domingo, fevereiro 28, 2010

ARGENTINA SANTOS - "Não sei se canto se rezo"

A exposição "Argentina Santos - Não sei se canto se rezo", ontem inaugurada no Museu do Fado e que estará patente ao público até ao próximo dia 30 de Abril, teve casa cheia e bem merece uma visita, mesmo de quem não aprecia estas coisas do Fado...
Desde logo, porque a exposição leva a assinatura de António Viana, que sempre sabe revestir estes espaços de uma certa magia, sem nada lhes retirar de realidade, dando-lhes o brilho certo; depois, porque vale a pena conhecer o percurso fadista de Argentina Santos, particularmente pelo que ele tem de invulgar.
Ontem, na inauguração, tal como estava anunciado, prestou-se uma breve homenagem à fadista, tendo-se ouvido as vozes de Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela e Carlos do Carmo, nenhum deles tendo mencionado as autorias dos fados que cantaram, o que achei inusitado, dado o espaço e o acto, particularmente no que respeita à prestação de Carlos do Carmo que teve também a seu cargo a "oração de sapiência", no que esteve irrepreensível. Finalmente, Argentina Santos, que recupera ainda de um recente problema de saúde, brindou-nos com "a última lição"- um fado seu, que primou pela genuinidade e por essa grandeza de oferecer o que podia, para não desiludir o seu público que, mesmo assim, tanto queria ouvir essa "voz que é um pregão", como tantas vezes dela ouvi dizer Berta Cardoso.
Vale a pena o catálogo da exposição, belissimamente ilustrado e com textos de Sara Pereira e Sofia Bicho; apenas fiquei na dúvida se, como consta a páginas 27 do sobredito, o fado "A minha pronúncia", que ali se indica como sendo do repertório de Argentina Santos e ter letra da autoria de Alberto Rodrigues, será o mesmo que foi do repertório de Carolina Redondo, cuja letra se deve a Clemente J. Pereira e que, de facto, também Argentina Santos costuma cantar. Ora veja lá:
De resto, está de Parabéns a Argentina e o Museu!
Esperemos que outras homenagens estejam na forja...

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

RITA CASTELO BRANCO - "Noite de guitarra"

VÍDEO DE HOMENAGEM
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Rita Castelo Branco é o nome artístico de Rita da Conceição Moita Almeida Morgado, uma alentejana de Moura, que no passado dia 1 festejou o seu 71º aniversário (oficialmente a 8), fadista que teve Hermínia Silva como sua Madrinha de Fado, que fez parte dos elencos do "Solar da Hermínia", "Viela", "Taverna d'El-Rei", "Poeta", "Mal Cozinhado" (na Foz - Porto), "O Fado" (em Madrid), entre outros, participou em vários espectáculos, no país e no estrangeiro, tendo-se retirado em 1982.

Aqui fica este apontamento biográfico e este fado a recordar Rita Castelo Branco.

terça-feira, fevereiro 23, 2010

CAMANÉ - "Saudades do Futuro"

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Camané interpreta, com música de Amadeu Ramin, esta belíssima letra de J. Correia Tavares

Daqui, desta Lisboa que é tão minha
Como de ti que a amas como eu
Mando-te um beijo naquela andorinha
Que em Março me entregou um beijo teu

Daqui, deste jardim à tua espera
Como se não tivesses embarcado
Digo ao Outono que ainda é Primavera
E encho de buganvílias este fado

Num tempo que de amor é tão vazio
Há coisas que não sei, mas adivinho
Um rio ali à beira doutro rio
Só um, depois da curva do caminho

Tenho tantas saudades do futuro
Dum tempo que contigo hei-de viver
Não há mar, não há fronteira, não há muro
Que possam, meu amor, o amor deter!

domingo, fevereiro 21, 2010

OH!, MADEIRA...

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Este tema, de F. Carvalho e de N. de Barros, interpretado por Max, é, nesta hora amarga, o meu abraço à nossa Pérola do Atlântico que, muito em breve, estará de novo em todo o seu esplendor. Coragem!

