quinta-feira, agosto 11, 2005

ÁRVORES


Quercus suber - Sobreiro Posted by Picasa

Árvores do Alentejo

Horas mortas... Curvada aos pés do Monte
A planície é um brasido e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a benção duma fonte!

E quando, manhã alta, o sol posponte
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!

Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!

Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
- Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!

Um belo soneto de _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _ _



Todos a banhos, hem!
Pois bem, então eu faço a pergunta e dou a resposta!... De resto, já estou habituada, tenho anos de experiência!.....

O soneto é de FLORBELA ESPANCA

quarta-feira, agosto 10, 2005

No camarim


Ensaio Posted by Picasa

Sabem quem são ou querem que diga ?...
Os dois cavalheiros formavam um Duo (........) e gravaram, com Berta Cardoso, um disco (LP) para a Capitol - A Visit to Portugal.
A lady ("eu sou uma lady!") é uma famosa fadista, que também passou pelo teatro de revista, mas de quem ultimamente muito pouco se tem ouvido falar.
E não digo mais nada, chega de blá, blá, blá!...

........Então, eu digo:
Da esquerda para a direita- Raul Indipwo, Beatriz da Conceição e Milo MacMahon
Raul e Milo formaram, em 1959, o Duo Ouro Negro.

segunda-feira, agosto 08, 2005

FADO E TOIROS


E TAMBÉM PARA OS HOMENSPosted by Picasa

Eu sei que é difícil entender certos sentimentos, que são quase inexplicáveis, mas a verdade é que existem maneiras de sentir e querer e amar muito diversas e todas elas respeitáveis...
É verdade que sempre nos parece que a nossa maneira de ver é a melhor e única aceitável...
Seria, portanto, lícito que eu achasse, já que gosto de touradas, que todos devessem também gostar... Mas não; respeito todos quantos, pelas mais variadas razões, não gostam da chamada Festa Brava e compreendo que até "detestem" quem goste... Por isso, a única coisa que reclamo é que, do mesmo modo, respeitem os meus gostos... Refiro-me, já se vê, à TOURADA. O que me espanta é que, tendo eu já abordado outros temas bem mais importantes, que nem um comentário mereceram, este, inexplicavelmente, levantou alguma acesa discussão... Em que eu não vou entrar. Quero só referir que o que eu disse, no post de 3 do corrente, não pode ser entendido como uma constatação do presente, mas sim como uma referência histórica: "Touros e fado, fadistas e toureiros, sempre se deram bem..." ; não afirmei que se continuem a dar, embora se esteja de novo a promover, por exemplo, a actuação de fadistas em praças de touros.
Que ligar o Fado à Tourada seja "dum passadismo atroz e duma cegueira tradicionalista que não faz sentido no séc XXI", será uma opinião que respeito; acerca do assunto só se me oferece dizer, ainda uma vez, o seguinte: gosto de Fado e gosto de touradas e ambos fazem sentido, para mim, neste século XXI em que muito pouca coisa parece fazer sentido...
Não faz sentido a fome, não faz sentido a crueldade , não faz sentido o terrorismo, não faz sentido a guerra, não faz sentido o abuso, a violação, a mutilação, o abandono, a indignidade, a destruição; não faz sentido que o Homem tenha construído e detenha um arsenal bélico de que uma ínfima parte já daria para destruir o planeta...
Neste contexto, permitam-me ajuizar que, o facto de não fazer sentido ligar o Fado à Tourada, será de somenos...

domingo, agosto 07, 2005

Um soneto de D. Mourão-Ferreira

EDUCAÇÃO SENTIMENTAL

Na janela mais alta de Lisboa,
és a ave chamada Todavia:
a que posta no céu não se desvia,
mas que perto do rio já não voa...

Hei-de ensinar-te, devagar (perdoa!),
a pressa com que Amor se pronuncia
e a conjugares a noite com o dia
quando o corpo do corpo se condoa...

Fecha os olhos, e voa! Mas não queiras
ao inferno do céu traçar fronteiras
nem ao céu do inferno pôr limites:

voar só vale a pena enquanto for
uma forma de amar além do amor,
furor que todavia não habites...


David Mourão-Ferreira é um dos meus poetas de eleição. A antologia poética As Lições do Fogo
é, para mim, desde há muitos anos, um dos meus livros de cabeceira. Como eu gostava de saber escrever assim!...
Óptima semana para todos.

Um Soneto de REINALDO FERREIRA


Cacti Posted by Picasa

Passemos, tu e eu, devagarinho,
Sem ruído, sem quase movimento,
Tão mansos que a poeira do caminho
A pisemos sem dor e sem tormento.

