quarta-feira, setembro 30, 2009

ARTUR RIBEIRO - "Fiz leilão de mim"

VÍDEO DE HOMENAGEM
Talvez de razão perdida / Quis fazer leilão da vida / Disse ao leiloeiro / Venda ao desbarato / Venda o lote inteiro / Que ando de mim farto / Meus versos que não são versos / Atirei ao chão dispersos / A ver se algum dia / O mundo pateta / Por analogia / Diz que sou poeta
Fiz leilão de mim / E fui por fim apregoado / Mas de mau que sou / Ninguém gritou arrematado / Fiz leilão de mim / Tinhas razão minha almofada / Com lances a esmo / Provei a mim mesmo / Que não valho mais que nada
Também quis vender meu fado / Meu modo de ser errado / Leiloei ternura / Chamaram-me louco / Mostrei amargura / E o mundo fez pouco / Depois leiloei carinho / E em praça fiquei sozinho / Diz-me a pouca sorte / Que para castigo / Até vir a morte / Vou ficar comigo.

"Um dos casos raros de artista que não se limitava a interpretar mas igualmente compunha - e muito! - Artur Ribeiro escreveu alguns dos maiores clássicos da música ligeira portuguesa, como A Rosinha dos Limões, Nem às Paredes Confesso ou A Fonte das Sete Bicas.Natural do Porto, onde nascera em 1924, Artur Ribeiro gostava de cantar em miúdo mas o seu temperamento tímido fazia-o cantar escondido atrás de uma cortina. Em 1940, a família muda-se para Lisboa e é aqui que o seu talento é descoberto: num baile organizado pelo Clube Radiofónico de Portugal, Artur Ribeiro começa a trautear enquanto dança com uma jovem que queria impressionar, sendo imediatamente notado pelo director de programas da estação, que o convida a actuar numa festa em honra do Cônsul do Brasil. Nessa festa, por seu lado, Ribeiro é abordado por um dos responsáveis da Rádio Peninsular para se juntar ao elenco daquela emissora como tenor lírico. Empregando-se para não sobrecarregar o orçamento familiar, Artur Ribeiro vai subindo profissionalmente, passando inclusive a produtor de emissões e começando a compor as suas primeiras canções. Em 1944, estreia-se profissionalmente num espectáculo da Esplanada da Voz do Operário, ao lado de Amália Rodrigues, e em seguida estreia-se no teatro na Revista Internacional de 1945 no Coliseu dos Recreios, partindo em seguida para o Porto para substituir Luiz Piçarra na opereta A Chave do Paraíso. Em 1946 estreia-se na Emissora Nacional e, no ano seguinte, enfrentando um mau momento profissional, aceita ser cantor da Orquestra do Casino Estoril, iniciando uma nova fase da sua carreira. Modulando a sua voz para a canção ligeira, torna-se um aplaudido vocalista da noite lisboeta, transferindo-se do Casino para o Conjunto de Mário Teixeira, pianista com quem começa a compor regularmente. Em 1948 conhece Max, para quem virá a escrever alguns dos seus maiores sucessos -como Ilha da Madeira - e, em 1949, ganha o seu primeiro prémio como compositor com Canção da Beira.A par com a sua carreira de cantor, impõe-se como compositor, com êxitos como Rosinha dos Limões (que originará em 1954, uma opereta de grande êxito), Maria da Graça, Adeus Mouraria, Pauliteiros do Douro ou A Fonte das Sete Bicas. Em 1965, contabilizava 300 canções de sua autoria exclusiva e 700 letras feitas para melodias suas e de outros. Max, António Calvário, Rui de Mascarenhas, Madalena Iglesias, Júlia Barroso, Tristão da Silva, Simone de Oliveira ou Maria José Valério gravaram canções de Artur Ribeiro. Presença regular nos programas radiofónicos da APA, grava os primeiros discos em 1953 e passa igualmente pela televisão (onde se estreia em 1957) e pelo cinema (escrevendo a música de O Miúdo da Bica, com Fernando Farinha, onde participou igualmente como actor). Participou igualmente em muitos programas de variedades em Espanha. Faleceu em 1982." ( in http://www.macua.org/biografias/arturribeiro.html)

Este tema da sua autoria, que poderemos classificar como fado musicado, tal como o "Adeus Mouraria", é uma das suas letras mais emblemáticas e, quiçá, representativa da sua personalidade, como afirmam alguns dos que o conheceram.
Para lembrar este notável autor, compositor e intérprete, cuja carreira foi interrompida por questões de saúde, o seu "Fiz leilão de mim" (criação de Tony de Matos), com música de Max, letra e interpretação do próprio Artur Ribeiro, acompanhado pela Orquestra de Rocha Oliveira .

