quinta-feira, setembro 06, 2012

BERTA CARDOSO - "Testamento"

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Em 2006, no Museu do Fado, esteve patente uma exposição sobre BERTA CARDOSO, actriz e cantadeira, uma das mais importantes personalidades da História do Fado do séc. XX.
A exposição foi um sucesso, tendo sido primorosamente organizada, como pode constatar-se pelas fotos que integram o vídeo.
Não será demais agradecer, ainda uma vez, a dedicação e empenho de todos que colaboraram neste projecto, nomeadamente à responsável pelo Museu do Fado. Bem Haja!

Com este fado -"Testamento", da autoria de João Redondo, na voz de Berta Cardoso, despeço-me, neste espaço, de todos que seguiram este blogue (cujos verbetes continuarei a actualizar), agradecendo a atenção e os comentários.
Continuarei aqui, onde vos espero.

sábado, agosto 25, 2012

BERTA CARDOSO - "O Homem da Berta"


...

Quando, no início da década de 50 do século passado, Berta Cardoso estreou este fado, o nosso mundo rural não era ainda, como hoje o é, uma espécie em extinção... A desertificação do Portugal profundo, o abandono das terras, a busca de uma outra vida nos meios urbanos, dentro e fora do país, ainda não ocorrera. Nesse tempo, as pessoas, mesmo as mais citadinas, conheciam bem essa outra realidade regida, mais pelas leis da Natureza do que pelas dos homens... E, assim, melhor entendiam e, portanto, respeitavam, esse mundo que tanto, obrigatoriamente, difere do citadino onde, quando chove, se pode mesmo assim calçar sapato de polimento, porque se anda na calçada... Nesse tempo, que era ainda um tanto o que a Severa vivera, as letras do Fado contavam histórias, descreviam personagens, que eram o elo de união entre esses dois mundos; mais, o Fado institui precisamente, como mito fundador, a Severa (uma personagem dos bas-fonds urbanos) e a história dos seus (des)amores por um fidalgo, que obviamente personifica o mundo rural, às portas da Cidade; é nesse mundo rural que se inscreve e escreve a ligação desses urbanos, que nunca cortaram o cordão umbilical com a terra, e que, por isso, ou continuam a procurá-la nos retiros e hortas onde vão farrar e fadistar, ou sistematicamente a importam para a cidade através de uma das suas mais ancestrais festas, a do toiro e do cavalo, isto é, através das largadas, entradas de toiros e das toiradas, esses novos urbanos matam saudades, revivem a sua natural união à terra... 
Ora, este fado, que vem na sequência do Tia Macheta (que diz do nascimento do "fado triste da Mouraria", na hora em que o fidalgo não voltou para a Severa) e do Cinta Vermelha (que estabelece a íntima ligação entre o Fado e a Festa Brava, que vive através do Amor dos seus mais representativos actores), forma com eles uma trilogia da temática fadista por excelência, sendo interessante verificar que tenha o autor da letra instituído, neste e no Cinta Vermelha, um certo paralelismo das personagens com as do Tia Macheta... mas isso fica para os estudiosos do Fado, por certo mais competentes do que eu nessas matérias. Curioso não deixa de ser igualmente o facto de, em qualquer das letras destes 3 fados, ser explícito o nome das cantadeiras - a Severa e a Berta - o que, lá por isso, não lhes retira a intemporalidade, permitindo um estimulante encontro com um passado que questiona e desafia o presente... 
Este Fado é, quanto a mim, um ícone da (ainda) nossa ruralidade, que perdura na Festa do Cavalo e do Toiro, amante da Canção, de todas mais portuguesa- o Fado, do qual se não deslarga e traz de braço dado, numa celebração amorosa que perdura(rá)...