Que os nossos corações, num torvelinho
De folhas arrastadas pelo vento,
Saibam beber o precioso vinho,
A rara embriaguez deste momento.

E se a tarde vier, deixá-la vir...
E se a noite quiser, pode cobrir
Triunfalmente o céu de nuvens calmas...

De costas para o Sol, então veremos
Fundir-se as duas sombras que tivemos
Numa só sombra, como as nossas almas.

sábado, agosto 06, 2005

CREMATÓRIO


HIROSHIMA - O INFERNO Posted by Picasa
imperdoável inesquecível inexorável infando inqualificável indigno inadmissível ignóbil hediondo
INEXPLICÁVEL

sexta-feira, agosto 05, 2005

Mostrar quem manda


Domínio Posted by Picasa

Na arena, é necessário respeitar o terreno do outro;
domina o que melhor souber usar a cabeça.
Felizmente que, na maior parte dos casos, é o touro que "baixa a cabeça" ou tenta fugir da sorte; é o homem que, de joelhos ou em viagem, pára o touro. E digo felizmente porque, embora goste muito de animais, gosto mais dos da minha espécie (embora nem sempre mereçam...) e por isso me apraz recordar que a "força" do pensamento é capaz de vencer a força bruta...
Isto para dizer que o que se passa numa arena não é, como alguns afirmam, uma luta desleal e bárbara, cujo objectivo é a imolação do touro e para dizer também que os toureiros não são os selvagens do século e nem os aficionados se encontram entre os serial killers que a civilização produziu...
É incontestável a beleza plástica do espectáculo. Devo confessar, no entanto, que, para mim, seria perfeito se não fosse necessário castigar o touro... às vezes, aquele sangue incomoda-me, mas também é verdade que mais me faz admirar o animal que continua a lutar e não se dá por vencido, mostrando a sua nobreza...
Finalmente, lembrar que os toiros bravos são criados unicamente para este fim e que, se acabarem as corridas, provavelmente esta espécie será "descontinuada"... É verdade que, em Espanha, acabam mortos na arena e que, durante a lide, se pica o toiro, mas também é verdade que só vai ver o espectáculo quem quer... Lembrar também que os boizinhos e vaquinhas de que comemos o belo bife ( sem reclamações nem manisfestações desses grupos de apoio aos animais), esses animaizinhos são violentamente tratados e explorados, nomeadamente as fêmeas que são transformadas em "fábricas de leite" e reprodutoras intensivas, acabando as suas tristes e breves vidas no matadouro, onde são abatidas sem dignidade e muitas vezes esfoladas ainda meio vivas... E isto, senhores defensores dos direitos dos animais, é carnificina ou não ? O abandono de animais, a criação intensiva, o treino que inclui maltratos, etc., etc., serão também objecto das preocupações dos amigos dos animais?.... Ou será que só a tourada os incomoda !?..........
Seria bom que os amigos dos animais se manifestassem menos e actuassem mais - que arranjassem estruturas para abrigar os abandonados e tratar os doentes e pensassem em formas de impedir efectivamente o abandono e maltrato dos animais, bem assim a proporcionar uma vida de menos sofrimento e uma morte menos violenta a todos os animais cujo sacrifício diário contribui para a sobrevivência da nossa espécie.
Depois, poderemos então falar das touradas!...
E agora, a solicitação ministerial, vou arregaçar as mangas que o País está a arder e não há quem consiga apagar este INFERNO. Este é um espectáculo doloroso que todos somos obrigados a ver, cujas causas e consequências são enormemente gravosas para Portugal.
O que se está a passar é terrorismo puro e duro. Senhores ecologistas, senhores Verdes, há ecossistemas importantes postos em causa. Alguém anda a destruir Portugal, mas entretanto os portugueses vão a banhos e, como na sua maioria são citadinos, residentes ou em Olissipo ou em Oporto, nem se dão conta da dimensão da tragédia.
Se eu acreditasse em Ligas, Associações, Irmandades e o camandro diria assim:
Aceitam-se inscrições para constituir a Confederação dos Amigos de Portugal.
- 'Spera lá, Manel, que já te chego o balde d'água!...

quarta-feira, agosto 03, 2005

Oooooooooop's


Sanfermin Posted by Picasa

Pois...às vezes, ganha o touro!...

