domingo, abril 25, 2010

MÍSIA - "Velha inimiga"

VÍDEO DE HOMENAGEM

"Velha inimiga", um fado de José de Jesus Guimarães e de Resende Dias interpretado por Mísia.

Povo que esperas a hora / Que és tronco, seiva e raiz / Que és vida e sonho pungente / Ó povo do meu país / Manda esta saudade embora / Correm os rios para o mar / Não voltam mais à nascente //

Trago esta saudade antiga / Antiga como um brazão / É uma velha inimiga / Dentro do meu coração / Porque mistério se me invoca / Este passado cinzento / Tão longe que nem me toca / Tão perto em meu pensamento //

Povo que esperas a hora / ...

Esta saudade que importa / Tem o seu lugar marcado / Por detrás daquela porta / Com que se fecha o passado / E quem procure o seu norte /Na manhã de nevoeiro / Não deve render-se à sorte / Sem haver luta primeiro //

segunda-feira, abril 19, 2010

RICARDO RIBEIRO - "Horas de Fado"

VÍDEO DE HOMENAGEM

É, hoje, editado o novo disco de Ricardo Ribeiro, uma Voz, um talento e um dos mais genuínos intérpretes actuais do Fado tradicional.
Desejando que tenha um enorme, já que bem merecido sucesso, com o seu novo trabalho, recordo-o nesta magnífica interpretação de "Horas de Fado", da autoria de Artur Ribeiro e Armando Machado.
Beijinho.

Horas de Fado
Horas de solidão, horas de fado / No meu andar perdido, a razão / Horas de ser poema amargurado / A falar de pecado e de traição

Horas de ser poema e não poder / Gritar, gritar até que fique rouco / O meu castigo de viver viver / Castigo de não ser ainda louco

Horas de solidão recomeçadas / De cada vez que fico só assim / Horas que vão ficar em mim paradas / Até que novo amor renasça em mim
***
Como curiosidade, e melhor respondendo à questão do amigo Jaume, aqui ficam estes dois documentos que complementam o que já ficou dito acerca deste Fado
Por estas e outras!...

domingo, abril 18, 2010

FADO na SR, Sveriges Radio, III



Ulf Bergqvist apresentou hoje o último programa desta série de três, sobre Fado, este centrado na figura de Fernando Mauríco, "Rei do Fado", e onde também se ouve as vozes de Mariana Silva, Francisco Martinho, Vitor Miranda, Ana Maurício e Ricardo Ribeiro. Óptima escolha!
Aqui, pode consultar o alinhamento do programa

http://sverigesradio.se/sida/default.aspx?programid=2489

e aqui tem o link directo para audição do mesmo... basta aguardar que comece

http://sverigesradio.se/webbradio/webbradio.asp?type=broadcast&Id=2317814&BroadcastDate=&IsBlock=

Excelente programa! Parabéns Ulf! e muito, muito obrigada por esse agradecimento, em português, de que tanto gostei. Mas deixe que seja eu a agradecer-lhe tudo o que tem feito pelo Fado e pela Cultura Portuguesa. Bem haja!

quinta-feira, abril 15, 2010

MARIA DOLORES PRADERA - "Primavera"

VÍDEO DE HOMENAGEM

O Fado sempre encantou quem com ele se cruzou... é universal e cantado de ocidente a oriente...

Hoje, trago-vos Maria Dolores Pradera, http://es.wikipedia.org/wiki/Mar%C3%ADa_Dolores_Pradera, notável "cantante" e actriz espanhola que aprecio imenso e que também gravou alguns fados, entre os quais "Primavera", uma letra de David Mourão-Ferreira, com música de Pedro Rodrigues, uma criação de outro expoente da cultura Ibérica, Amália Rodrigues.

Um enorme obrigada ao meu Amigo Jorge Falé, sem o qual este vídeo não teria sido possível!

segunda-feira, abril 12, 2010

WEB RADIO PORTUGAL


Do Brasil, para todo o mundo, com Amor, Música Portuguesa e não só...
Um notável serviço público em prol da Cultura Portuguesa.
Oiça aqui http://webradioportugal.blogspot.com/ (hora do Brasil)
Felicitações e agradecimentos a Cláudia Tulimoschi e a Oliveira Nunes por esta fantástica iniciativa.
De Portugal para o Brasil, "aquele abraço" e votos do maior sucesso!

