terça-feira, setembro 30, 2008

TRONO DO FADO


















Era este o elenco do Retiro da Severa, em 1938:
- Berta Cardoso - - Mª Emília Ferreira -
- Mª do Carmo Torres - Alfredo Duarte (Marceneiro) - Deonilde Gouveia -
- Arminda Vidal - Carmen Santos / José Pereira / José Tovar / Alberto Ribeiro / Jaime Silva / Manuel Pereira - Lucília do Carmo -
- X. Pinto - Armandinho / José Marques (Guitarristas) - Júlio Proença / José Porfírio -
- Alfredo Costa / Abel Negrão / Santos Moreira (Violistas) -
Se fosse agora, estava lá caída todas as noites!...

domingo, setembro 14, 2008

TEREZA TAROUCA - "Fado do cartaz"

Interpretado por Tereza Tarouca, na Marcha do Marceneiro, o "Fado do Cartaz", com letra de Manuel Andrade. No vídeo, esta informação está errada, dado ter-se optado por manter as indicações constantes no fonograma original...
Aqui encontra um apontamento biográfico acerca da fadista

Atenção
O musical "Fado… esse malandro vadio!" de João Núncio estreia dia 30 de Outubro no teatro-auditório do Casino Estoril, com a participação especial de Teresa Tarouca.

VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, setembro 13, 2008

VICENTE DA CÂMARA - "Milagre de Santo António"

Vicente da Câmara escreveu e interpreta, Na Marcha da Mª Vitória, este "Milagre de Santo António".

Para saber mais sobre Vicente da Câmara, vá por aqui

http://www.macua.org/biografias/vicentedacamara.html


VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, setembro 10, 2008

MARIA TERESA DE NORONHA - "Mataram a Mouraria"


O estilo inconfundível de Mª Teresa de Noronha (Paraty), Condessa de Sabrosa, pelo seu casamento com D. José António Serôdio, guitarrista amador e grande amante de Fado, neste fado com letra de José Mariano, interpretado na Marcha de Manuel Maria, e que diz assim:

"...Enquanto houver portugueses / Ninguém diga em Portugal / Que vai morrendo o passado".


Notas biográficas em português http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/54209.html


em inglês http://fadous.blogspot.com/search/label/maria%20teresa%20de%20noronha

e em espanhol
http://guitarrasdelisboa.blogspot.com/2009/09/maria-teresa-de-noronha.html#links

VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, setembro 07, 2008

FREI HERMANO DA CÂMARA - "Minha mãe, nasci fadista"


"...mora fado no meu peito / não se canse, não insista / não há ninguém que desista / quando vive satisfeito..."

Autores da letra e música- Hermano Sobral e Hermano da Câmara

Nota biográfica

O grande amor à música, e em especial ao fado, vai levar o jovem D. Hermano Cabral da Câmara a juvenis fadistadas com seus irmãos. Tal não é de admirar, havendo ele nascido, em 1934, numa família de aristocratas e fadistas.Grava o seu primeiro disco no circuito comercial em 1959, Sunset and Sentimental, onde se encontram temas ainda hoje conhecidos, como Colchetes de Oiro. Rapidamente a sua voz, muito particular, conquistará o coração de inúmeros fãs.Com 27 anos decide, bruscamente, tornar-se monge beneditino. Desta resolução nasce o mítico Fado da Despedida. Ao longo dos anos, e com a abertura proporcionada pelo Concílio Vaticano II, Frei Hermano da Câmara voltará a gravar temas, marcados pela sua vocação religiosa, onde a sua voz continua a revelar o fulgor que o distinguiu.
PRINCIPAIS ÊXITOS: Colchetes de Oiro, Minha Mãe, Olhos Negros, Guitarra Chora Que eu Canto, O Rapaz da Camisola Verde, Os Teus Olhos São Passarinhos, Ave Maria, Jesus, Sede de Infinito.
(in http://www.macua.org/biografias/freihermanodacamara.html )

"...fado é triste solidão / fado existe em todos nós / cantar fado é um condão / é dar fala ao coração / e viver com essa voz..."

