quinta-feira, outubro 09, 2008

MARIA DA FÉ - "Divino Fado"

Maria da Fé, nome artístico de Maria da Conceição Costa Marques Gordo, natural do Porto, cidade que nos tem presenteado com notáveis fadistas, letristas, compositores e amantes de fado. O Fado, que é muito mais que Canção de Lisboa, é Canção Nacional que se anseia venha a ser reconhecida como Património Mundial.
Desde miúda, Maria da Fé sonhou ser fadista. E o sonho cumpriu-se. Aos 14 anos, Maria da Fé apresentou-se a cantar num concurso de cantadeiras amadoras, tendo ficado em 1º lugar. Aos dezoito anos vem para Lisboa onde começa a cantar em casas de fados, nomeadamente na Adega Machado, e posteriormente na Típóia, na Parreirinha e no Sr. Vinho, restaurante que inaugura, em 1975, de parceria com o marido José Luís Gordo (poeta-letrista) e com António Mello Corrêa (fadista). Integrou o grupo Entre Vozes (2000), ao lado de Alexandra, Alice Pires e Lenita Gentil. Dos seus muitos êxitos, cuja letra de grande parte dos quais se deve a seu marido, lembramos Valeu a Pena, Primeiro Amor, Cantarei Até Que A Voz Me Doa, Obrigado, Vento do Norte, Fado Errado e

Divino Fado


" Minha mãe, eu sou do tempo
Da força que a água tem
Sou do mistério do vento
Que não sabe donde vem.
Esta voz que canta em mim
Não a canta mais ninguém
Sou do Mistério do Fado
Que não sabe donde vem.


Minha mãe, dai-me o Talento
Que só o Poeta tem
Eu sou como o próprio vento
Que não sabe donde vem.
Minha mãe, o vosso amor
Pouco ou nada quase tem
Sou como a própria flor
Que não sabe donde vem.


Minha mãe, eu sou do tempo
Da força que o Fado tem
Sou do Mistério do vento
Que não sabe donde vem"


VÍDEO DE HOMENAGEM

JOSÉ MANUEL OSÓRIO - "Fado da Meia-Laranja"



José Manuel Osório é mais um nome incontornável no fado, não só como fadista, mas também como investigador e estudioso do Fado, com obra editada. Este fado, que lhe ouvi cantar, emocionada, há já alguns anos, numa noite, no "Tostão", continua a ser um dos meus preferidos, não só pela belíssima letra de José Luís Gordo, que tão bem tratou este tema tão difícil, como pela feliz escolha desta música de Joaquim Campos, como ainda pela superior interpretação de J. M. Osório.


Quem me dera saber escrever assim:


"Ali, à Meia-Laranja,


Meio-Inferno de Lisboa,


Onde a morte anda a viver


Há milhares de olhos baços


A vida tem tantos braços


Para a morte se esconder
....

Há punhais de infelicidade

Ali se mata a idade

no coração de Lisboa "

VÍDEO DE HOMENAGEM

ESTELA ALVES - "Contradição"















Um fado de Mário Junqueiro, interpretado por Estela Alves , que nos vai lembrando que "os olhos são o espelho da alma" e que "quem mais jura, mais mente":

"Por mais que queiras fingir / uma afeição que não sentes / não consegues iludir / quanto mais juras mais mentes.

Dizer que gostas de mim / é pura contradição / pois quando afirmas que sim / teu olhar sem fim / está dizendo não."

Ora oiça

VÍDEO DE HOMENAGEM

terça-feira, outubro 07, 2008

MARIANA SILVA - PARABÉNS!


"A Miúda do Alto do Pina"

Hoje, essa menina de laço, que figura na primeira página do Ecos de Portugal , ao lado da consagrada cantadeira Natividade Lopes e do notável cantador João Maria dos Anjos, hoje, essa menina que então contava apenas 14 anos, mas que a IGE (Inspecção Geral dos Espectáculos)autorizara a cantar, essa menina faz 75 anos de idade e 65 anos de cantigas!...

Estreou-se no Salão Monumental, ao lado da já então famosa Berta Cardoso; cantou em grande parte de Retiros e Casas de Fado, desde o Solar do Marceneiro, passando pela Adega Machado e Viela, à Parreirinha de Alfama, locais onde conheceu e cantou ainda ao lado de outros cantadores e cantadeiras históricos. Reconhecida como uma das grandes estilistas do Fado, foi, em 1952, eleita Rainha do Fado Menor. Com cerca de 16 anos, gravou o primeiro disco, para a etiqueta Estoril; gravou posteriormente para a Rapsódia, Alvorada e Orfeu.

De entre os seus maiores êxitos, destaco os fados por si criados: Erva da rua, de J.Linhares Barbosa e Armandinho; A Sina das Marianas, de J.Linhares Barbosa e J. António Sabrosa; Santa Mãe, de J.Linhares Barbosa e A.Marceneiro e Amar não é pecado, de Moita Girão e Pedro Rodrigues.

Este blog tem-lhe dedicado alguns posts
http://fadocravo.blogspot.com/2008/09/mariana-silva-e-assim-nasceu-o-fado.html


http://fadocravo.blogspot.com/2005/10/parabns.html#comments


http://fadocravo.blogspot.com/2006/10/parabns-mariana-silva.html#comments

e figura também no youtube

http://br.youtube.com/watch?v=97Y8jMpV0gs


http://br.youtube.com/watch?v=h894b_Ni9Q0


http://br.youtube.com/watch?v=shqGm8PJTkg

PARABÉNS! OBRIGADA! QUE PASSE UM DIA EXCELENTE!

domingo, outubro 05, 2008

RAUL PEREIRA - "Saudoso Fado"

VÍDEO DE HOMENAGEM


"...a nossa voz, em todo o lado,será, para nós, a porta-voz do nosso fado"

"Quem nunca ouviu, na velha Alfama, o som plangente,
a vibração duma guitarra pelas vielas
Nunca escutou esse queixume que anda ausente,
aquele fado que embarcou nas Caravelas
....
Quem nunca ouviu, no Bairro Alto e Madragoa,
vozes fadistas em vibrantes desgarradas
Nunca escutou, nas velhas ruas de Lisboa,
todo o encanto das saudosas madrugadas
...
Quem não viveu, naquele tempo da nobreza,
junto aos plebeus, na Mouraria, em comunhão
Deve ter pena em não viver toda a grandeza
daquele Fado que nos fala a Tradição
... "

quinta-feira, outubro 02, 2008

ANA ROSMANINHO - "Saudades do Brasil em Portugal"

Mais uma vez a Saudade... sempre a Saudade!...
Vinicius de Moraes, brilhantemente interpretado por Ana Rosmaninho.

VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, outubro 01, 2008

ANTÓNIO MOURÃO - "A Noite"

À noite é que o Fado mais acontece!...
De Vasco de Lima Couto e Maximiano de Sousa(Max), letra e música, respectivamente, este fado na voz inconfundível de António Mourão

VÍDEO DE HOMENAGEM

Notas biográficas do fadista:
http://www.macua.org/biografias/antoniomourao.html

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/79373.html

Plat.

terça-feira, setembro 30, 2008

TRONO DO FADO


















Era este o elenco do Retiro da Severa, em 1938:
- Berta Cardoso - - Mª Emília Ferreira -
- Mª do Carmo Torres - Alfredo Duarte (Marceneiro) - Deonilde Gouveia -
- Arminda Vidal - Carmen Santos / José Pereira / José Tovar / Alberto Ribeiro / Jaime Silva / Manuel Pereira - Lucília do Carmo -
- X. Pinto - Armandinho / José Marques (Guitarristas) - Júlio Proença / José Porfírio -
- Alfredo Costa / Abel Negrão / Santos Moreira (Violistas) -
Se fosse agora, estava lá caída todas as noites!...

domingo, setembro 14, 2008

TEREZA TAROUCA - "Fado do cartaz"

Interpretado por Tereza Tarouca, na Marcha do Marceneiro, o "Fado do Cartaz", com letra de Manuel Andrade. No vídeo, esta informação está errada, dado ter-se optado por manter as indicações constantes no fonograma original...
Aqui encontra um apontamento biográfico acerca da fadista

Atenção
O musical "Fado… esse malandro vadio!" de João Núncio estreia dia 30 de Outubro no teatro-auditório do Casino Estoril, com a participação especial de Teresa Tarouca.

VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, setembro 13, 2008

VICENTE DA CÂMARA - "Milagre de Santo António"

Vicente da Câmara escreveu e interpreta, Na Marcha da Mª Vitória, este "Milagre de Santo António".

Para saber mais sobre Vicente da Câmara, vá por aqui

http://www.macua.org/biografias/vicentedacamara.html


VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, setembro 10, 2008

MARIA TERESA DE NORONHA - "Mataram a Mouraria"


O estilo inconfundível de Mª Teresa de Noronha (Paraty), Condessa de Sabrosa, pelo seu casamento com D. José António Serôdio, guitarrista amador e grande amante de Fado, neste fado com letra de José Mariano, interpretado na Marcha de Manuel Maria, e que diz assim:

"...Enquanto houver portugueses / Ninguém diga em Portugal / Que vai morrendo o passado".


Notas biográficas em português http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/54209.html


em inglês http://fadous.blogspot.com/search/label/maria%20teresa%20de%20noronha

e em espanhol
http://guitarrasdelisboa.blogspot.com/2009/09/maria-teresa-de-noronha.html#links

VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, setembro 07, 2008

FREI HERMANO DA CÂMARA - "Minha mãe, nasci fadista"


"...mora fado no meu peito / não se canse, não insista / não há ninguém que desista / quando vive satisfeito..."

Autores da letra e música- Hermano Sobral e Hermano da Câmara

Nota biográfica

O grande amor à música, e em especial ao fado, vai levar o jovem D. Hermano Cabral da Câmara a juvenis fadistadas com seus irmãos. Tal não é de admirar, havendo ele nascido, em 1934, numa família de aristocratas e fadistas.Grava o seu primeiro disco no circuito comercial em 1959, Sunset and Sentimental, onde se encontram temas ainda hoje conhecidos, como Colchetes de Oiro. Rapidamente a sua voz, muito particular, conquistará o coração de inúmeros fãs.Com 27 anos decide, bruscamente, tornar-se monge beneditino. Desta resolução nasce o mítico Fado da Despedida. Ao longo dos anos, e com a abertura proporcionada pelo Concílio Vaticano II, Frei Hermano da Câmara voltará a gravar temas, marcados pela sua vocação religiosa, onde a sua voz continua a revelar o fulgor que o distinguiu.
PRINCIPAIS ÊXITOS: Colchetes de Oiro, Minha Mãe, Olhos Negros, Guitarra Chora Que eu Canto, O Rapaz da Camisola Verde, Os Teus Olhos São Passarinhos, Ave Maria, Jesus, Sede de Infinito.
(in http://www.macua.org/biografias/freihermanodacamara.html )

"...fado é triste solidão / fado existe em todos nós / cantar fado é um condão / é dar fala ao coração / e viver com essa voz..."

Vídeo de Homenagem

http://fadocravo.blogspot.com/2006/08/fado-de-lisboa.html

sexta-feira, setembro 05, 2008

MARIANA SILVA - "E assim nasceu o fado"


Uma quadra de J. Linhares Barbosa, glosada por Joaquim da Silva, interpretada no Fado das Horas (ou será simplesmente o Mouraria estilizado?!) por Mariana Silva.

E ASSIM NASCEU O FADO

Repertório de Mariana Silva

Quando Deus criou as rosas
Neste país encantado
Caiu uma, desfolhou-se,
E dela nasceu o Fado.


Não havia uma canção
Entre as canções amorosas
Que despertasse a paixão
Quando Deus criou as rosas.

Mas quis o Bom Criador
Que uma lá do seu agrado
Fosse uma canção de amor
Neste país encantado.

Ou por divina magia
Ou fosse lá pelo que fosse
Ao despontar certo dia
Caiu uma, desfolhou-se.

Segundo a lenda nos narra
Foi disposta com cuidado
Nas cordas duma guitarra
E dela nasceu o Fado.

Joaquim da Silva

Vídeo de Homenagem

FÉRIAS



















As férias de Agosto em 1913.
Uma crónica de Júlio Dantas.

Verdade?!...