Festa Brava


toureio a cavalo Posted by Picasa

Há quem não goste e há até quem condene...
Paradoxalmente, muitos, como eu, gostam de animais e gostam também de tourada.
Touros e fado, fadistas e toureiros sempre se deram bem ...
Por isso, não é difícil encontrar fados que versem temas ligados à tourada; alguns, dedicados a figuras marcantes do toureio; este, a um dos seus actores principais - o Touro.
Do fado "Touro de Vila Franca" que Hermínia Silva tão bem cantava:
"...
Eh, toiro de Vila Franca!
Eh, toiro bonito !, arranca
que tens aqui quem te faça frente
corre pr'ó meu cavalo
que eu contra ti abalo
A emoção vibra em toda a gente.
..."
(Dr. Alberto Janes)

terça-feira, agosto 02, 2005

Ribatejo


Campinos a cavalo Posted by Picasa

Uma imagem que é um cartão de visita da nossa terra, da nossa ruralidade...
A legenda, de tão óbvia, pode parecer gozação, mas não é, não... Há já por aí muita rapaziada que, de tão citadina e civilizada (!?), não distingue um cão dum javali, de cavalos só conhece os das brutas máquinas, acha que o leite vem da Ucal, o fiambre da Nobre e os sumos de fruta da Compal (passe a publicidade) e é capaz de pensar que "isto deve ser cena de Carnaval"... Por isso, à cautela, sempre será melhor a redundância!
Saudações para todos os que, contra ventos e marés, continuam a zelar pela manutenção das terras do toiro e do cavalo e, assim, de parte da nossa riqueza e da nossa cultura.

ODE


solsaph Posted by Picasa

A cada qual, como a statura, é dada
A justiça: uns faz altos
O fado, outros felizes.
Nada é prémio: sucede o que acontece.
Nada, Lídia, devemos
Ao fado, senão tê-lo.

R.R., ou seja, R___________ R________

domingo, julho 31, 2005

GATICES


Bertolina Posted by Picasa
Que saudades!...

"Se mereceste o seu amor, o gato será teu amigo - nunca teu escravo"
(Theophile Gautier)

sexta-feira, julho 29, 2005

Dá que pensar...


Gato Posted by Picasa
Grafite sobre papel
Ofélia Marques

Leonardo da Vinci considerava o Gato como sendo a "Obra-prima da Natureza"

quarta-feira, julho 27, 2005

Esta noite choveu prata

...ou ouro, ou diamantes...

Quando acordei, só me conseguia lembrar da letra de um fado que diz assim:

Esta noite choveu muito
nas pedras da minha rua
depois vi nelas a sombra
que me parecia ser tua
Esperei que subisses a escada,
mas teus passos não ouvi
Lá fora, as pedras molhadas
pareciam chorar, chorar por ti.
... .... ....
De Eduardo Damas e Manuel Paião, criação de Fernanda Maria, mas que ouvi muitas vezes na voz de Flora Pereira, muitas noites no Nónó, um lugar que já teve o melhor elenco de Lisboa e onde "já fui muito feliz", como diz o Malato.

Hoje estou feliz porque choveu e por ter saudades daquele passado
Por isso, meus queridos, vos desvendo a autoria das quadrinhas do post anterior - são do nosso querido e genial poeta FERNANDO PESSOA.
Quando eu estiver ainda mais feliz vos direi a quem dedico a segunda ...
UM BOM DIA, se puder ser, ÓPTIMO!

terça-feira, julho 26, 2005

Complete se souber

Duas quadras ao gosto popular de um genial poeta português que se chama_______________

Esta primeira quadra dedico-a a todos quantos me visitam neste sítio:

Todos os dias que passam
Sem passares por aqui
São dias que me desgraçam
Por me privarem de ti.
(19.09.934)


E esta vai direitinha para _____________________

Teu xaile de seda escura
É posto de tal feição
Que alegre se dependura
Dentro do meu coração.
(AGO.1934)