Vídeo de Homenagem

http://fadocravo.blogspot.com/2006/08/fado-de-lisboa.html

sexta-feira, setembro 05, 2008

MARIANA SILVA - "E assim nasceu o fado"


Uma quadra de J. Linhares Barbosa, glosada por Joaquim da Silva, interpretada no Fado das Horas (ou será simplesmente o Mouraria estilizado?!) por Mariana Silva.

E ASSIM NASCEU O FADO

Repertório de Mariana Silva

Quando Deus criou as rosas
Neste país encantado
Caiu uma, desfolhou-se,
E dela nasceu o Fado.


Não havia uma canção
Entre as canções amorosas
Que despertasse a paixão
Quando Deus criou as rosas.

Mas quis o Bom Criador
Que uma lá do seu agrado
Fosse uma canção de amor
Neste país encantado.

Ou por divina magia
Ou fosse lá pelo que fosse
Ao despontar certo dia
Caiu uma, desfolhou-se.

Segundo a lenda nos narra
Foi disposta com cuidado
Nas cordas duma guitarra
E dela nasceu o Fado.

Joaquim da Silva

Vídeo de Homenagem

FÉRIAS



















As férias de Agosto em 1913.
Uma crónica de Júlio Dantas.

Verdade?!...

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quinta-feira, agosto 28, 2008

MANUEL SIMÕES











Foi com sentido pesar que hoje tive conhecimento, através da APAF, da morte de Manuel Simões, da Estoril Discos, proprietário da Discoteca Amália, fundador e Presidente do Conselho de Administração da Fundação Manuel Simões, fundação com "fins de carácter cultural, nomeadamente a difusão do Fado como Canção Urbana de Lisboa, bem como os de beneficência e solidariedade social" (artº 5º dos Estatutos).
Tive o prazer de conhecer este cavalheiro no ano de 1992, quando reeditou uma das (como lhes chama) "intérpretes míticas" do fado -Berta Cardoso-, que já editara nos anos 50; foi com enorme carinho e também com imenso profissionalismo que foi pensado e editado esse CD- edição especial, numerada e autografada- que, penso, será o único registo comercialmente disponível da artista.
O Sr. Manuel Simões fez o favor de me distinguir com a sua amizade e granjeou a minha; Lembrá-lo-ei sempre e a minha admiração perdurará por esse homem sabedor, empreendedor, simples, honesto e apaixonado pelo Fado que sempre soube ser.
Creio que é importante termos uma imagem do homenageado; a única foto que tenho de Manuel Simões é integrado em grupo, sendo o 5º a contar da esquerda; encontra-se acompanhado de João Capela, Pedro Moutinho, Maestro Tavares Belo, Francisco José e José António, o último da esq. p/a a dir.
À família enlutada, os meus sentidos pêsames.

domingo, agosto 24, 2008

CARLOS DO CARMO - "As três normas"


Este fado, cantado por Carlos do Carmo (1), na música do Fado da Azenha, de Frederico de Brito, tem uma magnífica letra de Carlos Conde, que evoca os três Macacos Sábios - Mizaru, Kikazaru e Iwazaru - e a sua mensagem de saber viver.
Diz assim:
"Para quem queira viver
Sem ralhar, sem discutir,
Três normas tem de adoptar
É ter olhos e não ver
Ouvidos e não ouvir
E ter boca e não falar"
... ... ... ...
É receita que dá, por certo, muito resultado, mas não é para todos. Antes de mais, é preciso ter temperamento ou feitio ou qualquer coisa assim para fingir que não se vê e não se ouve e... não falar; depois, é necessário muitos anos de aturado treino e uma grande dose de fdp... para passar a vida a fazer como o cavalo na parada... Mas há quem o faça e muito bem e fica, assim, sempre bem visto. Poderá ser até um tipo de sabedoria macacoide, mas que dá um resultadão, todos sabemos que dá, não é? "Caladinho é que eu sou lindo!" ou "O calado vence tudo", fazem parte do mesmo ideário, até mesmo porque "quem mais fala, mais erra" e, por isso e outras coisas mais, eu vou já calar-me para nem sair mais asneira nem entrar mosca; mas não sem antes aqui deixar estas palavras do poeta:
"Não fales, não sejas louco
Estuda o mundo de forma
A que o leves de vencida
Saber muito e falar pouco
Faz parte da boa norma
Com que se vence na vida"
divirta-se e medite que eu, eu vou a banhos!...