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quarta-feira, agosto 15, 2012

FADO - Colectânea


Uma colectânea que merece destaque. Aqui fica uma pequena amostra desta selecção de luxo, para vos abrir o apetite; e, já agora, aqui fica também a informação acerca das respectivas autorias dos fados cujos excertos apresento no vídeo:  
José Porfírio - Consagração ao fado - Fernando Teles - Joaquim Campos
Mª do Carmo Torres - O Sonho - Francisco Duarte Ferreira - José Marques Piscalarete
Júlio Vieitas - Embriaguês do amor - Júlio Vieitas - Alfredo Duarte Marceneiro
Mª José da Guia - Ronda fadista - Domingos Gonçalves Costa - Vianinha
Júlio Peres - Encontrei a Mariquinhas - Carlos Conde - F. Mouraria
Lucília do Carmo - Manjerico - J. Linhares Barbosa - F. Macau
Adelina Ramos - Nós e ela - Carlos Conde - Armandinho
Berta Cardoso - Ouvi cantar o Ginguinha - J. Linhares Barbosa - Torres Mondego

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sexta-feira, agosto 10, 2012

BERTA CARDOSO - "Tia Macheta"


Este é um dos mais emblemáticos fados do repertório de BERTA CARDOSO e é também, na minha modesta opinião, uma das mais conseguidas letras do genial J. Linhares Barbosa que, nesta aguarela fadista, representa a génese do Fado triste... uma fadista, a Severa, um fidalgo, o Vimioso, e o Amor presente, mas unilateral e impossível... e a Tia Macheta, a que tem poderes de adivinhar o futuro, a quem (ontem como hoje) se recorre como reduto da esperança, de que leia nas cartas os bons presságios e não os mais que certos"Maus Agoiros", como acontece nesta história e que, por isso, o poeta assim intitulou.
É curioso que o Fado tenha ficado depois conhecido pelo nome de quem anuncia a desgraça, a Tia Macheta, como se, na história e na vida, este personagem se confundisse com o próprio Destino...


VÍDEO DE HOMENAGEM
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(Verbete publicado em 21.09.2009)

Para além de Berta Cardoso, criadora deste fado, algumas fadistas o interpretaram e gravaram, de entre as quais destaco Natalina Bizarro



Essa personagem, que Júlio Dantas criou na sua peça Severa, foi interpretada por Sofia Santos, tendo Júlia Mendes o papel da Severa.  

I.P.09

quinta-feira, agosto 02, 2012

FEITIÇO - FADO FAIA











Martinho d'Assunção, Alberto Costa, Amália, Linhares Barbosa, Berta e Carvalhinho

O "Fado Faia", originalmente intitulado "Feitiço", pertence ao repertório de Berta Cardoso, sendo J. Linhares Barbosa o autor da letra e Martinho d'Assunção o autor da música. Ao ouvi-lo, Amália gostou e gravou-o, havendo por isso quem pense que é do seu repertório.
Perante os dois registos, ocorreu-me fazer este vídeo, podendo assim apreciar-se como cada uma destas consagradas fadistas aborda o mesmo fado, o interpreta e estila.
Nas fotos inseridas no vídeo, podemos ver, a acompanhar Berta Cardoso, o guitarrista João Fernandes e o violista Santos Moreira (foto Brasil-Rio de Janeiro), Martinho d'Assunção (foto Adega O Faia), Raul Nery, Armandinho e Miguel Ramos (foto Luso); a acompanhar Amália, o violista Miguel Ramos (1ªfoto Luso), o guitarristas José Nunes (foto seguinte) e o guitarrista Raul Nery.
As caricaturas são da autoria de Jorge Rosa, um multifacetado artista- caricaturista, figurinista, cenógrafo, letrista... cuja biografia pode ler acedendo a
http://salfino.blogs.sapo.pt/tag/auto+caricatura+de+jorge+rosa

Para consultar a letra deste fado, pode ir até ao site sobre Berta Cardoso
http://www.bertacardoso.com/
E, para saber mais sobre Amália, porque não ir até ao Portal do Fado ?
http://www.portaldofado.net/index.php?option=com_content&task=view&id=1259&Itemid=67

