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quinta-feira, agosto 02, 2012

FEITIÇO - FADO FAIA











Martinho d'Assunção, Alberto Costa, Amália, Linhares Barbosa, Berta e Carvalhinho

O "Fado Faia", originalmente intitulado "Feitiço", pertence ao repertório de Berta Cardoso, sendo J. Linhares Barbosa o autor da letra e Martinho d'Assunção o autor da música. Ao ouvi-lo, Amália gostou e gravou-o, havendo por isso quem pense que é do seu repertório.
Perante os dois registos, ocorreu-me fazer este vídeo, podendo assim apreciar-se como cada uma destas consagradas fadistas aborda o mesmo fado, o interpreta e estila.
Nas fotos inseridas no vídeo, podemos ver, a acompanhar Berta Cardoso, o guitarrista João Fernandes e o violista Santos Moreira (foto Brasil-Rio de Janeiro), Martinho d'Assunção (foto Adega O Faia), Raul Nery, Armandinho e Miguel Ramos (foto Luso); a acompanhar Amália, o violista Miguel Ramos (1ªfoto Luso), o guitarristas José Nunes (foto seguinte) e o guitarrista Raul Nery.
As caricaturas são da autoria de Jorge Rosa, um multifacetado artista- caricaturista, figurinista, cenógrafo, letrista... cuja biografia pode ler acedendo a
http://salfino.blogs.sapo.pt/tag/auto+caricatura+de+jorge+rosa

Para consultar a letra deste fado, pode ir até ao site sobre Berta Cardoso
http://www.bertacardoso.com/
E, para saber mais sobre Amália, porque não ir até ao Portal do Fado ?
http://www.portaldofado.net/index.php?option=com_content&task=view&id=1259&Itemid=67

VÍDEO DE HOMENAGEM




Este verbete foi publicado em 20.05.2009 mas, agora, achei oportuno republicá-lo, acrescentando, às duas anteriores, a interpretação que Manuela Cavaco dá deste "Feitiço".

quarta-feira, julho 25, 2012

"Cruz de Guerra" - Berta Cardoso


No verbete anterior, publiquei o poema - Cantiga do Soldado -, datado de 1915, de Manuel de Barros, em que se refere que, ao partir para a guerra, o soldado leva consigo " a guitarra sensual" porque "vencer cantando o Fado / É fado de Portugal". É deste modo que se assinala a presença dessa "Cantiga do Soldado" nos adversos tempos de guerra. Essa Canção que, entre as mais diversas temáticas, tratou também da problemática da guerra, esse pesadelo maior da Humanidade, que tão presente continua no mundo, a afligi-la, infligindo-lhe as maiores desumanidades.
Como bem sabemos, a primeira metade do século passado foi ensombrada pelas 1ª e 2ª guerras mundiais, de 1914 a 1918 e de 1939 a 1945. É precisamente em 1935 que Armando Neves escreve "A Cruz de Guerra",  poesia com que obteve o 1º Prémio de poesia, no Concurso-Literário desse ano, do S.P.N. Essa letra é posteriormente musicada por Miguel Ramos, para o repertório de uma das 1ªs figuras do Fado de então, Berta Cardoso, que o grava pela 1ª vez em 1936, acompanhada pelo próprio Miguel Ramos e por José Santos. Este é, creio bem, o seu mais emblemático fado e, provavelmente, o fado que esteve durante mais tempo nos Hits da rádio dos anos 30, 40 e ainda 50. Compreensivelmente. O assunto que a todos preocupava (preocupa) era a guerra e era igualmente o assunto que a todos colocava (coloca) grandes questões humanitárias... Particularmente, por certo, a todas as mães, às dos vencidos e igualmente às dos vencedores, a todas aquelas que, mesmo recebendo uma medalha- "Cruz de Guerra" - que simboliza o reconhecimento da Pátria pela bravura dos seus filhos, não podem alienar a tristeza que sentem pela morte desses seus mais preciosos bens; é, por certo, contraditório, este orgulho que se sente pela coragem dos filhos, que se batem pela Pátria e a dor pela perda de quem mais se ama; é, por certo, contradição e contraste que, nesses momentos de intenso pesar, uma mãe, que chora a morte do seu filho, tenha ainda espaço para pensar nas outras mães, as do "inimigo", que choram também pelas mortes dos seus, que esse acto de bravura, quiçá, terá ocasionado...
De facto, na guerra, não há vencedores nem vencidos; há apenas perdedores, predadores e muita Dor...


