sábado, setembro 24, 2011

O "Chico da Mouraria" - SAUDADE DOS SANTOS

Numa I.P. de 1906, a encimar um interessante artigo de Albino Forjaz Sampaio, que pode ler aqui, a imagem de Francisco da Conceição, o Chico da Mouraria, uma figura fadista que o fado com o mesmo nome celebra e a propósito se lembra, na notável interpretação de Saudade dos Santos. Este fado, que também se encontra gravado por Argentina Santos, foi, salvo melhor opinião, criação e pertenceu ao repertório de Arminda Vidal, uma fadista quase esquecida, mas que teve notoriedade nos anos 30/50, que fez parte do elenco privativo do Retiro da Severa (1938), ao lado de grandes nomes do fado, tais como Berta Cardoso, Alfredo Marceneiro, Mª Emília Ferreira, Júlio Proença e outros.

Doutra figura mítica também se fala nesse artigo, o Sérgio do violoncelo, que tocava na Carreirinha do Socorro e que ficou também imortalizado num fado, interpretado por Berta Cardoso, que deu brado na Revista Cartaz de Lisboa.

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Plat.

terça-feira, setembro 20, 2011

INÁCIO DE MATOS - "Não perguntes onde andei"


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"Não perguntes onde andei", de António José e de Inácio de Matos, que também é o intérprete deste fado, acompanhado pelas guitarras de João Alberto e de José Luis Nobre Costa, a viola de Humberto de Andrade e a viola-baixo de José Vilela.


sexta-feira, setembro 16, 2011

GLÓRIA DE LOURDES - "Lágrima caida"



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Radicada no Brasil, Glória de Lourdes editou, há bem pouco tempo, o seu último trabalho "Fado na Intimidade".


Porém, é com um fado gravado há bem mais anos que aqui a recordo - "Lágrima caída", de Luiz Campos e de Chico Madureira, acompanhada pelo guitarrista Arménio de Melo e pelo violista José Maria Nóbrega.


Quisera ser uma lágrima / Para em teu olhar nascer / Deslizar em tua face / Em tua boca morrer / Duma lágrima caida / Nasceu a minha paixão / Duma saudade perdida / Morreu a minha ilusão //

As lágrimas quero ser / Se um dia te vir chorar / Para em teu rosto correr / O lume do meu penar / Horas tristes que passaram / Eu as guardo sem rancor / As migalhas que ficaram / São restos do nosso amor / E em meus olhos bailaram / Duas lágrimas de medo / As luzes se apagaram / E a noite morreu mais cedo.

quinta-feira, setembro 08, 2011

D. HEITOR GIL DE VILHENA - "Fado recordado"



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É de Carlos Alberto França este nostálgico "Fado recordado" que lembro na interpretação de Heitor Gil de Vilhena, que, em 1968, abriu a que é hoje a mais antiga casa de fados do Porto, a Casa da Mariquinhas .


"Brincar no passeio / era o meu recreio / nos tempos de então / bibe de xadrez / sem nada nos pés / jogando o pião / e na vila ao lado / já sem ter telhado / havia uma adega / onde se saltava / à corda e brincava / sempre à cabra-cega


Na rua onde moro / há coisas que adoro / já desde petiz / quando ia com a Bia / a Zefa e a filha / para o chafariz / tal como o pregão / daquela garota / vendendo figuinhos / de capa-rota / na rua onde moro / de saudade choro / tempo tão feliz!..."

sábado, setembro 03, 2011

MICÁ - "O Português"

Há já algum tempo que tencionava lembrar a Mª do Carmo Silva, que usa o nome artístico Micá, mas tenho vindo a adiar o momento por causa do fado que escolhi para fazê-lo, fado que tem uma letra que pode causar agora certos constrangimentos e que alguns poderão achar até de duvidoso bom gosto. Ora, foi exactamente por causa desta curiosa letra, que não conheço interpretada por outro/a fadista, que escolhi este fado e decidi finalmente divulgar, doa a quem doer. Pode parecer que a letra é daquelas muito datadas, definitivamente pertencente ao passado, no que toca a discriminações raciais e a nacionalismos serôdios... A sério, acham mesmo?!...

Formulando a questão de outro modo; já não haverá leis que impeçam alguns de caminhar pelo "passeio", mas que abra excepções a alguns desses, diferentes doutros alguns?...

Enfim, quem dera que qualquer português continuasse a sentir esse orgulho de ser "dum país de valor, muito nobre e sonhador, conhecido em todo o mundo..."

Sem mais, "O Português", de Júlio Vieitas e Pedro Rodrigues, na interpretação de Micá.



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sexta-feira, setembro 02, 2011

QUANTOS AUTORES TEM O FADO...?!




Em Dezembro de 2008, lembrei Beatriz Ferreira interpretando um fado antigo, "Três beijos", gravado por Júlio Proença e cuja autoria indicada, no fonograma, é de Joaquim Campos.



Em Janeiro de 2010, editei este verbete no Fadoteca, precisamente acerca desse fado e do "Puxavante", parecendo que, afinal, a autoria pertence a Pedro Rodrigues, que a reclama em carta dirigida a João da Mata, ouvidos ainda o próprio Joaquim Campos e o Júlio Proença.



"Se bem me lembro", ainda não há muito tempo se gerou, no "meio do Fado", semelhante conflito acerca da autoria de um fado a que, entretanto, foi dada outra autoria, igual e simplesmente apenas por causa "da forma de tocar", com a singela diferença de que, neste último caso, o mais recente autor insiste na sua razão...



De facto, a partir do momento em que o Fado se profissionalizou (e já lá vão largos anos), parece continuar a ser muito difícil ser prior de tal freguesia... "à qual muitas pessoas de valor ultimamente têm vindo e, no número das quais, sente muito em não querer ser" englobada esta vossa amiga...