(1) Carlos do Carmo interpretou o "Fado da Saudade", no filme "Fados" do realizador espanhol Carlos Saura, fado distinguido com o Prémio Goya 2008, na categoria de melhor canção ORIGINAL. Um fado da autoria de "Fernando Pinto do Amaral e Joaquim Campos", de acordo com a notícia em http://noticias.sapo.pt/info/artigo/805948.html , que remata com a seguinte frase premonitória "De novo apenas poderá haver o facto de ser um fado a roubar o reconhecimento para a melhor canção original."
Relativamente à autoria da música, para além de Joaquim Campos, há também quem diga que se deve a Alfredo Marceneiro, o Fado Versículo, e quem defenda que aquele fado é simplesmente o Menor, embora com complemento de versículo, mas um versículo (tecnicamente) diferente... São, claro, opiniões de catedráticos do Fado e eu, que do fado só sei quanto o aprecio, fico calada; precisamente!... como o macaco! Mas, como estou só fingindo que não ouço, não vejo e não sei, sempre vou repetindo "Menor ou Versículo, original, é que esse fado não é e, esse, é o cerne da questão".
Voltamos a encontrar-nos na "rentrée", combinado?

VÍDEO DE HOMENAGEM

sexta-feira, agosto 22, 2008

"Lembrança é quase presença"

Durante estes últimos meses, aqui foram lembrados ilustres fadistas, alguns da "velha guarda", outros contemporâneos e, desses, alguns ainda no activo. Lembrados foram também os poetas de fado e compositores musicais, alguns deles instrumentistas. Nesta "Tribuna do Fado" falta ainda incluir muitos que, espero, terei ocasião de lembrar de igual modo.

Só morrem os que esquecemos.
Estar vivo é ser lembrado (mas também pode ser "o contrário de estar morto", como diria a tia mais tia de Portugal e arredores).
Como disse o poeta, "lembrança é quase presença"!...

Recordámos os intérpretes:

Alfredo Duarte "Marceneiro"; Alfredo Duarte Jor; Alberto Costa; Amália Rodrigues; Ana Rosmaninho; António Rocha; Adélia Pedrosa; Artur Batalha; Adelina Ramos; Argentina Santos; António Mourão; António Mello Corrêa;

Berta Cardoso; Beatriz da Conceição;

Celeste Rodrigues; Carlos Duarte; Carlos Ramos; Carlos Zel; Cândida Ramos; Carlos do Carmo;

Ercília Costa; Ermelinda Vitória;

Flora Pereira; Fernanda Maria; Fernando Farinha; Frutuoso França; Fernando Maurício; Fernanda Baptista; Filipe Pinto;

Gabino Ferreira;

Hermínia Silva; Hermano da Câmara (Frei);

Ilda Silva;

Júlio Peres; Júlio Vieitas; Júlia Chaves; José Porfírio; José Coelho; Joaquim Silveirinha; José Freire;

Lucília do Carmo; Lina Maria Alves; Linda Leonardo;

Mariana Silva; Madalena de Melo; Maria Emília Ferreira; Maria Alice; Maria do Carmo Torres; Maria de Lourdes Machado; Maria José da Guia; Maria Amélia Proença; Mercês da Cunha Rego; Max; Manuel Calisto;

Natália dos Anjos;

