sábado, agosto 25, 2012

BERTA CARDOSO - "O Homem da Berta"


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Quando, no início da década de 50 do século passado, Berta Cardoso estreou este fado, o nosso mundo rural não era ainda, como hoje o é, uma espécie em extinção... A desertificação do Portugal profundo, o abandono das terras, a busca de uma outra vida nos meios urbanos, dentro e fora do país, ainda não ocorrera. Nesse tempo, as pessoas, mesmo as mais citadinas, conheciam bem essa outra realidade regida, mais pelas leis da Natureza do que pelas dos homens... E, assim, melhor entendiam e, portanto, respeitavam, esse mundo que tanto, obrigatoriamente, difere do citadino onde, quando chove, se pode mesmo assim calçar sapato de polimento, porque se anda na calçada... Nesse tempo, que era ainda um tanto o que a Severa vivera, as letras do Fado contavam histórias, descreviam personagens, que eram o elo de união entre esses dois mundos; mais, o Fado institui precisamente, como mito fundador, a Severa (uma personagem dos bas-fonds urbanos) e a história dos seus (des)amores por um fidalgo, que obviamente personifica o mundo rural, às portas da Cidade; é nesse mundo rural que se inscreve e escreve a ligação desses urbanos, que nunca cortaram o cordão umbilical com a terra, e que, por isso, ou continuam a procurá-la nos retiros e hortas onde vão farrar e fadistar, ou sistematicamente a importam para a cidade através de uma das suas mais ancestrais festas, a do toiro e do cavalo, isto é, através das largadas, entradas de toiros e das toiradas, esses novos urbanos matam saudades, revivem a sua natural união à terra... 
Ora, este fado, que vem na sequência do Tia Macheta (que diz do nascimento do "fado triste da Mouraria", na hora em que o fidalgo não voltou para a Severa) e do Cinta Vermelha (que estabelece a íntima ligação entre o Fado e a Festa Brava, que vive através do Amor dos seus mais representativos actores), forma com eles uma trilogia da temática fadista por excelência, sendo interessante verificar que tenha o autor da letra instituído, neste e no Cinta Vermelha, um certo paralelismo das personagens com as do Tia Macheta... mas isso fica para os estudiosos do Fado, por certo mais competentes do que eu nessas matérias. Curioso não deixa de ser igualmente o facto de, em qualquer das letras destes 3 fados, ser explícito o nome das cantadeiras - a Severa e a Berta - o que, lá por isso, não lhes retira a intemporalidade, permitindo um estimulante encontro com um passado que questiona e desafia o presente... 
Este Fado é, quanto a mim, um ícone da (ainda) nossa ruralidade, que perdura na Festa do Cavalo e do Toiro, amante da Canção, de todas mais portuguesa- o Fado, do qual se não deslarga e traz de braço dado, numa celebração amorosa que perdura(rá)...

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quarta-feira, agosto 15, 2012

FADO - Colectânea


Uma colectânea que merece destaque. Aqui fica uma pequena amostra desta selecção de luxo, para vos abrir o apetite; e, já agora, aqui fica também a informação acerca das respectivas autorias dos fados cujos excertos apresento no vídeo:  
José Porfírio - Consagração ao fado - Fernando Teles - Joaquim Campos
Mª do Carmo Torres - O Sonho - Francisco Duarte Ferreira - José Marques Piscalarete
Júlio Vieitas - Embriaguês do amor - Júlio Vieitas - Alfredo Duarte Marceneiro
Mª José da Guia - Ronda fadista - Domingos Gonçalves Costa - Vianinha
Júlio Peres - Encontrei a Mariquinhas - Carlos Conde - F. Mouraria
Lucília do Carmo - Manjerico - J. Linhares Barbosa - F. Macau
Adelina Ramos - Nós e ela - Carlos Conde - Armandinho
Berta Cardoso - Ouvi cantar o Ginguinha - J. Linhares Barbosa - Torres Mondego

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sexta-feira, agosto 10, 2012

BERTA CARDOSO - "Tia Macheta"


Este é um dos mais emblemáticos fados do repertório de BERTA CARDOSO e é também, na minha modesta opinião, uma das mais conseguidas letras do genial J. Linhares Barbosa que, nesta aguarela fadista, representa a génese do Fado triste... uma fadista, a Severa, um fidalgo, o Vimioso, e o Amor presente, mas unilateral e impossível... e a Tia Macheta, a que tem poderes de adivinhar o futuro, a quem (ontem como hoje) se recorre como reduto da esperança, de que leia nas cartas os bons presságios e não os mais que certos"Maus Agoiros", como acontece nesta história e que, por isso, o poeta assim intitulou.
É curioso que o Fado tenha ficado depois conhecido pelo nome de quem anuncia a desgraça, a Tia Macheta, como se, na história e na vida, este personagem se confundisse com o próprio Destino...


VÍDEO DE HOMENAGEM
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(Verbete publicado em 21.09.2009)

Para além de Berta Cardoso, criadora deste fado, algumas fadistas o interpretaram e gravaram, de entre as quais destaco Natalina Bizarro



Essa personagem, que Júlio Dantas criou na sua peça Severa, foi interpretada por Sofia Santos, tendo Júlia Mendes o papel da Severa.  

I.P.09

quinta-feira, agosto 02, 2012

FEITIÇO - FADO FAIA











Martinho d'Assunção, Alberto Costa, Amália, Linhares Barbosa, Berta e Carvalhinho

O "Fado Faia", originalmente intitulado "Feitiço", pertence ao repertório de Berta Cardoso, sendo J. Linhares Barbosa o autor da letra e Martinho d'Assunção o autor da música. Ao ouvi-lo, Amália gostou e gravou-o, havendo por isso quem pense que é do seu repertório.
Perante os dois registos, ocorreu-me fazer este vídeo, podendo assim apreciar-se como cada uma destas consagradas fadistas aborda o mesmo fado, o interpreta e estila.
Nas fotos inseridas no vídeo, podemos ver, a acompanhar Berta Cardoso, o guitarrista João Fernandes e o violista Santos Moreira (foto Brasil-Rio de Janeiro), Martinho d'Assunção (foto Adega O Faia), Raul Nery, Armandinho e Miguel Ramos (foto Luso); a acompanhar Amália, o violista Miguel Ramos (1ªfoto Luso), o guitarristas José Nunes (foto seguinte) e o guitarrista Raul Nery.
As caricaturas são da autoria de Jorge Rosa, um multifacetado artista- caricaturista, figurinista, cenógrafo, letrista... cuja biografia pode ler acedendo a
http://salfino.blogs.sapo.pt/tag/auto+caricatura+de+jorge+rosa

Para consultar a letra deste fado, pode ir até ao site sobre Berta Cardoso
http://www.bertacardoso.com/
E, para saber mais sobre Amália, porque não ir até ao Portal do Fado ?
http://www.portaldofado.net/index.php?option=com_content&task=view&id=1259&Itemid=67

VÍDEO DE HOMENAGEM
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Este verbete foi publicado em 20.05.2009 mas, agora, achei oportuno republicá-lo, acrescentando, às duas anteriores, a interpretação que Manuela Cavaco dá deste "Feitiço".