Aqui fica a letra "A Cruz de Guerra", devidamente visada pela Censura, e o registo de duas versões deste fado, uma mais moderna e outra, a 1ª gravação segundo creio, na interpretação da sua criadora- BERTA CARDOSO
Como curiosidade, igualmente aqui fica o registo da interpretação do mesmo fado por Isabel de Oliveira, uma das poucas fadistas, senão a única, que "ousou", depois da sua criadora, não só interpretar, mas mesmo gravar, este quase que exclusivo de Berta Cardoso. 







sábado, maio 14, 2011

"ACHEI-TE TANTA DIFERENÇA"




Era aqui a "Tipóia"...






"Achei-te tanta diferença / Quando de novo te vi / Que, estando em tua presença, / Tive saudades de ti //


Achei-te tanta diferença / Fiquei tão admirada / Que senti uma dor imensa / Ao ver-te a face mudada // ...


Parei, fingindo indiferença / Mas nem sei o que te achei / Que, estando em tua presença, / Que fosses tu, duvidei //


... E recordando o passado / Tive saudades de ti"


ADELINA RAMOS



("A Voz de Portugal", 1954)

sábado, fevereiro 19, 2011

"Ciúmes de Guitarra" - ADA DE CASTRO

Plat.

A GUITARRA
"Ciúmes de Guitarra", da autoria de Artur Ribeiro e de Casimiro Ramos, é o fado que Ada de Castro interpreta, acompanhada à guitarra por Francisco Carvalhinho e António Chainho, à viola por José Mª Nóbrega e à viola solo por Martinho d'Assunção (Jr.).
POST-SCRIPTUM
Recebi, ontem, de um amigo "fadistófilo", uma muito pertinente questão acerca da autoria do fado em que Ada de Castro interpreta esta letra de Artur Ribeiro, o "Fado Margarida". A resposta que dei foi a seguinte:
-Acerca das autorias, já sabes que indico as que constam dos discos, embora algumas com erros, que por vezes revelo, outras não... De facto, o Casimiro Ramos é irmão do Miguel Ramos e ambos são autores de fados http://www.jose-lucio.com/Fado/Autores.htm e daí haver por vezes alguma confusão... Neste caso, acho que é mesmo o "Margarida" que, tanto quanto sei, foi composto pelo violista Miguel Ramos, irmão do Casimiro, para a Margarida Pereira - "Fado Margarida" http://fadoteca.blogspot.com/2009/12/margarida-flor-do-fado.html Mas isto sou eu a falar... -
E era!... porque, há bocado, tentando responder a outra questão de um outro amigo do Fado, deparei-me, num manual de referência - "Notas de Música", da col. "Um Século de Fado", da Ediclube -, com a informação de ser, o Fado Margaridas, da autoria de Casimiro Ramos... Será que houve qualquer correcção ao documento de 1935 que eu não tenha visto?! Provável... Se assim for e alguém souber, muito agradecida ficaria pelo esclarecimento e prova, a bem da Cultura... Acerca destes e de muitos outros importantes assuntos, deveriam pronunciar-se consistentemente os que, afinal, parece preocuparem-se com as autorias, mas particularmente noutra vertente, a qual, contudo, tem tudo a ver com esta... é que há obras onde se indica o Casimiro Ramos como autor deste Fado, noutras o seu irmão Miguel... afinal, a quem cabem os direitos?!... Bem, neste caso, até nem importará grande coisa; sempre fica tudo em família!...

quarta-feira, maio 12, 2010

ALEXANDRA - "Água e mel"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Notável, a interpretação de Alexandra deste belíssimo e emblemático fado que tem autoria de Carlos B. de Carvalho e de Miguel Ramos.

http://www.alexandra.com.pt/

http://www.marquesdase.com/

Entre os ramos de pinheiro / Vi o luar de Janeiro / Quando ainda havia sol / E numa concha da praia / Ouvi a voz que desmaia / Dum secreto rouxinol
Com água e mel / Comi pão com água e mel / E no vão duma janela / Beijei sem saber a quem/ Tenho uma rosa / Tenho uma rosa e um cravo / Num cantarinho de barro / Que me deu a minha mãe
Fui p´la estrada principal / E pela mata real / Atrás dum pássaro azul / No fundo dos olhos trago / A Estrada de Santiago / E o Cruzeiro do Sul /
Abri meus olhos / Abri meus olhos ao dia / Escutei a melodia / Que ao céu se eleva do pó / O vinho novo / Se provei o vinho novo / Se amei o Rei e o Povo / Meu Deus porque estou tão só?!

domingo, dezembro 20, 2009

CARLOS RAMOS - "Noite de Natal"

OU

http://www.youtube.com/watch?v=fDOmaXPmeXY

Uma belíssima letra de João de Freitas, no melhor estilo do fado descritivo, vestida a rigor com música de Miguel Ramos, interpretada por essa voz única de Carlos Ramos, celebrando o Natal, tempo de Fé e de Impossíveis...