Rodrigo; Raul Pereira;

Recordámos os autores:

António Botto; Armando Neves; Alberto Janes; Amadeu do Vale; Ary dos Santos; Amália Rodrigues; Artur Ribeiro; Alberto Rodrigues; Américo M. dos Santos; A. Pessoa; Alfredo Duarte "Marceneiro"; Armando Machado; Alberto Costa; Armando Freire "Armandinho"; António Chainho; António Mourão;
Baptista Lourenço;

Carlos Conde; Clemente Pereira; Castelo B. Mota; Casimiro Ramos; Carlos Gonçalves;

Domingos Gonçalves Costa; David José; Daniel Gouveia;

Eduardo Damas; E. Costa;

Fernando Teles; Fernando Farinha; Florbela Espanca; Fernando Pinto Coelho; Frutuoso França; F. Pinto do Amaral; Francisco Viana "Vianinha"; Frederico Valério; Fernando Peres; Franklim Godinho; Filipe Pinto; Francisco José Marques;

Gabriel de Oliveira; Guilherme Pereira da Rosa; Gabino Ferreira; G. Teles;

Henrique Rego; Hortense V. César; Henrique Perry; Hermano da Câmara (Frei);

Ivete Pessoa;

João Linhares Barbosa; Joaquim Frederico de Brito; João da Mata; João de Freitas; João Dias; Júlio Vieitas; Jorge Rosa; José Luís Gordo; Jaime Lúcio; José de O. Cosme; Jaime Santos; Jaime Mendes; J. Fontes Rocha; Júlio Calado; Júlio Proença; José Bacalhau; José Marques; J. António Sabrosa; J. Pereira; J. Fontes; J. Campos; J. M. Nóbrega; J. Negro;

Lopes Victor;

Maria Manuel Cid; Miguel Torga; Manuel Pardal; Miguel Ramos; Manuel Soares Portugal; Mário Silva; Mário Gonçalves Teixeira; Martinho d'Assunção;

Paco Gonzalez; Paulo Vidal; Pedro Rodrigues;

Raul Ferrão; Raul Portela; Raul Pinto;

Tiago Torres da Silva;

Vasco de Lima Couto; Varela Silva


segunda-feira, agosto 11, 2008

MERCÊS DA CUNHA REGO - "Cavalo russo"



Há fados assim... pode muita gente cantá-los, mas ficam para sempre colados a um nome... Este é um caso - o "Cavalo russo" ...da Mercês.
De Paulo Vidal e Frederico Valério, a interpretação de Mercês da C. Rego, para recordar
VÍDEO DE HOMENAGEM

domingo, agosto 10, 2008

ANTÓNIO MELLO CORRÊA - "Toirito negro"


Mª Manuel Cid escreveu, F. Rocha musicou, António M. Corrêa canta este fado que evoca o Ribatejo.
Para saber mais sobre este fadista, pode ir ao blog
http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/tag/antónio+melo+correia

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domingo, agosto 03, 2008

MARIA DE LOURDES MACHADO - "Balança, balança"

















Com letra de Ivete Pessoa e música de Armando Machado, este fado que convida a um mergulho nas águas calmas do Portinho, depois de um passeio pela serra da Arrábida... Mª de Lourdes Machado, a criadora do fado "A mulher que já foi tua", e também deste, presta homenagem ao seu Portinho d'Arrábida, onde tinha casa e donde vinha sempre "com saudades de não poder lá ficar"... Atrevo-me a dizer que é sentimento comum a quem lá vai; apetece mesmo lá ficar a admirar aquela serra maravilhosa que o mar refresca.

