domingo, janeiro 29, 2006

CENSURA


Houve um tempo em que havia Censura: lápis azul / lápis encarnado (ou vermelho, se quiserem). Os textos eram proibidos por motivos vários, maioritariamente por razões morais, sociais e políticas; o objectivo era controlar.
Os que avaliavam os textos estavam longe de pertencer à plêiade dos intelectuais, mas tinham o poder discricionário de "cortar" o que entendiam. Os que escreviam tinham que arranjar maneira de dizer o que queriam de forma dissimulada, para evitar os "cortes" da censura. Alguns textos, cuja matéria ideológica perigosa nem se adivinha, acabavam por ser rejeitados e outros, notadamente subversivos, passavam o crivo da Censura.
Os tempos mudaram e, desde que vivemos em Democracia, escreve-se tudo àcerca de tudo e todos, parece não haver assuntos tabu e dizem muitos que "felizmente, agora já não há Censura !"
Será verdade ou será que não a reconhecemos ? Há quem diga que a Senhora Censura se dissimulou, que tem novas roupagens e que é até muito mais eficaz - não só tem ao seu serviço censores muito mais capazes o obedientes, como também, ao fingir-se morta, consegue, sob outro nome, atingir o seu objectivo sem que ninguém a incomode - CONTROLAR.
Dois exemplos de estratégias de controlo:
Do tempo do carimbo PROIBIDA, uma letra do J.Linhares Barbosa para o repertório de Berta Cardoso. Afora uma certa brejeirice, que "mal" teria esta letra ?
Do tempo da informação sem censura, um dos melhores exemplos passa por ligar a televisão, ouvir, ver e depois pensar (este passo é fundamental). Para se preparar melhor, pode, previamente, consultar a página http://perso.wanadoo.fr/metasystems/JTContents.html.
Com um domingo destes, não me diga que não é uma boa "dica"...

sábado, janeiro 28, 2006

À sua !...




















Já não pode ir a "A Cesária" beber um copo, mas pode ir até http://www.fado.biz/ ouvir um fado. Boa noite!

FADO BALADA

Conta uma linda balada
Que um rei dum reino sem par
Vendo morta a sua amada
Quis o seu seio moldar

E pelo molde modelada
Depois de gasto um tesoiro
Nasceu a graça encantada
De uma taça toda d'oiro

E quando por ela bebia
Morto por se embriagar
Saudoso triste sorria
Com vontade de chorar

Certa noute imaculada
À luz dum luar divino
Deixou a corte pasmada
E fez-se ao mar sem destino

No mar ansiando a graça
De com a morta se juntar
Bebeu veneno p'la taça
E atirou a taça ao mar

Ao seu seio não há nada
Que se possa igualar
Nem a taça da balada
Que jaz no fundo do mar


Letra de Silva Tavares
Música e interpretação de Alfredo Duarte Marceneiro

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Solar da Alegria




















Berta Cardoso acompanhada, entre outros, por Armandinho, José Marques "Piscalarete", Carlos Ramos e Alberto Correia.

domingo, janeiro 22, 2006
















... be a big one!

Encontra este e outros wallpapers em www.macdesktops.com

UMA QUESTÃO DE DELICADEZA ! ?


CARTA SEM RESPOSTA

Isto de toda a carta ter resposta
É mais uma maneira de dizer
Pois, de escrever, nem toda a gente gosta
E nada nos obriga a responder.

Por isso, não respondo à tua carta
'Inda tentei, porém, nada consigo
Pois a minha caneta de ti farta
Não quer desperdiçar tinta contigo.

E tu tiveste sorte, com certeza
Pois ler certas verdades ninguém gosta
No fim de contas, foi delicadeza
Deixar a tua carta sem resposta.

Fado do repertório de Mariana Silva
Letra de Artur Ribeiro
Música de Miguel Ramos

CARTA SEM RESPOSTA ???

