segunda-feira, agosto 29, 2011

JOSÉ MANUEL DE CASTRO - "Barco à deriva"






"Barco à deriva / Que um dia saiu do cais / E não chega nunca mais / A porto de salvação"


As palavras são de Artur Ribeiro, a música de Jorge Fontes, a interpretação de José Manuel de Castro

domingo, julho 31, 2011

"FADO DE MOURARIA"





Atrevo-me a divulgar mais esta faixa do Vol. VI dos Arquivos do Fado, da Tradisom, porque sei que o seu Director me autoriza a fazê-lo, mais ainda porque naquela, para além dos já conceituados fadistas Ercília Costa e Joaquim Campos, participa a então nóvel fadista Berta Cardoso, nome maior entre os maiores do Fado, de quem este ano se comemora o centenário. A convite de Armandinho, que a acompanhou e ouviu cantar quando, pela primeira vez se exibiu em público no Salão Artístico de Fados, Berta Cardoso foi a Madrid gravar, acompanhada por Maria Alice e seguidamente por outros cantadores e cantadeiras, como é o caso.
Ercília Costa, Joaquim Campos e Berta Cardoso são, pois, as vozes que dão voz a este "Fado de Mouraria", acompanhados pelo insigne guitarrista Armando Freire e o distinto violista Georgino de Sousa.


Silêncio, que se vai cantar o Fado!


"Cierto día del año 1930 llegó a Madrid un contingente fadista procedente de Lisboa y compuesto por los cantantes Joaquim Campos, Berta Cardoso, Cecília d’Almeida y Ercília Costa, todos ellos rutilantes estrellas de famoso Café Luso..."

terça-feira, julho 26, 2011

"A DESGARRADA"




Com o selo Tradisom, do vol.VI - Arquivos do Fado, esta "Desgarrada", gravada em Madrid em 1930, em que intervêm os instrumentistas "Armandinho" e João Fernandes, a cantadeira Ercília Costa, o cantador Joaquim Campos e ainda António Menano.

sábado, julho 23, 2011

ALICE MAYA - "Assim é que é fado"

Plat.


Alice Maya interpreta, de Genni Telles e de Hermenegildo Figueiredo, "Assim é que é fado", acompanhada pelo Conj de Guitarras de Raul Nery.

terça-feira, julho 19, 2011

ARMANDO MOITEIRA - "Meu Portugal"



"Meu Portugal", de António Nestor, canta Armando Moiteira , no Pedro Rodrigues, acompanhado pelas guitarras de Álvaro Martins e de Manuel Costa e as violas de Joaquim dos Anjos e de Toni Gomes.

terça-feira, julho 12, 2011

JANUÁRIO TRINDADE - "Norton de Matos"



Januário Trindade, o fadista revolucionário, homenageia, no seu 8º disco, a figura de Norton de Matos. A letra e música são da autoria de José Crispim; acompanham o fadista, o Conjunto de Guitarras de António Chainho e Manuel Mendes.

sábado, julho 09, 2011

MARIA JOSÉ VILLAR - "Tudo te dei"




Jorge Fontes, à guitarra e José Maria Nóbrega, à viola, acompanham Maria José Villar que interpreta "Tudo te dei" da autoria de Joaquim Pimentel
 
Plat.
 

quinta-feira, julho 07, 2011

domingo, julho 03, 2011

ADELAIDE RODRIGUES - "O fado nasce no peito"

Plat.


"Para se cantar o fado / Não é preciso ter voz / Basta apenas ter saudade / E amor dentro de nós / Tristeza, ternura e dor / E o recordar docemente / São todas juntas o fado / O fado é a vida da gente // O fado nasce no peito / E entoa na garganta / É voz que p'ra não chorar / Se junta à guitarra e canta"...

A autoria deste fado deve-se à dupla E. Damas e M. Paião; os acompanhamentos, aos guitarras Carvalhinho e António Parreira, e aos violas Júlio Gomes e José Vilela.

sexta-feira, julho 01, 2011

NORBERTO MARTINHO - "Quem me dera ser o vento"



As guitarras de A. Chainho e de Z. Ferreira, as violas de J.M. Nóbrega e de A. Manuel acompanham Norberto Martinho que interpreta, no Fado Victória, "Quem me dera ser o vento", de A. Ribeiro.

quinta-feira, junho 30, 2011

TINA SANTOS - "Foi tudo amor"




Uma bem conhecida e genuína fadista que há já alguns anos faz parte do elenco da "Parreirinha de Alfama", Tina Santos, num fado da autoria de Alice Maria e de Armandinho - "Foi tudo amor", acompanhada pelas guitarras de Jorge Fontes e de António Chainho, pela viola de José Mª Nóbrega e pela viola-baixo de Raul Silva.

quarta-feira, junho 29, 2011

AMÉRICO SILVA - "Canta-me um fado"



Américo Silva interpreta um fado da autoria de Jair Amorim e de Evaldo Gouveia - "Canta-me um Fado" - acompanhado à guitarra por Manuel dos Santos e José Alves e à viola por Fernando Coelho e Alexandre Santos.

