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quinta-feira, abril 15, 2010

MARIA DOLORES PRADERA - "Primavera"

VÍDEO DE HOMENAGEM

O Fado sempre encantou quem com ele se cruzou... é universal e cantado de ocidente a oriente...

Hoje, trago-vos Maria Dolores Pradera, http://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_Dolores_Pradera, notável "cantante" e actriz espanhola que aprecio imenso e que também gravou alguns fados, entre os quais "Primavera", uma letra de David Mourão-Ferreira, com música de Pedro Rodrigues, uma criação de outro expoente da cultura Ibérica, Amália Rodrigues.

Um enorme obrigada ao meu Amigo Jorge Falé, sem o qual este vídeo não teria sido possível!

sexta-feira, dezembro 23, 2005

NATAL

A todos os meus amigos e a todos quantos fazem o favor de me visitar e, particularmente, aos que, comentando, me fazem companhia, os meus votos de um NATAL que em tudo corresponda ao que desejam.
E, para todos, este poema de David Mourão-Ferreira
NADA/NATAL
Este lume que já nos não aquece
Este medo do nada que nos contem
Esta névoa de nata em vez de neve
E a nossa vida cada vez mais ontem
Este Sol que não rompe sob os cactos
Estes mortos de novo hoje tão perto
É no búzio dos crânios exumados
que melhor nós ouvimos o deserto
Estas folhas de plátano Estas mãos
que o fogo vai torcendo lentamente
Esta cinza no fim de uma oração
Este sino Este céu sobrevivente
Mas soa a meia-noite E logo o nada
deixa de estar em tudo como estava

quinta-feira, setembro 22, 2005

PRESÍDIO


Venus - Villa Ephrussi de Rothschild Posted by Picasa

Nem todo o corpo é carne... Não, nem todo.
Que dizer do pescoço, às vezes mármore,
às vezes linho, lago, tronco de árvore,
nuvem, ou ave, ao tacto sempre pouco...?

E o ventre, inconsistente como o lodo?...
E o morno gradeamento dos teus braços?
Não, meu amor... Nem todo o corpo é carne:
é também água, terra, vento, fogo...

É sobretudo sombra à despedida;
onda de pedra em cada reencontro;
no parque da memória o fugidio

vulto da Primavera em pleno Outono...
Nem só de carne é feito este presídio,
pois no teu corpo existe o mundo todo!

David Mourão-Ferreira

domingo, agosto 07, 2005

Um soneto de D. Mourão-Ferreira

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

Na janela mais alta de Lisboa,
és a ave chamada Todavia:
a que posta no céu não se desvia,
mas que perto do rio já não voa...

Hei-de ensinar-te, devagar (perdoa!),
a pressa com que Amor se pronuncia
e a conjugares a noite com o dia
quando o corpo do corpo se condoa...

Fecha os olhos, e voa! Mas não queiras
ao inferno do céu traçar fronteiras
nem ao céu do inferno pôr limites:

voar só vale a pena enquanto for
uma forma de amar além do amor,
furor que todavia não habites...


David Mourão-Ferreira é um dos meus poetas de eleição. A antologia poética As Lições do Fogo
é, para mim, desde há muitos anos, um dos meus livros de cabeceira. Como eu gostava de saber escrever assim!...
Óptima semana para todos.