VÍDEO DE HOMENAGEM
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Este verbete foi publicado em 20.05.2009 mas, agora, achei oportuno republicá-lo, acrescentando, às duas anteriores, a interpretação que Manuela Cavaco dá deste "Feitiço".

quarta-feira, julho 25, 2012

"Cruz de Guerra" - Berta Cardoso


No verbete anterior, publiquei o poema - Cantiga do Soldado -, datado de 1915, de Manuel de Barros, em que se refere que, ao partir para a guerra, o soldado leva consigo " a guitarra sensual" porque "vencer cantando o Fado / É fado de Portugal". É deste modo que se assinala a presença dessa "Cantiga do Soldado" nos adversos tempos de guerra. Essa Canção que, entre as mais diversas temáticas, tratou também da problemática da guerra, esse pesadelo maior da Humanidade, que tão presente continua no mundo, a afligi-la, infligindo-lhe as maiores desumanidades.
Como bem sabemos, a primeira metade do século passado foi ensombrada pelas 1ª e 2ª guerras mundiais, de 1914 a 1918 e de 1939 a 1945. É precisamente em 1935 que Armando Neves escreve "A Cruz de Guerra",  poesia com que obteve o 1º Prémio de poesia, no Concurso-Literário desse ano, do S.P.N. Essa letra é posteriormente musicada por Miguel Ramos, para o repertório de uma das 1ªs figuras do Fado de então, Berta Cardoso, que o grava pela 1ª vez em 1936, acompanhada pelo próprio Miguel Ramos e por José Santos. Este é, creio bem, o seu mais emblemático fado e, provavelmente, o fado que esteve durante mais tempo nos Hits da rádio dos anos 30, 40 e ainda 50. Compreensivelmente. O assunto que a todos preocupava (preocupa) era a guerra e era igualmente o assunto que a todos colocava (coloca) grandes questões humanitárias... Particularmente, por certo, a todas as mães, às dos vencidos e igualmente às dos vencedores, a todas aquelas que, mesmo recebendo uma medalha- "Cruz de Guerra" - que simboliza o reconhecimento da Pátria pela bravura dos seus filhos, não podem alienar a tristeza que sentem pela morte desses seus mais preciosos bens; é, por certo, contraditório, este orgulho que se sente pela coragem dos filhos, que se batem pela Pátria e a dor pela perda de quem mais se ama; é, por certo, contradição e contraste que, nesses momentos de intenso pesar, uma mãe, que chora a morte do seu filho, tenha ainda espaço para pensar nas outras mães, as do "inimigo", que choram também pelas mortes dos seus, que esse acto de bravura, quiçá, terá ocasionado...
De facto, na guerra, não há vencedores nem vencidos; há apenas perdedores, predadores e muita Dor...


Aqui fica a letra "A Cruz de Guerra", devidamente visada pela Censura, e o registo de duas versões deste fado, uma mais moderna e outra, a 1ª gravação segundo creio, na interpretação da sua criadora- BERTA CARDOSO
Como curiosidade, igualmente aqui fica o registo da interpretação do mesmo fado por Isabel de Oliveira, uma das poucas fadistas, senão a única, que "ousou", depois da sua criadora, não só interpretar, mas mesmo gravar, este quase que exclusivo de Berta Cardoso. 







sexta-feira, julho 13, 2012

BERTA CARDOSO - FADO VERSÍCULO - "FRACASSO"


Este é o Fado Menor com Versículo, também conhecido por Fado Pierrot ou simplesmente Versículo, cuja autoria se reconhece a Alfredo Duarte, Marceneiro. A letra é de Linhares Barbosa, que no fado ficou conhecido como o "Príncipe dos Poetas" e a interpretação de Berta Cardoso, a "Voz de Ouro do Fado".
Vídeo de TiMariaBenta que também disponibilizou a letra


FADO FRACASSO
(Linhares Barbosa/Alfredo Marceneiro)

Quando há bocado me viste reparaste,
Que eu trazia um ar cansado, um ar doente,
Eu ando cansada e triste e arrependida
De ter andado a teu lado ultimamente.