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quinta-feira, agosto 28, 2008

MANUEL SIMÕES











Foi com sentido pesar que hoje tive conhecimento, através da APAF, da morte de Manuel Simões, da Estoril Discos, proprietário da Discoteca Amália, fundador e Presidente do Conselho de Administração da Fundação Manuel Simões, fundação com "fins de carácter cultural, nomeadamente a difusão do Fado como Canção Urbana de Lisboa, bem como os de beneficência e solidariedade social" (artº 5º dos Estatutos).
Tive o prazer de conhecer este cavalheiro no ano de 1992, quando reeditou uma das (como lhes chama) "intérpretes míticas" do fado -Berta Cardoso-, que já editara nos anos 50; foi com enorme carinho e também com imenso profissionalismo que foi pensado e editado esse CD- edição especial, numerada e autografada- que, penso, será o único registo comercialmente disponível da artista.
O Sr. Manuel Simões fez o favor de me distinguir com a sua amizade e granjeou a minha; Lembrá-lo-ei sempre e a minha admiração perdurará por esse homem sabedor, empreendedor, simples, honesto e apaixonado pelo Fado que sempre soube ser.
Creio que é importante termos uma imagem do homenageado; a única foto que tenho de Manuel Simões é integrado em grupo, sendo o 5º a contar da esquerda; encontra-se acompanhado de João Capela, Pedro Moutinho, Maestro Tavares Belo, Francisco José e José António, o último da esq. p/a a dir.
À família enlutada, os meus sentidos pêsames.

domingo, agosto 24, 2008

CARLOS DO CARMO - "As três normas"


Este fado, cantado por Carlos do Carmo (1), na música do Fado da Azenha, de Frederico de Brito, tem uma magnífica letra de Carlos Conde, que evoca os três Macacos Sábios - Mizaru, Kikazaru e Iwazaru - e a sua mensagem de saber viver.
Diz assim:
"Para quem queira viver
Sem ralhar, sem discutir,
Três normas tem de adoptar
É ter olhos e não ver
Ouvidos e não ouvir
E ter boca e não falar"
... ... ... ...
É receita que dá, por certo, muito resultado, mas não é para todos. Antes de mais, é preciso ter temperamento ou feitio ou qualquer coisa assim para fingir que não se vê e não se ouve e... não falar; depois, é necessário muitos anos de aturado treino e uma grande dose de fdp... para passar a vida a fazer como o cavalo na parada... Mas há quem o faça e muito bem e fica, assim, sempre bem visto. Poderá ser até um tipo de sabedoria macacoide, mas que dá um resultadão, todos sabemos que dá, não é? "Caladinho é que eu sou lindo!" ou "O calado vence tudo", fazem parte do mesmo ideário, até mesmo porque "quem mais fala, mais erra" e, por isso e outras coisas mais, eu vou já calar-me para nem sair mais asneira nem entrar mosca; mas não sem antes aqui deixar estas palavras do poeta:
"Não fales, não sejas louco
Estuda o mundo de forma
A que o leves de vencida
Saber muito e falar pouco
Faz parte da boa norma
Com que se vence na vida"
divirta-se e medite que eu, eu vou a banhos!...

(1) Carlos do Carmo interpretou o "Fado da Saudade", no filme "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura, fado distinguido com o Prémio Goya 2008, na categoria de melhor canção ORIGINAL. Um fado da autoria de "Fernando Pinto do Amaral e Joaquim Campos", de acordo com a notícia em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/805948.html , que remata com a seguinte frase premonitória "De novo apenas poderá haver o facto de ser um fado a roubar o reconhecimento para a melhor canção original."
Relativamente à autoria da música, para além de Joaquim Campos, há também quem diga que se deve a Alfredo Marceneiro, o Fado Versículo, e quem defenda que aquele fado é simplesmente o Menor, embora com complemento de versículo, mas um versículo (tecnicamente) diferente... São, claro, opiniões de catedráticos do Fado e eu, que do fado só sei quanto o aprecio, fico calada; precisamente!... como o macaco! Mas, como estou só fingindo que não ouço, não vejo e não sei, sempre vou repetindo "Menor ou Versículo, original, é que esse fado não é e, esse, é o cerne da questão".
Voltamos a encontrar-nos na "rentrée", combinado?

VÍDEO DE HOMENAGEM

sexta-feira, agosto 22, 2008

"Lembrança é quase presença"

Durante estes últimos meses, aqui foram lembrados ilustres fadistas, alguns da "velha guarda", outros contemporâneos e, desses, alguns ainda no activo. Lembrados foram também os poetas de fado e compositores musicais, alguns deles instrumentistas. Nesta "Tribuna do Fado" falta ainda incluir muitos que, espero, terei ocasião de lembrar de igual modo.

Só morrem os que esquecemos.
Estar vivo é ser lembrado (mas também pode ser "o contrário de estar morto", como diria a tia mais tia de Portugal e arredores).
Como disse o poeta, "lembrança é quase presença"!...

Recordámos os intérpretes:

Alfredo Duarte "Marceneiro"; Alfredo Duarte Jor; Alberto Costa; Amália Rodrigues; Ana Rosmaninho; António Rocha; Adélia Pedrosa; Artur Batalha; Adelina Ramos; Argentina Santos; António Mourão; António Mello Corrêa;

Berta Cardoso; Beatriz da Conceição;

Celeste Rodrigues; Carlos Duarte; Carlos Ramos; Carlos Zel; Cândida Ramos; Carlos do Carmo;

Ercília Costa; Ermelinda Vitória;

Flora Pereira; Fernanda Maria; Fernando Farinha; Frutuoso França; Fernando Maurício; Fernanda Baptista; Filipe Pinto;

Gabino Ferreira;

Hermínia Silva; Hermano da Câmara (Frei);

Ilda Silva;

Júlio Peres; Júlio Vieitas; Júlia Chaves; José Porfírio; José Coelho; Joaquim Silveirinha; José Freire;

Lucília do Carmo; Lina Maria Alves; Linda Leonardo;

Mariana Silva; Madalena de Melo; Maria Emília Ferreira; Maria Alice; Maria do Carmo Torres; Maria de Lourdes Machado; Maria José da Guia; Maria Amélia Proença; Mercês da Cunha Rego; Max; Manuel Calisto;