segunda-feira, junho 20, 2011

sexta-feira, junho 17, 2011

"Maria da Conceição" - JOÃO CASANOVA


Ilust.1934


Aqui está a letra do fado que o João Casanova gravou com o título de "Aquela Maria" e interpreta numa música de Frei Hermano da Câmara, com direito à fotografia da poetisa e tudo... p'ra que se não diga... É certo que não tem sido preocupação minha divulgar sistematicamente as letras dos fados que edito e isto por duas razões fundamentais, a primeira das quais é a de que já há outros bloguistas a dedicarem-se a isso, de entre os quais quero realçar o incansável J.F.Castro, do Fados do Fado, a quem daqui saúdo, e a segunda, mas não menos importante razão, fica para vos confessar mais tarde... De resto, li por aí que a equipe do Portal do Fado vai também dedicar-se a essa "ciclópica tarefa", pelo que já aqui fica o meu bem haja, mas, já agora, um desejo, o de que, sempre que possível, seja indicada a fonte documental, por este, aquele e aqueloutro motivo de que aqui fica bom exemplo... Sem mais, vamos ao Fado





segunda-feira, junho 13, 2011

PARABÉNS, Alto do Pina!


Isto era assim em 1904



Agora, em 2011, ano em que o tema das Marchas foi o Fado,


e em que ganhou a Marcha do Alto do Pina, que teve como madrinha a fadista Filipa Cardoso e como padrinho o actor Joaquim BonChic, perdão, Monchique

até eu estou de Parabéns, coisa rara!... Porque tenho um especial carinho por esse Bairro a que está ligada parte importante da minha vida profissional, bem como pela Filipa, que conheço de quando ela era ainda aluna da Escola das Olaias, e mesmo pelo Monchique, que nem conheço pessoalmente, mas que é um dos meus actores preferidos.
Portanto, atrever-me-ía eu a alvitrar: Escolha acertada!

sexta-feira, junho 10, 2011

"Deixem passar Portugal!"

Em 1927, quando o duo "Guitarra de Portugal", constituído pelo insigne violista João da Mata Gonçalves e pelo distinto guitarrista Armando Augusto Freire, fez, no Politeama, a sua festa de despedida, antes de iniciarem a tournée para divulgação do Fado por terras estrangeiras, foram lidas estas quadras que o consagrado poeta Silva Tavares escreveu

Deixem passar Portugal!...
O seu melhor atestado
Vai nessas almas de ideal
Gemendo e chorando o Fado...

Ninguém lhes tome a passagem
E hão-de vencer afinal...
São espelhos da nossa imagem,
Deixem passar Portugal!


Portugal, que deu mundos ao mundo, deu também essa melhor parte da diáspora lusitana, a Língua e a música que dizem o sentir do Fado e melhor revelam a nossa identidade -

Esta canção que se fez
P'ra o coração português
Achou sempre o mundo estreito,
Canta-a com a guitarra ao peito,
Todos te dirão quem és.


Assim diz o poeta no fado "Lés a lés" que já aqui foi recordado, na superior interpretação de Berta Cardoso, acompanhada pela guitarra de Armandinho e pela viola de Georgino.


Hoje, como então prometera, trago-vos esse mesmo fado, na notável interpretação de Fernando Maurício.



sábado, junho 04, 2011

"A FORMIDÁVEL ALMA POPULAR"


"...Mas então isto é a apologia e o elogio da facada e da miséria, da rufiagem e do vício, da rotina e da imundície, perguntará o leitor? Não, não é. É apenas o elogio da cor, que subverte o anátema à miséria social; a apologia do caracter forte do gentio miudo que mantem o pitoresco e o sabor, que não há na gente moderna nem nas Avenidas Novas, e que só existe e perdura, arreigado como a própria fatalidade nisso a que o grande Cesário Verde chamava: «a formidável alma popular»" Matos Sequeira (para ler aqui)



("Meu Bairro Alto" - Intérprete: Ana Rosmaninho; Autores: Carlos Rocha e Frederico de Brito)

sexta-feira, junho 03, 2011

OS ROUXINOIS DO MONDEGO...


Dom. Ilust.

... e do Tejo, diria eu, "tem cotação na bolsa. Atravessamos um período em que as acções do fado estão cotadas na alta." Valha-nos isso, co'a breca! Ao menos que as do Fado, seja de Coimbra ou de Lisboa, continuem a valorizar... Amen.

domingo, maio 29, 2011

António Botto e a II Festa do Fado






O Dom. Ilust.

No Teatro S. Luiz, onde se realizou a "2ª festa do Fado", em que participaram afamados fadistas António Botto cantou versos seus à guitarra...

sábado, maio 28, 2011

«ROUXINOL» do Fado


(D.P.1955)


Da extinta etiqueta "Rouxinol", um dos muitos êxitos dessa excelente cantora que tão bem soube viver e cantar o Fado - Maria Teresa de Noronha; acompanhada por Raul Nery, António Chainho, Joaquim do Vale e Joel Pina, no "Nosso Fado" (Mª Teresa de Noronha - Popular)
"Queria deixar de pensar / Em quem não posso esquecer / É tão grande a minha luta / Sempre a pensar sem o querer


Não queiras prender de novo / Os laços que o tempo solta / Amor que foi já não é / Amor que foi já não volta


Há muito que ando a pensar / Sem nunca compreender / Porque foi que te encontrei / Se tinha de te perder


Não julgues p'las gargalhadas / Alegrias de ninguém / Que às vezes elas encobrem / Tristezas que a gente tem"





terça-feira, maio 24, 2011

segunda-feira, maio 16, 2011

"NOS TEMPOS EM QUE EU CANTAVA"



Tempo para ouvir Alfredo Marceneiro de quem alguém disse :" Quem já teve o privilégio de o ver ... terá novamente diante de si todo o fascinante espectáculo que é uma sessão de fados pelo Marceneiro: a figura franzina, o rosto enrugado contrastando com uma cabeleira surpreendentemente negra e ondulada, os requebros do corpo acompanhando as magistrais inflexões da voz, o lenço de seda como que a proteger-lhe simbolicamente a garganta contra os ultrajes do tempo - em suma, o verdadeiro fadista, a lenda viva."