Jurei aos pés do altar, piedosamente,
E jurei a uma Virgem de olhos doces,
Em sempre te acompanhar como uma sombra
Fosses tu ao fim do mundo, aonde fosses.

Mas um dia, um dia veio, um dia não,
Reparei que o teu amor era aparente
E fiquei abandonada, desprezada,
porque tu sem reparar seguiste em frente.

Eu cansei de ser sombra, de ser crente
E por isso tu me viste com cansaço,
Arrastando tristemente e arrependida
A falência do meu sonho, o meu fracasso.

terça-feira, julho 10, 2012

"Meu amor fugiu do ninho" - BERTA CARDOSO



Este continua a ser, sem dúvida, o meu Corrido favorito, que não podia estar mais bem interpretado, para além da magnífica letra, da autoria de João Linhares  Barbosa, claro está...
O vídeo foi-me dedicado pelo Amigo Américo, como se transcreve:


Quis muito editar este vídeo para oferece-lo á Amiga TiaMacheta, por tantos motivos, mas principalmente pelo trabalho e dedicação ao Fado e a todos os que envolvem este fenómeno e mais ainda por manter viva a memória dessa Grande Senhora que foi Berta Cardoso, que ajudo a recordar com saudade, neste vídeo. Espero da TiaMacheta ou do QuimFadista (eles sabem muito) a vossa ajuda com os autores deste fado, que depois adiciono ás informações do vídeo. Um beijinho para ela e um abraço ao Quim e a todos. Américo
Pois já a TiaMacheta disse de sua Cátedra: Letra : Linhares Barbosa e musica: Fado Corrido. Obrigado 



Mais uma vez, muito obrigada pela gentileza e afecto e também pela séria e desinteressada divulgação do Fado, que tem feito durante os últimos anos, no seu blog e no Youtube

Depois de "ouverem" este Corrido, digam lá que "o Fado é triste"!... Pois não e tem ainda essa particular faceta de poder "soer" diferente de cada vez que é interpretado... Querem "ouver"?

sábado, julho 07, 2012

BERTA CARDOSO - "Cinta vermelha"


Este fado, originalmente intitulado "Coisas vermelhas", escrito em 1954 para o repertório de Berta Cardoso, por João Linhares Barbosa, é "Um fado castiço", como o próprio menciona em subtítulo, na página do manuscrito. Cantado no Fado Magala, cuja autoria se atribui a José Carlos "Magala" e a seu irmão, o guitarrista Acácio Gomes, é mais um dos fados emblemáticos de Berta Cardoso, que outras fadistas têm interpretado também, retirando-lhes, é claro, os versos que referem o nome da sua criadora (com algumas excepções...)

VÍDEO DE HOMENAGEM

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(verbete de 17.08.2008, republicado)

Eis algumas das interpretações, disponíveis na net, por

 Ana Sofia Varela



Maria Amélia Proença



 Cristina Andrade



Anabela Silva



Júlia Lopes




sexta-feira, junho 29, 2012

FADO 43









D.Pop.

Uma despretenciosa mirada ao panorama do Fado, em 1943; a amostra é reduzida mas, mesmo assim, já deixa alguns indicadores e permite tirar algumas conclusões...
A consagrada Ercília Costa, apresentava-se no Retiro dos Marialvas;
A também já consagrada Berta Cardoso encontrava-se no 2º ano de interrupção da sua actividade artística, para se dedicar à obstetrícia;
Amália representava Portugal em Espanha e actuava no Casablanca, nas Noites da Moda, ao lado de Júlio Proença, do jovem Fernando Farinha e de Xavier Pinto, casa onde se exibia igualmente a Orquestra Caravana, uma orquestra feminina portuguesa de guitarras...
Natália dos Anjos, Maria Virgínia, José Coelho, Tristão da Silva e Xavier Pinto, são alguns dos fadistas que integram os seleccionados elencos do Retiro dos Marialvas.

sábado, junho 23, 2012

BERTA CARDOSO - "Noite de S. João"


Um fado com letra de J.Linhares Barbosa, o "Príncipe dos Poetas", música de José Marques, interpretação de Berta Cardoso, a "Voz de Ouro do Fado".