FADO na SR, Sveriges radio, II

Ulf Bergqvist apresentou, ontem, o 2º desta série de 3 programas de fado que produziu para a Rádio Sueca, programa que intitulou "Med fadon ut i världen". Excelente selecção de Fados de Lisboa, e não só, nas vozes de Amália, Gonçalo Salgueiro, Tristão da Silva, Toni de Matos, Maria Clara, Frei Hermano da Câmara, Cristina Branco, Pedro Moutinho e Maria da Conceição, entre outros.
Se quiser ouvir, tem aqui o link directo
http://sverigesradio.se/webbradio/webbradio.asp?type=broadcast&Id=2305199&BroadcastDate=&IsBlock=

E estoutro, para o 1º programa
http://sverigesradio.se/webbradio/webbradio.asp?type=broadcast&Id=2293556&BroadcastDate=&IsBlock=

sexta-feira, abril 09, 2010

MANUEL CARDOSO DE MENEZES - "Última Corrida em Salvaterra"

VÍDEO DE HOMENAGEM

No Fado Meia-Noite, o homenageado Manuel Cardoso de Menezes http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/130233.html interpreta esta "Última corrida em Salvaterra" http://avozportalegrense.blogspot.com/2007/08/ltima-corrida-de-touros-em-salvaterra.html , igualmente uma homenagem à Festa Brava.

Aproveito o ensejo para, na pessoa do seu Presidente, felicitar a Câmara Municipal de Lisboa, pela atitude corajosa de, nestes tempos de contestação, não se ter eximido a merecidamente condecorar, no passado dia 8, na Praça de Toiros do Campo Pequeno, o Cabo do Grupo de Forcados Amadores de Lisboa, José Luís Gomes (que, nessa noite, despiu a jaqueta), assim reconhecendo e valorizando o Forcado enquanto figura emblemática da Toirada Portuguesa, espectáculo de inquestionável importância Nacional, seja pelo facto de integrar e preservar valores Tradicionais, seja pelo que representa e vale em termos culturais e económicos. Obrigada!

quarta-feira, abril 07, 2010

"Mulheres num mundo de homens" Instrumentistas

Ainda o "Divas do Fado", um inesgotável manancial de polémica fadista...

Desta vez, cabe em sorte o Manuel Halpern, jornalista e crítico do que foi um conceituado jornal, o Jornal de Letras, Artes e Ideias; poderia apresentá-lo, mas, melhor do que eu o faria, o próprio aqui se apresenta

Manuel Halpern
Acerca de mim
Jornalista e crítico do Jornal de Letras, Artes e Ideias, Manuel Halpern escreve preferencialmente sobre música e cinema, além de manter, desde há dez anos, a coluna fixa O Homem do Leme. Popómano, cinéfilo, bloguer, ávido coleccionador de CD e DVD, e autor de booklets, nasceu em Lisboa no ano da Revolução de Abril. Tem duas filhas, duas peças de Teatro (O Segredo do Teu Corpo e Palco – Quimera, 2006), um ensaio sobre fado (O Futuro da Saudade – O Novo Fado e os Novos Fadistas, Dom Quixote, 2004). Licenciado em Comunicação Social, pela Universidade Católica, com pós-graduação em Crítica de Cinema e Música Pop, na Faculdade Ramon Lull de Barcelona, colaborou, entre outros, com a Visão, Público, Blitz, Antena 2, Diário de Notícias e Corriere della Sera. Nas horas vagas é DJ, integrando a dupla de som e imagem Ouvido Visual. Fora de Mim é a sua primeira ficção.

Feitas as apresentações, passemos ao que interessa. Confesso que tinha prometido a mim própria nada mais comentar acerca do "Divas do Fado", mas a verdade é que, depois de ler o que li, não consegui manter a promessa, feita antes de ler o que li, pelo que, em rigor, nem por incumprimento me devo penitenciar...

