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domingo, fevereiro 19, 2012

Impossível ?!




Plat.

Jamais?!... 
Difícil, terá sido ?! Impossível, não foi!... 
Mais difícil, quase impossível mesmo, teria sido ganhar um Goya com um inédito :-) Fado versículo, mais que cantado e recantado por inúmeros fadistas, em variadíssimas letras, mas porém... Alguma razão,  apenas a génios acessível, há-de haver... Até lá, se lá chegar, que caminho tenho a percorrer! Para não perder tempo, vou mas é ouvir estes dois enormes intérpretes da Canção Nacional. Ora ouçam


domingo, fevereiro 28, 2010

ARGENTINA SANTOS - "Não sei se canto se rezo"

A exposição "Argentina Santos - Não sei se canto se rezo", ontem inaugurada no Museu do Fado e que estará patente ao público até ao próximo dia 30 de Abril, teve casa cheia e bem merece uma visita, mesmo de quem não aprecia estas coisas do Fado...
Desde logo, porque a exposição leva a assinatura de António Viana, que sempre sabe revestir estes espaços de uma certa magia, sem nada lhes retirar de realidade, dando-lhes o brilho certo; depois, porque vale a pena conhecer o percurso fadista de Argentina Santos, particularmente pelo que ele tem de invulgar.
Ontem, na inauguração, tal como estava anunciado, prestou-se uma breve homenagem à fadista, tendo-se ouvido as vozes de Ricardo Ribeiro, Ana Sofia Varela e Carlos do Carmo, nenhum deles tendo mencionado as autorias dos fados que cantaram, o que achei inusitado, dado o espaço e o acto, particularmente no que respeita à prestação de Carlos do Carmo que teve também a seu cargo a "oração de sapiência", no que esteve irrepreensível. Finalmente, Argentina Santos, que recupera ainda de um recente problema de saúde, brindou-nos com "a última lição"- um fado seu, que primou pela genuinidade e por essa grandeza de oferecer o que podia, para não desiludir o seu público que, mesmo assim, tanto queria ouvir essa "voz que é um pregão", como tantas vezes dela ouvi dizer Berta Cardoso.
Vale a pena o catálogo da exposição, belissimamente ilustrado e com textos de Sara Pereira e Sofia Bicho; apenas fiquei na dúvida se, como consta a páginas 27 do sobredito, o fado "A minha pronúncia", que ali se indica como sendo do repertório de Argentina Santos e ter letra da autoria de Alberto Rodrigues, será o mesmo que foi do repertório de Carolina Redondo, cuja letra se deve a Clemente J. Pereira e que, de facto, também Argentina Santos costuma cantar. Ora veja lá:
De resto, está de Parabéns a Argentina e o Museu!
Esperemos que outras homenagens estejam na forja...

domingo, agosto 24, 2008

CARLOS DO CARMO - "As três normas"


Este fado, cantado por Carlos do Carmo (1), na música do Fado da Azenha, de Frederico de Brito, tem uma magnífica letra de Carlos Conde, que evoca os três Macacos Sábios - Mizaru, Kikazaru e Iwazaru - e a sua mensagem de saber viver.
Diz assim:
"Para quem queira viver
Sem ralhar, sem discutir,
Três normas tem de adoptar
É ter olhos e não ver
Ouvidos e não ouvir
E ter boca e não falar"
... ... ... ...
É receita que dá, por certo, muito resultado, mas não é para todos. Antes de mais, é preciso ter temperamento ou feitio ou qualquer coisa assim para fingir que não se vê e não se ouve e... não falar; depois, é necessário muitos anos de aturado treino e uma grande dose de fdp... para passar a vida a fazer como o cavalo na parada... Mas há quem o faça e muito bem e fica, assim, sempre bem visto. Poderá ser até um tipo de sabedoria macacoide, mas que dá um resultadão, todos sabemos que dá, não é? "Caladinho é que eu sou lindo!" ou "O calado vence tudo", fazem parte do mesmo ideário, até mesmo porque "quem mais fala, mais erra" e, por isso e outras coisas mais, eu vou já calar-me para nem sair mais asneira nem entrar mosca; mas não sem antes aqui deixar estas palavras do poeta:
"Não fales, não sejas louco
Estuda o mundo de forma
A que o leves de vencida
Saber muito e falar pouco
Faz parte da boa norma
Com que se vence na vida"
divirta-se e medite que eu, eu vou a banhos!...