"Foi numa noite de verão
d'emoção, pelo S. João,
que eu resolvi ir ao baile
vesti um traje catita
de chita muito bonita
e o meu mais vistoso xaile

... ... ... ...

Que noite de S. João
noite não e de traição
naquele bairro das Trinas
O tal que me namorava
também estava, mas dansava
co' a mais bela das varinas

... ... ... ...

Descalcei uma chinela
Ele, que andava com ela,
Virou-se, e saiu comigo!

:-)

VÍDEO DE HOMENAGEM
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I.P.04

(Verbete reeditado, de 23.Jun.2008)

segunda-feira, junho 18, 2012

"FADO ANTIGO"



Este "Fado Antigo", que também foi gravado com o nome de "Perna de Pau", é um original de Amadeu do Vale e de Raul Portela, uma criação de Berta Cardoso na Revista "Olaré quem brinca".

quarta-feira, junho 13, 2012

O FADO E A ALMA PORTUGUESA


Fernando António Nogueira Pessoa (13.JUN.1888 - 30.NOV.1935)...

Toda a poesia - e a canção é uma poesia ajudada - reflecte o que a alma não tem. Por isso a canção dos povos tristes é alegre e a canção dos povos alegres é triste.
O fado, porém, não é alegre nem triste. É um episódio de intervalo. Formou-o a alma portuguesa quando não existia e desejava tudo sem ter força para o desejar.
As almas fortes atribuem tudo ao Destino; só os fracos confiam na vontade própria, porque ela não existe.
fado é o cansaço da alma forte, o olhar de desprezo de Portugal ao Deus em que creu e também o abandonou.
No fado os Deuses regressam legítimos e longínquos. É esse o segredo sentido da figura de El-Rei D. Sebastião.


Fernando Pessoa

(in Notícias Ilustrado, 14-4-1929)

domingo, junho 10, 2012

BERTA CARDOSO - "Lés a lés"


















 
Embora o disco não se encontre nas melhores condições, acho que, mesmo assim, vale a pena ouvir estes génios do Fado - a voz de Berta Cardoso, a guitarra de Armandinho e a viola de Georgino -, interpretando um fado de autoria não menos genial - letra de J. Linhares Barbosa, música de Júlio Calado.
A Glosa obedece ao seguinte mote:
"A cantar de lés a lés /Atravessa o mundo inteiro / Verás, em todo o estrangeiro / Todos te dirão quem és"
Claramente um elogio ao povo português, aos Descobrimentos, à Canção Nacional. Se, como diz Pessoa, "A minha Pátria é a minha Língua", o Mundo é a Pátria dos Portugueses; porém, "um Mundo sempre estreito para o coração português"... Pois se o coração português é maior que o Mundo!

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(Aqui pode consultar a letra, que teve inicialmente o título de "Identidade" e que Linhares dedicou a Alberto Costa - G.P. 18.04.31)

(Verbete reeditado, de 09.06.2008)

quinta-feira, junho 07, 2012

Os 2 "Fado da Azenha"

Este é um dos mais conhecidos fados tradicionais, com letra e música da autoria de J. Frederico de Brito, que o escreveu para o repertório do cantador Vitor Daniel

G.P.1931

Ao longo dos anos, foi sendo interpretado e gravado por diversos cantadores e cantadeiras, ora com a letra original, ora com outras letras, 

Curioso é o facto de ter, o próprio Frederico de Brito, escrito uma outra letra, com o mesmo motivo, para esta música e para o repertório de BERTA CARDOSO. Com sorte, este foi um dos poucos discos que "escapou" e se encontra em bom estado... Aqui fica este quase inédito, a recordar essa voz que no Fado foi reconhecida como a "Voz d'oiro", acompanhada pelos igualmente "Instrumentistas d'oiro" ARMANDINHO e GEORGINO.
Pena é que, até agora, ainda se não tenha reeditado esta Voz que, no Fado, foi um caso!...

