quinta-feira, maio 10, 2007

CARLOS RAMOS - "Oração à Nazaré"

Nazaré, tradicional vila piscatória e praia de banhos conhecida internacionalmente, situa-se na Costa de Prata (litoral oeste) e pertence ao distrito de Leiria. A sua beleza natural e tipicismo, que desde sempre atraíram visitantes nacionais e estrangeiros, inspiraram também artistas das mais variadas disciplinas. Lembro, a propósito, o filme de José Leitão de Barros "Nazaré, Praia de Pescadores", estreado em 1929.
Nazaré foi também inspiração para Frederico de Brito, que escreveu esta letra que Carlos Ramos interpreta; a música é de Jaime Santos; um fado-oração a lembrar a praia da Nazaré onde, nesta época quase estival, já bem sabe dar uma passeata refrescante no picadeiro .


Um fado pouco conhecido e "misterioso", interpretado por Carlos Ramos.


VÍDEO DE HOMENAGEM
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Nota biográfica:

Alfacinha de gema, Carlos Ramos tornou-se num dos fadistas mais queridos do público português, graças à sua voz quente e à sua postura modesta e discreta - e ao anormal número de grandes êxitos que teve, aliás ligados à popularidade crescente do disco e da televisão, meios de comunicação que explorou com grande sucesso no início da década de sessenta. Contudo, poucos se recordam que, apesar da sua apetência pelo fado vir de criança, só tardiamente Carlos Ramos o abraçou como carreira a tempo inteiro.De facto, Ramos gostava de ficar a ouvir o fado nas tascas de Alcântara, bairro onde nasceu em 1907, e foi como guitarrista acompanhante que iniciou carreira, aprendendo a tocar guitarra portuguesa na adolescência, nos intervalos dos estudos liceais. Estudou para médico, mas a morte do pai, com apenas 18 anos, obrigou-o a trabalhar para sustentar a família, dedicando-se à radio-telegrafia, ofício que aprendera no serviço militar e do qual faria carreira profissional. Continuava, contudo, a tocar e cantar nas horas vagas, primeiro apenas como acompanhante (nomeadamente de Ercília Costa numa digressão americana) depois também como fadista em nome próprio, acompanhando-se a si próprio à guitarra, acabando, a conselho de Filipe Pinto, por se profissionalizar como cantor em 1944. Estreou-se então no Café Luso, no Bairro Alto, criando Senhora do Monte o seu primeiro grande êxito.Ao longo da sua carreira, Carlos Ramos viria a especializar-se no fado-canção, género inicialmente pensado para os palcos de revista, e no qual conseguiria alguns dos seus maiores êxitos: Não Venhas Tarde e Canto o Fado. Frequentador regular das casas típicas de Lisboa durante as décadas de quarenta e cinquenta, fez também uma breve carreira internacional, participou em revistas e filmes e tornar-se-ia em 1952 artista exclusivo da casa de fado Tipóia, ao lado de Adelina Ramos, de onde sairia para, em 1959, abrir a sua própria casa, A Toca, experiência cujo sucesso não correspondeu às expectativas. Uma trombose ocorrida em meados da década de sessenta viria terminar abruptamente a sua carreira artística. Ramos morreria alguns anos mais tarde, em 1969.

(in http://www.macua.org/biografias/carlosramos.html)

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