Para ver a letra do fado, pode seguir este caminho

http://fadocravo.blogspot.com/2006_11_01_archive.html


VÍDEO DE HOMENAGEM


sábado, agosto 02, 2008

ALBERTO COSTA - "Boneca de loiça"



Letra de Alberto Rodrigues, interpretação de Alberto Costa. Este fadista actuou, durante algum tempo, n' "A Parreirinha", mas a foto que se encontra no vídeo foi tirada n' "O Faia", podendo ver-se, para além de Alberto Costa, o 2º a contar da esquerda, Martinho d'Assunção, Amália, Linhares Barbosa, Berta e F. Carvalhinho. Full de ases!...
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terça-feira, julho 29, 2008

ADELINA RAMOS - "Não passes com ela à minha rua"

Só hoje tive conhecimento do falecimento, no passado dia 26, de Adelina Ramos, aos 92 anos, intérprete maior deste fado, inicialmente intitulado "Foste meu", com música de Casimiro Ramos e letra de Carlos Conde, que o escreveu para o repertório de Maria da Saudade.

*
Gostaria de ter sabido a tempo e, como eu, provavelmente muito mais pessoas que conheceram a fadista e lhe teriam querido prestar a última homenagem; mas, mais uma vez, a informação falhou, não chegando, em devido tempo, onde devia, ou, tendo chegado, não foi dada a importância devida...

*
Agradeço à APAF a informação que divulgou, tão logo teve conhecimento do facto, assim permitindo que, embora tardiamente, eu possa ainda prestar esta minha sentida homenagem a Adelina Ramos, que tantas vezes ouvi n' "A Tipóia", em boa companhia...



Um beijo de despedida

VÍDEO DE HOMENAGEM

Para saber mais, aceda às páginas

http://fadocravo.blogspot.com/2006/10/recordar-berta-cardoso.html#comments

http://www.fotolog.com/parquemayer1/45832993

http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/

http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Interior.aspx?content_id=972915

domingo, julho 27, 2008

CARLOS ZEL - "Mestre João Núncio"


Com letra de Mª Manuel Cid, Carlos Zel canta, no Fado Mouraria, este "Mestre João Núncio", uma homenagem a essa figura maior do toureio a cavalo, que ficou conhecido como "O Califa de Alcácer", alcunha que lhe foi dada pelo cronista e aficionado D. Bernardo da Costa.
João Núncio, um português que faz parte da história de Portugal, pela sua arte, o seu trabalho e os seus valores morais.

Carlos Zel presta homenagem a Mestre João Núncio e eu, com este vídeo, presto a minha modesta homenagem a estes dois portugueses que muito admiro, não só pelo incontestável valor artístico de cada um, mas principalmente pela coragem, comum a ambos.
VÍDEO DE HOMENAGEM

Em Novembro de 1976, no primeiro número da revista “A Semana”, de Miguel de Araújo, surgiu uma comovente despedida a João Branco Núncio, na hora do seu desaparecimento. Foi escrita por Mascarenhas Barreto, multifacetado autor, muito mais conhecido pelas suas incursões na História (o “Colombo Português”) do que pela sua vertente de aficionado. Aqui fica essa vibrante homenagem a Mestre João Branco Núncio (a ele que nunca gostou que lhe chamassem mestre...), o maior vulto da tauromaquia portuguesa, nobre figura de alentejano, cavaleiro e lavrador.