E o que li e aqui partilho, escrito por Manuel Halpern (que, no citado livro, escreve umas tantas páginas, que, à semelhança do que ocorre em obra anterior, continuam a denotar deficiente informação em assuntos de fado e deficiente expressão em língua materna) não será sequer, quiçá, um dos trechos que melhor ilustre o que afirmei acerca do discurso deste pós-graduado em Crítica de Cinema e Música Pop, Licenciado em Comunicação Social (pela Católica!), que não deveria ser, portanto, mais um inho qualquer desses que escrevem por aí ou por aí têm quaisquer programas de entertenimento; ora atentem, a páginas 28, assegura-nos, então, o amigo Halpern: "A ausência de tocadoras de guitarra portuguesa, por um lado, deve-se a uma forte tradição masculina, mas por outro trata-se mesmo de uma questão fisionómica." ???!!!(sublinhado meu) Se não fosse tão triste, eu voltaria a gargalhar como o fiz com aquela tirada acerca da fadista Raquel Tavares que "contrariando essa esmagadora tendência," (de serem sempre homens os tocadores) "arriscou em Ardinita, acompanhar-se à guitarra. E a sua imagem, de guitarra em punho, tornou-se forte e libertadora" (sublinhado meu), como se essa fosse uma imagem rara... Ó Manuel, o menino deve andar cego! É o que não falta, fadistas "de guitarra em punho"! é, de resto, uma imagem mais que vulgar!; toda a fadista que se preze, tem uma fotografia empunhando a guitarra... que algumas tocavam, acompanhando-se, ou não se lembra de nenhuma que o fizesse? Será que a mítica Severa tinha uma guitarra só para enfeitar, compor a imagem? E a Maria do Carmo (Alta)? Acha mesmo que a Luísa Amaro tem razão ao afirmar, segundo citação sua, que "Ainda não apareceu uma mulher que fosse capaz de tocar guitarra como os homens" ? Gostava que me explicasse o sentido desta comparação, para além do que encontrou e explicitamente se encontra vertido no comentário que seguidamente tece "Sendo assim, Luisa descobriu uma forma feminina de tocar, em que contorna a questão da virilidade com uma doçura invulgar. Todavia, escreve as suas próprias composições e não acompanha fado." (sublinhado meu) ... Irra! Que raciocínio!... Parece até que, dada a sua compleição, tocar guitarra é quase tão inadequado à mulher como pegar toiros!...

Deste breve exemplo, cada um tire as suas próprias conclusões...

Não termino, porém, sem antes lembrar o nome da actual guitarrista Marta Pereira da Costa, com um já significativo e notável percurso artístico, bem como recordar o nome das instrumentistas Isabel e Georgina de Sousa, que nos anos 30 do passado século constituiram o Duo Glória-Lusa, precisamente as que se podem observar na imagem deste blog, em frontispício.

Deixo-vos com este vídeo, que me chegou por mail, a propósito e parecendo até de propósito, que ilustra a enorme dificuldade sentida por estes imberbes instrumentistas, de ainda débil compleição, a qual, por isso, muitas vezes se compara à das mulheres, às mais franzinas, está visto... Coitaditos! que falta lhes faz "as mãos grandes e os dedos cumpridos", dado "o grande esforço físico que a guitarra portuguesa exige"... Fim de citação!







Que tal? Magníficos, não? diria mesmo, fisionomicamente muito agradáveis!... :-)

segunda-feira, abril 05, 2010

FADO na SR - Sveriges Radio


Foi ontem radiodifundido, pela Rádio Sueca, o 1º de 3 programas, acerca de Fado, Tema fado 1. Hemma i Lissabon (Theme fado 1. At home in Lisbon), da responsabilidade de Ulf Bergqvist, que apresentou algumas das mais populares vozes fadistas, entre as quais: Joaquim Silveirinha, Alfredo Marceneiro e Alfredo Duarte Jr., Aldina Duarte, Maria Marques, Artur Batalha, Joana Amendoeira, Celeste Rodrigues, Maria José da Guia, António dos Santos, Maria da Fé, Estela Alves, Natalino Duarte e Carminho. Este programa poderá ainda ser ouvido amanhã, dia 6, pelas 11:30 A.M.

Os dois outros programas terão o seguinte calendário:

Tema fado 2. Med fadon ut i världen (Theme fado 2. With the fado out into the world), Domingo, 11, às 1 P.M. e terça feira, 13, às 11:30 A.M. Tema fado 3. Kung av fadon - Fernando Maurício (Theme fado 3. King of the fado - Fernando Maurício), Domingo, 18, às 1 P.M., terça feira, 20, às 11:30 A.M. Para ouvir, é necessário ter instalado, no computador, o Windows Media Player or Real Player. Abrindo a página http://sverigesradio.se/p2/, e querendo ouvir em directo, basta clicar em "Lyssna direkt", à esquerda, por baixo do grande P2. Se quiser ouvir, em qualquer outra altura, durante os seguintes 30 dias depois da emissão, escolha "Lyssna igen" (Oiça de novo); depois escolha, ao centro, na lista de programas, "Om musik" (acerca da música) ; na página que a seguir lhe é apresentada, escolha então o programa que quer ouvir, neste caso, clicando em Tema fado e, já está!

Diga-me, depois, se gostou.