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

SIMONE DE OLIVEIRA - "Crucificada"

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Esta "Simone mulher, guitarra" teria que ser aqui recordada... que mais não fosse, pelo muito que Simone de Oliveira representa no panorama artístico português; mas, para além disso, pelo paradigma de profissionalismo e entrega que constitui. Melhor explicando, esta incursão no Fado foi, por certo, cuidadosamente pensada, com enorme respeito pelo acompanhamento e música tradicionais, tendo como poeta de eleição Ary dos Santos e a escolha de outros poetas maiores representativos das Letras Portuguesas, como Camões, Pessoa, Torga e Florbela Espanca, autora deste soneto que Simone interpreta, com toda a sua intensidade dramática, na música de Renato Varela. Dois dos seus acompanhantes, o consagrado Martinho da Assunção e seu neto Vital da Assunção, assinam parte dos temas musicais, ao lado das autorias de A. Marceneiro, Georgino de Sousa, Renato Varela e Pedro Rodrigues. Na Guitarra e no Baixo, respectivamente Arménio de Melo e Correia Martins. Um disco de Fado a que apenas falta, perdoem-me a sinceridade, estar igualmente representado um Poeta de Fado, diria, um Linhares, um Conde, Rego, Britinho... Raínho, José Luís Gordo... e tantos outros, mas, pronto!, como sói dizer-se "o óptimo é inimigo do bom" e nem sempre o óptimo é a melhor das companhias... olha que graça! E, já agora, quero terminar assim:

Que numa mulher se concentre tal beleza, talento e raça, é mesmo pecado, não é?!...

http://www.macua.org/biografias/simonedeoliveira.html

domingo, fevereiro 14, 2010

AUTORIAS


Encontrei este texto, numa "Guitarra de Portugal" de 1947, e entendo oportuno aqui partilhá-lo convosco, dada até a actualidade do assunto. De resto, não é a primeira vez que neste blogue faço referência a este preocupante facto de, na generalidade das casas de fado, em espectáculos e até mesmo na rádio, se ter retomado, há já largo tempo, este péssimo hábito de não informar os nomes dos autores, quer das letras, quer das músicas e nem, por vezes, dos intérpretes, revelando um absurdo menosprezo por quem cria, pois, como muito bem diz J. Zenóglio, "Escreve-se sem ser preciso cantar, mas não se canta sem haver quem escreva"... Para mim, este comportamento, que Zenóglio qualifica de irreverente e injusto, é muito para além disso; é, muitas vezes, a Ignorância a revelar-se, escondida por detrás de uma tão ridícula quão frágil arrogância, e é, igualmente, a revelação de uma enorme falta de consideração para com o público. É nesta qualidade que, uma vez mais, aqui deixo lavrado o meu protesto; quando vou a uma casa de fados, gosto de saber quem estou a ouvir, o que nem sempre acontece porque se perdeu o hábito de anunciar quem vai cantar e até mesmo o de afixar, à porta, os nomes e respectivas fotografias do elenco; assim, se não houver ali quem nos informe, ouve-se um/a anónimo/a que, do mesmo modo, interpreta fados de que não diz o nome e nem as autorias- será segredo?!... Em grande número de espectáculos, infelizmente, passa-se o mesmo e na rádio, mesmo na da especialidade, é igual... É pena! Até mesmo porque, comercialmente, acaba por ser mau negócio... Não será?!...

sexta-feira, fevereiro 12, 2010

PAULO DE CARVALHO - "O polidor de calçadas" e "Com amigos como estes não preciso de inimigos"

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Paulo de Carvalho dispensa apresentações, mas a sua faceta fadista será porventura a menos conhecida, embora tenha gravado fados, não só com o acompanhamento tradicional, como até com "The London Philharmonic Orchestra". Lembro, na Voz deste grande Homem da Música, dois temas que, não sendo embora dos mais representativos da sua já longa e bem sucedida carreira, bem ilustram as suas qualidades enquanto cantautor. Concluindo, estes dois fados, belissimamente interpretados por Paulo de Carvalho, têm, para além de tudo, o fascínio de uma enorme actualidade temática, no que às letras respeita, e o encanto do apreço por uma vestimenta melódica tradicional.