D.L.68

domingo, setembro 27, 2009

LIRA gosta de CARMINHO

Chega-nos da Suécia este recorte da Lira, uma revista especializada em música
A coluna "Lira Gillar" que, como todos sabemos :), equivale a dizer "Lira likes", o que em português significa "Lira gosta de", destaca os melhores albuns e, desta feita, de entre a produção mundial, a escolhida foi Carminho e o seu CD de estreia, sendo a crítica subscrita por Ulf Bergqvist, um sueco apaixonado pelo fado e por Lisboa, autor, com Thomas Nydahl, do belíssimo livro "Lissabon - Miljöer -Människor - Musik", i.é, "Lisboa - Ambientes - Pessoas - Música".
É evidente que esta escolha me enche de orgulho, tanto mais que esta menina é uma das minhas mais preferidas fadistas da nova geração.
A fim de facilitar os que usualmente não falam sueco e que, portanto, tal como eu, têm alguma dificuldade em perceber integralmente o texto em sueco :), solicitei ao próprio autor que me enviasse uma tradução em inglês e é essa que aqui se transcreve seguidamente

"The young singer Carminho has been a respected name in fado for a long time before she now makes her debut on cd. Portugal’s best guitar players gather around this singer, and here six of them are present in various constellations, José Manuel Neto, Bernado Couto and Ricardo Rocha at front, all on guitarra portuguesa. Diogo Clemente on viola contributes throughout. This very even, well prepared production contains a finely composed selection of songs, some of them based on traditional fado. Carminho must already, 24 years young, be regarded as one of the major names of the new fado. She has a good voice, but the most remarkable thing about her music is her total presence in every syllable, her dynamically very varied, richly ornamented melodic line and the energetic, temperamental way of singing. This is fado working at depth, strongly connected to the traditional ways of expression in fado, as authentic as it can be in today´s internationalized media world. The best debut cd in fado for many years! "

Adoro este final!
Parabéns Carminho!

domingo, setembro 20, 2009

JÚLIA CHAVES - "Vai e vem do cacilheiro"

VÍDEO DE HOMENAGEM


Em Abril de 1988, um conhecido jornal da época referia-se assim a Júlia Chaves "uma fadista com o curso de Teatro do Conservatório Nacional - o que deve ser caso virgem - continua a sua carreira em restaurantes típicos, aguardando uma oportunidade válida para voltar aos palcos... Entretanto, talvez para justificar o «canudo», vai fazendo recitais de poesia de quando em quando..."


Efectivamente, esta flaviense, que através do seu nome artístico presta homenagem à sua cidade natal, vem para Lisboa em 1965, tendo ingressado no Conservatório Nacional onde frequentou e terminou com excelência o curso de teatro. Porém, foi como cançonetista que iniciou a sua carreira, nos anos 50, no Porto e seguidamente em Luanda e em Lourenço Marques . Nas décadas de 60 e 70 a sua actividade artística centra-se no teatro, declamado e ligeiro, e, nos anos 80/90 dedica-se quase que exclusivamente ao Fado, tendo integrado os elencos da Viela, do Painel do Fado, Mesquita, Taverna d'El Rei, bem como actuado nas mais variadas colectividades do país. Em 1992, por motivos de saúde, interrompe a sua carreira artística, não a tendo retomado posteriormente.

Lembro-a hoje aqui, interpretando este fado que tem letra de Rui Manuel e música de Vital d'Assunção.

Beijinho, Júlia!

sábado, setembro 19, 2009

Em CARTAZ



Em 1958, eram estas as casas de fado anunciadas n' "A Voz de Portugal" e respectivos fadistas e instrumentistas residentes.
Saudade!...
"Ó Tempo, volta p'ra trás..."

sexta-feira, setembro 11, 2009

XAVIER DE OLIVEIRA - "A Voz das Vozes"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Que eu conheça, Xavier de Oliveira foi o único, no seu género, "especializado em vozes fadistas", embora também imitasse cançonetistas, como se pode constatar pelas selecção que fiz e apresento neste vídeo.
Recordar o Imitador Xavier de Oliveira