A "voz velada e tão dorida que parece por momentos à beira da desintegração..." nesta interpretação magistral e inconfundível duma letra de Fernando Teles, no Fado Rosa,


Eis o nosso fabuloso MARCENEIRO, e o seu confesso "orgulho em ser da grei dos faias do Bairro Alto".

À guitarra, José Nunes; Francisco Perez, na viola; o som é do especial(ista) Hugo Ribeiro










sábado, maio 14, 2011

"ACHEI-TE TANTA DIFERENÇA"




Era aqui a "Tipóia"...






"Achei-te tanta diferença / Quando de novo te vi / Que, estando em tua presença, / Tive saudades de ti //


Achei-te tanta diferença / Fiquei tão admirada / Que senti uma dor imensa / Ao ver-te a face mudada // ...


Parei, fingindo indiferença / Mas nem sei o que te achei / Que, estando em tua presença, / Que fosses tu, duvidei //


... E recordando o passado / Tive saudades de ti"


ADELINA RAMOS



("A Voz de Portugal", 1954)

terça-feira, maio 10, 2011

Nem tudo é Cantiga! - Confesso



Confesso!, não será fado, mas que é o nosso Fado, lá isso...
Há mais, no CanalCantiga - YouTube. Difícil foi escolher.
Parabéns e obrigada por todo este tempo que, afinal, ganhei ao ouvi-lo, Paco.

segunda-feira, maio 09, 2011

sábado, abril 30, 2011

ANA MARIA - "Mãos do povo"

VÍDEO DE HOMENAGEM


Ana Maria, "a fadista negra" como habitualmente se apresenta, interpreta, no Corrido, "Mãos de povo", de João Dias.

segunda-feira, abril 25, 2011

"NUNCA MAIS DAREI UM CRAVO" - Carlos Zel

"E daqui grito a quem manda

A minha raiva incontida

Ver um povo que foi grande

Ter um triste fim de vida"

Um fado para hoje, cuja letra, de Vitor Pereira de Melo, pode consultar aqui e a que Carlos Zel deu voz, no Fado Amora.






sábado, abril 23, 2011

PLATINA...


...valeu este espectáculo que Jorge Fernando, em boa hora, se lembrou de organizar. Parabéns! Queremos mais, muitos mais espectáculos destes, genuínos, de Fado! Pareceu-me ser este o nosso apelo, do público, que aplaudia entusiasticamente cada cantador e que não queria dar o serão fadista como acabado... tiveram mesmo que regressar a palco e brindar-nos com mais uma "rodada", mas bem se notava que cantavam tão prazenteiramente quanto nós os escutávamos. Repertório escolhido primorosamente. Obrigada!


Dos cinco "diamantes", apenas dois ainda não foram homenageados neste blog que (embora não só, mas acima de tudo) nasceu, cresceu e vive para lembrar esses fadistas que, em dado tempo, foram comercialmente preteridos e, por isso, vão sendo esquecidos por uns e desconhecidos de outros... Aproveito, por isso, a ocasião, que não podia ser melhor, parece-me, para lembrar o

José Manuel Rato


num dos fados que ontem interpretou excelentemente e que se encontra gravado ao vivo neste vídeo, no YouTube e cuja letra encontra aqui





e o António Pelarigo

neste Fado da Balada com que, igualmente, ontem nos presenteou numa magnífica interpretação e de que também pode consultar a letra, mas aqui



quinta-feira, abril 21, 2011

"Fado Malhoa" - FLORÊNCIA

VÍDEO DE HOMENAGEM



Florência interpreta, de Frederico Valério e de José Galhardo, "Fado Malhoa", uma homenagem ao Fado e ao consagrado pintor José Malhoa que "pintou numa tela / com arte e com vida / a trova mais bela / da terra mais querida" "... e fez o mais português / dos quadros a óleo"...


"Aquilo é bairrista / Aquilo é Lisboa / Boémia e fadista / Aquilo é de artista / Aquilo é Malhoa"!...


domingo, abril 17, 2011

"POVO CATIVO" - Fernando Maurício



Fernanda do Carmo (letrista, empresária e irmã da fadista Cidalisa do Carmo) escreveu esta letra que Fernando Maurício interpreta na Marcha do Marceneiro, acompanhado pelos guitarristas Manuel Mendes e João Alberto, pelo viola Júlio Gomes e o viola-baixo José Vilela.


"Povo, que cantas o Fado / Que sonhas com o Infinito/ Que anseias Liberdade / Já não andas amarrado / Podes soltar o teu grito / Impor a tua vontade" ...

segunda-feira, abril 04, 2011

Beatriz Felício - "Fado da sina"


De Amadeu do Vale e Jaime Mendes, este fado foi criado pela grande Hermínia Silva no filme "Um homem do Ribatejo".

Notável, a interpretação desta jovem!

sexta-feira, abril 01, 2011

Oh, Lady GODIVA!...



