domingo, novembro 23, 2014

JOSÉ COELHO - "Pecados quem os não tem"

VÍDEO DE HOMENAGEM

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Da autoria de Américo M. dos Santos e de Pedro Rodrigues, este fado que foi criação e um dos êxitos de José Coelho, cujo centenário do nascimento aqui se assinala.

José Coelho, criador de êxitos como “Eu gosto daquela feia”, “Pecados quem os não tem”, “Sexta-feira da Paixão”, “Alerta!”, “As minhas Penas” e “Passei ontem em Alcobaça”, nasceu há cem anos no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, precisamente no dia 23 de novembro de 1914.

O fadista participou em vários programas radiofónicos, nomeadamente da Rádio Graça, Peninsular e Clube de Lisboa e fez parte dos elencos de diversas casas de fado, entre elas, o Café Latino, Café Mondego, Os Marialvas do Fado, Casablanca, Retiro da Severa e Café Luso.

Em julho de 1943 foi detido, em Lisboa, pela polícia política, e nesse mesmo ano transferido para a prisão de Caxias (nos arredores de Lisboa), de onde saiu em abril do ano seguinte (cf: Processo PIDE n.º 906/43). Em agosto de 1949 deixou Lisboa para se radicar em Benguela, no sul de Angola, onde organizou várias noites de fado e recebia colegas, entre eles, Amália Rodrigues, Fernando Farinha, Tristão da Silva, Frutuoso França, Maria Pereira e Quinita Gomes, entre outros,  sempre que estes passavam por aquela cidade.

Por se ter afastado gravou apenas dois discos, um EP para a CBS com os fados “Gosto daquela feia”, “É tão triste não te ver”, “Lábios carminados” e “Quadras soltas”,  e em 1986 participou num LP com outros nomes da sua geração - Frutuoso França, Júlio Vieitas, Manuel Calixto, Gabino Ferreira e Júlio Peres - intitulado “O Fado da Velha Guarda” (Riso&Ritmo).

O fadista retomou esparsamente a carreira, em meados da década de 1960, e com maior assiduidade a partir de 1976, tendo então dirigido artisticamente o Solar da Madragoa, com um cartaz, que entre outros nomes, contava com os de Ilda Silva, Julieta Reis e Miguel Silva. O fadista já atuara anteriormente neste espaço, actualmente com outra actividade, na rua das Trinas, em Lisboa.

José Coelho faleceu, aos 77 anos, em Lisboa, a 09 de Janeiro de 1992.

Texto: N.C. Lopes  com Ana Catarina Mendes

(verbete recuperado e reeditado)

12 comentários:

Anónimo disse...

Parabéns Maria de Leiria. A minha amiga conseguiu. Tem ou não um boa dicção e voz clara. Soube que esta gravação foi já o senhor tinha 60 e muitos, é a Riso & Ritmo, certo? Abraço.
aideuseue@yahoo.com

Okawa Ryuko disse...

Obrigada pelo seu comentário ao meu artigo sobre Fado! Foi também muito engraçado ver a minha aguarela a bater o fado num vídeo! daqui a uns dias escrevo-lhe um mail sobre o resto.

Anónimo disse...

Graças a si ouvi a voz de alguém que há muito procurava. De facto o senhor tem uma força como se expressa, uma voz bonita e clara. Obrigado.
Rui Amaral

Anónimo disse...

Ouvi este senhor na Costa da Caparica em finais da década de 1980 e foi absolutamente extraordinário, na realidade diziam que tinha sido um dos grande sdo seu tempo. Bem haja!
Pedro Faria

Anónimo disse...

Interessante recordar uma voz que tendo sido reconhecida no seu tempo (décadas de 1930/40) a ponto de 20 anos depois ao regressar a Lisboa ter voltado a cantar a pedido de vários admiradores. E ainda em finais da década de 1980, já com mais de 60 anos, ter feito esta gravação. Se há grandes nomes no fado, todos os nomes são e fazem fado, daí os meus parabéns à blogger por esta iniciativa, a exemplo de outras como recordar Maria do Carmo Torres ou Lina Maria Alves.
N.L.

Anónimo disse...