Xavier Pinto de Oliveira, nasceu a 18 de maio de 1939 na localidade de Quinta do Anjo perto de Palmela.
Oriundo de uma família de agricultores, logo de muito cedo se viu que tinha muito jeito para cantar, começou a fazer a sua primeira imitação por volta dos catorze anos, o artista que primeiro imitou e o que mais gostava era Luís Piçarra, que nessa altura estava no seu apogeu.
Em 1962, morava na Moita, e trabalhava numa oficina de automóveis, como electricista, é aí que numa festa têm a sua estreia em público, como amador, onde obtêm grande êxito e é incentivado a continuar, e acaba por ser descoberto pelo então conhecido locutor de radio Armando Marques Ferreira, que lhe dá mais motivos para se tornar profissional.
Já como profissional, é convidado em 1963 para actuar no Coliseu dos Recreios na Grande Noite do Fado, tendo obtido grande êxito.
Cantou em vários programas de radio, no programa “Serão para Trabalhadores” , na Emissora Nacional, no programa “Comboio das Seis e Meia, etc.
Teve várias actuações na televisão, no programa “Zíp Zip” e “Natal dos hospitais” .
Fez parte do elenco da revista “Na Brasa” com Humberto Madeira, Eugenio Salvador Elvira Velez, entre outros. Também actuou no estrangeiro, Estados Unidos da America, Alemanha, Franca, Espanha, e ainda nas ex.colónias, Angola e Moçambique.
Xavier de Oliveira, gravou 12 discos, sendo o primeiro em 1966.
Imitou grandes artistas de nomeada, destacando, Alfredo Marceneiro, Alberto Ribeiro, António Mourão, Fernando Farinha, Luís Piçarra, Nelson Ned, Roberto Carlos, Carlos do Carmo, Egidio, Eduardo Nascimento, Tony de Matos, Trintão da Silva, Frei Hermano da Câmara, Rui de Mascarenhas, Manuel Fernandes, Manuel de Almeida, Francisco José, etc.
Para alem da faceta de imitador também interpretou duas canções suas, o Fado Canção Rosa Moleira, gravado em 1966, e a canção Garotas de Agora, um dos seus grandes êxitos, em 1971.
Faleceu prematuramente, no dia 25 de abril de 1972 com 33 anos, entre Samora Correia e Benavente onde se ia encontrar com a saudosa Herminia Silva.

Luís Oliveira
(Filho)
in http://lisboanoguiness.blogs.sapo.pt/, o blog de Vitor Marceneiro a quem, uma vez mais, aqui quero agradecer a cedência desta e outras biografias;
de igual modo, agradeço a Fernando Baptista, do blog http://fbfadoporto.blogspot.com/ por pôr à disposição a sua imensa colecção de capas de discos.

domingo, setembro 06, 2009

MARÍA DO CEO - "Amor de mel Amor de fel"

Uma das mais conceituadas fadistas em terras de Espanha, María do Ceo é portuguesa, filha de fadista, natural do Porto, mas residente na Galiza há muitos anos...
Para saber mais, pode ir aqui http://www.mariadoceo.com/biografia.php

Esta é uma das interpretações de que mais gosto deste inspirado fado, que tem letra de Amália Rodrigues e música de Carlos Gonçalves
VÍDEO DE HOMENAGEM

terça-feira, setembro 01, 2009

MARIA SILVA - "Fado Antigo"




VÍDEO DE HOMENAGEM




Fado de Lisboa (1928-1936), ed. Tradisom, col. Arquivos do Fado, vol I
A colecção Arquivos do Fado conta agora com 3 novos belíssimos CD's, que incluem uma quantidade considerável de inéditos das fadistas ERCÍLIA COSTA, MARIA ALICE e AMÁLIA. Saiba tudo aqui

sábado, agosto 29, 2009

CARLOS JOSÉ TEIXEIRA - "Horizonte sem quadras"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Natural do Rio de Janeiro, onde nasceu em 20.05.1920, actor http://www.imdb.com/name/nm0854096/filmogenre , mas também fadista, com alguns discos editados, Carlos José Teixeira é a personalidade que hoje lembro, interpretando, no Fado Meia-Noite de Filipe Pinto, umas quadras de sua autoria.

quinta-feira, agosto 20, 2009

MAVILDA GONÇALVES - "Parreirinhas"

VÍDEO DE HOMENAGEM

Natural de Lisboa, onde nasceu em 1949, Mavilda Gonçalves encontrava-se há cerca de 35 anos no Brasil, onde faleceu no passado dia 3.