E não é que, de repente, em plena crise, os meus olhos encontram este texto, de Júlio Dantas, acerca da lendária Lady Godiva ? Ele há coincidências!... Já não haverá é Godivas (apenas I.V.A.)nem bárbaros Senhores assim (mas civilizados senhores assado)... E lembrei-me, então, que esta notável Lady, celebrada pelos mais variados artistas das mais diferentes expressões e épocas, que foi tema de filme

 também no Fado não foi esquecida.

segunda-feira, março 28, 2011

"Luto nas guitarras" - JÚLIO PERES



Poderia dizer-se que neste fado, que Júlio Peres interpreta numa música de Joaquim Campos (Alexandrino), o tema denotava já a preocupação com duas presentes realidades - por um lado, a descaracterização da Mouraria, "berço do Fado", por outro, o que tem vindo a ser a tentativa de apagamento da sua história, da Tradição... Por isso o cantador, que decerto não é como "as fadistinhas de agora" que "chamam fados às cantigas", interpela os fadistas ("os verdadeiros", entenda-se) ao luto e à oração - o luto que é símbolo da tristeza que, contudo, sempre se suportará melhor se carregada pela fé e a esperança com que se reza para que, se "o que era não puder voltar a ser", ao menos que "o que for não desvirtue o que já foi"... e que, igualmente, se respeite a História, escrevendo-a com Verdade, porque nunca nada poderá envergonhar mais um Povo do que a mentira e a vergonha ou o desconhecimento do seu Passado.

É claro que a Velha Mouraria segue, como tudo e todos, a Lei da Vida e que nada seria menos razoável que pretender que fosse agora esse bairro como o foi antanho... mas claro que também me parece incontestável que melhor apreciará o que é agora quem melhor conhecer o que então foi. De resto, o que verdadeiramente aqui está em causa não é a questão do Progresso; é, sim, a fundamental questão, a da Alma "Tornaram-te burguesa / Mas roubaram-te a Alma"... Alma Fadista! Nobre e popular, avessa aos ditames da burguesia que a hostilizou...

E fico-me por aqui, não sem antes lembrar três nomes emblemáticos do Fado e da Mouraria - a lendária Severa, o Rei do Fado e a internacional Mariza que está voltando agora às raízes...

Desculpem! Tanta conversa, quando o que interessa mesmo é ouvir este fado nessa voz tão fadista de Júlio Peres:


Quem se recorda já dessa Rua dos Canos / Do Diogo das Iscas , perfumadas, quentinhas / Da Adega do Saloio, já morto há tantos anos / Da "pescada com todos", no velho Campaínhas? /

Vai-se indo a pouco e pouco a velha Mouraria / Ontem foi o Socorro, hoje a Rua da Palma / Já não há camareiras, nem sombras de rufias / Tornaram-te burguesa, mas roubaram-te a alma /

Mataram teu passado, a tua tradição / De bairro mais fadista esvai-se da memória / Não cheira a rosmaninho, está triste o Capelão / Vão rasgando aos poucos a tua velha história /

Fadistas, ponham luto, um fumo nas samarras / P'la morte da Mouraria, homenagem singela / Um crepe nas volutas de todas as guitarras / E depois, em silêncio, vão lá rezar por ela.

terça-feira, março 22, 2011

ODETE MARIA - "Rainha do Fado"

A GUITARRA

VIDEO DE HOMENAGEM

Acompanhada pelo Conjunto de Guitarras de Jorge Fontes, Odete Maria interpreta "Rainha do Fado", que tem letra de Alexandre Fontes e música de Jorge Fontes.

quinta-feira, março 17, 2011

"Guitarras de Lisboa" - FERNANDO FARINHA

A GUITARRA



Acompanhado pelo Conjunto de Guitarras de Raul Nery, Fernando Farinha interpreta este fado que tem letra de Artur Ribeiro e música de Alírio Covas e cuja letra pode consultar aqui

segunda-feira, março 14, 2011

Paola e a Guitarra

De sua graça, Paola Magalhães dos Santos , uma luso-descendente que canta o Fado e toca guitarra e que pode conhecer melhor aqui.

quinta-feira, março 10, 2011

"Encontrei uma guitarra" - DEOLINDA RODRIGUES

A GUITARRA

É no Fado Tamanquinhas que Deolinda Rodrigues, acompanhada à guitarra por A. Parreira, à viola por F. Gonçalves e à viola-baixo por Raul Silva, interpreta este fado, que tem letra de L. Brumon:

Encontrei uma guitarra / Que se perdera no tempo / Quando a achei já não trinava / Porque quem a dedilhava / Deixou-lhe as cordas ao vento //

Prendi-lh'as cordas com jeito / Cantei-lhe fados sem fim / Enlacei-a no meu peito / E fiz-lhe um fado perfeito / Do melhor que havia em mim //

As nossa mágoas juntámos / Fizemos do Fado a amarra / Nunca mais nos separámos / Juntas rimos e chorámos / Eu, o Fado e a Guitarra

terça-feira, março 08, 2011

"Trago guitarras no sangue" - MANUEL DE ALMEIDA

A GUITARRA

Com letra de Lopes Victor e música de António Chainho, o fado "Trago guitarras no sangue" que Manuel de Almeida interpreta, acompanhado pelo Conjunto de Guitarras de António Chainho.

quinta-feira, março 03, 2011

BENVINDA CRUZ - "Velha guitarra"

VÍDEO DE HOMENAGEM
Lembro hoje uma fadista de que talvez não muitos se lembrem, visto que não teve uma longa carreira, mas que, durante algum tempo, integrou o elenco da Adega Machado, tendo gravado alguns discos - Benvinda Cruz, que interpreta este fado, da autoria de António José e de Ferrer Trindade, acompanhada pelo Conjunto de Guitarras de Raul Nery, constituído pelo próprio Raul Nery, José Fontes Rocha, Júlio Gomes e Joel Pina.
"... Velha guitarra, se tu falasses / O que dirias, ai, quem me dera! / Será verdade que tu, um dia, / Foste tocada pelos dedos da Severa?..."