Com este Fado, a todos desejo uma luminosa Noite de Natal e que, a cada um, o Menino traga o que mais deseje!

terça-feira, novembro 10, 2009

BERTA CARDOSO - "Amor Filial" e "Cruz de Guerra"





Mais um belíssimo vídeo da EradoGramophone

com dois fados gravados por Berta Cardoso, em 78rpm, duas raridades - Amor Filial, de Luiz da Silva Gouveia e de Jaime Santos e Cruz de Guerra, de Armando Neves e de Miguel Ramos.
Obrigada pela partilha.
De facto, a Cultura não deve ficar fechada em armários, nem arrumada em estantes...
Parabéns por pertencer ao grupo dos poucos que, no meio do Fado, têm esta disponibilidade, esta atitude, esta generosidade de partilhar estes bens raros!...

quinta-feira, outubro 15, 2009

BERTA CARDOSO - "Marinheiros de Portugal" e "Mulher Portuguesa"



Em http://www.youtube.com/user/eradogramophone
O Canal eradogramophone editou mais este belíssimo vídeo de outros dois êxitos de BERTA CARDOSO - "Marinheiros de Portugal" e "Mulher Portuguesa", ambos da autoria de Armando Neves e de Miguel Ramos, como consta nos respectivos registos fonográficos em 78rpm.

Armando Neves foi um dos poetas que mais escreveu para o vastíssimo repertório de Berta Cardoso, particularmente no início da sua carreira. Aqui partilho mais este documento, a letra do"Marinheiros de Portugal", devidamente autorizada...

sexta-feira, agosto 14, 2009

QUINITA GOMES - "Festa na Atalaia"


Queria muito aqui lembrar esta fadista e por isso me atrevo a fazê-lo com um registo fonográfico em mau estado (também, já não é o primeiro...), mas é o que tenho!...
Antes assim que nada, não é?
No verbete de 2 de Agosto de 2007 do Fadocravo, já eu tinha falado no nome da Quinita Gomes
http://fadocravo.blogspot.com/search?q=quinita+gomes , a propósito de uma ida ao Porto de uma representação fadista que Quinita integrou com, entre outros, o seu companheiro de então, o fadista Frutuoso França...

Hoje, lembro "uma das letras mais populares do repertório de Quinita Gomes", nome artístico de Joaquina Gomes, "Um passeio à Trafaria", da autoria do consagrado João da Mata, que foi também seu companheiro.

Quinita Gomes começou a cantar com apenas 8 anos de idade. A sua voz «velada e triste» fez-se ouvir na "Jansen", no "Solar da Alegria", no "Salão Artístico de Fados"... e no "Monumental", onde um dia se estreou uma outra fadista com apenas 10 anos de idade, Mariana Silva, "A Miúda do Alto do Pina", de quem foi Madrinha de Fado.

"Festa na Atalaia", assim se intitula este fado, que tem como autores João da Mata e Miguel Ramos, é do repertório e interpretado por Quinita Gomes

VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, novembro 22, 2008

CIDÁLIA MOREIRA - "Fado Freira"


VÍDEO DE HOMENAGEM

"O Segredo da Freira", assim se intitulou originalmente este fado, da autoria de Armando Neves e de Miguel Ramos, que foi do repertório de Joaquim Campos, aqui interpretado por Cidália Moreira que, como se reparará, não canta a 2ª estrofe do poema.

