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sexta-feira, junho 16, 2017

ANA MOURA - "A Fadista"


Tudo em grande: 
a letra, de Manuela de Freitas, 
a música, de Pedro Rodrigues, 
a intérprete - Ana Moura,
os instrumentistas

domingo, novembro 23, 2014

JOSÉ COELHO - "Pecados quem os não tem"

VÍDEO DE HOMENAGEM


Da autoria de Américo M. dos Santos e de Pedro Rodrigues, este fado que foi criação e um dos êxitos de José Coelho, cujo centenário do nascimento aqui se assinala.

José Coelho, criador de êxitos como “Eu gosto daquela feia”, “Pecados quem os não tem”, “Sexta-feira da Paixão”, “Alerta!”, “As minhas Penas” e “Passei ontem em Alcobaça”, nasceu há cem anos no bairro de Campo de Ourique, em Lisboa, precisamente no dia 23 de novembro de 1914.

O fadista participou em vários programas radiofónicos, nomeadamente da Rádio Graça, Peninsular e Clube de Lisboa e fez parte dos elencos de diversas casas de fado, entre elas, o Café Latino, Café Mondego, Os Marialvas do Fado, Casablanca, Retiro da Severa e Café Luso.

Em julho de 1943 foi detido, em Lisboa, pela polícia política, e nesse mesmo ano transferido para a prisão de Caxias (nos arredores de Lisboa), de onde saiu em abril do ano seguinte (cf: Processo PIDE n.º 906/43). Em agosto de 1949 deixou Lisboa para se radicar em Benguela, no sul de Angola, onde organizou várias noites de fado e recebia colegas, entre eles, Amália Rodrigues, Fernando Farinha, Tristão da Silva, Frutuoso França, Maria Pereira e Quinita Gomes, entre outros,  sempre que estes passavam por aquela cidade.

Por se ter afastado gravou apenas dois discos, um EP para a CBS com os fados “Gosto daquela feia”, “É tão triste não te ver”, “Lábios carminados” e “Quadras soltas”,  e em 1986 participou num LP com outros nomes da sua geração - Frutuoso França, Júlio Vieitas, Manuel Calixto, Gabino Ferreira e Júlio Peres - intitulado “O Fado da Velha Guarda” (Riso&Ritmo).

O fadista retomou esparsamente a carreira, em meados da década de 1960, e com maior assiduidade a partir de 1976, tendo então dirigido artisticamente o Solar da Madragoa, com um cartaz, que entre outros nomes, contava com os de Ilda Silva, Julieta Reis e Miguel Silva. O fadista já atuara anteriormente neste espaço, actualmente com outra actividade, na rua das Trinas, em Lisboa.

José Coelho faleceu, aos 77 anos, em Lisboa, a 09 de Janeiro de 1992.

Texto: N.C. Lopes  com Ana Catarina Mendes

(verbete recuperado e reeditado)

sábado, julho 19, 2014

sábado, setembro 03, 2011

MICÁ - "O Português"

Há já algum tempo que tencionava lembrar a Mª do Carmo Silva, que usa o nome artístico Micá, mas tenho vindo a adiar o momento por causa do fado que escolhi para fazê-lo, fado que tem uma letra que pode causar agora certos constrangimentos e que alguns poderão achar até de duvidoso bom gosto. Ora, foi exactamente por causa desta curiosa letra, que não conheço interpretada por outro/a fadista, que escolhi este fado e decidi finalmente divulgar, doa a quem doer. Pode parecer que a letra é daquelas muito datadas, definitivamente pertencente ao passado, no que toca a discriminações raciais e a nacionalismos serôdios... A sério, acham mesmo?!...

Formulando a questão de outro modo; já não haverá leis que impeçam alguns de caminhar pelo "passeio", mas que abra excepções a alguns desses, diferentes doutros alguns?...

Enfim, quem dera que qualquer português continuasse a sentir esse orgulho de ser "dum país de valor, muito nobre e sonhador, conhecido em todo o mundo..."