sábado, julho 23, 2005

"Todos os Fados de A a Z" - Revista Visão

O Sr. Osório e a Visão brindaram-nos com mais um volume - o 12º - desta colecção anunciada, entre outras coisas, como "o primeiro dicionário de fados", "um trabalho de investigação verdadeiramente único", trabalho esse de pesquisa e investigação levada a cabo pelo autor José Manuel Osório, durante 20 anos...
Permito-me pensar que terão sido uns escassos 20 anos, uma vez que, embora não sendo os intérpretes o principal objecto desta colectânea, logo, da investigação do autor, como o próprio tem vindo a esclarecer, não terá havido tempo para investigar devidamente os dados biográficos dos intérpretes apresentados. Tenho vindo a apontar algumas dessas incorrecções detectadas, do pouco que sei de fado. Mas, desta vez, o Sr. Osório conseguiu surpreender-me - mandou às urtigas os cânones académicos e, como durante os 20 anos de pesquisa e investigação não encontrou informações sobre a fadista Eduarda Maria, nem a terá nunca encontrado no meio do fado (?), a que ambos pertenciam/e, aviou a receita sem complexos e premeia os seus leitores com a melhor, digo, a mais esclarecedora das informações:
Dados Biográficos- Nome completo: Maria Eduarda Leite dos Santos
NATURALIDADE: DESCONHECIDA
LOCAL DE ESTREIA: DESCONHECIDO
Ora esta!
Alguém fará o favor de me indicar no mapa estes locais ?
É que, debalde, já procurei.....
Obrigada, Sr. Osório, por assim contribuir para a minha cultura geral!

quinta-feira, julho 21, 2005

Loucura no Jansen !


"Fado da Loucura" Posted by Picasa

Mais um recorte de imprensa de outros tempos para avivar algumas memórias ...
E, sempre, para recordar o Fado, que faz parte da história de Lisboa, ou, se quiserem, recordar Lisboa, que faz parte da história do Fado...
Com letra e música do genial Júlio de Sousa, que lá por não ser lembrado como devia, também faz parte da história de Lisboa e da do Fado

É loucura querer-te bem
sou irmã da desventura
tinhas razão minha mãe
É loucura adorar-te
estar sedenta de ternura
sem mesmo poder beijar-te

Chorai, chorai
guitarras da minha terra
o vosso pranto encerra
minha vida amargurada
E se é loucura
amar-te desta maneira
quer eu queira, quer não queira
não posso amar-te calada

Hei-de ser sempre tua
hei-de subir e descer
os degraus da tua rua
Adorado, serei louca
mas a loucura é bem pouca
para o que tenho passado

Chorai, chorai
...

domingo, julho 17, 2005

AGRADECIDA


R. Precision Posted by Picasa


A minha gratidão a todos quantos visitaram o site www.bertacardoso.com e se deram ao cuidado de comentar, o que é muito importante. Acrescida aos que, para além disso, divulgam nos seus blogues, os endereços, quer deste blog, quer do site acima referido, assim os dando a conhecer, o que também é extremamente importante.
Todos os comentários são úteis e necessários porque me permitem avaliar o trabalho produzido e fazer correcções, se for caso disso. Por isso, continuo a contar convosco.
As minhas desculpas pelo facto de ainda estar a ultimar alguns melhoramentos e funcionalidades, nomeadamente a nível do som.
Finalmente, aqui fica uma sugestão para uma visita a
onde encontrei um artigo (infelizmente) anónimo :"A Colecção Público 100 Anos de Fado", acerca daquela colecção. Primoroso! Parabéns ao autor!

sábado, julho 16, 2005

FADO em Segóvia


Segovia Posted by Picasa

No próximo dia 28, pelas 22,30h., no Pátio de Armas de El Alcázar, vai ouvir-se o Fado na voz de Argentina Santos.
Aqui fica o aviso para os apreciadores (il.dissoluto incluído) que talvez possam ainda ir assistir ao espectáculo... Mais informações em www.festivaldesegovia.org/20050728.htm
Até lá!.......

quarta-feira, julho 13, 2005

Citação

Há mais de 2000 anos, disse Gaius Julius Caesar (100 - 44 a.C.), mais conhecido por Júlio César:

"Há, nos confins da Ibéria, um povo que nem se governa nem se deixa governar..."


Alguém me saberá dizer que povo seria/será este a que J. César se referia ?

terça-feira, julho 12, 2005

Imortalidade


Berta Cardoso, a Voz de Ouro do FadoPosted by Picasa

Faz hoje 8 anos que morreu Berta Cardoso.
Em sua homenagem, nasce hoje o site www.bertacardoso.com
Já pode ser visitado, mas está ainda em instalação...
Todos os comentários serão bem vindos.

