Mostrar mensagens com a etiqueta Júlio de Sousa. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Júlio de Sousa. Mostrar todas as mensagens

sábado, julho 01, 2017

É LOUCURA, QUE EU BEM SEI



O verbete de hoje é dedicado a MARIAMELIA, actriz e fadista, criadora daquele fado tão simbólico que, ou com a letra original (do Britinho e de Júlio de Sousa) ou outra, quase todos os fadistas acabam (ou começam) por cantar e integrar no seu repertório - o LOUCURA.  O autor da música é o multifacetado artista Júlio de Sousa, autor de outros fados que igualmente continuam a ouvir-se (e a agradar) na boca dos mais antigos e dos mais modernos fadistas. Razão bastante para os recordar e homenagear

sexta-feira, janeiro 17, 2014

"Mais um fado... na dúvida"


Este fado, que Flora Pereira aqui interpreta na Marcha do Marceneiro e que ouvi muitas vezes cantar ao vivo, gravou-o ela com o título de "Eternos amantes" e, no registo que tenho, é dada a autoria da letra a J. Linhares Barbosa. Desconheço quem é o/a criador/a deste fado e também quem mais o terá gravado.

Apareceu depois este tema na voz de mais novos fadistas, como é o caso desta interpretação a duo pela Mariza e Camané, no Perseguição de Carlos da Maia, com o título de "Mais um fado no fado", sendo atribuída a autoria da letra a Júlio de Sousa ...
E, claro, este é mais um fado cuja autoria me deixa com dúvidas... Afinal, quem será o autor desta letra? 
O Júlio de Sousa ou o Linhares Barbosa? 

 

Isto é bem verdade- não há uma sem duas, nem duas sem três... e assim é que, do amigo Fernando Batista do Fado em Vinil, recebi a preciosa informação de uma outra versão deste mesmo fado, a nível do título e do autor da letra. Interpretado por Madalena Ferraz, o fado é apresentado com o título "Eu sei" atribuindo-se a autoria da letra a Clemente Pereira. 


No que exclusivamente respeita à letra, repare-se que a que Mariza e Camané interpretam tem algumas várias diferenças do presumível original o que, diga-se em abono da verdade, não é raro verificar-se em fado, pelas razões que todos nós sabemos, acrescidas, neste caso, dada a rara circunstância de uma autoria tripartida :) ... 

terça-feira, julho 02, 2013

JÚLIO DE SOUSA



Recordar Júlio de Sousa em toda a sua magnitude de artista multiforme, como escultor, pintor, desenhista, caricaturista, poeta e compositor de tantos fados que se tornaram célebres, é o propósito do novo espaço, inteiramente dedicado ao autor de dois dos mais recantados / recriados fados - "LOUCURA" e "SAUDADE, VAI-TE EMBORA".
É certo que já aqui, por diversas vezes, o tinha lembrado; porém, a dimensão do artista, o interesse no conjunto da sua Obra,  a quantidade de documentos que tenho vindo a reunir e, igualmente, a pouca atenção e realce com que tem sido (des)tratado, justificam este espaço que lhe dedico, que não pretende ser mais do que uma singela homenagem ao grande e multifacetado artista, que foi, afinal, um genuíno fadista!


domingo, março 31, 2013

FADO LOUCURA - O SEU A SEU DONO !
















Há bocado, estava ali a ler as declarações de um fadista com grandes responsabilidades, porque é uma referência, e fiquei surpreendida; afirma ele que o fado Loucura, da autoria de Júlio de Sousa, foi o primeiro que cantou porque era um fado de sua mãe...
Ora, que eu saiba, a mãe do referido fadista só começou a cantar uns anos após Berta Cardoso, já esta era primeiro nome de cartaz e merecera o cognome de "A Loucura dos Fadistas", exactamente devido à sua brilhante intrepertação daquele fado - "Berta Cardoso fez do Fado da Loucura uma verdadeira loucura..." (in Guitarra de Portugal, nº 211, 1930) !...
É lamentável que, pelo menos, não se respeite a verdade histórica ... Já que, por qualquer obscura razão, se teima continuadamente em omitir o nome de uma das maiores fadistas do séc. XX: Berta Cardoso.