Plat.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

ZÉ FREIRE - "Meio-dia da Vida"



Gosto de tudo quanto Zé Freire canta; e como canta! Que voz e quanto sentimento!
Tive oportunidade de o lembrar anteriormente com este fado e com estoutro
Hoje, poucos dias após a sua morte, é com saudade que volto a recordá-lo, interpretando este fado, de A. Gil e de Hermano da Câmara.

"O meio dia da Vida
A sombra diminuída
Quanto a sombra pode ser
Tudo é luz e esperança ainda
Digam se há hora mais linda
P'ra parar e p'ra morrer
... ... ... ...
Morte amiga, a que ela teve
Chegou-se tão ao de leve
Caminhou tão devagar
E feriu-a tão de repente
Tão suave e docemente
Que a matou sem a magoar"

quarta-feira, fevereiro 23, 2011

"O FADO, A GUITARRA E EU" - João Cabral

A GUITARRA

Gravado ao vivo na "Fragata Real", este fado, interpretado por João Cabral, acompanhado à guitarra por António Parreira e Nobre Costa e à viola por Francisco Gonçalves e Raul Silva, tem letra de Domingos Gonçalves Costa e música de Adelino I. Santos.

sábado, fevereiro 19, 2011

"Ciúmes de Guitarra" - ADA DE CASTRO

Plat.

A GUITARRA
"Ciúmes de Guitarra", da autoria de Artur Ribeiro e de Casimiro Ramos, é o fado que Ada de Castro interpreta, acompanhada à guitarra por Francisco Carvalhinho e António Chainho, à viola por José Mª Nóbrega e à viola solo por Martinho d'Assunção (Jr.).
POST-SCRIPTUM
Recebi, ontem, de um amigo "fadistófilo", uma muito pertinente questão acerca da autoria do fado em que Ada de Castro interpreta esta letra de Artur Ribeiro, o "Fado Margarida". A resposta que dei foi a seguinte:
-Acerca das autorias, já sabes que indico as que constam dos discos, embora algumas com erros, que por vezes revelo, outras não... De facto, o Casimiro Ramos é irmão do Miguel Ramos e ambos são autores de fados http://www.jose-lucio.com/Fado/Autores.htm e daí haver por vezes alguma confusão... Neste caso, acho que é mesmo o "Margarida" que, tanto quanto sei, foi composto pelo violista Miguel Ramos, irmão do Casimiro, para a Margarida Pereira - "Fado Margarida" http://fadoteca.blogspot.com/2009/12/margarida-flor-do-fado.html Mas isto sou eu a falar... -
E era!... porque, há bocado, tentando responder a outra questão de um outro amigo do Fado, deparei-me, num manual de referência - "Notas de Música", da col. "Um Século de Fado", da Ediclube -, com a informação de ser, o Fado Margaridas, da autoria de Casimiro Ramos... Será que houve qualquer correcção ao documento de 1935 que eu não tenha visto?! Provável... Se assim for e alguém souber, muito agradecida ficaria pelo esclarecimento e prova, a bem da Cultura... Acerca destes e de muitos outros importantes assuntos, deveriam pronunciar-se consistentemente os que, afinal, parece preocuparem-se com as autorias, mas particularmente noutra vertente, a qual, contudo, tem tudo a ver com esta... é que há obras onde se indica o Casimiro Ramos como autor deste Fado, noutras o seu irmão Miguel... afinal, a quem cabem os direitos?!... Bem, neste caso, até nem importará grande coisa; sempre fica tudo em família!...

sábado, fevereiro 12, 2011

"Guitarras da minha vida" - Natércia da Conceição

A GUITARRA


Acerca da Guitarra Portuguesa, diz quem sabe:

"...A «guitarra portuguesa» está actualmente ligada indissoluvelmente e fundamentalmente ao fado (com acompanhamento de violão), tanto na sua forma de Lisboa como na de Coimbra , mas essa ligação parece na verdade ser um facto recente . No fado corrido, ela faz simplesmente o acompanhamento do canto; quando não há cantor, o guitarrista fantasia variações sobre o tema, abandona-se á inspiração do momento, borda floreios e ornatos. Nos seus primórdios, porém, ela parece ter sido um instrumento da burguesia, que servia qualquer género musical, «sonatas», «minuetos» , « marchas» , «contradanças» (Silva Leite) e « modinhas», em substituição do cravo e outros instrumentos para entretenimento de uma assembleia com dispensa de uma orquestra; era pois , então, um cordofone de sala, e o próprio Silva Leite escreveu para ele (com mais um violino e duas trompas) várias sonatas, em 1792 ;..." (daqui)

Eu, que de tudo só sei o quanto gosto, sei que mais gosto do Fado ao som da guitarra portuguesa, esse magnífico instrumento musical que o poeta Jorge Rosa celebra neste fado, interpretado por Natércia da Conceição, com música de José Marques do Amaral.

sábado, janeiro 22, 2011

O "Fado do Ganga" II

I.P.