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(Verbete reeditado de 26.04.2012)

segunda-feira, junho 04, 2012

Centenário BERTA CARDOSO

Passam hoje 100 anos sobre o nascimento de uma das mais importantes personalidades da História do Fado - BERTA CARDOSO, em memória e homenagem de quem iniciei este blogue, em Abril de 2005, espaço que acabou por, ao longo do tempo, ser também lugar de memória e homenagem a muitos outros fadistas contemporâneos (e não só) da fadista e actriz Berta Cardoso.

É lamentável que o equipamento responsável pelo pelouro do Fado não tenha organizado qualquer evento para assinalar esta efeméride, mas... eles lá sabem!

Lamentável me parece igualmente que, até hoje, não tenha havido o cuidado, a preocupação, de reeditar em CD os (poucos) temas que ficaram gravados e que, em vinil, estão completamente esgotados.

Para celebrar esta data, elaborei este video com imagens de diversas épocas da sua vida artística e em que Berta interpreta o fado "Não vou contigo", da autoria de José Pereira.


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(Verbete de 21.10.2011 reeditado)

sábado, maio 26, 2012

Mariana Silva 2

Mais uma curiosidade curiosíssima com que ontem me deparei

Pois! Numa primeira abordagem a este LP, o que desde logo chamou a minha atenção foi o nome de dois dos três fadistas nomeados- Espírito Santo e Manuel Carlos. Que diacho! Nunca os ouvira sequer... quanto à Mariana Silva, quem não conhece?! a "Miúda do Alto do Pina", raínha do Fado Menor em 1952... pensei, então, que fosse estratégia de promoção- um nome mais que conhecido e conceituado a garantir a venda do disco e o lançamento de dois novatos no Fado; passei à procura da data do disco- 1977- e dos temas interpretados pela Mariana Silva

Verifiquei que nenhum dos quatros fados indicados faziam parte, que eu soubesse, do repertório da fadista e nem nunca sequer teriam sido interpretados por ela... Curiosa fiquei e, para desvendar o mistério, inevitável era adquirir o disco (há estratégias comerciais muito eficazes; que funcionam, mesmo quando se está mesmo a ver que estamos a ser enganados...). Enfim, comprei e marchei-me para casa, naquela ansiedade de confirmar que tinha sido engodada mais uma vez mas que também podia ser que não, nessa margem de 1% de esperança de ter, afinal, uma boa surpresa. Qual quê! Ao ouvir o disco, ficou confirmada a manhosidade- a anunciada Mariana Silva é outra, outra cantadeira que não a que o Fado consagrou, uma cantadeira que gravou com o mesmo nome artístico que a "verdadeira" Mariana Silva usa desde que começou a cantar, em 1948. Claro que, pela voz, se percebe logo que é outra intérprete, mas isso é depois, depois de se ter comprado um produto que não corresponde ao que se queria e, como o disco não tem fotografia da artista, qualquer incauto cai na esparrela... É o que se chama vender gato por lebre! (salvaguardado o maior respeito pelos felinos e por essa Mariana Silva, seja ela quem for)
Não sei se haverá alguma legislação que impeça o uso do mesmo nome artístico por oficiais do mesmo ofício, mas creio que sim; lembro que, quando começou a cantar, a fadista Lina Maria teve que acrescentar o Alves ao seu nome artístico, em virtude de haver já uma cançonetista com o nome de Lina Maria. Bastaria, contudo, o bom senso para tornar desnecessária tal norma. O nome artístico é uma marca que deveria tornar o artista inconfundível... Enfim, parece-me tão óbvia esta questão que, o caso apresentado, me parece traduzir, ou uma enorme ignorância (o que é de estranhar por parte da editora), ou um enorme desrespeito por quem já usava aquele nome, muito embora, sendo a editora do Porto, se pudesse dar o caso de ser esta uma Mariana Silva, do Porto... uma reedição das Mª de Fátima, uma, a de Lisboa, outra, a "A Miúda da Boavista", indistinções que podem ocasionar dissabores... Olha que bom seria eu pensar estar a contratar para um espectáculo, por exemplo, o Herman José e sair-me depois um Herman José, mas do Minho, ou aparecer-me para actuar um Tony Carreira, de Faro, em vez do verdadeiro, de ArmaDOURO!...
Em suma, aqui fica este aviso à navegação, se encontrarem este disco, comprem apenas se quiserem conhecer "a outra" Mariana Silva.