Natália dos Anjos;

Rodrigo; Raul Pereira;

Recordámos os autores:

António Botto; Armando Neves; Alberto Janes; Amadeu do Vale; Ary dos Santos; Amália Rodrigues; Artur Ribeiro; Alberto Rodrigues; Américo M. dos Santos; A. Pessoa; Alfredo Duarte "Marceneiro"; Armando Machado; Alberto Costa; Armando Freire "Armandinho"; António Chainho; António Mourão;
Baptista Lourenço;

Carlos Conde; Clemente Pereira; Castelo B. Mota; Casimiro Ramos; Carlos Gonçalves;

Domingos Gonçalves Costa; David José; Daniel Gouveia;

Eduardo Damas; E. Costa;

Fernando Teles; Fernando Farinha; Florbela Espanca; Fernando Pinto Coelho; Frutuoso França; F. Pinto do Amaral; Francisco Viana "Vianinha"; Frederico Valério; Fernando Peres; Franklim Godinho; Filipe Pinto; Francisco José Marques;

Gabriel de Oliveira; Guilherme Pereira da Rosa; Gabino Ferreira; G. Teles;

Henrique Rego; Hortense V. César; Henrique Perry; Hermano da Câmara (Frei);

Ivete Pessoa;

João Linhares Barbosa; Joaquim Frederico de Brito; João da Mata; João de Freitas; João Dias; Júlio Vieitas; Jorge Rosa; José Luís Gordo; Jaime Lúcio; José de O. Cosme; Jaime Santos; Jaime Mendes; J. Fontes Rocha; Júlio Calado; Júlio Proença; José Bacalhau; José Marques; J. António Sabrosa; J. Pereira; J. Fontes; J. Campos; J. M. Nóbrega; J. Negro;

Lopes Victor;

Maria Manuel Cid; Miguel Torga; Manuel Pardal; Miguel Ramos; Manuel Soares Portugal; Mário Silva; Mário Gonçalves Teixeira; Martinho d'Assunção;

Paco Gonzalez; Paulo Vidal; Pedro Rodrigues;

Raul Ferrão; Raul Portela; Raul Pinto;

Tiago Torres da Silva;

Vasco de Lima Couto; Varela Silva


segunda-feira, agosto 11, 2008

MERCÊS DA CUNHA REGO - "Cavalo russo"



Há fados assim... pode muita gente cantá-los, mas ficam para sempre colados a um nome... Este é um caso - o "Cavalo russo" ...da Mercês.
De Paulo Vidal e Frederico Valério, a interpretação de Mercês da C. Rego, para recordar
VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, agosto 10, 2008

ANTÓNIO MELLO CORRÊA - "Toirito negro"


Mª Manuel Cid escreveu, F. Rocha musicou, António M. Corrêa canta este fado que evoca o Ribatejo.
Para saber mais sobre este fadista, pode ir ao blog
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/antónio+melo+correia

VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, agosto 03, 2008

MARIA DE LOURDES MACHADO - "Balança, balança"

















Com letra de Ivete Pessoa e música de Armando Machado, este fado que convida a um mergulho nas águas calmas do Portinho, depois de um passeio pela serra da Arrábida... Mª de Lourdes Machado, a criadora do fado "A mulher que já foi tua", e também deste, presta homenagem ao seu Portinho d'Arrábida, onde tinha casa e donde vinha sempre "com saudades de não poder lá ficar"... Atrevo-me a dizer que é sentimento comum a quem lá vai; apetece mesmo lá ficar a admirar aquela serra maravilhosa que o mar refresca.

Para ver a letra do fado, pode seguir este caminho

http://fadocravo.blogspot.com/2006_11_01_archive.html


VÍDEO DE HOMENAGEM


sábado, agosto 02, 2008

ALBERTO COSTA - "Boneca de loiça"



Letra de Alberto Rodrigues, interpretação de Alberto Costa. Este fadista actuou, durante algum tempo, n' "A Parreirinha", mas a foto que se encontra no vídeo foi tirada n' "O Faia", podendo ver-se, para além de Alberto Costa, o 2º a contar da esquerda, Martinho d'Assunção, Amália, Linhares Barbosa, Berta e F. Carvalhinho. Full de ases!...
VÍDEO DE HOMENAGEM

terça-feira, julho 29, 2008

ADELINA RAMOS - "Não passes com ela à minha rua"

Só hoje tive conhecimento do falecimento, no passado dia 26, de Adelina Ramos, aos 92 anos, intérprete maior deste fado, inicialmente intitulado "Foste meu", com música de Casimiro Ramos e letra de Carlos Conde, que o escreveu para o repertório de Maria da Saudade.

*
Gostaria de ter sabido a tempo e, como eu, provavelmente muito mais pessoas que conheceram a fadista e lhe teriam querido prestar a última homenagem; mas, mais uma vez, a informação falhou, não chegando, em devido tempo, onde devia, ou, tendo chegado, não foi dada a importância devida...

*
Agradeço à APAF a informação que divulgou, tão logo teve conhecimento do facto, assim permitindo que, embora tardiamente, eu possa ainda prestar esta minha sentida homenagem a Adelina Ramos, que tantas vezes ouvi n' "A Tipóia", em boa companhia...



Um beijo de despedida

VÍDEO DE HOMENAGEM

Para saber mais, aceda às páginas

http://fadocravo.blogspot.com/2006/10/recordar-berta-cardoso.html#comments

http://www.fotolog.com/parquemayer1/45832993

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=972915

domingo, julho 27, 2008

CARLOS ZEL - "Mestre João Núncio"


Com letra de Mª Manuel Cid, Carlos Zel canta, no Fado Mouraria, este "Mestre João Núncio", uma homenagem a essa figura maior do toureio a cavalo, que ficou conhecido como "O Califa de Alcácer", alcunha que lhe foi dada pelo cronista e aficionado D. Bernardo da Costa.
João Núncio, um português que faz parte da história de Portugal, pela sua arte, o seu trabalho e os seus valores morais.