Artigo do Dr. Luís Canavarro*

Senhor Primeiro-Ministro
Excelência
Escrevo na qualidade de médico das carreiras hospitalares e faço-o numa publicação profissional por julgar que o assunto é do interesse de todos os meus colegas. Dirijo-me ao Estado, entidade abstracta, meu empregador, que V.ª Ex.ª, por força das últimas eleições, legítima e indiscutivelmente representa. E, desde já, asseguro que não me move qualquer intuito político. Debalde, poderá V.ª Ex.ª buscar qualquer filiação partidária, que não tenho, nunca tive e julgo nunca terei. Tampouco achará V.ª Ex.ª no meu curriculum atitudes de reivindicação, de reclamação ou de contestação, fora do mais estrito âmbito laboral. Esta carta é tão-somente um pedido de decência nas relações de trabalho com a minha entidade patronal, ditada pelo frustrar do que cuidava serem as mais legítimas expectativas. Quando há mais de um quarto de século aceitei começar a trabalhar para oEstado, fi-lo na convicção de que era uma entidade recta e íntegra ou, como em linguagem vulgar se diz, uma pessoa de bem. Não o é, como ao longo dos anos vim constatando: O Estado é um gestor ruinoso do bem comum, que todos pagamos. As contas públicas não deixam margem para dúvidas. O Estado é caloteiro, paga pouco, tarde e mal mas, reciprocamente, é o mais temível dos credores. Basta ver como nega o princípio da compensação. O Estado é iníquo e corrupto. Confirme-se, a cada nova ronda de eleições, o baile de apaniguados a ocupar furiosamente os lugares públicos, sem concurso, sem justificação e, pior que tudo, sem competência. De tal situação, deu V.ª Ex.ª o mais despudorado exemplo. O Estado denega a Justiça. Ao recusar criar condições para uma laboração rápida e exemplar dos tribunais, ao legislar diplomas dúbios, efémeros, senão contraditórios, perpetua-se o primado do acordo de circunstância ou do acto administrativo sobre o que devia ser Justiça, límpida e rigorosa. Mas, ainda que tenha criado do Estado uma tão má imagem, nunca julguei quase pudesse chegar a violar princípios fundamentais do Direito, como o da não retroactividade das leis. Princípios que fazem parte dos direitos, liberdades e garantias universais de cujo reconhecimento Portugal é signatário. Ao que parece, pouco convicto. Declarou V.ª Ex.ª publicamente a suspensão da progressão nas carreiras e o aumento da idade da reforma. A menos que se trate de mais uma afirmação para não cumprir, a que V.ª Ex.ª nos vai habituando, tal representa, pura e simplesmente, legislar com efeitos retroactivos à data de início do contrato de trabalho - 26 anos, no meu caso. Ora, quando me vinculei à Função Pública, foi-me asseverado que teria o meu direito à reforma aos 60 anos e à progressão na carreira conforme prevista nos regulamentos aplicáveis. Os descontos a que fui sujeito ao longo destes anos a favor da segurança social não são mais um imposto, mas sim uma quantia que é minha e que confiei ao Estado para que a guardasse, investisse e finalmente provesse à minha reforma, segundo os termos acordados. Nas recentes medidas económicas de excepção, sacrificou V.ª Ex.ª, uma vez mais, aqueles que pagam, sempre o fizeram e assim continuam.Quanto à oligarquia de riqueza ostensiva, na qual se inclui a classe política, continua arrogante, impune... e não tributada. No outro extremo, marginais que nunca trabalharam são encorajados a jamais o fazerem, mediante subsídios da Segurança Social, numa pedagogia leviana e suicidária, conquanto que eleitoralmente muito rentável. Não sendo político não necessito de ser politicamente correcto. V.ª Ex.ªsabe, por demais, a quem maioritariamente são entregues os subsídios da Segurança Social: àqueles grupos étnicos que, justamente, perfazem o grosso da nossa população prisional. Assim, in limine, o subsídio é, na realidade, um suborno pago aos marginais para os manter controlados. Dada a maneira como V.ª Ex.ª trata as polícias e a magistratura, faz todo o sentido. É mesmo muito inteligente e pragmático. Não sei é se será ético mas, olhando em redor, essa é uma palavra em desuso. Ora, o certo é que a Segurança Social não vive das contribuições dos políticos, - reformados ao fim de oito exaustivos anos de trabalho. Vive das nossas. E V.ª Ex.ª, ao alterar, de forma unilateral e, repito, retroactiva, o contrato que me ligava ao Estado, denunciou esse contrato.V.ª Ex.ª decerto concordará que, se não fosse o Estado mas uma pessoa individual a praticar estes actos, tal teria um nome pejorativo e uma sanção penal. Assim como se se tratasse de uma empresa ou qualquer outra entidade patronal haveria, indiscutivelmente, lugar a uma indemnização por quebra decontrato. Pelo que, reportando-me aos princípios de equidade que seria suposto regerem o país, peço em meu nome, e dos médicos das carreiras públicas, igualdade de tratamento com os senhores deputados da nação, naquilo que V.ª Ex.ª muito bem definiu como «justas expectativas».
Respeitosamente.
Coimbra, 28 de Junho de 2005
* Assistente Hospitalar Graduado de Psiquiatria nos HUC

sábado, janeiro 21, 2006

ANTES DE TUDO O HOMEM

Não vivas nesta terra
como um inquilino
ou em férias
na natureza.
Vive neste mundo
como se fosse a casa do teu pai
acredita no trigo no mar na terra
mas sobretudo no homem.
Ama a nuvem a máquina o livro
mas antes de tudo ama o homem
sente a tristeza
do louro que seca
do planeta que se apaga
do animal doente
mas antes de tudo a tristeza do homem.
Que todos os bens terrenos
te dêem a alegria
que a sombra e a claridade
te dêem a alegria
que as quatro estações
te dêem a alegria
mas sobretudo o homem
te dê alegria.