Bons Fados!

domingo, abril 04, 2010

PÁSCOA - PESSACH

A todos quero desejar uma Santa Páscoa, no sentido litúrgico-cristão do termo, de morte e renascimento, da Ressurreição,
mas também no seu mais primitivo significado judaico, de Libertação do povo e, assim, de cada um...
Uma Páscoa que seja uma Passagem, em todas as vertentes da Vida, acompanhando a transição do sombrio Inverno para a radiosa Primavera... Renascimento, Renovação que esta belíssima letra, que aqui lembro, tão bem ilustra

terça-feira, março 30, 2010

Ai! O amor das do Fado!...

Ainda as Divas... cujo amor é tema de Fado, para além das próprias o serem igualmente
Um mote de Júlio Dantas, glosado por Frederico de Brito.

Ai! O amor das do Fado!...
Não há nenhum como o delas:
baixo, que arrasta no chão,
alto, que chega às estrelas!
*
Amor que, às vezes, nos prende
numa prece ou numa praga;
e, afinal, nunca se vende!
Ou se entrega,... ou não se rende,
p'ra se dar, às furtadelas:
Um motivo p'ra novelas,
Um romance que dá brado!
Ai! O amor das do Fado,
não há nenhum como o delas!
*
Esse amor que é riso e pranto
e que tem de património,
ora a capa do demónio,
ora a túnica dum santo,
tanto pode ser encanto,
como barro das vielas;
tanto é gelo a arrefecê-lo,
como é lava de vulcão:
baixo, que arrasta no chão,
alto, que chega às estrelas!

domingo, março 28, 2010

TEREZINHA ALVES - "Perfil da tua imagem"

VÍDEO DE HOMENAGEM

"A Voz Quente do Fado", Terezinha Alves, essa voz que aquece a alma, interpreta, de António Campos e Jorge Barradas, "Perfil da tua imagem".

Aqui encontra mais informação acerca desta conceituada fadista http://terezinha2008.blogspot.com/ , blog a que recorri, para a realização deste vídeo, bem como a essa preciosa fonte de informação que é o http://fbfadoporto.blogspot.com/ e ainda a esse não menos precioso e inesgotável repositório de imagem que é a Galeria de Claudia Tulimoschi.

Obrigada a todos e Bom Domingo!

quinta-feira, março 25, 2010

MARIEMA - "Tenho ciúmes do Fado"

(1966)

http://puraterylenevirgem.blogspot.com/search?q=mariema


HOMENAGEM A MARIEMA


A Junta de Freguesia de Carnide, no âmbito das comemorações DO DIA MUNDIAL DO TEATRO, vai, no próximo dia 27 do corrente, pelas 15.30h, homenagear a

GRANDE VEDETA DA REVISTA, MARIEMA

Nesse sentido, irá ser inaugurada a escultura da autoria de Nuno Coutinho, à qual se juntam uma série de momentos que irão assinalar a vida da artista, excertos do espectáculo “AMÁLIA”, de Filipe La Féria, (com o apoio do Teatro Politeama) e inauguração da exposição sobre a vida e a obra da actriz (com o apoio de espólio cedido por Miguel Villa), que terá lugar no ESPAÇO BENTO MARTINS DA JUNTA DE FREGUESIA.
Mariema Mendes de Campos, de seu nome completo, nasceu no típico bairro de Campo de Ourique a 2 de Setembro, começou nas fadistices por brincadeira e um dia, num dos restaurantes onde cantava para amigos, foi escutada pela fadista Deolinda Rodrigues que logo nela falou para a levarem para o teatro de revista.
Estreou-se no Parque Mayer, ainda no antigo pavilhão português, na revista “É REGAR E PÔR AO LUAR”
Seria no Teatro Maria Vitória, na revista “SOPA NO MEL”, que criaria o seu maior sucesso de sempre “ O FADO MORA EM LISBOA”; a partir daqui nunca mais parou, criando no teatro rábulas de grande êxito e sucessos que ainda hoje andam de boca em boca “LISBOA, PRINCESA DO TEJO”, “MARUJINHO”, “ALFACINHA DA GEMA”, entre muitos outros.
Foi cabeça de cartaz de centenas de revistas no Parque Mayer, trabalhou com Filipe La Feria nos espectáculos “Amália”, “ My Fair Lady”
No cinema participou no filme “Bonanza & Companhia”, na televisão participou em programas de “Melodias de Sempre”, “Grande Noite” e actualmente em “ Conta-me Como Foi”
Ao longo da sua carreira fez imensos espectáculos como fadista e actriz de norte a sul do país e no estrangeiro integrada no elenco de várias revistas.
Mariema é actualmente a última grande vedeta da revista do seu tempo viva e ainda no activo
Participou recentemente na companhia “Artistas Unidos” na peça “Seis personagens à procura de um autor” que esteve em cena no teatro São Luíz.
Contamos com a vossa colaboração na promoção e divulgação desta iniciativa para mais informações:

Junta da Freguesia de Carnide
Morada: Largo das Pimenteiras 6ª, 1600-576 Lisboa
João Oliveira-
joao.oliveira@jf-carnide.pt
Catarina Pereira- catarina.pereira@jf-carnide.pt
ou
Miguel Villa-
miguelvilla@iol.pt
Tlms: 91 727 15 11 ou 96 497 29 94
(Texto recebido de Miguel Villa)


VÍDEO DE HOMENAGEM

terça-feira, março 23, 2010

JOÃO PEDRO - "Lenda da Fonte"

VÍDEO DE HOMENAGEM

João Pedro é o fadista que hoje lembro, com o seu enorme êxito de estreia em 1995, "Lenda da Fonte", de Domingos Silva, que foi uma criação de Natalino Duarte.

Em 2004, aquando do lançamento do seu segundo CD, "Fado Sentido", a Lusa disso deu notícia, que pode ler aqui http://macua.blogs.com/o_fado_e_portugal/2004/10/fado_sentido_ma.html

Que será feito agora deste promissor fadista?!...

domingo, março 21, 2010

ALZIRA CANEDE - "Vai lá falar"

VÍDEO DE HOMENAGEM



http://www.youtube.com/watch?v=Y_zbfCzThEI

Conheci a Alzira Canede, há já alguns anos, n' "A Viela", onde muitas vezes ouvi o Sérgio interpretar este fado, acompanhado pelo autor da música, Amadeu Ramin (viola) e habitualmente pelo outro instrumentista residente, o Acácio Rocha (guitarra); ouvi várias versões acerca do autor da letra que, no fonograma utilizado, vem indicado pela sigla D.R. (Direitos Reservados), cuja descodificação é sempre difícil de explicar aos estrangeiros... (vá-se lá perceber porquê!...) Adiante. Hoje, deu-me para ir confirmar à B.D. da S.P.A. a informação que colhi no fonograma e reparei, então, que o Sérgio tinha passado de intérprete a... autor!..., embora "sem Categoria", sendo declarado um outro autor "com Categoria", o Laiert (?) dos Santos Brito Neves..., isto na suposição de que se trata da mesma letra, claro!..., mas até parece que sim, uma vez que figura como único compositor desta obra, de "género indefinido", o meu querido amigo e notável violista, que Deus haja, Amadeu Ramin... Já seria demasiada coincidência!

quinta-feira, março 18, 2010

LUZ SÁ DA BANDEIRA - "Fado espanhol"

VÍDEO DE HOMENAGEM


O "Fado espanhol" magnificamente interpretado por Luz Sá da Bandeira

http://jjsilva.bloguedemusica.com/r352/Luz-Sa-da-Bandeira/


Autoria, conforme indicação na B.D. da S.P.A.



Na sequência dos verbetes anteriores, ainda as tão importantes autorias!...

sábado, março 13, 2010

"A MINHA PRONÚNCIA"