Sem mais, "O Português", de Júlio Vieitas e Pedro Rodrigues, na interpretação de Micá.



sexta-feira, setembro 02, 2011

QUANTOS AUTORES TEM O FADO...?!




Em Dezembro de 2008, lembrei Beatriz Ferreira interpretando um fado antigo, "Três beijos", gravado por Júlio Proença e cuja autoria indicada, no fonograma, é de Joaquim Campos.



Em Janeiro de 2010, editei este verbete no Fadoteca, precisamente acerca desse fado e do "Puxavante", parecendo que, afinal, a autoria pertence a Pedro Rodrigues, que a reclama em carta dirigida a João da Mata, ouvidos ainda o próprio Joaquim Campos e o Júlio Proença.



"Se bem me lembro", ainda não há muito tempo se gerou, no "meio do Fado", semelhante conflito acerca da autoria de um fado a que, entretanto, foi dada outra autoria, igual e simplesmente apenas por causa "da forma de tocar", com a singela diferença de que, neste último caso, o mais recente autor insiste na sua razão...



De facto, a partir do momento em que o Fado se profissionalizou (e já lá vão largos anos), parece continuar a ser muito difícil ser prior de tal freguesia... "à qual muitas pessoas de valor ultimamente têm vindo e, no número das quais, sente muito em não querer ser" englobada esta vossa amiga...

terça-feira, julho 19, 2011

ARMANDO MOITEIRA - "Meu Portugal"



"Meu Portugal", de António Nestor, canta Armando Moiteira , no Pedro Rodrigues, acompanhado pelas guitarras de Álvaro Martins e de Manuel Costa e as violas de Joaquim dos Anjos e de Toni Gomes.

quinta-feira, junho 03, 2010

ANA MOURA - "Caso arrumado"

VÍDEO DE HOMENAGEM


Não te via há quase um mês / Chegaste e mais uma vez / Vinhas bem acompanhado / Sentaste-te à minha mesa / Como quem tem a certeza / Que somos caso arrumado // Ela não me queria ouvir / Mas tu pediste a sorrir / O nosso fado preferido / Fiz-te a vontade, cantei / E quando à mesa voltei / Ela já tinha saído // Não é a primeira vez / Que começamos a três / Eu vou cantar e depois / O nosso fado que eu canto / É sempre remédio santo / Acabamos só nós dois // Eu sei que tu vais voltar / P'ra de novo te livrar / De um caso sem solução / Vou cantar o nosso fado / Fica o teu caso arrumado / O nosso caso é que não.

Ana Moura interpreta, de Manuela de Freitas, no Pedro Rodrigues, este "Caso arrumado", cuja letra, tão curiosa quanto interessante, vale a pena aqui patentear, até mesmo porque reflecte, de certo modo, uma realidade tantas vezes vivida - a do "caso a três", remediado por um certo "nosso fado" que tem o poder de anular, sempre que necessário, o indesejado terceiro membro da relação e repôr o "nosso caso" a dois, eternamente arrumado... o reconhecimento e aceitação da infidelidade, sem dramatismos, a ajuda até na resolução desse deslize... isto é muito fadista! Lembra-me o "Fado Antigo", de Berta Cardoso, cuja letra, do Linhares, diz assim "...Eu ando cheia de ciúme / pelo meu bem que está ausente / É o rapaz mais valente / e também o mais infiel / Mas não me digam mal dele / Que eu não sou nenhuma santa..." Lindo! Quantas vezes ouvimos esta confissão?... Geralmente, os outros é que são infiéis!; nós, de santo/as, só nos falta o altar!...
Mas, o mais intrigante neste fado da Ana Moura é que, ao ouvi-lo, sempre me acorda a lembrança de um fado que ouvi na poderosa e inolvidável interpretação de Berta Cardoso e que, creio, pertence ao seu repertório, mas que apenas tenho na também superior versão de Fernanda Maria, "Candeia", de Frederico de Brito e J. Campos; oiçam lá, que vale a pena, embora o estado desta cópia não seja já dos melhores...