Nazim Hikmet

Em 21 de Janeiro...










... de 1923 nasceu, em Espanha, Lola Flores

... de 1941 nasceu, em Espanha, Placido Domingo

... de 1950 morreu, em Londres, George Orwell

... de 1961 morreu, em Lisboa, João Villaret



sexta-feira, janeiro 20, 2006

Wallpapers
















"Waiting for spring"


Em www.vladstudio.com encontrará este e muitos outros wallpapers interessantes.

segunda-feira, janeiro 16, 2006

ADVERSIDADE




















Mesmo quando o adversário parece superior...
Mesmo quando tudo parece perdido...

domingo, janeiro 15, 2006

PENSAMENTO




















CONFÚCIO, filósofo chinês, 551-479 a.C.

"A nossa maior glória não está em nunca cair, mas em levantarmo-nos de cada vez que caímos"

sexta-feira, janeiro 13, 2006

VIAJAR



Mosteiro dos Jerónimos

Descubra este e muitos outros dos mais belos lugares do mundo, viajando sem sair de casa: http://www.alovelyworld.com/index2.html

TÉCNICOS ESPECIALISTAS

Há tempos, recorri a mais um técnico especialista de informática para tentar resolver o problema da rede sem fios que se obstina em funcionar com segurança, o que, como se entenderá, é bastante aborrecido porque permite que a vizinhança utilize "o meu IP", sendo eu a pagar as "portagens" que podem até ficar bastante dispendiosas... e já ficaram...
O dito técnico de informática, o 4º ou 5º a tentar o feito, parecia prestes a resolver o problema, mas chegado ao ponto crucial, falhou, tal como os outros, e foi o material que, mais uma vez, acabou por ganhar a parada. Aborrecidíssima com a situação, também pedi explicações a este técnico especialista derrotado, mas que nenhuns sinais exibia de algum pesar por não conseguir resolver o problema; e mais uma vez também me foi dito, como sendo a coisa mais natural do mundo, que "o problema estava resolvido na parte em que ele era especialista e lhe competia, que o resto não era com ele..." Ou seja, tenho ainda que chamar outro técnico especialista porque falta ainda arranjar um outro pormenor qualquer, especialidade de outro técnico que também só sabe acerca desse pequeno pormenor e mais nada. . .
Ora, eu ainda sou do tempo, nem por isso muito longínquo, em que se defendia um certo eclectismo e se entendia que o conhecimento deveria permitir uma visão global da realidade; por isso não consigo, por mais que queira, considerar como técnicos e menos como especialistas estes seres que, duma aparelhagem complexa, unicamente conhecem um constituinte mínimo (mas que deve ter uma afinação máxima) mas que desconhecem tudo o resto ...
O problema é que o funcionamento do todo está dependente do funcionamento daquela parte, mas o bom funcionamento daquela parte, só por si, não determina o bom funcionamento do todo... Ou seja, o especialista do parafuso, se nada entender de porcas, é um perfeito ignorante!
Como diria o Ortega Y Gasset, a especialização é um truque da sociedade para o aproveitamento máximo da estupidez humana .

terça-feira, janeiro 10, 2006

segunda-feira, janeiro 09, 2006

Tudo sobre fado

Uma página (por sinal holandesa !) com indicações preciosas sobre páginas e respectivas ligações - tudo acerca de Fado, a Canção Nacional (por sinal portuguesa !)
http://fado.pagina.nl

FADO














Pintura de Raquel Martins
http://raquelmartins.com

domingo, janeiro 08, 2006

O FADO - BERTA CARDOSO



"Esta noite na Jansen..." infelizmente já não vamos conseguir bilhetes!...

Estas notícias continuam a surpreender-me. Não encontro explicação para o "apagamento" do que foi um dos maiores nomes da canção nacional - BERTA CARDOSO.

Também aqui se refere a fama obtida no "Fado da loucura" e que "corre de boca em boca por toda a Lisboa que a admirou no Salão Artístico de fados".

Vale a pena ler a notícia (que pode ampliar) e meditar...

sábado, janeiro 07, 2006

MICROS



Cristais de Dopamina

Pode ver esta e outras maravilhas através do microscópio de Dennis Kunkel

www.denniskunkel.com

Boa viagem!

domingo, janeiro 01, 2006

BOM ANO !








A Fifi e eu, a todos desejamos um FUNTABULOSO e


também FABULÁSTICO


2006