressando nas "fileiras do fado" em 1953, tendo sido Berta Cardoso a colocar-lhe o xaile. Embora tenha uma carreira de sucesso, em 1970 vai viver para os Estados Unidos onde, com a fadista Valentina Felix, abre a primeira casa de fados; também nesse ano, participa, como locutora, na primeira estação de rádio portuguesa que, por iniciativa de Alberto Costa, abriu em New Bedford e, em 1980, ambos dão vida a uma outra estação, o Rádio Clube Português, em Providence, onde também faz locução. Da sua bem sucedida carreira artística, destaca-se a sua actução na Casa Branca, onde cantou para o Presidente Clinton. Durante estes 39 anos, Natércia da Conceição divulgou o Fado e, com ele, a Cultura Portuguesa por terras do Tio Sam. Obrigada, Natércia!

Este fado de que muito gosto, também na sua interpretação, tem letra do Dr. Guilherme Pereira da Rosa e música de Eugénio Pepe.

quinta-feira, outubro 15, 2009

BERTA CARDOSO - "Marinheiros de Portugal" e "Mulher Portuguesa"



Em http://www.youtube.com/user/eradogramophone
O Canal eradogramophone editou mais este belíssimo vídeo de outros dois êxitos de BERTA CARDOSO - "Marinheiros de Portugal" e "Mulher Portuguesa", ambos da autoria de Armando Neves e de Miguel Ramos, como consta nos respectivos registos fonográficos em 78rpm.

Armando Neves foi um dos poetas que mais escreveu para o vastíssimo repertório de Berta Cardoso, particularmente no início da sua carreira. Aqui partilho mais este documento, a letra do"Marinheiros de Portugal", devidamente autorizada...

terça-feira, outubro 13, 2009

BERTA CARDOSO na Eradogramophone









O Canal de eradogramophone brindou-nos agora com este belíssimo vídeo de dois êxitos de BERTA CARDOSO - "A Enganada", da autoria de Silva Tavares e de Armando Freire e "Último Pedido" ou "Volta", como ficou mais conhecido, de Raul Pinto e de Frederico de Brito, ambos registos fonográficos em 78rpm.


Em 1933, Berta Cardoso é primeira página d' "A Guitarra de Portugal", onde se anuncia uma tournée da gloriosa cantadeira por terras de África e se publica, precisamente, a letra do fado "Volta" e de outro seu enorme êxito "Não Voltes"


quinta-feira, outubro 08, 2009

VITOR DUARTE - "Bairros de Lisboa"

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Oriundo de uma família fadista, como poderia ser outro o seu Destino, que não o Fado? Vitor Duarte, filho, neto e sobrinho de fadistas de 1ª água, é por todos nós conhecido, não só como biógrafo de seu avô, Alfredo Duarte "Marceneiro", e ainda de Hermínia Silva, mas também como o responsável do blog http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/, o que teve a ideia e tem vindo a lutar por colocar Lisboa no Guiness, como a cidade mais cantada do mundo. Mas Vitor Duarte também canta o fado, e, embora a sua vida profissional tenha "corrido ao lado", tem discos editados e canta, com certa regularidade, em casas de fado e vários espectáculos, ouvindo-se sempre com muito agrado, diga-se de passagem. Um dos fados que mais gosto de ouvir-lhe é este, com que o lembro e presto a merecida homenagem, um fado sobre Lisboa, com letra do notável poeta Carlos Conde e música do não menos insigne compositor Alfredo Duarte, "Bairros de Lisboa".

Para si, com um bjinho, Vitó

quarta-feira, outubro 07, 2009

MARIANA SILVA - "Estranha forma de vida"

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Com este fado tradicional, do repertório e com letra de Amália, música de Alfredo Duarte, lembro a decana das fadistas, que faz hoje 76 risonhas primaveras, e o seu estilo inconfundível. Beijinho de PARABÉNS!

http://fadocravo.blogspot.com/search/label/Mariana%20Silva

segunda-feira, outubro 05, 2009

AMÁLIA RODRIGUES - "Ai esta pena de mim"

VÍDEO DE HOMENAGEM

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A Amália entenderá porque escolhi este fado, com letra de sua autoria, embora o fonograma não se encontre nas melhores condições ...

"Ai, este meu coração!..."