Repararão que as coplas então cantadas diferem um pouco das conhecidas e que aqui lembro, na interpretação de Carlos Ramos. Um fado c'uma ganda mensagem, é o que é! De facto, esta coisa d'intiqueta, já não dá nem p'ró pitrol... na verdade, surte muito mais efeito deixar-se a gente de tretas, vai sopapos e galhetas e acaba-se logo ali o manipólio... Por isso, eu digo também ao meu amigo qu'este assistema é inficaz e, sendo-o, para quê utilizar outro?! É preparar p'ra la pregar, C'a mão no ar e o pé atrás... Zás!


(Vá!, aproveitem lá mais esta p'rós livrinhos e digam depois que foi dica dum amigo tal e tretta, muito conhecedor de fado... Pás!)

quinta-feira, janeiro 20, 2011

O fado do Castanheira

I.P.

Vão lá saber quem era o Castanheira de Moura do "fado do Castanheira"!...

Já não há quem faça letras assim, mas a verdade é que também já não há destas personagens (ou personalidades, como queiram) que valham um fado...

sábado, janeiro 15, 2011

Uma história banal...


I.P.

Nesta crónica, datada do princípio do século passado, Acácio de Paiva chama a atenção para essa ocorrência banal de acabarem na miséria alguns dos nossos mais conceituados artistas que, ao envelhecerem, caem no desemprego e vão sendo preteridos, esquecidos até acabarem na mais aviltante penúria...
Claro que não é situação que se verifique presentemente, nesta sociedade democrática e republicana, nesta sociedade de gente livre e europeia, neste país de cidadãos do mundo... claro que não!... Mas há tantos esquecidos que é bom não esquecer :-)

terça-feira, janeiro 11, 2011

sábado, janeiro 08, 2011

O "Fado do Ganga"


I.P.

A importância política e benefícios do Fado!...

O "Fado do Ganga", de João Bastos , criado por Estevão Amarante na Revista "O Novo Mundo" , em 1916.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O FADO POLÍTICO

Começo o ano por relembrar este texto, publicado em 1907 na I.P., assinado por TINOP, Pinto de Carvalho, a quem se deve a obra basilar "História do Fado", editada em 1903, reeditada em 1984 pela Dom Quixote, uma das mais sólidas referências sobre o género, um documento que se mantém actual e válido e que está na origem de tudo o que, nos últimos anos, se tem vindo a escrever sobre o assunto. Como se sabe, Tinop é defensor da origem marítima do Fado, recusando em absoluto a raiz árabe que Teófilo Braga lhe atribui. Para aquele autor, o fado surge como consequência de uma expressão musical com origem marinheira, mescla das “toadas plangentes” de que falava Oliveira Martins, “cantigas monótonas como o ruído do mar”, que se ouviam “por toda a costa do ocidente”e que apenas em 1840 aparece referenciado em Lisboa: “Até então, o único fado que existia era o fado do marinheiro, cantava-se à proa das embarcações, onde andava de mistura com as cantigas de levantar ferro, a canção do degredado e outras cantilenas undívagas”, diz Pinto de Carvalho.

Neste texto, começa Pinto de Carvalho por declarar que "Lisboa é a metrópole do fado" que é "genuinamente alfacinha"; refere-se às diversas fases e épocas do fado , nomeando as mais notáveis cantadeiras e cantadores, aos fados políticos e respectivas histórias e conclui reconhecendo que, muito embora, "nos últimos anos o fado tenha mudado de rumo, a hipócrita civilização do séc XX não logrará fazê-lo sumir no vórtice da moda, porque o fado é a mais portuguesa das canções portuguesas,enfim, porque o fado é o nosso absoluto da consciência real".
Amen!

quinta-feira, dezembro 30, 2010

VARINAS

I.P. 1906

Uma homenagem real às "Varinas", rainhas também, mas cujo "«Paço» é na Ribeira, / Na fragata ou na falua,...", como escreveu o poeta "popular" Linhares Barbosa e Manuel Calixto tão bem interpretou

http://fadocravo.blogspot.com/2008/12/manuel-calixto-varinas.html

Na mesma música (embora no disco se atribua a autoria a Raul Campo Grande...), Artur Batalha interpreta "Essa varina", do poeta "popular" e também fadista António Rocha


Mas também os poetas "cultivados", como diria Vasco Graça Moura, celebraram esta figura tão própria de um país de marinheiros... entre eles, Fernanda de Castro, num belo poema que Frei Hermano da Câmara musicou e interpreta

http://fadocravo.blogspot.com/2010/08/varinas.html


assim perpetuando a memória dessas mulheres que embelezavam todas as "Ribeiras" -

"A cadência sensual das suas ancas / Tem a forma das ondas no mar alto"

e que têm como paradigma possível "A Rosa da Madragoa", esta numa castiça interpretação de Raquel Tavares



estoutra, de J.Frederico de Brito, que Fernanda Maria magistralmente interpreta no Fado Seixal


E é com este cheirinho a maresia, que encerro a minha actividade de 2010, neste blogue, e desejo a todos os amigos e aos inimigos também (que bem precisam) uma muito boa onda para o difícil ano que se aproxima; porém, se tiverem que "mostrar quem manda" não hesitem em fazer uma enorme peixeirada (que muito alivia o stress) e até, porque não, "amandem c'uma chaputa" à tromba de qualquer um ... É mesmo a única linguagem que muitos deles ainda entendem e respeitam... Se persistirem em ser, como eu, very polite, verão como vos enrolam a torto e a direito com doces palavrinhas... Mas, p'ró ano, tudo vai ser diferente, aposto; sou até capaz de arriar a giga nas mais improváveis ocasiões e nos mais very refined places... Nestes tempos, uma lady também se passa, ora essa! Tal como um gentleman... lembram-se do rei de Espanha? Ora bem!...