UM HOMEM: João Branco Núncio Que outra figura poderia escolher para breve antecâmara de crónicas taurinas? Raros homens, neste século de galopante putrefacção do carácter, reuniram, como ele, tão altas virtudes de português autêntico: o amor à terra, a coragem moral e física, a generosidade discreta - quase humilde - o sacrifício abnegado nas mais cruéis circunstâncias. Vejo-o fechando na mão tisnada um punhado de torrão seco, enquanto os olhos perscrutavam um céu desesperadamente nu de ansiada chuva. Na luta contra a terra, conquistara honradamente os frutos que generosos só são quando por eles se sangra um trabalho tenaz, constante. Vejo-o fechando na mão tisnada o ferro com que, nas arenas ardentes de sol e emoção, desafiava o toiro, na mais nobre e tradicional festa popular portuguesa. Na luta contra a fera, soubera grangear o mais alto troféu de um toireiro: a admiração, o amor do povo que, ali, com ele se irmanava na valentia instintiva, no gosto por essa arte cinética secular. Vejo-o, enfim, fechando na mão tisnada as rédeas amargas, quando vilmente espoliado da enxada que sempre trouxera na carne para desbravar a terra, empunhava agora a única que lhe restava - na alma: a do toireio equestre. A este trouxera a inovação, o sentido simplista de síntese e medidas, e uma grandeza inolvidável. Não só como Centauro se oferecera aos toiros. De igual, lidava-os a pé, de capote e muleta; corria-os em campo aberto, na euforia do derrube, no apadrinhamento da apartação dos bezerros - a mesma euforia e também o mesmo anseio criador com que sofria o despontar e o envigorar das searas, dos arrozais, da vida que só a terra dá e o homem rouba... Com Núncio passou o toireio equestre a definir-se por axiomas diferentes, magistrais. Poder-se-à dizer que se tornou fronteira de estilos na lide montada: antes de Núncio; depois de Núncio. Contudo, na sua modéstia natural parecia não se aperceber de que criara uma nova era tauromáquica que seus contemporâneos seguiriam: os cânones nuncistas. Como Juan Belmonte, para o toireio a pé, João Núncio foi expoente máximo para o toireio a cavalo. Em crónica futura se falará desta Arte. Nasceu João Alves Branco Núncio a 15 de Fevereiro de 1901, na Herdade de Parchanas, de São Romão, para onde seu avô, Joaquim Mendes Núncio, lavrador da Golegã, se trasladara, em 1878. Aí, em Alcácer do Sal, cingiu esporas. Aos 13 anos, a 23 de Agosto de 1914, toireou pela primeira vez em público, num cavalo - Teodoro - que fora de Manuel Casimiro, quando a glória da "Festa Brava" equestre se disputava entre este cavaleiro e o Morgado de Covas. Depois, alternando com seu pai, Inácio Augusto Murteira, surgiu na Praça de Évora, a 20 de Setembro desse mesmo ano, "não apenas como um caso de precocidade, mas também, e principalmente, como deslumbrante revelação artística" - aplaudiu a crítica: era a sua segunda corrida. Finalmente, veio a hora da regra tradicional: na tarde de 27 de Maio de 1923, António Luís Lopes concedeu-lhe a alternativa, na Praça do Campo Pequeno. Ele próprio a concederia, mais tarde, a onze cavaleiros tauromáquicos: Dr. Fernando de Andrade Salgueiro e Dom Vasco Jardim (1938), Francisco Murteira Correia (1943), Eng.° José Rosa Rodrigues (1944), Dom Francisco de Mascarenhas (1945), Francisco Sepúlveda (1952), Gastón dos Santos (1954), seu filho, Eng.° José Barahona Núncio (1962), Eng.° José Samuel Lupi e Alfredo Conde (1963), Frederico Cunha (1968) e José João Zoio (1972). Em Espanha, onde múltiplas vezes ergueu as praças de entusiasmo e admiração, foi o primeiro cavaleiro português a matar toiros, a cavalo, a estoque. Em Portugal, consagrou-o o povo como sendo "o maior". Era-o, de facto: o maior vulto da história do toireio a cavalo em todo o mundo. Depois, não mais parou de empolgar as arenas, senão quando o acidente da queda de um cavalo aniquilou seu filho e o desgostou para sempre de honrarias, ovações. Contudo, aos 75 anos - salvados três cavalos do assalto infame da negra saga de ocupações predatórias - não lhe faltou coragem para enfrentar, de novo, a vida nos redondéis. Por fim, na Golegã, quando serenamente preparava um dos corcéis, veio a enfrentar a morte - derradeiramente. Estava a cavalo, enforquilhado na sua sela-charrua; pés bem firmes nos estribos da honradez, da dignidade. Pelos olhos nublados, entre terra e céu, ter-lhe-iam desfilado, nos cenários edénicos verde-azuis das lezírias e calmosos verde-pardos das charnecas, essas montadas fiéis em que se prolongara a sua imagem cavaleira: Relâmpago, Santander, Pregonero, Alpompé, Lidador, Numerário, Quo Vadis, Pincelim, Sultão, Gaio, Malhinha, Marialva, Temporal, Gaiato, Ribatejo, Glorioso, Garoto e tantos outros, crinas ao vento, alados como pégasos. Também os toiros, não como adversários de violência animal, mas como nobres lutadores leais (que não os homens semeadores de ódio) e sobretudo aquele inesquecível Trompeta que foi base da sua ganadaria de sangue Urquijo. Inscreveu-se Núncio ao centro de um triângulo: Toiro, Cavalo, Terra. Triângulo iluminado de amor, quase signo da Pátria que ele visceralmente vivia. Nunca a traiu. Quem da vida faz altar de trabalho e esperança não pode - não sabe trair. À terra desceu, entre o amor dos homens - não da escassa escumalha arrebanhada por traidores rapaces, mas do povo-Povo, em cujas veias corre sangue puro, como os ares lavados das manhãs campestres: seiva da própria terra. Morto para a Pátria - com a Pátria -, outro triângulo mais alto o ilumina: o signo de Deus.
Mascarenhas Barreto