domingo, julho 10, 2005

Destruição


SPITFIRE Posted by Picasa

Haverá ainda alguma coisa por arder, em Portugal ?
Os incendiários têm cumprido bem; nada tem escapado
e todos, sem darmos por isso, estamos já a pagar bem caro a destruição da flora e da fauna que os fogos vêm provocando...
Os incendiários continuam impunes e os outros, que combatem as chamas e/ou que vêm os seus parcos bens desaparecer, continuam a combater contra inimigos que não sabem quem são, onde estão, onde vão lançar o próximo rastilho... Não é isto também uma forma de terrorismo?
Vamos deixar arder o país todo ?!
Ninguém vai tomar medidas?
O que se passa para lá das portagens da Cidade não é importante, não interessa a maioria ?
Somos um país cada vez mais afastado das suas raízes, do contacto com o meio rural e isso cria distâncias perigosas da realidade.
Talvez que achemos mais dramático os recentes ataques terroristas, pelo nº de mortes imediatas e destruição de estruturas e equipamentos... É assim que valorizamos tudo- temos receio de uma salmonelose, mas nem nos lembramos da quantidade de contaminantes, que podemos estar diariamente a ingerir, porque os resultados não são imediatos e, daqui a alguns anos logo se verá... As estruturas e equipamentos refazem-se num ou dois anos, as árvores levam mais tempo a crescer... O Planeta respira melhor se não tiver que suportar grandes cidades e indústrias, mas sem verde não pode respirar... Destruir a flora do planeta é o mesmo que destruir os pulmões ao Homem...
E o pior disto tudo não é o eu estar convencida de que este país é constituído maioritariamente por uma população de pedantes, saloios e ignorantes; não ! Eu estou mesmo convencida de que a maioria dos Senhores incendiários sabem muito bem o que andam a fazer, como o fazem e porque o fazem. Só continuo sem entender o motivo de pouco mais se fazer, contra esta forma de terrorismo, para além do óbvio - apagar os fogos.

Fadista Mariana Silva


Fadista Mariana Silva, cantando na "Parreirinha", acompanhada pelo viola José Maria de Carvalho e pelo guitarrista Costa Branco (1998)Posted by Picasa

Esta é, porventura, a fadista viva mais antiga (mas não a mais velha) que começou a cantar com a idade de 10 anos, no Monumental, na R. Carvalho Araújo, e era então conhecida como "A miúda do Alto do Pina".
Na 1ª página da revista Ecos de Portugal, de 1 de Maio de 1948, exibe-se a foto da "juvenil cantadeira" salientando-se que, embora contando apenas 14 anos, "está autorizada pela Inspecção Geral dos Espectáculos a cantar". Para que conste, acrescenta-se que foi o Coronel Óscar de Freitas quem, na altura, deu aquela autorização, mas com uma restrição: a pequena cantadeira só podia permanecer nas casas de espectáculo até às 23 horas.
Cantou (e encantou), durante mais de 50 anos, na maior parte das casas de fado do país, mas também em França, na Bélgica, na Alemanha e na Holanda.
Quando se retirou (1999), fazia parte do elenco da Parreirinha de Alfama, a casa de fados/restaurante pertencente a Argentina Santos, casa a cujo elenco já tinha pertencido, nos anos cinquenta, e de que também faziam parte Berta Cardoso, Lina Mª Alves e Júlio Vieitas, e era então propriedade de Alberto Rodrigues, que também escreveu letras para fados.
Do seu vasto repertório, os seus maiores êxitos terão sido os fados: A Minha Sina, de Henrique Rego e Alfredo Marceneiro; Erva da rua, de J.Linhares Barbosa e Armandinho; A Sina das Marianas, de J.Linhares Barbosa e J. António Sabrosa; Santa Mãe, de J.Linhares Barbosa e A.Marceneiro e Amar não é pecado, de Moita Girão e Pedro Rodrigues, para só referir alguns.

sexta-feira, julho 08, 2005

"Todos os fados de A a Z" - Revista Visão

O volume nº 10 da colecção inicia com o Fado Magala, fazendo-se uma referência ao fado "Cinta Vermelha", do repertório de Berta Cardoso, letra de J. Linhares Barbosa, cujo manuscrito original se exibe e acerca do qual se concede ter sido um enorme êxito. No entanto, para ilustrar o Fado Magala exibe-se, na Faixa 1 do CD, não a interpretação de "Cinta Vermelha", por Berta Cardoso, mas a de Quadras soltas, por Fernanda Maria. É escolha do autor e ele lá sabe porquê...
Na faixa 2, para ilustrar o Fado Manuel Soares, reconhecendo J.M. Osório que "É, porém, na voz de Berta Cardoso, com poema daquele a quem chamavam o "Príncipe dos Poetas", João Linhares Barbosa, que este fado faz fulgurante carreira", é dada a ouvir uma versão de "Tia Macheta" pela fadista Maria de Fátima... É também escolha do autor e ele bem sabe porquê...
J.M.Osório tem a noção que estas suas escolhas (e outras anteriores) não deverão ser muito consensuais e poderão até levantar certas questões, pelo que, ele próprio se antecipa e se desculpa, como miúdo apanhado a cometer mais uma patifaria. Ora ouçamo-lo:
"OBS: Criado por essa grande cantadeira que se chamou Berta Cardoso. Alguns perguntarão: então porque não incluiu a versão da criadora? E eu tenho de responder, mais uma vez, que esta selecção não gira à roda de nomes de artistas, mas sim à roda de nomes de fados. ..."
E eu diria que tem dias, como a corrente!...
E, terminando, não quero deixar de, mais uma vez, chamar a atenção para o facto de todos os dados biográficos da fadista Mariana Silva se encontrarem errados (ver meu post de 17.06.2005) o que deverá ser entendido como uma falta de consideração por todos aqueles que compram a obra, não só para ouvirem fado, mas também para se informarem, nos quais me incluo.
Ninguém tem obrigação de saber tudo; é mesmo uma impossibilidade. Mas todos têm obrigação de informar com isenção e rigor.
Digo eu...