quinta-feira, abril 12, 2012

Pitoresco




Amen! 
Diria eu agora: "Ora, que os inovadores pancrácios se vão com a trúkia e não nos façam de pascácios"...

domingo, abril 08, 2012

Ovos de Páscoa


Quando seu coelhinho chegar com os ovinhos de chocolate veja bem se não é "aquele" Coelho porque, se for, seus ovos podem estar armadilhados...
Nesta Páscoa, seja esperto! Não receba ovos dum qualquer coelho nem troque fados novos por fados velhos!
E, mesmo que seja foleiro oferecer folar, ofereça o salgado e depois o doce ou como melhor achar, mas não deixe para amanhã o que pode fazer hoje e, mesmo que seja tarde, coma amêndoas à vontade e ovos de chocolate, desde, claro, que não sejam os do tal coelho... É que contaram-me ainda há pouco que já há por aí quem se queixe de ter partido a cremalheira com ovos recebidos directamente do produtor de S. Bento...
É Páscoa! Evite os acidentes, os maus olhados e, muito particularmente, ovos armadilhate... Confesso! Comi um desses ovos há bocadinho e veja o efeito...
Em boa verdade, não há melhor Fado do que o que ainda se não cantou, nem melhor ovo do que aquele que ainda se não pôs... Pois!
E também é bom não esquecer que não há um sem dois e nem dois sem três e que quem já teve um coelho e tem agora outro, o melhor é preparar-se p'ró terceiro...Pois! Até mesmo porque "Quem se mete com coelhones, leva!"  Ah, pois leva! Não se sente já depenado?!... Pois não duvide de que ainda a procissão não saiu do adro!... Por isso, se não quer acabar desovado e upa upa não se esqueça de tomar aquele xarope de espertaína e, muito sobretudo, cantar-lhes o Fado! O Fado é que os dana e os abana; com ele é que eles não contavam!...  Vá, não desanime! Não se esqueça que isto é mesmo assim "não há coelhone que sempre dure, nem coelho que se não acabe" A bem dizer, isto é como uma nora, umas vezes uns por cima, outra vez outros por baixo, como dizia a minha Tia... pensando bem, parece-me que há muito tempo que não dou a volta por cima, mas, calhando já vai sendo também efeito daqueles ovos , não sei ...
O que sei é que não posso deixar de desejar a todos, mas a todos sem excepção, que por aqui passam e mesmo aos que não passam, uma grandiosa, maravilhástica e 
FELIZ PÁSCOA comFADO!

sexta-feira, abril 06, 2012

Que IODA!

Que raio de Ioda é esta?!
Recebo hoje uma mensagem a reclamar Direitos de Autor, relativamente ao vídeo "Amália Rodrigues - Tia Macheta" :-), que obviamente contestei, dada a patente confusão...

Antes, porém, fui tentar perceber que IODA é essa que reclama a administração da gravação de som e verifico então que é uma associada da Sony que, segundo julgo, não necessita ser apresentada...
Como já esperava, a minha contestação foi rejeitada e mantida a reivindicação, embora o vídeo continue disponível em todo o mundo...
Verifiquei seguidamente que alguns outros vídeos, dos muitos que editei, se encontram com Avisos de Direitos de Autor, alguns mesmo com a indicação de se encontrarem bloqueados em alguns países...
É do meu amigo Vítor Duarte (Marceneiro) um dos vídeos em questão, sendo reclamada a administração de som pela The Orchard Music, que creio nada ter a reclamar, tanto mais que foi com permissão do Vitor que editei o vídeo; o mesmo se passa relativamente ao vídeo da Mª do Carmo Alta, sendo reclamante a IODA Believe que, mais uma vez, faz certa confusão, atribuindo a interpretação a Amália Rodrigues :-)...