Ao lembrar João Branco Núncio, necessário se torna lembrar também os seus belíssimos cavalos-toureiros, "essas montadas fiéis em que se prolongara a sua imagem cavaleira", como se refere no texto acima transcrito, de Mascarenhas Barreto.

Aqui vos deixo esta pérola, retirada do Século Ilustrado de 13 de Fevereiro de 1943, que encontrei aqui http://revistaantigaportuguesa.blogspot.com/ (um blog de referência), uma "entrevista" ao famoso cavalo ALPOMPÉ.





































sexta-feira, julho 25, 2008

FERNANDA BAPTISTA - "Fado do toureiro"


Fernanda Baptista (1920-2008) foi essencialmente uma fadista do teatro, dona de uma voz potente que, tal como Berta Cardoso, se fazia ouvir nas salas de espectáculo, sem microfone, nos lugares mais distantes do palco. Este fado musicado, da autoria de Amadeu do Vale e de Raul Ferrão, é a homenagem possível que aqui lhe presto, após ter tido conhecimento da sua morte, hoje.
Para saber mais http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/

VÍDEO DE HOMENAGEM

quinta-feira, julho 24, 2008

Mª AMÉLIA PROENÇA - "Campinos"















"Maria Amélia Proença continua hoje senhora de um timbre de voz único autenticamente lisboeta e fadista, senhora de uma apurada interpretação! A sua vida é uma história do fado." N.L. (jornalista)


"Esta sim é a fadista mais antiga no activo e em pleno! Continua com magnífica voz e excelente dicção, timbre fadista e genuíno!" Anónimo


Estes são dois dos comentários que mereceu o post que há cerca de um ano fiz sobre esta fadista que muito prezo. Mais uma vez agradeço aos que comentam o meu trabalho e que, desse modo, me ajudam a informar, a melhorar e corrigir e que desempenham o importante papel de interlocutor, participante neste trabalho que é feito em prol do Fado e de todos que, como eu, admiram e amam este tão genuíno e singular modo de ser português do/no Mundo.


Hoje, na sua voz tão característica, vamos ouvir Mª Amélia Proença no fado "Campinos", autoria de Clemente Pereira e Baptista Lourenço, uma homenagem a esses homens valentes das lezírias e ao mundo rural que, noutros tempos, a canção urbana não esquecia...
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domingo, julho 20, 2008

GABINO FERREIRA - "Alfama"
















Henrique Perry escreveu a letra e J. Campos musicou este fado "Alfama" que pode escutar aí

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Acerca deste fadista, recomendo a leitura deste artigo, por Antón García-Fernández