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segunda-feira, novembro 14, 2005

Não pôde cantar, chorou!







O Velho Guitarrista
P. Picasso










Velho Fadista
Na Mouraria, uma noite, a fadistagem
cantava e ria, numa sã camaradagem
Saudosamente, ali estava ao nosso lado,
velho e doente, um fadista já cansado.

Quando cantei, dediquei-lhe, no Corrido,
uns versos em que falei num fadista já esquecido
Ele escutou, porém, notei-lhe no rosto
o seu amargo desgosto, quando o passado lembrou.

Ao terminar, ele, sorrindo com mágoa,
veio-me abraçar, com os olhos rasos de água
e, qual demente, desapertando a samarra,
nervosamente, abraçou uma guitarra.

A banza trina e ele encetou com fervor
uma cantiga em surdina no velho fado Menor
Não terminou, pois, com a alma em pedaços,
veio cair em meus braços, não pôde cantar, chorou!

(Letra: A.Vilar da Costa/ Música: Fado Modesto; Voz: Alcindo Carvalho)