Estreou-se na "Tipóia", onde se apresentou por breve tempo dado que, com cerca de 24 anos, aceitou um contrato para o Japão, onde permaneceu por 6 meses, e daí foi para o Brasil, convidada para inaugurar, em São Paulo, a casa de fados "Abril em Portugal", que teve grande sucesso; apresentada no, já extinto, canal de televisão Tupi, actuando ao lado de grandes nomes da música popular brasileira, como Lolita Rodriguez, Mavilda Gonçalves fez uma brilhante carreira no Brasil, actuando em várias casas de fado do Rio de Janeiro e São Paulo, tendo-se retirado abruptamente em 1981, por motivos relacionados com a sua vida particular.

Com o fado "Parreirinhas", de Maria Nelson e de Casimiro Ramos, presto a minha modesta homenagem a Mavilda Gonçalves que, por outras terras, difundiu a nossa Cultura e a Alma Portuguesa, na Voz do Fado.

(Agradecimentos a: Fernando Batista http://fbfadoporto.blogspot.com/, José A. Soares e Fernando V. Alves)

domingo, agosto 16, 2009

MARIA DA CONCEIÇÃO - "Mãe preta"

(se carregar na imagem, para aumentar, reparará que se encontra escrito, em rodapé, "Visado pela Comissão da Censura"; eles nem queriam enganar alguém...:))

Em cima do acontecimento (salvo seja!), mas não me antecipando, como convém, às notícias dos profissionais, pareceu-me oportuno editar agora este verbete, acerca da cantadeira Maria da Conceição, criadora, em Portugal, do tema "Mãe preta", da autoria dos brasileiros Piratini e Caco Velho.

Em boa hora a etiqueta Estoril, na senda do que já vinha sendo feito, decidiu reeditar este e outros êxitos daquela fadista, assim reavivando as nossas fracas memórias, que agradecem... Parece que a Fundação Manuel Simões continua, deste modo, a política do seu fundador http://fadocravo.blogspot.com/2008_08_01_archive.html , facto que me parece ser motivo de regozijo para todos os amantes de Fado.

Acerca deste facto, pouco mais há a dizer do que o aqui http://aeiou.expresso.pt/gen.pl?p=stories&op=view&fokey=ex.stories/530894 brilhantemente noticiado por quem muito entende, entre outros assuntos, de jornalismo e fado, o jornalista Nuno Lopes, da Lusa, co-autor do grande sucesso "Fado Sempre!" http://fadocravo.blogspot.com/2008_12_01_archive.html, a quem daqui saúdo pelo seu constante labor em prol da res fadística.

Porém, e para além do vídeo, tenho a oferecer-vos a partilha deste documento da época, onde figura a letra do poeta, mas devida e convenientemente alterada pelos censores, a ver se conseguiam que a verdade fosse menos verdade!... É claro que a Censura acabou (?!) Mas, terá mesmo sido exterminado este seu reprovável modus faciendi?!... O desrespeito pelas autorias e pela Obra Intelectual é tal, que bem parece que, presentemente, esses censores até seriam premiados... precisamente, por uma dessas manhosices bem jeitosa a ver se passa, de quem se pensa o máximo e julga que os outros são todos burros e ignorantes... Pois é, bem pregava Frei Tomás!........:) Mas isso agora não interessa nada!... O que importa é que a confusão se desconfunda e que muitos dos que não sabiam e/ou dos que não queriam acreditar, fiquem agora a saber que, de facto, antes do enorme êxito que foi o "Barco Negro", na voz de Amália, com letra "à medida" de David Mourão-Ferreira, para o filme "Os amantes do Tejo", já tinha sido um enorme sucesso o "Mãe preta", na voz de Maria da Conceição, que ousou cantá-lo e gravá-lo, tal qual tinha sido escrito, naqueles perigosos e obscuros tempos em que descaradamente existia C. de C.... :)

E não me venham para cá com conversas que era por pura ignorância que o fazia!.... que nem sabia o que fazia... que não era de um modo consciente e assumidamente........ mas, afinal, a inteligência quando nasceu, foi só para alguns?! os outros são sempre uns tótós?!...
Ó Aluminati, que desconsideração!...

Por amor à Santa!...

VÍDEO DE HOMENAGEM


Plat.

sexta-feira, agosto 14, 2009

QUINITA GOMES - "Festa na Atalaia"


Queria muito aqui lembrar esta fadista e por isso me atrevo a fazê-lo com um registo fonográfico em mau estado (também, já não é o primeiro...), mas é o que tenho!...
Antes assim que nada, não é?
No verbete de 2 de Agosto de 2007 do Fadocravo, já eu tinha falado no nome da Quinita Gomes
http://fadocravo.blogspot.com/search?q=quinita+gomes , a propósito de uma ida ao Porto de uma representação fadista que Quinita integrou com, entre outros, o seu companheiro de então, o fadista Frutuoso França...