Canção do Sul, 1936

http://fadocravo.blogspot.com/2008/10/argentina-santos-minha-pronncia.html

Afinal, ao contrário do que eu ingenuamente pensava, chegou-me a notícia de que, no que ao "Divas do Fado" se refere, vai tudo continuar como está, sem qualquer reparo público, até mesmo porque "já está quase tudo vendido"... Sem querer tornar-me maçadora e apenas em prol do rigor e respeito que esta matéria me merece, deixo aqui estes recortes de uma Canção do Sul, de 1936, onde colhi a informação da autoria de um dos fados a que, na supracitada colectânea, se atribui créditos incorrectos, o fado "A minha pronúncia", que aparece como sendo da autoria de Alberto Rodrigues, sendo afinal, tudo leva a crer, de Clemente J. Pereira, e do repertório de Carolina Redondo, como já então se declarava.
É provável que, em fonogramas anteriores, por qualquer erro de simpatia, tenha sido indevidamente indicado, como autor da letra, o Alberto Rodrigues (que nem sei mesmo se já escreveria para fado em 1936...), mas, tendo sido levantada a dúvida, perante o documento que acima se exibe e que não é por certo apenas do meu conhecimento, pressupondo assim, que alguém indevidamente esteja a receber royalties em vez de quem devia... pergunto, haverá alguma estapafúrdia lei que proíba a reposição da verdade?!... que impeça que se rectifique erros anteriores?... Sinceramente, não creio! E, a existir, tem absolutamente que ser alterada, parece-me.
É que, se se pretende que tenha o Fado, seus autores e intérpretes a mesma importância e dignidade que se concede a outras Artes, teremos que começar por tratar estes assuntos com a seriedade e saber que os mesmos requerem, e não de uma forma aligeirada, apressada e pouco académica, como se fosse completamente indiferente , neste caso, por exemplo, ser um ou outro o autor da letra do fado em causa...
Fico desiludida, e mesmo pesarosa, com o facto de esta colectânea ter saído com tantas incorrecções e de que nada se faça para as colmatar, tanto mais quanto é obra pela qual são responsáveis dois jornalistas de algum gabarito, particularmente o Nuno Lopes que, diga-se em abono da verdade, muito tem feito pela res fadística, de que é mesmo um estudioso e conhecedor.
Concluindo, se eu já tinha dúvidas, com mais dúvidas fiquei!...
Pergunto, será trilhando estes caminhos que Portugal vai apresentar a candidatura do Fado a Património Imaterial da Humanidade ?!...

quarta-feira, março 10, 2010

OH, DIVAS!...


Recorte da pg.72 do Livro4CD "Divas do Fado"

Bem me dizia a mim o coração que, depois daquele primeiro mau contacto com o supracitado livrinho, deveria ficar-me por ouvir a música e prontos!... mas a curiosidade, espreitando maldosamente, açoitava-me a vontade e... quando dei por mim já estava a ler e a revoltar-me, quase a cada linha que lia; porém, já que tinha caído na tentação, continuei... encontrando dislates atrás de dislates, até que, a páginas 72, encontro este enorme despautério de que aqui publico cópia, dando assim ensejo, aos meus muitos leitores, de, como eu, o verem "claramente visto", não vos deixando dúvidas do que claramente vi... Não acredito que, quem escreveu essas linhas, não saiba que o autor do citado livro, que em 1937 "traçou a biografia de alguns dos nomes da primeira linha fadista...", foi o escritor e jornalista A. Victor Machado e que o também escritor e jornalista Artur Inês apenas contribuiu com umas "Notas para um prefácio", sendo que o editor terá sido, creio eu, a Tipografia Gonçalves, igualmente editora de outras obras da mesma época e do mesmo autor...

Quero crer que este erro, bem como os outros que referi em verbete anterior e aqueles a que apenas aludi de um modo geral, como dislates, se deve simplesmente à falta de uma imperiosa revisão de texto... seja como for, parece-me que o Fado deve merecer o mesmo respeito que outras matérias e começa a ser tempo de ser tratado por Académicos, que não têm apenas o Diploma, mas que dão provas de que efectivamente o possuem... Isto de se dizer que se é historiador, por ex., e dar de seguida uma caterva de erros, é mais grave do que simplesmente se intitular investigador, embora nada o credencie enquanto tal...

Creio que a minha indignação é legítima e nem sequer exagerada! É que este livro, como outros que se têm publicado, igualmente crivados de incorrecções, servem, a mor das vezes, de consulta a estudantes da disciplina que acabam por reproduzir, nos seus trabalhos, essas tontices e, mais grave ainda, ficarem delas convencidos. É natural; se eu compro um livro acerca de biologia, escrito por alguém que é apresentado como especialista na matéria, em princípio, não vou sequer validar as informações prestadas, não é verdade?...

Espero que, desta vez, este meu verbete seja alvo de comentários, como o foi a matéria noticiada pelo Vitor Marceneiro, relativa ao Gabino Ferreira, assunto no qual, ao Marceneiro, apenas se pode apontar a sua ingenuidade, ao acreditar em certas fontes... de facto, o erro parece ter sido do J.M.Osório que encontrou uma certidão de um indivíduo com o mesmo nome do Gabino e a tomou como certa, divulgando-a, não tendo questionado as diferentes datas de nascimento... De todo o modo, nem o Victor, nem o Osório, detêm as qualificações académicas dos autores da colectânea em questão, o que, de algum modo, lhes alija a carga de responsabilidade.