VALÉRIA MENDEZ - "As mãos que trago"

Todos já terão ouvido falar de Valéria Mendez, fadista e amaliana dos quatro costados, desde 2003, editora do blogue http://www.fadista-valeria-mendez.weblog.com.pt/.
Creio, no entanto, que, dos muitos que a lêem, poucos a terão já ouvido cantar e que terão curiosidade e interesse em conhecer o seu "Fado da diferença"

















Valéria Mendez, profissionalizada como Artista de Variedades, desde 1983, gravou para a Rádio Triunfo e tem actuado nos mais diversos palcos do país e do estrangeiro. Da sua carreira artística, interrompida entre 1997/2002 e entre 2005/2009, destacam-se as grandes digressões pelo Médio Oriente e também pela Venezuela e Colômbia.
É de Cecília Meireles e de Alain Oulman a autoria deste fado, do repertório de Amália, aqui interpretado pela homenageada de hoje, Valéria Mendez

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sexta-feira, outubro 02, 2009

EXCELÊNCIA e FAMA



Recebi há pouco este curioso relato duma experiência comportamental, realizada pelo The Washington Post, sabe-se lá com que finalidade..., e que achei tanto mais interessante quanto o facto de, nestes últimos dias, dar comigo a congeminar, particularmente, acerca da Fama.

"Un hombre se sentó en una estación del metro en Washington y comenzó a tocar el violín, en una fría mañana de enero. Durante los siguientes 45 minutos, interpretó seis obras de Bach. Durante el mismo tiempo, se calcula que pasaron por esa estación algo más de mil personas, casi todas camino a sus trabajos. Transcurrieron tres minutos hasta que alguien se detuvo ante el músico. Un hombre de mediana edad alteró por un segundo su paso y advirtió que había una persona tocando música. Un minuto más tarde, el violinista recibió su primera donación: una mujer arrojó un dólar en la lata y continuó su marcha. Algunos minutos más tarde, alguien se apoyó contra la pared a escuchar, pero enseguida miró su reloj y retomó su camino. Quien más atención prestó fue un niño de 3 años. Su madre tiraba del brazo, apurada, pero el niño se plantó ante el músico. Cuando su madre logró arrancarlo del lugar, el niño continuó volteando su cabeza para mirar al artista. Esto se repitió con otros niños. Todos los padres, sin excepción, los forzaron a seguir la marcha. En los tres cuartos de hora que el músico tocó, sólo siete personas se detuvieron y otras veinte dieron dinero, sin interrumpir su camino. El violinista recaudó 32 dólares. Cuando terminó de tocar y se hizo silencio, nadie pareció advertirlo. No hubo aplausos, ni reconocimientos. Nadie lo sabía, pero ese violinista era Joshua Bell, uno de los mejores músicos del mundo, tocando las obras más complejas que se escribieron alguna vez, en un violín tasado en 3.5 millones de dólares. Dos días antes de su actuación en el metro, Bell colmó un teatro en Boston, con localidades que promediaban los 100 dólares.
Esta es una historia real. La actuación de Joshua Bell de incógnito en el metro fue organizada por el diario The Washington Post como parte de un experimento social sobre la percepción, el gusto y las prioridades de las personas. La consigna era: en un ambiente banal y a una hora inconveniente, ¿percibimos la belleza? ¿Nos detenemos a apreciarla? ¿Reconocemos el talento en un contexto inesperado?... ¿qué otras cosas nos estaremos perdiendo?..Estamos dejando de vivir los verdaderos momentos hermosos que la vida nos depara...?"

Interessante, esclarecedor, resultado absolutamente expectável, não?!... Mas, mesmo assim...