(1) Carlos do Carmo interpretou o "Fado da Saudade", no filme "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura, fado distinguido com o Prémio Goya 2008, na categoria de melhor canção ORIGINAL. Um fado da autoria de "Fernando Pinto do Amaral e Joaquim Campos", de acordo com a notícia em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/805948.html , que remata com a seguinte frase premonitória "De novo apenas poderá haver o facto de ser um fado a roubar o reconhecimento para a melhor canção original."
Relativamente à autoria da música, para além de Joaquim Campos, há também quem diga que se deve a Alfredo Marceneiro, o Fado Versículo, e quem defenda que aquele fado é simplesmente o Menor, embora com complemento de versículo, mas um versículo (tecnicamente) diferente... São, claro, opiniões de catedráticos do Fado e eu, que do fado só sei quanto o aprecio, fico calada; precisamente!... como o macaco! Mas, como estou só fingindo que não ouço, não vejo e não sei, sempre vou repetindo "Menor ou Versículo, original, é que esse fado não é e, esse, é o cerne da questão".
Voltamos a encontrar-nos na "rentrée", combinado?

VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, fevereiro 17, 2008

CARLOS DO CARMO - FADO DA SAUDADE




Este é um excerto do fado que ganhou este ano o Prémio Goya, atribuído pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas de Espanha à melhor Canção Original de filme, neste caso o contestado "Fados", de C. Saura.

Quando todos pensávamos "que bom, finalmente um prémio para Portugal", alguém levantou o dedo e disse "O REI VAI NU!..." Estala a polémica à qual me parece, porém, alhear-se o principal visado, Carlos do Carmo, que continua renitente, sem dar explicações públicas. Foi Vitor Marceneiro quem, na qualidade de herdeiro de Alfredo Marceneiro, levantou a celeuma e disse "mas que é lá isto, esta música é da autoria do meu avô, é o Fado Versículo, ou Pierrot, ou simplesmente Versículo, cantado e recantado por tantos e tão bons fadistas e agora quem recebe o prémio é o C.doC. e nem diz de quem é esta música..." Ora, no programa do Malato, quando este pergunta ao Carlos do Carmo de quem é a música do Fado Saudade, o Carlos responde um bocado atrapalhadamente que "é o Menor, do qual se desconhece o autor..." e não fala no Versículo, nem no Marceneiro. Mas noutras declarações, já C.doC. vem dizer "Nunca reclamei a autoria, é um fado menor em versículo que é uma forma musical de que o povo se apropriou, e a que cada um dá o seu estilo". Portanto, C.doC. parece aqui reconhecer que esta forma musical é mesmo o Fado Versículo, mas também parece não reconhecer a reclamada autoria de Alfredo Marceneiro...

O produtor do filme, Ivan Dias, declarou à Agência Lusa que o "Fado da saudade" "é um fado menor em versículo com arranjos dos músicos que acompanham Carlos do Carmo", assim parecendo também reconhecer tratar-se do Fado Versículo...

Acerca da matéria, muitos se pronunciaram a favor da tese defendida por Vitor Marceneiro, mas, "estranhamente", alguns profundos conhecedores de música veem a terreiro defender o NIM...
Para que não subsistam dúvidas, nos dois "posts" anteriores pode ouvir-se o Menor, pela Mariana Silva e o Versículo, pela Berta Cardoso. Parece-me que não há dúvidas que a música que o Carlos do Carmo canta com esta letra do F. Pinto do Amaral é mesmo o Versículo, que se encontra registado em nome do A.Marceneiro.


A questão que se coloca agora é "sendo a música a do Fado Versículo, poderia o prémio ter sido atribuído a este Fado, uma vez que o Regulamento determina que "Al Premio a la Mejor Canción Original podrán optar aquellas canciones, compuestas de letra y música, en las que ambas han de ser originales y creadas expresamente para la película. La canción debe ser claramente audible en algún momento a lo largo de la película, incluidos sus títulos de crédito"??? Se a palavra "original" tem ainda o mesmo significado, eu diria que não, uma vez que a música, embora com «arranjos novos», é precisamente a que o Marceneiro arranjou para a letra do Pierrot, há já umas décadas...

A situação criada é muito desagradável, tanto para Portugueses, como para Espanhóis, uns porque podem ficar sem o prémio, outros porque terão que reconhecer que, afinal, é de Portugal que nem bons ventos... Mas também, quem os manda a eles pronunciarem-se acerca de matérias que não conhecem?! Também por lá se usa! Não acredito que Carlos do Carmo tenha indicado outra autoria para a música; o que creio é que, simplesmente, não indicou! E os Académicos, que nunca tinham ouvido o Versículo e mesmo, se calhar, nenhum outro Fado, sauf quiçá algum da Amália, acharam lindo, que é, e premiaram. Vamos a ver, agora, como descalçam a bota... Que, calhando, nem há bota nenhuma para descalçar! Nós é que somos todos uns pobres de espírito, uns ignorantes, uns tontos... como a criança do REI VAI NU!... A música parece a do versículo, aquela forma musical de que o povo se apropriou..., mas não é, é uma forma musical completamente original e reabilitada com arranjos novos, embora aos ignorantes continue a parecer aquela mesma outra forma musical da autoria do Marceneiro, entendido?