E não vale a pena continuar a fazer de conta que o que se escreve num blog não tem a dignidade do que se escreve num BOOK!... Este é o veículo de informação do Futuro e eu, do cimo da minha provecta idade, já lá estou!... Mas não em "pontas"!... Estou com a humildade que o saber requer e trato toda a informação, que aqui costumo deixar, com o mesmo cuidado que sempre investi na docência, exactamente porque me respeito e a quem por aqui passa e igualmente respeito e amo a matéria de que trato - o Fado... Que faria se publicasse em Livro! É que, aqui, até dá para emendar; em BOOK, agora, nem com Errata! Só retirando e voltando a publicar!... Para já, oiçam os CD's. Não estão mal!...

Como nota de rodapé, apenas queria esclarecer que Berta Cardoso, também ao contrário do que se refere no livrinho, se manteve em actividade até à década de 1980 e não 1970, tendo, em 1981, após um curto interregno, regressado às casas de fado, convidada para "inaugurar", em Alfama, "O Poeta", de cujo elenco também fazia parte a grande Natália dos Anjos... e, em 1982, ainda gravou para o programa televisivo "Artistas".

Alea jacta est, Oh Divas!...

terça-feira, março 09, 2010

MARIA JÔJÔ - "Taverna do Fado"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Maria Jôjô é o nome artístico de Maria José Lopes Botas, natural de Nisa, que, com 16 anos, se estreou no "Galito", ao lado de Rodrigo e de Carlos Zel e que seguidamente cantou no "Tabuínhas" e na "Viela", com Berta Cardoso, que foi sua Madrinha de Fado. Integrou também, entre outros, os elencos do "Timpanas", do "Luso" e do "Faia", com Lucília do Carmo, Carlos do Carmo e Tristão da Silva. Actuou em vários países, de Espanha a Macau. Aos 18 anos, começa a cantar na "Taverna d'El Rey", ao lado de Maria Valejo e é nesta casa de fados, de que é proprietária há cerca de 30 anos, que se mantém e que todas as noites continua a cantar o fado, à frente de um seleccionado elenco de que presentemente fazem parte Ana Maria, Isabel Raimundo e Lúcio Bamond, acompanhados por Carlos Macedo e Eduardo Tereso. http://www.taverna-del-rey.com/ . http://tavernadelrey.pt.tripod.com/ . Esta é, de certo, a "Taverna do Fado", que Mário Raínho escreveu e que Maria Jôjô, com tanta intenção, interpreta.

segunda-feira, março 08, 2010

Ó, DIVAS! QUO VADIS?...