Não o via há tantos dias / Tinham dado avé Marias / Na capelinha da aldeia / Esperava por ele e não vinha / E como estava sozinha / Fui acender a candeia // Gemia o vento lá fora / Passa uma hora, outra hora / E ao romper da lua cheia / Ei-lo que vem meigo e doce / E fosse lá pelo que fosse / Tinha mais luz a candeia // Mil beijos, mil juramentos / E nesses loucos momentos / Toda a minha alma se enleia / Quis mostrar-me o amor seu / E jurou que era só meu / Pela luz daquela candeia // Mas vi-lhe a boca a tremer / Eu mesma não sei dizer / O que me veio à ideia / É que a verdade realça / Essa jura era tão falsa / Que se apagou a candeia.
E então?!... Se isto tem alguma coisa a ver!?... 'Tá bem, mas eu acho que sim, correcto? Há aqui umas associações fundamentais a que nem todos chegam, mas porém... é bom até, de vez em quando, dizer umas certas alarvidades... dá estatuto! Ah, pois é! A propósito, logo, lá te espero, na Procissão. Já sabes, se estiver com companhia, falamos depois... Claro, deixa lá... Isto, do Fado, é tramado, pá! Já estava aqui a lembrar-me doutro... os fados são como as cerejas Este ano estão um bocadito acres, p'ra meu gosto Não é isso... vêm uns atrás dos outros Ah, quem diria... como tu estás!... Eu, não é?! Ah, pois é!... :-)

domingo, maio 02, 2010

AMÉRICA ROSA - "Minha mãe porque nasci"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Com letra de José Guimarães e música de Pedro Rodrigues, trago-vos para hoje este fado, numa interpretação notável de América Rosa

quinta-feira, abril 15, 2010

MARIA DOLORES PRADERA - "Primavera"

VÍDEO DE HOMENAGEM

O Fado sempre encantou quem com ele se cruzou... é universal e cantado de ocidente a oriente...

Hoje, trago-vos Maria Dolores Pradera, http://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_Dolores_Pradera, notável "cantante" e actriz espanhola que aprecio imenso e que também gravou alguns fados, entre os quais "Primavera", uma letra de David Mourão-Ferreira, com música de Pedro Rodrigues, uma criação de outro expoente da cultura Ibérica, Amália Rodrigues.

Um enorme obrigada ao meu Amigo Jorge Falé, sem o qual este vídeo não teria sido possível!

sábado, janeiro 03, 2009

MANUEL DE ALMEIDA - "Omnipotência"



Mais uma voz do Fado, Manuel de Almeida, a interpretar uma letra muito curiosa de João Linhares Barbosa, no Pedro Rodrigues.
A nota biográfica fica a cargo, mais uma vez, do nosso amigo Vitor Marceneiro, do Lisboanoguiness
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/117819.html

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/60925.html

Mais este vídeo para todos os que gostam de fado e para os que não gostam PASSAREM A GOSTAR...
VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, julho 19, 2008

ILDA SILVA - "Quem diz"

Natural de Lisboa, Ilda Silva estreou-se como cantadeira profissional no Café Mondêgo, em 1 de Março de 1936.
Cantou em vários cinemas e teatros, em festas de beneficência e em casas fidalgas e também nos afamados Retiro da Severa, Solar da Alegria e Café Luso, entre outros.
Fonte: "Ídolos do Fado", 1937, A. Victor Machado
*
Este fado, com que aqui a lembramos, tem letra de Carlos Conde e música de Pedro Rodrigues.
* *
"Quem diz que o fado se aprende
Não conhece, não entende
suas doces melopeias.
O fado, para ser fado,
deve correr misturado
no sangue das nossas veias.
/
Quem diz que o génio fadista
Só com palmas se conquista
Deve sofrer de ilusão
Fadista não é quem canta
É quem filtra na garganta
O que sente o coração
/
Quem diz que o Fado não é
Uma cadência de Fé
Duma toada imortal
Não conhece, com certeza,
A canção mais portuguesa
Das canções de Portugal
/
No Fado, p'ra se vencer
Não basta apenas fazer
O amparo de gente amiga
O que é preciso é ter garra
Abraçar uma guitarra
E cantar uma cantiga"
VÍDEO DE HOMENAGEM