Carlos Zel presta homenagem a Mestre João Núncio e eu, com este vídeo, presto a minha modesta homenagem a estes dois portugueses que muito admiro, não só pelo incontestável valor artístico de cada um, mas principalmente pela coragem, comum a ambos.
VÍDEO DE HOMENAGEM

Em Novembro de 1976, no primeiro número da revista “A Semana”, de Miguel de Araújo, surgiu uma comovente despedida a João Branco Núncio, na hora do seu desaparecimento. Foi escrita por Mascarenhas Barreto, multifacetado autor, muito mais conhecido pelas suas incursões na História (o “Colombo Português”) do que pela sua vertente de aficionado. Aqui fica essa vibrante homenagem a Mestre João Branco Núncio (a ele que nunca gostou que lhe chamassem mestre...), o maior vulto da tauromaquia portuguesa, nobre figura de alentejano, cavaleiro e lavrador.

UM HOMEM: João Branco Núncio Que outra figura poderia escolher para breve antecâmara de crónicas taurinas? Raros homens, neste século de galopante putrefacção do carácter, reuniram, como ele, tão altas virtudes de português autêntico: o amor à terra, a coragem moral e física, a generosidade discreta - quase humilde - o sacrifício abnegado nas mais cruéis circunstâncias. Vejo-o fechando na mão tisnada um punhado de torrão seco, enquanto os olhos perscrutavam um céu desesperadamente nu de ansiada chuva. Na luta contra a terra, conquistara honradamente os frutos que generosos só são quando por eles se sangra um trabalho tenaz, constante. Vejo-o fechando na mão tisnada o ferro com que, nas arenas ardentes de sol e emoção, desafiava o toiro, na mais nobre e tradicional festa popular portuguesa. Na luta contra a fera, soubera grangear o mais alto troféu de um toireiro: a admiração, o amor do povo que, ali, com ele se irmanava na valentia instintiva, no gosto por essa arte cinética secular. Vejo-o, enfim, fechando na mão tisnada as rédeas amargas, quando vilmente espoliado da enxada que sempre trouxera na carne para desbravar a terra, empunhava agora a única que lhe restava - na alma: a do toireio equestre. A este trouxera a inovação, o sentido simplista de síntese e medidas, e uma grandeza inolvidável. Não só como Centauro se oferecera aos toiros. De igual, lidava-os a pé, de capote e muleta; corria-os em campo aberto, na euforia do derrube, no apadrinhamento da apartação dos bezerros - a mesma euforia e também o mesmo anseio criador com que sofria o despontar e o envigorar das searas, dos arrozais, da vida que só a terra dá e o homem rouba... Com Núncio passou o toireio equestre a definir-se por axiomas diferentes, magistrais. Poder-se-à dizer que se tornou fronteira de estilos na lide montada: antes de Núncio; depois de Núncio. Contudo, na sua modéstia natural parecia não se aperceber de que criara uma nova era tauromáquica que seus contemporâneos seguiriam: os cânones nuncistas. Como Juan Belmonte, para o toireio a pé, João Núncio foi expoente máximo para o toireio a cavalo. Em crónica futura se falará desta Arte. Nasceu João Alves Branco Núncio a 15 de Fevereiro de 1901, na Herdade de Parchanas, de São Romão, para onde seu avô, Joaquim Mendes Núncio, lavrador da Golegã, se trasladara, em 1878. Aí, em Alcácer do Sal, cingiu esporas. Aos 13 anos, a 23 de Agosto de 1914, toireou pela primeira vez em público, num cavalo - Teodoro - que fora de Manuel Casimiro, quando a glória da "Festa Brava" equestre se disputava entre este cavaleiro e o Morgado de Covas. Depois, alternando com seu pai, Inácio Augusto Murteira, surgiu na Praça de Évora, a 20 de Setembro desse mesmo ano, "não apenas como um caso de precocidade, mas também, e principalmente, como deslumbrante revelação artística" - aplaudiu a crítica: era a sua segunda corrida. Finalmente, veio a hora da regra tradicional: na tarde de 27 de Maio de 1923, António Luís Lopes concedeu-lhe a alternativa, na Praça do Campo Pequeno. Ele próprio a concederia, mais tarde, a onze cavaleiros tauromáquicos: Dr. Fernando de Andrade Salgueiro e Dom Vasco Jardim (1938), Francisco Murteira Correia (1943), Eng.° José Rosa Rodrigues (1944), Dom Francisco de Mascarenhas (1945), Francisco Sepúlveda (1952), Gastón dos Santos (1954), seu filho, Eng.° José Barahona Núncio (1962), Eng.° José Samuel Lupi e Alfredo Conde (1963), Frederico Cunha (1968) e José João Zoio (1972). Em Espanha, onde múltiplas vezes ergueu as praças de entusiasmo e admiração, foi o primeiro cavaleiro português a matar toiros, a cavalo, a estoque. Em Portugal, consagrou-o o povo como sendo "o maior". Era-o, de facto: o maior vulto da história do toireio a cavalo em todo o mundo. Depois, não mais parou de empolgar as arenas, senão quando o acidente da queda de um cavalo aniquilou seu filho e o desgostou para sempre de honrarias, ovações. Contudo, aos 75 anos - salvados três cavalos do assalto infame da negra saga de ocupações predatórias - não lhe faltou coragem para enfrentar, de novo, a vida nos redondéis. Por fim, na Golegã, quando serenamente preparava um dos corcéis, veio a enfrentar a morte - derradeiramente. Estava a cavalo, enforquilhado na sua sela-charrua; pés bem firmes nos estribos da honradez, da dignidade. Pelos olhos nublados, entre terra e céu, ter-lhe-iam desfilado, nos cenários edénicos verde-azuis das lezírias e calmosos verde-pardos das charnecas, essas montadas fiéis em que se prolongara a sua imagem cavaleira: Relâmpago, Santander, Pregonero, Alpompé, Lidador, Numerário, Quo Vadis, Pincelim, Sultão, Gaio, Malhinha, Marialva, Temporal, Gaiato, Ribatejo, Glorioso, Garoto e tantos outros, crinas ao vento, alados como pégasos. Também os toiros, não como adversários de violência animal, mas como nobres lutadores leais (que não os homens semeadores de ódio) e sobretudo aquele inesquecível Trompeta que foi base da sua ganadaria de sangue Urquijo. Inscreveu-se Núncio ao centro de um triângulo: Toiro, Cavalo, Terra. Triângulo iluminado de amor, quase signo da Pátria que ele visceralmente vivia. Nunca a traiu. Quem da vida faz altar de trabalho e esperança não pode - não sabe trair. À terra desceu, entre o amor dos homens - não da escassa escumalha arrebanhada por traidores rapaces, mas do povo-Povo, em cujas veias corre sangue puro, como os ares lavados das manhãs campestres: seiva da própria terra. Morto para a Pátria - com a Pátria -, outro triângulo mais alto o ilumina: o signo de Deus.
Mascarenhas Barreto

Ao lembrar João Branco Núncio, necessário se torna lembrar também os seus belíssimos cavalos-toureiros, "essas montadas fiéis em que se prolongara a sua imagem cavaleira", como se refere no texto acima transcrito, de Mascarenhas Barreto.