Curioso o interesse que este fadista despertou recentemente pela net. Refira-se que, curiosamente, teve vários êxitos, se "Eu gosto daquela feia" é apontada como a sua 'coroa de glória' outros foram igualmente êxitos nas muitas casas que actuou, nomeadamente o proibido pela censura "Alerta", "Passei ontem em Alcobaça" ou este aqui reproduzido "Pecados quem os não tem". Esta gravação é de 1986, e sendo notória a capacidade interpretativa é um reflexo baço dos trinados e suspensões que caracterizaram a sua interpretção, criando um "pathos" magnífico. Nuno Almeida Coelho

Anónimo disse...

Há tempos lembrei este fado e este fadista num outro blog. Parabéns à proprietária do blog e obrigado! Maria Luísa Castanheira

Josué Antunes disse...

Permita-me que lhe envie um texto publicado no blog de Fados de Lisboa no Guiness, que penso dará mais informação aos seus leitores, não sei se a pessoa que assina será o mesmo que assina aqui um comentário.

JOSÉ COELHO
Era um dos nomes do cartaz do Retiro da Severa quando Amália se estreou. Com a fadista apresentou-se também pela primeira vez no Coliseu dos Recreios do Porto. Entre os seus êxitos refiram-se as suas criações «Eu gosto daquela feia», «Alerta!», «Pecados quem os não tem», «Sexta-feira da Paixão» e «Passei ontem em Alcobaça». Participou em vários programas radiofónicos, nomeadamente da Rádio Graça, Peninsular e Clube de Lisboa. Preso político em Caxias, deixa Lisboa para se radicar em Bengue!a, onde organiza várias noites de fado e recebe colegas sempre que estes passavam por aquele cidade angolana.
Gravou apenas dois discos, um EP para a CBS com os
fados «Gosto daquela feia», «É tão triste não te ver», «Lábios carminados» e «Quadras soltas», e já na década de 1980 participa num LP com outros nomes da sua geração (Frutuoso França, Júlio Vietas, Manuel Calisto, Gabino Ferreira e Júlio Peres) intitulado O Fado da Velha Guarda (Riso&Ritmo).
Natural de Lisboa, onde nasceu a 23 de Novembro de 1914, faleceu na mesma cidade a 9 de Janeiro de 1992, tendo retomado esparsamente a carreira artística, quer na década de 1970 à frente do Solar da Madragoa, onde tinha já actuado na década de 1960, para gáudio dos fãs que deixara em Lisboa, quer em espectáculos nos arredores de Lisboa com o mesmo grupo de fadistas com que gravara o LP.
Além do Retiro da Severa, José Coelho, até à década de 1950, antes de partir para Angola em Agosto de 1949, cantou no Café Luso, Os Marialvas do Fado, Casablanca, Café Mondego, Café Latino e o Retiro da Severa.
In: “Amália” de Nuno de Almeida Coelho

Vítor Marceneiro disse...

Cara Amiga
Chamaram-me hoje à atenção para esta sua publicação, à qual desde já dou os meus parabéns.
Acabei de publicar no meu blog o link para este seu trabalho, eu já tinha publicado algum material, sobre esta figura que infelizmente não conheci, mas que me foi cedido pelos familiares.
Um abraço Fadista
Vítor Marceneiro

Anónimo disse...

À blogger - como se diz segundo julgo - o meu muito obrigado, conheci esta voz através deste fado que muito gostei. Acho a letra de grande actualidade e a voz do senhor, apesar de idoso revela expansão, clareza. Referi no blog do Vítor Marceneiro que se apressou a colocar o fadista na sua galeria. E saúdo deste cumprimento entre pares tão raro não só nas lides fadistas como em geral entre portugueses. m_l_castanheira@hotmail.com

Anónimo disse...

A internet é espantosa quem se recordaria deste fadista? Comecei há pouco a navegar na internet e tenho encontrado muito "lixo", masnão é este o caso muito antes pelo contrário, recordar o José Coelho, a Berta Cardoso, a Lina Maria Alves prova que a memória fadista está viva e actualiza-se. Humberto Salles

Anónimo disse...

Gostava de saber se há gravações comercais deste fadista cuja dicção achei exemplar! E muito alfacinha! Não conhecia.