Cheia desta gentinha!...

Vivam as Varinas!

Bom Ano, então! BONS FADOS!

sábado, dezembro 25, 2010

Prendinhas de NATAL


Todos os anos me acontece esta coisa singular de ter sempre mais prendas do que esperava... deve ser por nunca esperar seja o que for, mas, claro, fico agradada por se lembrarem de mim e me reabastecerem daquelas gulodices, lambarices e mezinhas que se dão aos que já vão tendo mais do que a conta... até mesmo porque os chocolates, dizem, estimulam o cérebro e tudo o que é serotoninas e endorfinas e tal, o que me ajuda a manter aquela boa disposição que todos conhecem e aquela risada tão verdadeira que, a uns aterroriza, a outros contagia... Acabo de descobrir que, muito provavelmente, abusei até da dose diária porque estou a falar de mim, coisa invulgar e desinteressante, mas vou controlar-me e partilhar convosco a notícia de apenas duas das prendas que tive, até porque são públicas, no exacto sentido da palavra.

A primeira foi, por certo, o facto de este blogue ter alcançado, em um ano, 100.000 visitas o que pode até não ser muito, comparativamente a outros blogues, mas, para mim, é fantabuloso! Comentários e seguidores é que são muito poucos, mas, de facto, depois de ler os meus espantásticos verbetes, poucos têm pedalada para ripostar, ora bem! :-), isto por um lado, por outro, muitos não querem que se saiba que sequer conhecem este blogue onde vêm beber a informação e as ideias que depois comercializam como suas, verdade? :-) Ralada não fico, mas triste, com a cada vez maior desonestidade intelectual que prolifera neste rectângulozinho à beira mar plantado... Seja como for, que a minha vida é outra, saudações cordiais e fadistas a todos quantos por aqui passam e votos de que continuem a ser fregueses, mesmo para vosso bem, porque, por cá, há sempre novidades antigas... Presunção e água benta!...

A segunda prenda que tive este Natal, porque só há dias dei por ele, foi, sem dúvida, o recauchutado site do Museu do Fado. Até que enfim! Está para melhorar e alimentar, sem dúvida, mas já é alguma coisa. Se ainda não deram por isso, embora eu o tenha logo linkado aí ao lado esquerdo, ele aqui está. Já dei por lá com alguns gatos (este e estoutro, por ex.) e as funcionalidades não estarão todas ainda a funcionar (não consigo abrir mais informação, clicando na foto das "personalidades"), mas, olha, isso sou eu que tenho esta particular virtude de me cair a lente logo, logo, em cima do erro... a lente e, se calhar, não só...:-) . Contudo, é melhor que nada e lacuna que tardava remediar... Por isso, ao trabalho!, que uma sou eu só e a Fadoteca cresce diariamente e com alguma matéria também em Espanhol e Inglês...

Por tudo isto e o mais que não direi, a todos e todas (como ora soi dizer-se) os meus públicos agradecimentos!

segunda-feira, dezembro 20, 2010

"É NATAL"

Há 82 anos nascia, no Barreiro, aquele que foi um notável fadista e autor, Fernando Farinha; este fado, com que hoje o lembro, mais uma vez, é de sua autoria e de Artur Ribeiro.

A todos desejo que seja sempre Natal !

domingo, dezembro 19, 2010

FLADO II

I.P.

J.Dantas - Ilust. Manuel Gustavo

De braço dado, Portugal e Espanha, flamenco e fado, ai! olé!...

domingo, dezembro 12, 2010

ANTÓNIO MENANO - "O Beijo"

G.P.
Um outro Fado, o de Coimbra, na voz de um dos seus máximos expoentes, o Dr. António Menano, "um dos "magníficos" da Década de Oiro"...





O BEIJO
Música: Ruy Coelho (1892-1986)
Letra: Afonso Lopes Vieira (1878-1946)
Incipit: À minha amada, na praia
Origem: Lisboa
Data: 1917

À minha amada, na praia
Dei um beijo, a sós e a medo;
Mas a onda que desmaia
Foi contar o meu segredo.

E às outras logo contando
O beijo que me viu dar,
Foi de onda em onda passando
O meu segredo, a cantar.

Treme ansioso o teu seio,
E eu, pálido de temor:
Que todo o mar anda cheio
Daquele beijo de amor!

Cantam-se as estrofes de seguida sem repetir verso algum.
Esquema do Acompanhamento:
1º Dístico: Lá M, Dó# m, Ré M 2ª Lá, Lá M;
2º Dístico: Ré M, 2ª Si, Si m 2ª Lá, Lá M.

