sexta-feira, janeiro 17, 2014

"Mais um fado... na dúvida"


Este fado, que Flora Pereira aqui interpreta na Marcha do Marceneiro e que ouvi muitas vezes cantar ao vivo, gravou-o ela com o título de "Eternos amantes" e, no registo que tenho, é dada a autoria da letra a J. Linhares Barbosa. Desconheço quem é o/a criador/a deste fado e também quem mais o terá gravado.

Apareceu depois este tema na voz de mais novos fadistas, como é o caso desta interpretação a duo pela Mariza e Camané, no Perseguição de Carlos da Maia, com o título de "Mais um fado no fado", sendo atribuída a autoria da letra a Júlio de Sousa ...
E, claro, este é mais um fado cuja autoria me deixa com dúvidas... Afinal, quem será o autor desta letra? 
O Júlio de Sousa ou o Linhares Barbosa? 

 

Isto é bem verdade- não há uma sem duas, nem duas sem três... e assim é que, do amigo Fernando Batista do Fado em Vinil, recebi a preciosa informação de uma outra versão deste mesmo fado, a nível do título e do autor da letra. Interpretado por Madalena Ferraz, o fado é apresentado com o título "Eu sei" atribuindo-se a autoria da letra a Clemente Pereira. 


No que exclusivamente respeita à letra, repare-se que a que Mariza e Camané interpretam tem algumas várias diferenças do presumível original o que, diga-se em abono da verdade, não é raro verificar-se em fado, pelas razões que todos nós sabemos, acrescidas, neste caso, dada a rara circunstância de uma autoria tripartida :) ... 

quinta-feira, janeiro 09, 2014

"O FADO, canção de vencidos"

D.L.

Entrevista a Luiz Moita, no D.L. de 8 de Janeiro de 1937, acerca do seu livro "O Fado, canção de vencidos" 


com ilustrações de Bernardo Marques



Para Luiz Moita, um europeísta da época, o Fado é "a  canção dos lisboetas menos cultos", a denominada "canção nacional" que "tantos investigadores apontam de origem negróide", é "essa canção urbana reveladora dum ambiente mental estreito e duma ausência penosa de estímulos sadios"... Enfim, para Luís Moita, era fundamental uma "renovação" (ou seria "refundação"???), seja, uma "renovação mental dos portugueses", ideia de que António Arroio terá sido o percursor


Parece que essa "renovação mental" não terá corrido muito bem (ou talvez sim, quem sabe?) e que esta "refundação" não correrá muito melhor (ou talvez, quem diria???...)

- Desculpe!?... Política?!... Claro que estou a falar de Fado!... Agora, se acha que são compartimentos estanques, olhe, refunde-se! (ou como queira, "refade-se"!...)

E tenha um bom ano (que não há nada pior que viver sem esperança ... -Diga?... -Não, não é essa, a outra!...), um fabulástico 2014 encantado de bons Fados!

E não se esqueça que sempre haverá um qualquer Luiz atrás de uma Moita e que, por isso mesmo, é  necessário caminhar com cautela, particularmente quando chove e o piso está escorregadio... :)

sábado, dezembro 28, 2013

A TROUPE "PORTUGALIA"

D.L.

Quando se fala na divulgação do Fado, seria talvez bom não esquecer aqueles que, antes de nós, o fizeram com tanto ou mais empenho e profissionalismo quanto os que depois o realizaram... e, quem sabe, com menos interesses económicos!
A Troupe "Portugália", a que se reporta esta notícia de 1923, liderada por dois Augustos, o Gomes e o Soares, é um desses casos notáveis. Creio que, tal como eu, poucos conhecerão os nomes de todos os artistas referidos, embaixadores da nossa Cultura, em terras lusas e estrangeiras, particularmente da então designada canção nacional, o nosso Fado; mais conhecidos serão os nomes do poeta Avelino de Sousa e do maestro Alves Coelho.
Aqui fica uma notícia velhinha, repescada de um jornal que já fez 90 anos, tal como o acontecimento que, de tão importante, foi noticiado... para memória futura.

domingo, novembro 03, 2013

domingo, outubro 20, 2013

ANTÓNIO MOURÃO


(In "O Fado e as Toiradas em Portugal", de A. Martins Rodrigues, 1969)