Aqui vos deixo esta pérola, retirada do Século Ilustrado de 13 de Fevereiro de 1943, que encontrei aqui http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/ (um blog de referência), uma "entrevista" ao famoso cavalo ALPOMPÉ.





































sexta-feira, julho 25, 2008

FERNANDA BAPTISTA - "Fado do toureiro"


Fernanda Baptista (1920-2008) foi essencialmente uma fadista do teatro, dona de uma voz potente que, tal como Berta Cardoso, se fazia ouvir nas salas de espectáculo, sem microfone, nos lugares mais distantes do palco. Este fado musicado, da autoria de Amadeu do Vale e de Raul Ferrão, é a homenagem possível que aqui lhe presto, após ter tido conhecimento da sua morte, hoje.
Para saber mais http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/

VÍDEO DE HOMENAGEM

quinta-feira, julho 24, 2008

Mª AMÉLIA PROENÇA - "Campinos"















"Maria Amélia Proença continua hoje senhora de um timbre de voz único autenticamente lisboeta e fadista, senhora de uma apurada interpretação! A sua vida é uma história do fado." N.L. (jornalista)


"Esta sim é a fadista mais antiga no activo e em pleno! Continua com magnífica voz e excelente dicção, timbre fadista e genuíno!" Anónimo


Estes são dois dos comentários que mereceu o post que há cerca de um ano fiz sobre esta fadista que muito prezo. Mais uma vez agradeço aos que comentam o meu trabalho e que, desse modo, me ajudam a informar, a melhorar e corrigir e que desempenham o importante papel de interlocutor, participante neste trabalho que é feito em prol do Fado e de todos que, como eu, admiram e amam este tão genuíno e singular modo de ser português do/no Mundo.


Hoje, na sua voz tão característica, vamos ouvir Mª Amélia Proença no fado "Campinos", autoria de Clemente Pereira e Baptista Lourenço, uma homenagem a esses homens valentes das lezírias e ao mundo rural que, noutros tempos, a canção urbana não esquecia...
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domingo, julho 20, 2008

GABINO FERREIRA - "Alfama"
















Henrique Perry escreveu a letra e J. Campos musicou este fado "Alfama" que pode escutar aí

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Acerca deste fadista, recomendo a leitura deste artigo, por Antón García-Fernández

sábado, julho 19, 2008

COM'PAÇO











Sob um sol escaldante, em pleno Terreiro do Paço, onde as sombras não abundam, 4 estóicas Bandas - a do Ateneu Artístico Vilafranquense, a dos Empregados da Carris, a da Sociedade Filarmónica União e Capricho Olivalense e a da Aculma-Marvila -, tocavam, estorricando...




... sem espaço próprio, com'gente por todos os lados...

Seguidamente, os Concertos realizaram-se em local coberto para as Bandas, mas o público, coitado, é que teria que estar sentado ao sol... mas não esteve... as cadeiras estavam vazias, excepto as que recebiam alguma sombra de uns chapéus plantados em linha...



Esta ideia do Festival de Bandas de Lisboa é óptima, mas a organização, meu Deus!



Com este calor, porque não aproveitar o coreto do Jardim da Estrela e a sombra aprazível das suas árvores centenárias?




















Aqui fica a sugestão, caros organizadores!

ILDA SILVA - "Quem diz"

Natural de Lisboa, Ilda Silva estreou-se como cantadeira profissional no Café Mondêgo, em 1 de Março de 1936.
Cantou em vários cinemas e teatros, em festas de beneficência e em casas fidalgas e também nos afamados Retiro da Severa, Solar da Alegria e Café Luso, entre outros.
Fonte: "Ídolos do Fado", 1937, A. Victor Machado
*
Este fado, com que aqui a lembramos, tem letra de Carlos Conde e música de Pedro Rodrigues.
* *
"Quem diz que o fado se aprende
Não conhece, não entende
suas doces melopeias.
O fado, para ser fado,
deve correr misturado
no sangue das nossas veias.
/
Quem diz que o génio fadista
Só com palmas se conquista
Deve sofrer de ilusão
Fadista não é quem canta
É quem filtra na garganta
O que sente o coração
/
Quem diz que o Fado não é
Uma cadência de Fé
Duma toada imortal
Não conhece, com certeza,
A canção mais portuguesa
Das canções de Portugal
/
No Fado, p'ra se vencer
Não basta apenas fazer
O amparo de gente amiga
O que é preciso é ter garra
Abraçar uma guitarra
E cantar uma cantiga"
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domingo, julho 13, 2008

JÚLIO PERES - "Velho faroleiro"

Este fado, criação de Júlio Peres (1909-1995), tem letra de João de Freitas e música de Alfredo Duarte. Para saber mais sobre este fadista da "velha guarda" vá aqui http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/...

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sábado, julho 12, 2008

CELESTE RODRIGUES - "As ruas"


"Nasci fadista e sempre serei fadista", diz Celeste Rodrigues; o que se disser para além disto, pouco importa; importante mesmo é ouvir esta voz que é Fado! Letra de Castelo B. Mota e música de José M. Nóbrega.
VÍDEO DE HOMENAGEM

Para saber mais acerca de Celeste Rodrigues, vá a http://www.celesterodrigues.pt/
Em inglês, o artigo de Antón Garcia-Fernandez

domingo, julho 06, 2008

FERNANDO MAURÍCIO - "Na Mouraria"






















Fernando Maurício (1933-2003), nascido na R. do Capelão, no coração da Mouraria, um bairro de grandes tradições fadistas, dono de uma voz inconfundível, é um marco na História do Fado.

