Este é um excerto do fado que ganhou este ano o Prémio Goya, atribuído pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Espanha à melhor Canção Original de filme, neste caso o contestado "Fados", de C. Saura.
Quando todos pensávamos "que bom, finalmente um prémio para Portugal", alguém levantou o dedo e disse "O REI VAI NU!..." Estala a polémica à qual me parece, porém, alhear-se o principal visado, Carlos do Carmo, que continua renitente, sem dar explicações públicas. Foi Vitor Marceneiro quem, na qualidade de herdeiro de Alfredo Marceneiro, levantou a celeuma e disse "mas que é lá isto, esta música é da autoria do meu avô, é o Fado Versículo, ou Pierrot, ou simplesmente Versículo, cantado e recantado por tantos e tão bons fadistas e agora quem recebe o prémio é o C.doC. e nem diz de quem é esta música..." Ora, no programa do Malato, quando este pergunta ao Carlos do Carmo de quem é a música do Fado Saudade, o Carlos responde um bocado atrapalhadamente que "é o Menor, do qual se desconhece o autor..." e não fala no Versículo, nem no Marceneiro. Mas noutras declarações, já C.doC. vem dizer "Nunca reclamei a autoria, é um fado menor em versículo que é uma forma musical de que o povo se apropriou, e a que cada um dá o seu estilo". Portanto, C.doC. parece aqui reconhecer que esta forma musical é mesmo o Fado Versículo, mas também parece não reconhecer a reclamada autoria de Alfredo Marceneiro...
O produtor do filme, Ivan Dias, declarou à Agência Lusa que o "Fado da saudade" "é um fado menor em versículo com arranjos dos músicos que acompanham Carlos do Carmo", assim parecendo também reconhecer tratar-se do Fado Versículo...
Acerca da matéria, muitos se pronunciaram a favor da tese defendida por Vitor Marceneiro, mas, "estranhamente", alguns profundos conhecedores de música veem a terreiro defender o NIM...
Para que não subsistam dúvidas, nos dois "posts" anteriores pode ouvir-se o Menor, pela Mariana Silva e o Versículo, pela Berta Cardoso. Parece-me que não há dúvidas que a música que o Carlos do Carmo canta com esta letra do F. Pinto do Amaral é mesmo o Versículo, que se encontra registado em nome do A.Marceneiro.
A questão que se coloca agora é "sendo a música a do Fado Versículo, poderia o prémio ter sido atribuído a este Fado, uma vez que o Regulamento determina que "Al Premio a la Mejor Canción Original podrán optar aquellas canciones, compuestas de letra y música, en las que ambas han de ser originales y creadas expresamente para la película. La canción debe ser claramente audible en algún momento a lo largo de la película, incluidos sus títulos de crédito"??? Se a palavra "original" tem ainda o mesmo significado, eu diria que não, uma vez que a música, embora com «arranjos novos», é precisamente a que o Marceneiro arranjou para a letra do Pierrot, há já umas décadas...
A situação criada é muito desagradável, tanto para Portugueses, como para Espanhóis, uns porque podem ficar sem o prémio, outros porque terão que reconhecer que, afinal, é de Portugal que nem bons ventos... Mas também, quem os manda a eles pronunciarem-se acerca de matérias que não conhecem?! Também por lá se usa! Não acredito que Carlos do Carmo tenha indicado outra autoria para a música; o que creio é que, simplesmente, não indicou! E os Académicos, que nunca tinham ouvido o Versículo e mesmo, se calhar, nenhum outro Fado, sauf quiçá algum da Amália, acharam lindo, que é, e premiaram. Vamos a ver, agora, como descalçam a bota... Que, calhando, nem há bota nenhuma para descalçar! Nós é que somos todos uns pobres de espírito, uns ignorantes, uns tontos... como a criança do REI VAI NU!... A música parece a do versículo, aquela forma musical de que o povo se apropriou..., mas não é, é uma forma musical completamente original e reabilitada com arranjos novos, embora aos ignorantes continue a parecer aquela mesma outra forma musical da autoria do Marceneiro, entendido?