De facto, como tudo o resto, a Fama é relativa; relativa quanto à quantidade, isto é, por mais famoso que alguém seja, é improvável que "todo o mundo" o conheça, como parece provar-se nesta experiência; e igualmente relativa quanto à qualidade, ou seja, nem todos os que alcançam a Fama são Excelentes, tal como disse A. Oxenstiern "A fama dista muito de ser sempre a garantia segura do merecimento", bem como nem todos os Excelentes se tornam Famosos, ou, porque acabam por perfilhar a ideia de Agostinho da Silva "Se alguma vez te tornares conhecido, arrepende-te e volta à obscuridade; nela serás irmão dos melhores", ou, porque mesmo preferindo os caminhos da glória, não teve a oportunidade, já que, como diz Unamuno, "O céu da fama não é muito grande e, quantos mais nele entrarem, menos fica para cada um deles", nem lhe foi dada visibilidade e nem protagonismo, o que ocasiona, como muito bem referiu Diderot, que "Há quem morra desconhecido por não ter tido um teatro diferente"...
Em suma, ser excelente não significa ser famoso e tornar-se famoso é uma questão de oportunidade, espaço, conveniência, opção...
Tenho sempre uma enorme necessidade de fazer estas reflexões, nomeadamente quando aterro neste mundo do Fado onde o céu da Fama é por demais minúsculo, e onde, mesmo assim, nem sempre lá se encontra apenas quem merece...
É claro que os famosos não devem unicamente à excelência, quando a têm, a fama que alcançam; é claro que estas experiências, como a que aqui se ilustra, já se fazem há longo tempo e não são inocentes e nem inócuas... Como o não são todas essas outras que se levaram a cabo por outros canais de Informação, fazendo-as passar por puro espectáculo. É evidente que, mais do que os clássicos políticos, quem hoje verdadeiramente manda é quem manda na Informação; esse é o Poder; o Poder de intervir nos gostos e escolhas de quase todos nós, o que, parecendo que não, acaba por ser muito mais asfixiante, redutor, normativo e perigoso do que qualquer outra Força já existente, do que qualquer outra forma de colonização/clonagem. Esta coisa da Informação é efectivamente o doce envenenado que, com uma capa de democratização, mais não pretende do que a instituição da conveniente Ignorância com capa da bastante Sabedoria, o equilíbrio que sustenta a conformação das hordas e da turba. Provavelmente, a experiência em curso teria mais a ver com a análise da Ignorância e a procura de novos métodos que possibilitem cada vez mais e melhor o alheamento das massas, nomeadamente da Cultura, e a sua devoção pelo acessório, em desprezo do essencial, pelo Ter, em vez do Ser...
A meu ver, esta coisa da Fama é sempre de desconfiar; é que, se prestarmos atenção, mesmo os mais excelentes só ganham esse pedaço de "céu" se o Poder permitir, se O favorecerem... sim!, bem podem ser os melhores, mas se forem incómodos, são imediatamente abafados e metidos no bolso do Incógnito, como berlinde de colecção, que justifica e aumenta o poderio; quanto aos outros famosos, que são a maior parte, vivem apenas de favores e alimentam com favores o Poder que os favorece e, enquanto se mantiverem assim, a engrenagem não os rejeita... agora, se por um qualquer ataque de lucidez ou esperteza súbita O afrontam, então são absolutamente trucidados e nem o nome se lhes aproveita!...
Isto sou eu a falar, para muito poucos e, mesmo assim, improváveis leitores! Quer dizer, sou eu em monólogo, quase absoluto, aqui e ali salpicado de um diálogo empolgante com um ou outro benemérito leitor deste blogue, cujo poderio ( e esta fica aqui só entre nós) suplanta de longe o dessa gente da Informação, primeiro porque só os excelentes continuam a acompanhar este blogue e, segundo, porque a mim me basta o reconhecimento de excelente de um igual para me sentir no Passeio dos Famosos!...
E digo eu "-Que final mais imprevisto para este artigo de opinião"! Sinceramente que o não esperava dela, diacho!...
E finalmente, já sem complexos de coisa alguma, diga(m)-me lá se consegue(m) identificar todos os Excelentes acima representados... Eu, sem cábula, por certo não o conseguiria...
Como dizia o outro, não sem uma certa razão, "A vida, Costa!..."
Ah, pois, as autár..., mas isso não vem ao caso. Desculpem, sim?!

quinta-feira, outubro 01, 2009

JORGE FERNANDO - "Reencontro"

Vem este

VÍDEO DE HOMENAGEM

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a propósito do novo album -"VIDA"-, editado recentemente por Jorge Fernando, um notável compositor e letrista e também intérprete, cuja notícia melhor pode ler aqui http://www.portaldofado.net/content/view/1529/67/ ; na Wikipédia pode informar-se acerca da biografia, discografia e de algumas curiosidades acerca deste conceituado artista que, apenas com 16 anos, compôs o belíssimo fado "Boa noite Solidão" http://pt.wikipedia.org/wiki/Jorge_Fernando_(fadista).

O fado que interpreta, neste vídeo, intitula-se "Reencontro" e é de sua autoria e de Armando Machado.