Acerca dele, Victor Reis, do blog http://ideotario.blogspot.com/
escreveu este belíssimo texto que transcrevo:

"Quarta-feira, Julho 16, 2003
o último fado de Fernando Maurício
Nas minhas andanças pelo mundo, no tempo que passa sem sentirmos, deixei-me vadiar pelas casas de fado, especialmente aquelas onde se cantava o fado amador e espontâneo, em ambiente simultaneamente rasca e fidalgo, numa perfeita comunhão do querer e do sentir. Na chamada “Linha”: Cascais, Birre, Alcabideche frequentei com alguma assiduidade O Tabuinhas, O Arreda, O Estribo e O Estribinho e pela Madragoa, em Lisboa, o Timpanas, a Cesária e o Solar da Madragoa, onde se ouvia o fado vadio até à exaustão e onde pontuavam figuras que pela sua forma de vida e pelo casticismo do seu cantar se transformaram em ícones de um imaginário fadista e da fadistagem. Alto, elegante, com um carismático bigode foi envelhecendo neste caminho, foram-lhe despontando cãs que lhe davam mais encanto e encantando-nos com sua voz, especialmente com o fadistar de “A Igreja de Santo Estevão”. Voz profunda, olhar penetrante não demos importância ao tempo que ia passando. Sempre pronto a partilhar a sua arte muito gostava de sair “fora de portas”, atravessar o rio e de Cacilhas, já não de burro que isso teria sido nos finais do século XIX, vir para junto do mar, e onde o fado fosse batido, num improvisado tasco de um parque de campismo ou na nobreza do Convento dos Capuchos, cantar o fado. Mas os contadores do tempo não param, mesmo quando estamos menos atentos e não sentimos a areia da ampulheta a esgotar. Fernando Maurício foi tudo isso. A fadistagem está mais pobre. Enriquecidos estarão sempre os que tiveram o privilégio de o conhecer e de o ouvir."

"Na Mouraria", do repertório de Natália dos Anjos, com letra de Gabriel de Oliveira e música de J. Pereira, é o fado que Fernando Maurício interpreta neste

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sábado, julho 05, 2008

Mª DO CARMO TORRES - "Mª da Graça"

Das poucas gravações que nos chegaram de Mª do Carmo Torres, que faleceu na década de (19)50, escolhi este fado "Mª da Graça", com uma letra bastante curiosa...

"Maria da Graça é uma
cachopa de olhos em brasa
vive sozinha, não fuma,
mas tem cinzeiros em casa..."

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A quadra inicial é de Augusto Gil, in "O Canto da Cigarra"(1910)


sábado, junho 28, 2008

NATÁLIA DOS ANJOS - "Cigarra e formiga"


Natália dos Anjos (1913-1991), fadista e autora de letras de fado, natural de Lisboa, começou a cantar em sociedades de recreio, desde criança. Cantou, também como amadora, no Retiro da Severa, onde ficou contratada logo após a profissionalização, em 1936.
A letra deste fado é, de certo modo, autobiográfica. De facto, durante alguns anos, Natália dos Anjos era vendedeira durante o dia (tinha, com a mãe, um lugar de venda de aves na Praça da Figueira, que era considerado um dos mercados mais elegantes da Europa e que encerrou em 30.06.1949, tendo sido demolido posteriormente) e cantadeira à noite.
"Eu sou cigarra e formiga
pois vivo desta maneira
sou modesta rapariga
de noite boto cantiga
de dia sou vendedeira"
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domingo, junho 22, 2008

FRUTUOSO FRANÇA - "Elogio rural"















Tão pouco se fala deste fadista!...


Vale a pena ler a crónica "Frutuoso França, Lobo Antunes e o meu avô", editada no Afixe
***
É de LisboanoGuiness a seguinte Nota Biográfica:
"Nasceu em Lisboa no bairro de Alcântara) em 1912, tendo começado a cantar o fado muito jovem, nas sociedades de recreio, onde também fez teatro dra­mático. Participou em cegadas, estreando-se numa da autoria de Carlos Conde intitulada «Carnaval da Vida». Cantou nos antigos retiros Perna de Pau e Ferro de Engomar, na Adega Vitória, no Café dos Anjos, no Retiro da Severa, no Solar da Alegria, no Café Mondego, no Café Ginásio e no Café Luso (da Avenida).
Em 1936 iniciou a sua carreira de cantador profissional, no Café Luso (da Avenida) e também quando este foi transferido para a Travessa da Queimada, onde ainda hoje existe.
Participou nas revistas "Iscas Com Elas" e "Dança da Luta" (1938) levadas à cena no Teatro Apolo, conquis­tando o público com o seu estilo castiço e com as letras dos seus fados.
Em 1950 parte para Angola, onde permaneceu durante dez anos a trabalhar na sua profissão de cortador de carnes, mais tarde na Rodésia, África do Sul e Holanda.
Regressa a Portugal em 1976, e reinicia a sua actividade de cantador, actuando em festas, em casas típicas, na televisão e na rádio.
È dos fadistas que tem todo o seu repertório gravado em discos, nos quais inclui fados com músicas da sua autoria como Anabela, Amigos São Inimigos, O Mineiro, Doutora Inocente, Diálogo em Sentido Figurado, Coisas da Vida, Salve!, Vê-te ao Espelho e Eterno Amor de Mãe, O Sábio e o Barqueiro, Fado Cadillac, Maria da Paixão, Contraste, Não Com­preendo, etc., para além de outros autores.
Dos cerca de 30 fados cantados por Frutuoso França, um dos que tiveram maior audiência foi “O Médico e a Duquesa”, com música sua e letra de Joaquim M. S. Teixeira."

Do seu repertório, para o lembrar e à sua particular interpretação, escolhemos este fado com letra e música da sua autoria.

