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quinta-feira, junho 07, 2012

Os 2 "Fado da Azenha"

Este é um dos mais conhecidos fados tradicionais, com letra e música da autoria de J. Frederico de Brito, que o escreveu para o repertório do cantador Vitor Daniel

G.P.1931

Ao longo dos anos, foi sendo interpretado e gravado por diversos cantadores e cantadeiras, ora com a letra original, ora com outras letras, 

Curioso é o facto de ter, o próprio Frederico de Brito, escrito uma outra letra, com o mesmo motivo, para esta música e para o repertório de BERTA CARDOSO. Com sorte, este foi um dos poucos discos que "escapou" e se encontra em bom estado... Aqui fica este quase inédito, a recordar essa voz que no Fado foi reconhecida como a "Voz d'oiro", acompanhada pelos igualmente "Instrumentistas d'oiro" ARMANDINHO e GEORGINO.
Pena é que, até agora, ainda se não tenha reeditado esta Voz que, no Fado, foi um caso!...



(Verbete reeditado de 26.04.2012)

domingo, agosto 24, 2008

CARLOS DO CARMO - "As três normas"


Este fado, cantado por Carlos do Carmo (1), na música do Fado da Azenha, de Frederico de Brito, tem uma magnífica letra de Carlos Conde, que evoca os três Macacos Sábios - Mizaru, Kikazaru e Iwazaru - e a sua mensagem de saber viver.
Diz assim:
"Para quem queira viver
Sem ralhar, sem discutir,
Três normas tem de adoptar
É ter olhos e não ver
Ouvidos e não ouvir
E ter boca e não falar"
... ... ... ...
É receita que dá, por certo, muito resultado, mas não é para todos. Antes de mais, é preciso ter temperamento ou feitio ou qualquer coisa assim para fingir que não se vê e não se ouve e... não falar; depois, é necessário muitos anos de aturado treino e uma grande dose de fdp... para passar a vida a fazer como o cavalo na parada... Mas há quem o faça e muito bem e fica, assim, sempre bem visto. Poderá ser até um tipo de sabedoria macacoide, mas que dá um resultadão, todos sabemos que dá, não é? "Caladinho é que eu sou lindo!" ou "O calado vence tudo", fazem parte do mesmo ideário, até mesmo porque "quem mais fala, mais erra" e, por isso e outras coisas mais, eu vou já calar-me para nem sair mais asneira nem entrar mosca; mas não sem antes aqui deixar estas palavras do poeta:
"Não fales, não sejas louco
Estuda o mundo de forma
A que o leves de vencida
Saber muito e falar pouco
Faz parte da boa norma
Com que se vence na vida"
divirta-se e medite que eu, eu vou a banhos!...

(1) Carlos do Carmo interpretou o "Fado da Saudade", no filme "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura, fado distinguido com o Prémio Goya 2008, na categoria de melhor canção ORIGINAL. Um fado da autoria de "Fernando Pinto do Amaral e Joaquim Campos", de acordo com a notícia em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/805948.html , que remata com a seguinte frase premonitória "De novo apenas poderá haver o facto de ser um fado a roubar o reconhecimento para a melhor canção original."
Relativamente à autoria da música, para além de Joaquim Campos, há também quem diga que se deve a Alfredo Marceneiro, o Fado Versículo, e quem defenda que aquele fado é simplesmente o Menor, embora com complemento de versículo, mas um versículo (tecnicamente) diferente... São, claro, opiniões de catedráticos do Fado e eu, que do fado só sei quanto o aprecio, fico calada; precisamente!... como o macaco! Mas, como estou só fingindo que não ouço, não vejo e não sei, sempre vou repetindo "Menor ou Versículo, original, é que esse fado não é e, esse, é o cerne da questão".
Voltamos a encontrar-nos na "rentrée", combinado?

VÍDEO DE HOMENAGEM