Partiu o fadista da "Nova Vaga" que há muito se retirara dos palcos e "tablados" por razões que algum dia a História contará... O cantador que alguns (como o consagrado Filipe Pinto) consideraram não ser  um "fadista castiço", mas que outros fadistólogos (caso do poeta Lopes Victor e do locutor Rui Castelar) assim julgaram com toda a propriedade. António Mourão, gostasse-se ou não do género, tinha aquela voz que o Fado requer e o Menor exige, aquela voz inconfundível que apaixonou legiões de admiradores e levou, na altura, muitos jovens para o Fado. Essa é a Voz que já aqui lembrei, a Voz em que vibraram a poesia e a música de grandes autores e compositores,  a herança e a lembrança deste Fadista autêntico que hoje recordo nesta interpretação de "Eu tenho pena de mim", um poema de Mário de Sá Carneiro com música de  Fontes Rocha

  

sexta-feira, setembro 27, 2013

segunda-feira, setembro 09, 2013

Na MOURARIA - CAMILLA WATSON

Da exposição de  RETRATOS DO FADO, que alinda a velha Mouraria, eu diria, parafraseando Pessoa: primeiro estranha-se, depois entranha-se...

Estranha-se, primeiro, este trabalho este tributo esta paixão de quem, não sendo portuguesa, assim se dá e nos dá a conhecer melhor ao mundo
Entranha-se-nos, depois, a Mouraria em cada Retrato do Fado 
Obrigada, Camilla Watson, por tanto gostar de nós
É especialmente para si este Bairro eterno onde reside A grandeza do Fado


quinta-feira, agosto 22, 2013

La Goya em Alfama


D.L.

"...Largo de D. Rosa. Havia adrede uma locanda, uma taverna «falada».
... A taverna fora uma egrejinha...."
Esta locanda, onde La Goya e seus igualmente notáveis acompanhantes foram sentir o fado, não será, porventura, a actual M... d. F..... ?  :)

terça-feira, julho 02, 2013

JÚLIO DE SOUSA



Recordar Júlio de Sousa em toda a sua magnitude de artista multiforme, como escultor, pintor, desenhista, caricaturista, poeta e compositor de tantos fados que se tornaram célebres, é o propósito do novo espaço, inteiramente dedicado ao autor de dois dos mais recantados / recriados fados - "LOUCURA" e "SAUDADE, VAI-TE EMBORA".
É certo que já aqui, por diversas vezes, o tinha lembrado; porém, a dimensão do artista, o interesse no conjunto da sua Obra,  a quantidade de documentos que tenho vindo a reunir e, igualmente, a pouca atenção e realce com que tem sido (des)tratado, justificam este espaço que lhe dedico, que não pretende ser mais do que uma singela homenagem ao grande e multifacetado artista, que foi, afinal, um genuíno fadista!


sábado, junho 15, 2013

MANUEL CARDOSO DE MENEZES - "O Chico da Mouraria"

Quintas de Fado - Fado Rainha

Quando, neste blogue, voltei a lembrar Saudade dos Santos, em verbete de 2011, fi-lo precisamente com "O Chico da Mouraria".
Qual não foi o meu contentamento ao verificar ter sido este um dos fados escolhidos por Manuel Cardoso de Menezes, para os Ensaios da última 5ª no "A Nini", gravado para o MFT, do canal 4FadoLisbon do YouTube; um agradecimento e ovação a Manuel Cardoso de Menezes, que também já aqui homenageei, não só por esta sua preciosa interpretação, mas particularmente pelas informações  acerca das autorias, uma vez que no fonograma da Saudade dos Santos é indicado, como em tantíssimos outros casos, "Popular", para a autoria, quer da letra, quer da música, como, de resto, acontecia e acontece, quando se desconhece o nome dos autores/compositores... Também não admira, esta ignorância! Os jornais da especialidade, tais como a Guitarra de Portugal, a Canção do Sul, a Trova de Portugal..., que tanta informação têm acerca do Fado, continuam fechados a sete chaves, i.é., não só não são disponibilizados on line, como são de custosa consulta nos locais onde a informação deveria estar à disposição dos cidadões, perdão, cidadãos...; por isso é sempre tão útil  ouvirmos aqueles que sabem, fruto da experiência de muitos anos de Fado vivido e do estudo.
Ora digam lá se isto não é cantar ao Fado!