Sou pouco de "dias", mas tendo ontem reparado que se comemoraria hoje o Dia Internacional da Mulher, pensei que seria este o dia mais indicado para deixar aqui um breve apontamento acerca da última obra da Difference - iPlay, DIVAS DO FADO, uma colectânea da parceria Nuno Lopes / Manuel Halpern, ambos jornalistas e estudiosos de Fado, igualmente responsáveis pela "maior obra de sempre reunida num só volume" (sic), a anterior colectânea, "comemorativa dos 150 anos de Fado", FADO SEMPRE!... De modo que, pensando valer a pena o incómodo e a despesa, lá me desloquei ao mais próximo estabelecimento onde adquiri o BOOK4CD, i. é., em português, o LIVRO4CD, expressão que não aparece traduzida, sendo embora bilingue a edição... Agora, não sei se fiz mal ou bem, porque não é agradável o que tenho a dizer, mas não posso deixar de o fazer, pese embora o muito apreço que tenho e espero continuar a ter pelo Nuno Lopes...
Comecemos por observar a contracapa deste DIVAS DO FADO - ali se começa por afirmar que a obra "tem o intuito de sublinhar a importância da mulher no Fado", o que, na minha sempre discutível opinião, nem me pareceria necessário, uma vez que é coisa tão evidente... há mesmo quem só goste de ouvir Fado no Feminino, perfilhando eu própria esse gosto, apenas excepcionando o Marceneiro, a quem chamaram, por algum bom motivo, "A Severa Masculina" e poucos mais; não quer isto dizer, já se vê, que não haja excelentes cantadores, DIVOS, até!, mas por qualquer inexplicável razão, as vozes de Fado acontecem, quase sempre, no Feminino... Ora, mesmo quando essas vozes acontecem, nem sempre alcançam aquele patamar que permita conceder-lhes o epíteto de DIVA, não pelo facto de ser um conceito exclusivo do belo canto e inadequado ao Fado (que, lá por isso, já foi até designado por "ópera do povo"), mas tão só pelo facto de essas cantadeiras, se bem que notáveis, não terem a respectiva e merecida Fama... Digamos, para além do jogo de palavras, é mesmo necessário que as DIVAS tenham VIDAS!...
Ora, atentando nos nomes, que vim logo a ler pelo caminho, inscritos na contracapa, alguns há que me são completamente desconhecidos e creio que, igualmente, à grande maioria do público português e estrangeiro... são fadistas que, na maior parte dos casos, não têm ainda a requerida projecção nem terão repertório próprio ou então, por qualquer obscuro motivo, são apresentadas a cantar repertório alheio, quando bem se sabe que, nesta particular questão "divesca", é basilar o repertório, ou o tema que a Diva criou e mais ninguém interpreta tão bem... isso, sim, começa a cimentar-lhes a VIDA de DIVA...
Adiante, e ainda e só a nível da traseira do livro (que acima se reproduz e pode ser ampliada, clicando em cima) não percebo porque é que a Tereza Tarouca se encontra no CD1 e porque é que a Patrícia Rodrigues e a Diamantina figuram no CD2 ?!... Quanto à escolha das cantadeiras consagradas, é coisa que nem questiono e que toda a gente sabe que tem sempre, antes da qualidade, imensos interesses em jogo, alguns comerciais, outros de vulgar comadrio/compadrio, fora todos os outros que aqui me escuso de enumerar...
É claro que, vendo eu que um dos fados com que se recorda a Argentina Santos é o "A Minha Pronúncia", fui logo à procura das autorias declaradas e tau! lá está o Alberto Rodrigues, como aparece no livrinho do MdF! De facto, neste caso nem tenho dúvidas de que esta letra é mesmo do Clemente José Pereira, que a escreveu para o repertório da Carolina Redondo, que tinha a pronúncia característica de Setúbal, donde era natural; a Argentina bem o sabe e pode confirmar, bem como outras cantadeiras antigas que disso ainda bem se lembram; que era do repertório da Argentina, foi daquelas invenções que correu por aí, mas que a letra já fosse também do Alberto... Há uma Canção do Sul, de 1936, salvo erro, onde se reproduz a letra e se indica, como era hábito na época, o autor e o repertório; sem dúvidas!... Dúvidas me deixou a indicação da autoria musical deste fado - "Fado Marceneiro"- é alguma nova designação?!...
Passei à Berta Cardoso. Pergunto -o José Pereira, autor do "Não vou contigo" é agora José Nunes Pereira!? e o Lopes Victor, autor do "Vida vazia" é agora José Francisco Victor?!...
Ainda de assinalar a declarada autoria - Guilherme Rosa - do "Amor sou tua", que mais correctamente deveria ser indicada - Guilherme Pereira da Rosa; de igual modo, a autoria do "Sou tua", será correctamente atribuída a Domingos Gonçalves Costa e não Domingos Costa, como se indica e pode ocasionar confusão com esse autor; a autoria do "Janelas enfeitadas" cometida a um tal Casimiro Miguel Ramos ?!... decidam-se!... é do Casimiro, pois então!; uma Maria Manuela (?) Cid, autora do "Passeio à Mouraria", um erro grosseiro, de falta de revisão, uma vez que o nome desta autora está correctamente indicado a nível doutro fado; um Armando Freire, que não sei se será o Armando Augusto Freire, no fado "Ser tudo ou nada"... Enfim, uma cabazadazinha...
Finalmente, no CD3, os fados interpretados pela Teresa S. Carvalho, estão indicados na ordem inversa, ao 07. corresponde o 08. e vice-versa ... Isto, do que vi e ouvi até agora... espero bem não encontrar mais incorrecções... É que fico mesmo chateada, pois fico! Por vários motivos; primeiro, pela falta de consideração que se mostra ter pela clientela e pelos próprios autores em referência na obra; segundo, porque adquiro estas obras com o objectivo de aprender alguma coisa com quem supostamente sabe mais do que eu e depois sinto-me enganada e, mais grave ainda, com a noção de que é mais uma obra a lançar a confusão, em vez clarificar...
Mesmo para terminar, é lamentável que o Centro de Documentação do Museu do Fado, a que se alude nas páginas finais, que possui uma "Base de Dados...sobre centenas de personalidades do universo do fado", não se encontre disponível online, possibilitando o acesso público a qualquer hora e de qualquer lugar, o que, isso sim!, seria excelente para a divulgação e concretização da Cultura Fadista que o mesmo é dizer da Cultura Portuguesa!... A mim, dava-me um jeitão!... Até mesmo porque não é todos os dias e é mesmo muito raro ter à mão "quem sabe mais de Fado do que todos nós juntos!"...