(Clique sobre a imagem, para ampliar)

(verbete de 29.12.2005, reeditado)

MARIA ALICE - "Fado Loucura"



Vem este brevete a propósito do mais recente verbete do blogue "Soldado do Fado" onde nos é dado ouvir um dos fados das primeiras gravações, entre 1929 e 1931, de Mª Alice, disponibilizado em CD na Colecção "Arquivos do Fado", pela Tradisom; o fado "Vida Triste", tem letra de J.F. de Brito e é, nem mais nem menos, do que o Fado Loucura, música de Júlio de Sousa.



Aqui se confirma o que afirmei no meu anterior verbete, de Dezembro de 2005, e agora ratifico, acrescentando que seria de todo impossível ser este um fado de Lucília do Carmo, que o gravou, é certo, mas que só começou a cantar uns anos após a criação deste fado e cuja criadora também não foi Berta Cardoso, apenas foi a voz que o tornou mais conhecido e que mais conhecida ficou através dele. Os senhores estudiosos e investigadores de Fado, que muitos já são, sabem por certo a quem me refiro...
Como ora sói dizer-se, isto é assim e contra provas, não há argumentos... e provas há!
Relativamente às biografias, desta/e e doutras/os fadistas, que pululam em diversos blogues, sem devidamente indicar, em grande parte dos casos, a proveniência, as fontes, e que eu, ora transcrevo indicando o blog, ora linko, quase todas têm como fonte, ou o precioso livro de Victor Machado, editado em 1937, ou, noutros casos, a esforçada obra de Eduardo Sucena, de 1992; esta situação verifica-se igualmente a nível editorial, o que é mais grave, em obras posteriores àquelas datas, em que as biografias apresentadas pouco têm de investigação ou de inovação; são, praticamente, pouco mais do que cópias daquelas! Sei do que falo...
A assim ser, aqui têm a biografia de Mª Alice, a verdadeira, a elaborada por Victor Machado e constante do seu livro "Ídolos do Fado", a que aqui já me referi e a que agora volto a fazer referência... 
Nunca será demais!...
(verbete de 23.08.2009, reeditado)

"Saudade, vai-te embora" - JÚLIO DE SOUSA


VÍDEO DE HOMENAGEM

Creio que poucos conhecerão este registo fonográfico de Júlio de Sousa, interpretando uma das suas composições de maior êxito "Saudade vai-te embora"... Vem este vídeo a propósito do dia de hoje, em que Berta Cardoso, a sua intérprete de eleição, comemoraria o seu 98º aniversário.

(verbete publicado em 21.10.2009, reeditado)

DINA DO CARMO - "Oferece o teu amor"

VÍDEO DE HOMENAGEM

OU

Com este fado, do multifacetado artista Júlio de Sousa (1906-1966), que foi igualmente um notável letrista e compositor de Fado, lembro a criadora de um outro fado - "À Beira do Cais", a fadista Dina do Carmo.


(verbete publicado em 26.12.2009, reeditado)

SANDRA CORREIA - "Loucura"



Às vezes até pode parecer que vivo noutro tempo..., mas não!, claro que também conheço e admiro alguns dos actuais fadistas... como é o caso desta jovem Sandra Correia que aqui tão bem interpreta esse sempre fantástico "Fado Loucura", um pilar do Fado, e cujo trabalho pode ficar a conhecer melhor aqui e aqui. É mesmo do Fado, esta fadista do Norte!