quinta-feira, julho 07, 2005

FIFI


Olá ,Valéria! Posted by Picasa
Muito agradeço a sua opinião a meu respeito e acho que deve ser óptima pessoa
Até um dia destes
Fifi

segunda-feira, julho 04, 2005

"O FADO É QU'INDUCA..." ?

Ah!, pois é!..........
Na revista «Cartaz de Lisboa» (1937), a letra que a seguir se transcreve, da autoria de J.Linhares Barbosa, foi um enorme sucesso na voz de Berta Cardoso:

Resposta a tempo

Em certa escola dum país 'strangeiro,
O mestre chama ao atlas um petiz
E diz-lhe: meu rapaz, com o ponteiro
Aponta nesse mapa o teu país.

O garotinho, então, não se embaraça...
Olha a carta da europa... e no final,
Orgulhoso, gentil, sereno, traça
Todo o nosso país continental.

Retorque o professor: - a tua terra
Julguei que fosse uma nação tamanha...
Tamanha como a França, ou a Inglaterra,
Como a Itália ou como a própria Espanha!...

Torna o garoto para o mestre-escola:
- Temos colónias, essas maravilhas;
Moçambique, Timor, Macau, Angola
E temos além disto muitas Ilhas !...

Pode sentar-se, diz-lhe o professor.
Todos sorriem desdenhosamente,
Mas o petiz... «Geraldo Sem Pavor»
Encara todos, rude, frente a frente.

E diz: - podem sorrir à farta, gargalhar
Porque o vosso despeito não me ofende.
É certo: «Quem desdenha quer comprar»...
Mas o meu Portugal nunca se vende.


Pobre petiz! Como estava enganado!...........

domingo, julho 03, 2005

"Todos os fados de A a Z" - Revista Visão


Caricatura de Berta Cardoso Posted by Picasa

No nº 9 da obra em epígrafe, ilustra a pg. 16 um "negativo" da caricatura que aqui se exibe e que é cópia do original; o "negativo" não é, pois, reprodução da caricatura primitiva o que, em legenda, deveria constar ; entendeu, contudo, o responsável pela obra - J.M.Osório- deixar-nos nessa ignorância e também não indicar o autor do desenho. Como investigador que se preza, legendou: "Caricatura de Berta Cardoso por autor desconhecido." Agradeço a informação!......
A pgs. 28/29 trata-se do Fado Loucura, do compositor Júlio de Sousa (1906-1966), figura maior das artes, mas a quem também se não tem dado a visibilidade merecida. Nomeiam-se vários intérpretes, mas nem uma referência a Berta Cardoso... Será por ignorância? Não me parece... Aqui se complementa a informação (depois hei-de fazer contas consigo, ó Sr. Osório) .
Na 1ª página da revista Guitarra de Portugal de 30.OUT.1930, pode ler-se:
"No meio fadista,... Berta Cardoso chegou, cantou e venceu.
.............
Não a lançaram com adjectivações retumbantes de cartaz; ela mesma se lançou, mercê do seu próprio mérito.
.............
Mas onde atinge o máximo, onde vinca mais brilhantemente a melhor faceta da sua personalidade - é no «Fado da Loucura», com o qual sabe conquistar e dominar quantos a escutam, tal o sentimento inédito que lhe imprime, tal a originalidade que empresta a uma canção que o uso - e principalmente o abuso, tornaram quási banal.
Berta Cardoso fez do «Fado da Loucura» uma verdadeira loucura..."
As editoras discográficas para as quais Berta Cardoso gravou, parece não terem acautelado cópias das gravações, mas isso é outra história que, a seu tempo, será também contada...
Mas por seriedade intelectual e rigor histórico, seria bom que estes livros, que pretendem ser de referência, respeitassem, mais do que qualquer outro interesse, a verdade, não é ?

sexta-feira, julho 01, 2005

CASAR

Relembrando António Boto,
a propósito... ou a despropósito... ou mesmo de propósito....