http://www.paulodecarvalho.com/

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

AURÉLIA ADELAIDE - "Comparações"

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Mais uma singela, porém sentida homenagem ao Porto e seus fadistas, desta vez, na pessoa de Aurélia Adelaide que interpreta, no Fado Modesto, de Júlio Proença, uma muito original letra de Neca Rafael, em que se estabelecem comparações entre as duas capitais do Império, a do Norte- o Porto e a do Sul- Lisboa. Um tema que poderá também captar o interesse dos meus queridos "seguidores" e outros (ou não) e até mesmo suscitar uma sempre benvinda acalorada discussão... e digo benvinda porque daquela, diz-se, é que nasce a luz e desta bem precisamos, tanto como de raminhos de oliveira que, ultimamente, me deu para distribuir onde proveitosos, a ver se essa história do "love-peace", que tão apregoado foi nos 70's, dará agora resultado, "mesmo no meio fadista", como alguns diriam!...

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

HELENA TAVARES - "Guardo uma rosa encarnada"

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Ao contrário do inicialmente pensado, optei por seleccionar este fado, com acompanhamento tradicional, embora Helena Tavares tenha ficado mais conhecida pelos seus êxitos de fados nas Revistas, com orquestra. Também este não será um dos seus fados mais conhecidos, mas creio ser esta, de momento e por várias ordens de razões, a escolha mais acertada... É de D. Costa a letra que Helena Tavares tão bem interpreta no Fado Menor do Porto.
http://www.macua.org/biografias/helenatavares.html

http://www.vidas.correiodamanha.pt/noticia.aspx?channelid=786FB622-27DF-4A0D-AECF-FB1184ACEC94&contentid=5495448D-3381-4312-9E28-460304242376

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Voz de Portugal, 1954

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

ROSA LOBATO FARIA


Não poderia deixar de aqui homenagear Rosa Lobato Faria (1932-2010), actriz, romancista, poetisa e letrista que, inopinadamente, nos deixa na flor da vida e do talento, com uns jovens e joviais 77 anos.


Lembro-me bem desta lindíssima mulher quando, há décadas, apareceu na RTP, ao lado de David Mourão-Ferreira, dizendo poemas... já então a Rosinha era linda, doce e simples e, por isso, chamava tanto a atenção que muitos nem notavam a sua maestria de diseuse!... Segui a sua carreira com admiração constante, pela excelência que marcava tudo o que fazia, pela delicadeza, a graça, a genuinidade, a inteligência e, porque não dizê-lo, por conseguir, com o passar dos anos, estar cada vez mais jovem e bonita e talentosa, ao contrário do que usualmente acontece.


Rosa Lobato Faria escreveu belíssimas letras para Fado, uma das quais é lembrada aqui http://kalungablog.wordpress.com/2009/09/05/americo-sou-apenas-teu-amigo/ pelo nosso Amigo Américo e ainda a do conhecido Fado Maluda, na voz de Carlos Zel, aqui http://www.youtube.com/watch?v=a6w-WW5DZrQ; mas há uma outra letra, igualmente excelente, que por ser uma "brincadeira" sobre os bairros de Lisboa (que Rosa Lobato Faria escreveu para a Mísia, a pedido) quero igualmente recordar. Podem ouvir aqui http://www.deezer.com/fr/music/misia#music/misia e acompanhar as palavras, que não garanto estejam 100% correctas


CONJUGAR LISBOA


Esta Lisboa princesa / Filha Estrela da Mãe d' Água / Alfama minha tristeza / Chafariz da minha mágoa / Bato sonhos em Castelo / No Desterro do cansaço / Com Pontinhas de cabelo / No Terreiro aonde passo / Restelos no que eu vivi / Benficou noutras Mercês / Quando eu Rossio por ti / Portamos Cais do Sodrés / Mas quando tu me Xabregas / Não me deixo Saldanhar / Sou do Tejo se navegas / Nas ondas do Lumiar / E porque Politeamo / E com a Escada vez mais / À janela me Moiramo / A ver se és tu que ali vais / Eu Arieiro, tu Chelas / Bela Parque, Amoreiras / Mas se Intendente dou por ela / Que Marvila de Telheiras / Ando a conjugar Lisboa / A ver se o Salitre passa / Pois nada nos Madragoa / Se é feito com ar de Graça.