G.P.36

"O QUE FEZ CIDÁLIA
O fado, queiram ou não, tornou-se um dos símbolos vivos da língua: saudosista de primeira, rebelde acima de todas as suspeitas, história em pacto de intimidade com quase tudo o que é comtemporâneo. Ao longo do tempo não faltaram tentativas de lhe atribuir parentescos, descobrir-lhe intenções, ou mesmo dar-lhe um corpo - Maria da Glória ou Glória Maria. Cada um vê o fado à sua imagem e semelhança. Quando Cidália Moreira tomou o lugar entre fios e microfones e, com uma voz meridional, começou a trabalhar como suas as palavras do fado, aquelas caras da noite que assistiam recapitularam todas as perguntas possíveis. Para uns o fado é uma "força cósmica universal". Será? ou antes, uma espécie de antropofagia'? Será? Para outros, um pouco de grito a que a minoria lusitana terá direito. De vez em quando era quase necessário que Cidália parasse para alguém dizer: é isso mesmo. Cidália Moreira é forte e frágil ao mesmo tempo. O olhar é bravo e comove-se: não é teatro onde a simulação tem o seu valor. E as mãos são transparentes e acompanham como ferro uma voz que não é claustro: sente intensamente o mundo presente. Tenta agarrar outras palavras quando estas a tentaram para formas de sentimentalidade. O fado de Cidália deixa bem claro, que é falsa a reputação de distância que cerca o fado. Será então, o fado, um serviço público? É enquanto gerava fado nos poemas de Vasco Lima Couto e de José Carlos Ary dos Santos, alguém se lembrou que fazer fado é uma forma de confissão, de nudez e se não for assim, será brincadeira ou mistificação. E porque não Camões ou Carlos Drummond de Andrade? O fado a prestar um serviço: deselitizar a poesia, pôr a língua na civilidade. Castiço é isto. Vêem alguns no fadista um profeta visionário a relembrar a face menos nítida e menos real de um país que não existe. Não vi Cidália a desgastar-se nisso. O que fez Cidália? Procura textos que digam alguma coisa ligada à vida de todos os dias? Cantigas de amigo? Foram umas longas horas de teste definitivo. A provar que a poesia pode estar no dia-a-dia. Num exercício solitário de fado. E mesmo quando se discorda do texto, Cidália transforma o fado numa adivinha: trabalha cada palavra como se cada palavra estivesse desligada dos que a ouviam. Forma umas longas horas com um fado que vai percorrer o purgatório das interpretações num país onde a educação poética e musical foi sempre moldada por padrões estrangeiros. Por isso, menospreza-se a categoria dos clássicos do fado. a não ser que fique arrumadinha na prateleira folclórica dos costumes vocais nativos. Todavia, a força manifestada por esta algarvia levanta questões e problemas cruciais à prática cultural no Portugal de hoje. Por exemplo: o dilema dos que hesitam entre cantar para o povo e não apenas sobre ele. É evidente que não compete ao fadista tentar sistematizar o estudo do carácter nacional a partir do "português" revelado no folclore, na mitologia e na tradição. Esta tarefa competirá aos que não receiam ser vítimas conscientes das contradições do sistema. Deste ou daquele sistema, é da teoria. Ao fadista compete reflectir deliberadamente um estilo, de vivência ou de narrativa. Cidália criou um estilo tanto mais forte quanto o texto é fruto de uma imaginação fértil. E um estilo que sofistifica o verso. Um estilo que provou, ao longo de horas, que o fado não é para iniciados. É para ser ouvido pelos que o próprio fado retrata. O valor permanente do fado está nessa sua pretensão: a aspiração do fadista que se dispõe a expressar o seu país em palavras e não apenas a entendê-lo. Nesse sentido, o fado é parte de uma luta entre a cultura oral e a cultura escrita. Não existe sem oralidade e não fica limitado a um público restrito. E a nostalgia vem desta identificação... O fado que fez Cidália aponta para tudo menos para o que tem sido entendido como "essencialmente destruidor" e não se circunscreve no que tem sido descrito como "uma vasta ilusão". Nem sequer para uma "orgia intelectual". O que se ouviu de Cidália, pela forma como se ouviu, é um antindividualismo dirigido voluntarioso, para não dizer implacável. Provou ao longo de horas que o fado tem, neste país, o elementar direito permanente à pesquisa estética, à actualização da inteligência artística portuguesa e à estabilização de uma consciência criadora nacional. Uma prova destas é uma conquista muito mais importante do que a sensualidade oral já conseguida para o fado, por exemplo, por Amália Rodrigues, e mais importante do que os cantares do submundo português dos anos 40 e 50 a lembrar as esperanças que restavam no crespúculo do arbítrio. Cidália, possivelmente alheia ao efeito teatral da sua voz, não se veste com fantasias. Tenta fazer uma história. A história do fado que se recusa a ser infeliz por um preço qualquer.
Carlos Albino Guerreiro "
( in http://www.macua.org/biografias/cidalia.html )

I.P.

domingo, outubro 05, 2008

RAUL PEREIRA - "Saudoso Fado"

VÍDEO DE HOMENAGEM


"...a nossa voz, em todo o lado,será, para nós, a porta-voz do nosso fado"

"Quem nunca ouviu, na velha Alfama, o som plangente,
a vibração duma guitarra pelas vielas
Nunca escutou esse queixume que anda ausente,
aquele fado que embarcou nas Caravelas
....
Quem nunca ouviu, no Bairro Alto e Madragoa,
vozes fadistas em vibrantes desgarradas
Nunca escutou, nas velhas ruas de Lisboa,
todo o encanto das saudosas madrugadas
...
Quem não viveu, naquele tempo da nobreza,
junto aos plebeus, na Mouraria, em comunhão
Deve ter pena em não viver toda a grandeza
daquele Fado que nos fala a Tradição
... "