Casar, mas, para quê se o casamento
Não significa o verdadeiro amor?
E se ele existe e seja como for,
Deixa de ser amor nesse momento.

Leva-se a vida, então, no sofrimento
De um conflito movido no torpor
Que amortece o respeito e esse pudor
Necessários a nós e ao sentimento.

Com restritas e raras excepções
O homem e a mulher andam no mundo
Ao sabor das mais doidas ambições.

E mutuamente, embora não pareça,
Desejam ambos libertar-se, a fundo,
Ou aguardam que a morte os favoreça.

(in Sonetos)

quarta-feira, junho 29, 2005

TUDO ISTO É FADO

Na sequência do meu último post e a propósito do comentário da fadista Valéria Mendez que refere ter ainda sido acompanhada pelo Martinho d'Assunção, numa noite para esquecer (já li o Post), fui procurar, nalguns livros que tenho sobre fado, a informação do ano da morte do Prof. Martinho, uma vez que, embora eu tivesse a ideia que teria sido nos finais da década de oitenta, início da década de noventa, não sabia exactamente qual o ano.
E assim é que, no livro Histórias do Fado (1999), Ed. Ediclube, de Maria Guinot, Ruben de Carvalho e José Manuel Osório, encontrei, a pgs. 366, a informação de que o violista e compositor em apreço nasceu em Lisboa em 1914 e morreu em 1992, na mesma cidade. Por curiosidade, continuei a ler o apontamento biográfico e, mesmo a terminar, leio esta coisa extraordinária: "Foi casado com a cantadeira Berta Cardoso." Extraordinária afirmação esta, não porque não pudesse ser verdade ou fosse facto fora do normal, mas porque produzida por responsáveis que deveriam ter por objectivo principal informar correctamente ; de facto, Berta Cardoso nunca foi casada, embora tivesse sido mãe. Os autores, que, de resto, tiveram acesso aos Arquivos da Casa do Fado e da Guitarra Portuguesa, onde se encontra o espólio de Berta Cardoso, bem podiam tê-lo consultado a fim de fazerem um trabalho sério e rigoroso. Mas não, não ficou por aqui o disparate. No mesmo Capítulo, o V - Vidas, pode ler-se também, a pgs. 292 e 295, uma breve biografia de Berta Cardoso, podendo registar-se as seguintes incorrecções:
"Nasceu em 1913 e faleceu em 1994"; não, meus senhores, nasceu em 1911 e faleceu em 1997.
"...deu voz a vária criações que ficaram famosas, referindo-se entre elas...Saudade Vai-te Embora e Eu Quero Amar Perdidamente"; não, meus senhores, embora sendo muito verdade que Berta Cardoso tenha dado voz a várias criações que ficaram famosas, não foi a criadora destas duas, das que se indicam; o seu a seu dono!
E, finalmente, para acabar em grande, sabendo nós, como já sabemos, que Berta Cardoso não foi casada com Martinho d'Assunção, nem sequer nunca viveu maritalmente com o violista, dar-nos-ia uma imensa vontade de rir o último parágrafo desta biografia, que a seguir transcrevo, se, efectivamente, esta coisa de escrever acerca da vida dos outros não fosse assunto sério e nos não merecesse todo o respeito. Ora leiam lá:
"Casada durante vários anos com o violista Martinho d'Assunção, a sua qualidade interpretativa reflecte favoravelmente o convívio e trabalho frequente com o que foi um dos mais influentes músicos do Fado, nomeadamente da desenvoltura e perfeita dicção que a cantora aplicava a estruturas métricas complicadas como Fados Triplicados, de rimas obrigatórias."
Esta é que é mesmo de mestre!... Mas agora pergunto eu - o que terá a ver a qualidade interpretativa da intérprete com o facto de ter estado, que não esteve, casada com o músico? Será que, estando-se casada com um músico, por osmose, se canta melhor? Haverá algum tratado científico, acerca desta matéria, que eu desconheça? Será que o Carlos do Carmo, que também tem uma "desenvoltura e perfeita dicção", terá estado também casado com o professor ou terá sido antes com a Berta Cardoso ?
Ora se fossem aprender primeiro para ensinar depois!.............

terça-feira, junho 28, 2005

CINCO MAGNÍFICOS


Grupo Artístico de Fados Posted by Hello
Em tournée pelo Continente Portuguez e Ultramar(1933)