Mais informação no YouTube e este vídeo



Obrigada, Rosinha!

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

MARIA AMORIM - "Lisboa Menina e Moça"

VÍDEO DE HOMENAGEM

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Este vídeo de homenagem a Maria Amorim, que aqui lembro interpretando o conhecido "Lisboa Menina e Moça", de Ary dos Santos e Paulo de Carvalho, tem uma introdução feita pelo Dr. Godfrey Simmons, um súbdito de Sua Magestade, grande amante de Fado, como o próprio confessa.
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No castelo, ponho o cotovelo / Em Alfama, descanso o olhar / E assim desfaço o novelo / De azul e mar / À ribeira, encosto a cabeça / Almofada da cama do Tejo / Com lençóis, bordados à pressa / Na cambraia, de um beijo
Lisboa menina e moça, menina / Da luz que os meus olhos vêem, tão pura / Teus seios são as colinas, varina / Pregão que me traz à porta, ternura / Cidade a ponto luz, bordada / Toalha à beira mar, estendida / Lisboa menina e moça, amada / Cidade, mulher da minha vida
No terreiro, eu passo por ti / Mas da Graça, eu vejo-te nua / Quando um pombo te olha, sorri / És mulher da rua / E no bairro mais alto do sonho / Ponho o fado que soube inventar / Aguardente de vida e medronho / Que me faz cantar
Lisboa menina e moça, menina / Da luz que meus olhos vêem, tão pura / Teus seios são as colinas, varina / Pregão que me traz à porta, ternura / Cidade a ponto luz, bordada / Toalha à beira mar, estendida / Lisboa menina e moça, amada / Cidade, mulher da minha vida
Lisboa no meu amor, deitada / Cidade por minhas mãos despida / Lisboa menina e moça, amada / Cidade, mulher da minha vida

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Morreu a fadista Maria Amorim

Lisboa, 20 Dez 2003(Lusa) - A fadista Maria Amorim, radicada em Londres desde 1953, morreu hoje na capital britânica, vítima de doença prolongada, devendo o corpo ser cremado domingo, disse à Agência Lusa fonte familiar.
A fadista, que contava 67 anos, foi este ano homenageada em Londres, pelos seus 50 anos de carreira, e viu em Novembro editado um CD com os seus principais êxitos.
A fadista começou a cantar na Parreirinha de Alfama, de Argentina Santos, em Lisboa.
"A minha mãe era amiga da Argentina e comecei ainda nova a cantar e às vezes até ficava a dormir no apartamento por cima da Parreirinha", recordou Maria Amorim, em entrevista concedida à Lusa por ocasião da homenagem pelos 50 anos de carreira.
"O fado despertou-me interesse quando, ainda pequenina, ia espreitar os fados numa taberna próxima de onde morava. Nessa altura "escutava enlevada o Manuel Calisto, Joaquim Silveirinha, Manuel Gil, José Coelho, entre outros. Nomes da chamada 'Velha Guarda'", referiu na entrevista.
Nas lides fadistas, a criadora de "Já é tarde" (Joaquim Campos/ Alberto Rocha) era conhecida pela Migalhinha, alcunha que lhe advém de uma quadra que Fernando Farinha lhe dedicou.
Entre os fados que a celebrizaram contam-se "Fado de outrora" (José Marques/João de Freitas), "Esperas de gado" (Nuno Meireles/J.Freitas), "Vidas sombrias" (Túlio Penha/J. Freitas), "Fado nos arredores" (Hugo Vidal/J. Freitas) e "Eu nasci na Madragoa" (F.Farinha).
Em Londres, Maria Amorim participou em vários espectáculos e gravou discos com fados do seu repertório e outros mais conhecidos do público inglês como 'Casa Portuguesa', 'Lisboa à noite' ou 'Fado errado'.
AO/NL.