
Cantar Fernanda Maria
"Cantar Fernanda Maria”, título de um espetáulo no Teatro Armando Cortez, em Lisboa, a Carnide, junto á Casa do artista, que é "um brinde" à eterna interprete de “Não passes com ela à minha rua”.
Os fadistas são Gonçalo Salgueiro, Ana Moura, André Baptista, Cristina Navarro, Ana Maurício, Luís de Matos, Filipa Cardoso, Ricardo Ribeiro, Aldina Duarte, Pedro Moutinho, e Ana Sofia Varela.Serão acompanhados pelos guitarristas José Luís Nobre Costa e José Manuel Neto, os violas Jaime Santos Jr. e Carlos Manuel Proença, e os violas baixo Joel Pina e Daniel Pinto.
Fernanda Maria foi distinguida em 2006 com o Prémio Amália Rodrigues, no programa da gala, que ocorreu no Municipal S. Luiz, Nuno Lopes escreve: “Uma história abreviada do fado não pode deixar de referenciar Fernanda Maria” que qualifica de “intérprete de excepção” e “criadora de fados que perduram na memória”.
À Lusa o fadista Gonçalo Salgueiro, amigo desde sempre da fadista, afirmou: “No fundo, é mostrarmos-lhe o quanto gostamos dela e lhe estamos gratos”.
O fadista que é um dos protagonistas de “Fado – história de um povo”, no Casino Estoril foi o autor da ideia.“A ideia surgiu de uma conversa com a Cristina Navarro e o André Baptista, a que pronta e generosamente muitos aderiram, porque somos fãs da Fernanda Maria”, disse.
“Quem canta são os fãs da Fernanda Maria, daí não subir ao palco ninguém da sua geração”, justificou Gonçalo Salgueiro.
Para o fadista, Fernanda Maria “é uma referência de estilo”.“A Fernanda Maria é uma fadista de raça, tem uma voz completa com graves lindíssimos, médios cheíssimos e agudos esplendorosos e límpidos”, referiu.Nuno Lopes no citado programa refere a “voz límpida e segura”“Uma mulher – acrescentou Salgueiro – em que se percebia tudo o que dizia, cada uma das palavras, que tinha um respeito enorme pelos sentimentos dos poetas, que pesquisava ao máximo quando recebia um poema para não trair a ideia do poeta. Uma intérprete de exceção que nunca imitou ninguém”.Argentina Santos, Amália Rodrigues e Maria Teresa de Noronha são referências para a criadora de “Saudade vai-te embora”
A receita do espectáculo reverterá totalmente para a Casa do Artista.“É uma forma de lhe dizermos muito obrigado, gostamos muito de si, estamos-lhe gratos”, disse Salgueiro, acrescentando que “a utilidade de ajudar uma causa como a Casa do Artista que cada vez precisa de mais apoio”.
Fernanda Maria, 73 anos, começou a cantar aos 12 na Parreirinha de Alfama, e mais tarde, n'0 Patrício, na calçada de Carriche. Com 15 anos apresentou-se na Emissora Nacional, e entre cem candidatos foi uma das escolhidas, passando a atuar em programas como "Serão para trabalhadores", "Estrelas no Odeon", "Comboio das seis e meia" ou "Passatempo PAC".Integrou o elenco de várias casas de fado de Lisboa até fundar a sua própria, “Lisboa à noite”, no Bairro Alto, em 1964.Apenas uma vez cantou fora de Portugal, na Holanda, apesar “dos insistentes convites, até para ir ao Lincoln Center”, recordou numa entrevista à imprensa. Para os Estados Unidos gravou 20 álbuns.
A ex-locutora radiofónica Ema Pedrosa afirmou à Lusa: “se fosse hoje, com a quantidade de discos que vendeu, a Fernanda Maria tinha mais que uma parede só com discos de ouro, foi um estrondo de carreira”.
Entre os seus sucessos contam-se “Não passes com ela à minha rua”, “Saudade vai-te embora”, “Algemas de vidro”, “Negro ciúme”, “As pedras da minha rua”, “Às de espadas”, “Homem de fato castanho”, “Barcos do Tejo” ou “Aquela velhinha”.
Todos os fadistas interpretarão um fado do repertório de Fernanda Maria que obteve a carteira profissional em 1957 e encarou o Fado como razão e explicação da sua existência. Em 1968 afirmou à revista Magazine: "Não sei se foi a pobre existência que tive, se foi a influência de ouvir cantar fado, que gravaram em minha alma esta forma de sentir".Inez Benamor
Ó mulata Berta Cardoso, olha que, ariana que sou, fiquei negra de vergonha!
Laus Deo!