Da esquerda para a direita:
as cantadeiras MADALENA DE MELO e BERTA CARDOSO
os guitarristas JOÃO DA MATA e ARMANDINHO e o viola
MARTINHO D'ASSUNÇÃO

segunda-feira, junho 27, 2005

ÁGUA POTÁVEL


Distribuição da água na Terra Posted by Hello

Não será demais lembrar esta questão fundamental à sobrevivência da(s) espécie(s) - a manutenção, no Planeta, de água potável para todos e a optimização da gestão da quantidade disponível. Esta é uma preocupação que me acompanha há vários anos e faz parte, por assim dizer, das minhas preocupações de estimação... Não me tenho apercebido, no entanto, de qualquer estratégia que, nos últimos anos, tenha sido delineada e posta em prática por qualquer dos sucessivos governos para obstar a que, pelo menos em anos de seca severa, como é o caso presente, a falta de água não provoque todos os prejuízos que tem vindo a provocar e a que temos assistido. Parece até que tudo se tem vindo a agravar, nomeadamente com a extinção de enorme parte das zonas verdes do nosso território que fogos sucessivos têm destruído .
Provavelmente nada disto é problemático e sou eu que dou importância ao que não tem importância absolutamente nenhuma... Efectivamente, olhando em redor, não observo qualquer comportamento identificativo de uma população preocupada com a economia desse bem essencial que é a água - as piscinas estão cheias, os campos de golfe regados, há incontáveis perdas de água provocadas por roturas e outras deficiências de material às quais ninguém liga e os consumos domésticos evidenciam um completo desprezo pela poupança do bem que há-de ser o mais precioso deste século... Um dia destes vamos todos ficar muito surpreendidos quando as torneiras deixarem de deitar água. - Olha agora só nos faltava mais esta!.... E é que nem vale a pena irmos até à praia mais perto porque, como se sabe, a água do mar não serve para matar a sede e, portanto, podemos morrer de sede mesmo ali à beira água... Os grandes rios que crescem de Espanha para o nosso Oceano ficam mais diminutos, mal entram em Portugal e podem mesmo perder o caudal por terras espanholas... Se ao menos esses rios nascessem do Oceano ou de umas quaisquer dunas ao longo da nossa costa e se dirigissem depois em direcção a Espanha!!!!!!!!!!!
Acho que muitos dos mais novos (e se calhar também menos novos) estão convencidos que a água vem dos garrafões e garrafas do supermercado e/ou da torneira e fontanários mais à mão e que deles a água brota por milagre, como de resto aconteceu tão recentemente...E eu, que nestas alturas fico bem mais crente, peço fervorosamente a Deus e à Virgem Santíssima que repitam o milagre em todos os fontanários disponíveis, não esqueçam as fontes, os rios e já agora, nem as torneiras... Pode ser que, assim, passemos ainda um Verão bem fresquinho! ... E para que a felicidade fosse completa e pudessemos enfim arrostar com 40º/45º à sombra nesta cidade de cimento, pedia ainda que plantassem uma quantidade considerável de sombras por aí fora, por exemplo nos sítios donde as luminárias municipais mandaram retirar as árvores, sabe-se lá porque douta razão!...............
Com milagres assim, há lá motivo para andar eu preocupada! É mesmo vontade de arranjar problemas onde eles não existem!...............

LENA

São poemas como este, a seguir transcrito, que fazem parte da herança de quando o Fado era Fado...
Da autoria de João Linhares Barbosa, para o repertório de Berta Cardoso

Lena

Todos conhecem a Lena,
Mas talvez que valha a pena
Sua história recordar:
-A Lena não era assim,
Tinha uns lábios de carmim,
Levava o dia a cantar.

Mas o «Necas Marinheiro»,
Rapaz guapo e brejeiro,
Que de amor lhe dera prova,
Roubara-lhe essa miragem
Porque não veio da viagem
Que fez lá p'ra Terra Nova.

Pobre Lena! Debruçada
Na sua água-furtada,
Que é virada aos oceanos,
Diz-se que morre de amor
À espera do pescador
Que partiu há muitos anos.

Mas o lugre «Boa Sorte»
Não voltará mais do Norte,
Perdeu-se no mar sem fim...
É uma história bem pequena,
Mas tenham pena da Lena,
Que a Lena não era assim...

(1937)

sábado, junho 25, 2005


Da esquerda para a direita: J. Linhares Barbosa, Berta Cardoso e Alfredo Marceneiro Posted by Hello

sexta-feira, junho 24, 2005