Enfim, dentro da minha santa ignorância, fico sem perceber bem o que passa!... E fico um bocado chateada porque me está mesmo a cheirar a safadeza... 
Esta coisa dos Direitos de Autor dá pano para mangas e fatos completos mais cachecol!...
E, não sendo este o sítio nem o momento para arguir, sequer discutir, o espírito, a forma  e valia dessa bendita Lei dos Direitos de Autor, aproveito porém a ocasião para aqui deixar registada esta opinião: 
"Todos os bloguistas e internautas que, como eu, nestes últimos anos, difundiram graciosamente, através dos blogues, do YouTube e outros canais, centenas e centenas de Fados, melhor dando a conhecer ao Mundo a nossa "Canção Nacional", seus intérpretes e autores, que as várias rádios e canais televisivos quase não passavam, todos eles, digo eu, que investiram o seu tempo, dinheiro, conhecimentos e paixão nesse trabalho de divulgação, que mais devera ter sido feito por quem para isso é remunerado, todos eles contribuíram mais do que quaisquer outros (e graciosamente, sublinho) para um novo apogeu do Fado, que muito pesou, por certo, para que fosse reconhecido como Património Imaterial da Humanidade, o que a todos muito orgulha, creio eu. Por isso, mal não ficaria, aos responsáveis directos dessa causa, o reconhecimento dos créditos de quem, para o mesmo fim, trabalhou na sombra, sem rosto, sem féria, mas com muita Alma!" 
Creio bem que estes avisinhos nada têm a ver com esses nossos responsáveis que, lá para com eles, bem sabem que a razão me assiste...  
Cheira-me até que, ou isto é manhosice  de quem não tem direitos absolutamente nenhuns para reclamar o que quer que seja ou, se tem, pelos exemplos acima, já não sabe bem o quê!...
Que IODA!...

terça-feira, março 27, 2012

FADO PORTUGUÊS





Como diria a outra, "Impacável!" (uma bela corruptela)
Grande interpretação, a da Fábia Rebordão! (rima e é verdade)

quinta-feira, março 22, 2012

A SEVERA




Ainda a Severa, essa figura basilar do Fado, desta vez pela óptica de Mário de Almeida (oficial do Exército e Professor na Escola Comercial de Veiga Beirão), para continuar a ler aqui.

sexta-feira, março 16, 2012

"De braço dado"


Primeira página do conto "O Fadista", do Conde de Sabugosa, cuja leitura poderá continuar aqui  (digitalizado pela University of Toronto)

domingo, março 11, 2012

FESTIVAIS

Plateia

Um outro Festival da Canção...

"VIDA MINHA"
Também no festival a crise aconteceu; sinceramente! tudo muito fraquinho... E esta mania do Fado, agora!...
Enfim, a única canção que me agradou foi, precisamente, a última que, afinal, foi a primeira.
À Filipa Sousa, ao Carlos Coelho e Andrej Babic, Parabéns!
Mesmo assim, não creio que seja este ano; mas se for, será por outras e sempre as mesmas razões (como todos muito bem sabemos)

quarta-feira, fevereiro 29, 2012

Torres do Fado

Refiro-me, claro está, a dois grandes letristas de Fado, António Torre da Guia e Tiago Torres da Silva, que o seriam mesmo assim, se apenas tivessem escrito esses dois fados de que gosto particularmente e que aqui lembro - "Olhai a noite" e "Na boca de toda a gente", com música de Álvaro Martins e Daniel Gouveia, e interpretados, respectivamente, por Berta Cardoso e por Linda Leonardo.
Aos autores e intérpretes, chapeau bas !

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