(verbete de 30.01.2011, reeditado)

CARLOS BASTOS - "Chaves da Vida"




No Fado Varela, de Reinaldo Varela, Carlos Bastos interpreta "Chaves da Vida" de Júlio de Sousa

(verbete de 20.08.2011, reeditado)

"Loucura" - FRANCISCO JOSÉ



O fado "Loucura", de Júlio de Sousa, interpretado por Francisco José.


D.P.1950

(verbete de 12.09.2011, reeditado)

O FADO EM TRAPO


Pan.42

Já aqui lembrei, por várias vezes, Júlio de Sousa (1906 - 1966), esse artista multifacetado, autor de fados célebres, tais como "Loucura", "Sou do Fado", "Saudade, vai-te embora...", "Vim para o Fado...", "Chaves da vida", "Caminhos", "Não digas a ninguém"...
Volto hoje a recordá-lo na sua faceta, talvez menos conhecida, mas não menos importante, de caricaturista e escultor (em trapo)
Sec.Ilust.47

E, outra vez, o "Loucura", agora interpretado pela castiça Maria Emília



(verbete publicado em 22.06.2012, reeditado)

quarta-feira, março 06, 2013

"LOUCURA"


D.L., 1933

Gostaria de não me tornar enfadonha por vir lembrar, uma vez mais, esse "rapaz, pálido e romântico, de camisa negra à italiana, que pouco fala e aparece, sem camaradagens que o exaltem, nem amigos que o façam triunfar", mas, se o faço, é porque ele "merece, como poucos, a classificação de artista, hoje tão banalizada e desfigurada."... Um artista polimórfico, um esteta, um solitário.
"A sua alma profunda, de silenciosa sensibilidade", o seu talento, legaram-nos fados que continuam a ser verdadeiros êxitos e, se é possível dizê-lo, autênticos ex-libris fadistas.

Dos que já aqui lembrei, volto a recordar o "Fado da Loucura", de que Mariamelia, sua irmã, foi a criadora e gravou, fado cuja letra é de Frederico de Brito, mas cujo refrain é de Júlio de Sousa, igualmente autor da música. Como também já referi em verbete anterior, este fado veio a tornar-se um enorme êxito, não pela voz da sua criadora, mas pela de Berta Cardoso, que "fez do «Fado da Loucura» uma verdadeira loucura" e, por isso, lhe chamaram "A loucura dos fadistas". Depois dela, muitos outros/as cantaram esse fado e cantam ainda. Relembremo-lo, porém, nas interpretações de Lucília do Carmo e de Fernando Maurício.











Ora acontece que, dado o espantoso êxito obtido, Júlio de Sousa terá escrito, para Berta Cardoso, outra letra para esta sua música em que a fadista era exímia. Berta foi, pois, não só a grande especialista do Fado da Loucura, como igualmente a criadora desse fado com a letra que muitos fadistas também têm cantado e gravado e que aqui vamos lembrar interpretado por Mariza e por Carlos Zel




Depois, e à semelhança do que acontece com muitos outros fados, outras letras incorporaram a música do "Loucura"; por exemplo, o Britinho, co-autor da letra original, como já referi, escreve, para a Mª Alice, a letra "Vida Triste", que podem ouvir aqui.

Mas, a verdade é que, até hoje, quando se fala no "Loucura" ou no "Fado da Loucura" se associa de imediato a este fado as letras que Júlio de Sousa escreveu, seja a sós, seja em co-autoria. E interessante é verificar que, quer o "É loucura...", quer o "Sou do fado...", têm vindo a fazer parte do repertório de grande parte dos fadistas e, mesmo quando isso não acontece, todos acabam por ceder à tentação de cantá-lo, como se fosse, digamos assim, um fado obrigatório. De facto, haverá letra que melhor apresente um/a fadista ?

Sou do fado como sei, / Vivo um poema cantado / Dos fados que eu inventei.

«É Loucura» oiço dizer / Mas bendita esta loucura / De cantar e de sofrer

Assim parece ser, mesmo para os estrangeiros que cantam o Fado



(Verbete de 20.05.2011 reeditado)