Informação complementar:
A música deste lied tem sido indevidamente atribuída a António Menano, mas é de Ruy Coelho (1892-1986), compositor nacionalista, posicionado na esteira dos contributos teóricos de Teófilo Braga, César das Neves, Rey Colaço, Antero da Veiga, Raul Lino e Afonso Lopes Vieira. As posteriores ligações ao ideário salazarista não lhe grangearam boa fama junto das elites triunfantes após 1974.
Lied gravado em Maio de 1927 pelo barítono profissional activo em Lisboa Edgar Duarte de Almeida, com acompanhamento de piano (Disco Columbia, 8108, master P 168); no disco vem correctamente o nome de Afonso Lopes Vieira, como autor da letra, e de Ruy Coelho, como autor da música. No verso do dito disco vem um outro lied, intitulado O Fado (Quem te deu tanta tristeza), letra de António Botto, música de Nicolau de Albuquerque.
António Menano gravou esta bela ária em 1927, em Paris (Discos ODEON, 136810 e A 136810, master Og 577), cantando-a em Lá Maior. Posteriormente, em 1986, foi reeditada em LP, no II Volume do álbum duplo, sob o título Fados de Coimbra de António Menano. Em Setembro de 1996 a EMI-Valentim de Carvalho editou o 3º CD sobre António Menano, sub-título Canções, que inclui O BEIJO.
A letra de Afonso Lopes Vieira encontra-se a págs. 266 e 267 do livro Os Versos de Afonso Lopes Vieira, “Cancioneiro III, Canções de Amor e Saudade”. A letra que se apresenta é a cantada por António Menano e é ligeiramente diferente da que consta no dito livro, cujo 4º verso é “Descobriu o meu segredo” (em vez de “Foi contar”). A composição remonta a 1917, tendo sido publicada em 1918 pelo autor num raro livreto, intitulado “Canções de Saudade e Amor”.
Gravado por António Bernardino em 1966, acompanhado à guitarra por António Portugal e Manuel Borralho e, à viola, por Rui Pato (EP Alvorada, AEP 60817); no disco a autoria é atribuída a António Menano. O arranjo de acompanhamento concebido por Portugal é digno de referência. Bernardino interpreta este lied em Mi Maior e procede a estropiamentos da letra (4º verso da 1ª quadra, 2º verso da 2ª quadra e 3º verso da 3ª quadra). Disponível em long play pela Rádio Triunfo, em 1985 (LP AQUILA AQU 02-49, sob o título genérico Vários – Fados de Coimbra), que também dá a autoria da música a António Menano. Disponível em compact disc: CD Fados de Coimbra – N.º 45/O Melhor dos Melhores, Movieplay, MM 37.045, editado em 1994; CD Serenata Monumental, Lisboa, Movieplay, MOV 30. 487, ano de 2003, CD 2, faixa nº 11, com identificação correcta de autorias.
Gravado pelo Grupo Académico Serenata (do Porto), com Victor Silva no canto, Engº. Cunha Pereira e Jorge Carvalho nas guitarras e Dr. Carlos Teixeira e Arnaldo Brito nas violas, editado pela Movieplay em 1986 (LP ORFEU LPP 44, sob o título Fados de Coimbra – Grupo Académico Serenata), que também indevidamente atribui a música a António Menano.
Gravado em cassete pelo Grupo de Fados de Coimbra Toada Coimbrã, Movieplay, ano de 1992.
Gravado em compact disc por Carlos Pedro: CD Alma Mater – Grupo de Fados de Coimbra, Secção de Fado/AAC, CD-SF 005, ano de 1995, Faixa Nº 5, acompanhado por Pedro Anastácio/Nuno Cadete (gg) e António Paulo (v). Neste registo, Carlos Pedro segue a matriz fonográfica de António Menano e no 3º verso da 3ª quadra introduz um “de”: «Que [de]todo o mar anda cheio». A autoria é erradamente atribuída a António Menano.

terça-feira, dezembro 07, 2010

ALCINDO CARVALHO - "Vielas de Alfama"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Soube, há um par de horas, que Alcindo de Carvalho foi hoje a enterrar; é uma das vozes fadistas que sempre muito apreciei, e que ouvi em vários espectáculos e casas de fado, particularmente em Alfama; talvez por isso, tenha escolhido este fado, que tão bem interpreta, para lhe prestar mais esta homenagem.

sábado, dezembro 04, 2010

"Ovelha negra" - BEATRIZ DA CONCEIÇÃO - FLORA PEREIRA

Um belíssimo fado, com letra de João Dias, duas interpretações de excepção - a de Beatriz da Conceição, que integrou este fado no seu repertório (embora tenha sido escrito para uma antiga fadista- Emília Reis -que foi também a sua criadora); a de Flora Pereira, que o recriou e em boa hora o gravou.




Chamaram-me ovelha negra / Por não aceitar a regra / De ser coisa em vez de ser / Rasguei o manto do mito / E pedi mais infinito / Na urgência de viver

Caminhei vales e rios / Passei fomes passei frios / Bebi água dos meus olhos / Comi raízes de dor / Doeu-me o corpo de amor / Em leitos feitos escolhos

Cansei as mãos e os braços / Em negativos abraços / De que a alma foi ausente / Do sangue das minhas veias / Ofereci taças bem cheias / À sede de toda a gente

Arranquei com os meus dedos / Migalhas de grão, segredos / Da terra escassa de pão / Mas foi por mim que viveu / A alma que Deus me deu / Num corpo feito razão.