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sábado, junho 21, 2008

PARA OS CRAVOS DE PAPEL

Da mulher mansa e calada
Não deixes de ter suspeitas.
A água, quando parada,
É que provoca as maleitas.
Augusto Gil


«Quem ama tudo perdoa»?
Deixa lá dizer quem diz!
Da chaga que nos magoa
Fica sempre a cicatriz.
Virgínia Mota de Aguiar


Com quatro letras apenas
A palavra amor se escreve.
-Como cabe tanta coisa
Numa palavra tão breve!...
João da Mata

FERNANDA MARIA - "Barcos do Tejo"



Vamos hoje recordar essa grande cantadeira que é Fernanda Maria, acerca da qual eu não saberia pronunciar-me com mais propriedade do que estes meus ilustres visitantes, aos quais daqui saúdo e a quem agradeço os comentários, no meu anterior post de Nov. 2007, que passo a transcrever:



"Fernanda Maria não reinou no Lisboa à noite. Fernanda Maria reina na noite fadista de Lisboa. O seu exemplo persiste pois ninguém o superou e para os poucos que a conseguem ainda ouvir demonstra que continua a ser a grande Fernanda Maria. Uma lição de fado!" N.A.Coelho



"É minha absoluta convicção de que quem reina, reina sempre! E felizmente as novas técnicas permitem-nos perpetuar vozes e interpretação tão magníficas, como esta que aqui regista. Por isso os Grandes sê-lo-ão sempre! Registo que Fernanda Maria é toda ela Fado, a sua própria vida é um fado é isso que torna Fernanda maria e outros nomes, GRANDES NOMES no estrelato nacional!" Nuno L.



"Fernanda Maria é uma das maiores, estraordinariamente dois homens de letras aqui o afirmam. Parabéns à blogger e acrescento que o ano passado quem ouviu a Fernanda Maria na II Gala Amália ficou certo que aquilo era muito fado!" aideuseue



"Sou uma absoluta fã, incondicional, da Srª Dª Fernnada Maria. Os seus fados são os nossos do dia a dia, da vida, fados que entendemos, situações que percebemos e semrpe com grande sentimento! Bem haja!" M.L. Castanheira



Quero também agradecer a todos os anónimos que disponibilizam fotos na net, as quais utilizo nos meus vídeos, e ainda particularmente ao fotógrafo Dias dos Reis




cujas belíssimas fotografias são imprescindíveis;


à produtora Vita Laïns




que pôs à minha disposição a sua magnífica galeria de fotos;


e, finalmente, last but not least, a todos os que, como a Neuza


adoram os barcos típicos do Tejo e mantêm viva a Tradição; agradeço também as fotos que utilizei no vídeo e que ilustram este fado de Lopes Victor e de Martinho d'Assunção, que Fernanda Maria interpreta e que tem por tema Lisboa, o Tejo e os seus barcos.
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sexta-feira, junho 20, 2008

O Foot-ball




















Uma crónica de Júlio Dantas, datada de 1914.
No essencial, pouco parece ter mudado... o culto do músculo, a obsessão pelo foot-ball, a sempre explicável superioridade dos adversários ... O que terá mudado substancialmente é a inexplicável
cotação dos jogadores, os ordenados fabulosos que auferem, o que não só constitui uma afronta à pobreza, mas também à inteligência de todos nós...

MAX - "Ilha da Madeira"


Natural do Funchal, Maximiano de Sousa (1918-1980), que ficou conhecido por Max, compositor e cantador, interpreta esta "pérola", da autoria de Artur Ribeiro e de M. Gonçalves Teixeira, que alude a outra "pérola", igualmente preciosa e do nosso património - a Madeira. Uma voz pequenina, mas tão grande no fado!
VÍDEO DE HOMENAGEM
Nota biográfica:
Foi uma das mais populares vedetas da rádio, do teatro e da televisão portuguesas, desde os anos quarenta até à sua morte em 1980. A ele se devem êxitos como Noites da Madeira, Bailinho da Madeira ou A Mula da Cooperativa. E nada faria prever que este jovem madeirense, que sonhava ser barbeiro e fora alfaiate, viria a ser um dos mais populares artistas portugueses.Maximiano de Sousa, de todos conhecido como Max, era madeirense, nascido no Funchal em 1918. Foi aí que iniciou a sua carreira artística. Sonhara ser barbeiro e violinista, tinha ouvido para a música mas pouca paciência para aprender o solfejo, e acabou por aprender o ofício de alfaiate. Contudo, o bichinho da música que sempre tivera tornou-se numa carreira em 1936, quando começa a actuar no bar de um hotel do Funchal: cantor à noite, alfaiate de dia. Em 1942, é um dos fundadores - como cantor e baterista - do Conjunto de Tony Amaral, que se torna numa sensação nas noites madeirenses e que, em 1946, vem conquistar Lisboa. O trabalho é muito e o conjunto assenta arraiais no night-club Nina, interpretando os ritmos do momento - boleros, slows, fados-canções. E é o Fado Mayerúe de Armandinho e Linhares Barbosa, mais conhecido como Não Digas Mal Dela, que populariza a voz de Max e leva à sua saída do Conjunto de Tony Amaral, iniciando finalmente a carreira a solo que desejava em 1948.Agora actuando sozinho, Max dispara para o estrelato através da rádio e das suas presenças no Passatempo APA do Rádio Clube Português, em parceria com Humberto Madeira. Em 1949, assina contrato com a Valentim de Carvalho e grava o seu primeiro disco: um 78 rotações com Noites da Madeira e Bailinho da Madeira.É o primeiro de uma longa lista de sucessos como A Mula da Cooperativa, Porto Santo, 31 ou Sinal da Cruz. Em entrevista ao jornal Se7e, em 1978, referia que eram os discos que lhe davam mais dinheiro, pois "os direitos de autor estavam sempre a pingar".Depois da rádio, Max conquista o teatro, participando a convite de Eugênio Salvador na revista Saias Curtas, em 1952. Será apenas a primeira de uma longa série de revistas que confirmarão também os seus dotes de actor e humorista.Em 1957, parte para os EUA para uma digressão de cinco anos interrompida por uma súbita doença de coração ao fim de dois. Viajará em seguida por Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil e Argentina.Regressado a Portugal, embora continue a ser um dos artistas mais queridos do público, encontrará alguma dificuldade de trabalho, sobrevivendo à conta dos discos que continuava a gravar. Um dos seus maiores êxitos surgirá aliás neste período, Pomba Branca. Faleceu em 1980.


Plat.