Hoje, lembro "uma das letras mais populares do repertório de Quinita Gomes", nome artístico de Joaquina Gomes, "Um passeio à Trafaria", da autoria do consagrado João da Mata, que foi também seu companheiro.

Quinita Gomes começou a cantar com apenas 8 anos de idade. A sua voz «velada e triste» fez-se ouvir na "Jansen", no "Solar da Alegria", no "Salão Artístico de Fados"... e no "Monumental", onde um dia se estreou uma outra fadista com apenas 10 anos de idade, Mariana Silva, "A Miúda do Alto do Pina", de quem foi Madrinha de Fado.

"Festa na Atalaia", assim se intitula este fado, que tem como autores João da Mata e Miguel Ramos, é do repertório e interpretado por Quinita Gomes

VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, agosto 12, 2009

ARMINDA DA CONCEIÇÃO - "Não me chames trigueirinha"

Plat.

VÍDEO DE HOMENAGEM


Conheci Arminda da Conceição, há já alguns anos e há outros tantos que nada sei dela... Creio que já se encontrava "aposentada" e que, em Abril deste ano, estava de boa saúde, pelo que me foi dado ler no "Isto é Espectáculo".
Ontem tive dela a notícia que nunca gostamos de saber... Será mesmo verdade?!... pergunto. É que, embora já devesse estar habituada, de cada vez que acontece, fico incrédula e triste por este inexplicável alheamento, este silêncio da Gente do Fado... nem uma notícia, nada?!...
Lembro-a aqui, prestando-lhe a minha singela, mas sentida homenagem, interpretando este fado da autoria de João de Freitas e de Jaime Santos.

domingo, agosto 09, 2009

JOSÉ MANUEL BARRETO - "Senhora da Nazaré"

VÍDEO DE HOMENAGEM

"José Manuel Barreto tem um percurso no Fado que poderia ser apelidado de cinematográfico. Do menino do Barreiro que ouvia Fado no rádio do avô até ao palco das escolas, passando pelas reuniões de amigos no cumprimento do serviço militar durante a Guerra Colonial, este cantor foi criando uma reserva interior de sentimentos que ultrapassam muitas vezes a mera ficção das palavras no papel.

Corria a década de 70 e, nessa altura, o cantor já havia passado por diferentes palcos portugueses, inclusivamente o do Coliseu dos Recreios, na Grande Noite do Fado quando tinha apenas quinze anos. Após muitas deambulações na noite fadista de Lisboa, José Manuel Barreto, é convidado a conhecer a Taverna do Embuçado, na altura gerida por João Ferreira Rosa, onde conhece nomes importantes do meio, como Fontes Rocha, Francisco Perez “Paquito”, Pedro Leal e Alfredo Marceneiro.

Anos mais tarde, já na década de 80, Barreto conhece alguns compositores que o desafiam a gravar o seu primeiro álbum no qual participa um elenco de luxo: Joel Pina, Luís Pedro Fonseca e Fontes Rocha.

O seu último trabalho discográfico “Fado Santa Luzia” é o resumo de muitos anos a dar alma e sentido ao Fado e nele José Manuel Barreto reuniu músicos de peso.

Dono de uma voz e de um estilo que o tornaram inconfundível, Barreto é hoje uma referência nos circuitos conhecedores da canção urbana lisboeta, confirmando o velho adágio de que “o melhor fado é sinónimo de vivência, sem a qual a melhor arte não tem alma”. "

(in Algarve Digital)

"Senhora da Nazaré" é o fado que escolhi para aqui homenagear José Manuel Barreto. A letra e a música são de João Nobre .

terça-feira, agosto 04, 2009

ARMINDA VIDAL - "Fado das Touradas"


(in C.S.37)

Para aqui recordar Arminda Vidal, de quem não tenho qualquer registo fonográfico, esta letra de Amadeu do Vale, o "Fado das Touradas", da revista "Estrelas de Portugal", um dos grandes êxitos da fadista que o cantou ao microfone da Emissora. Aqui se lembram grandes nomes da Festa Brava, tais como o Calabaça, o Peixinho, O Fernando de Oliveira, o Zé Casimiro...

Este fado pode ouvir-se aqui

http://www.youtube.com/user/eradogramophone#play/all/uploads-all/0/LYofbs6mxNg

interpretado por Hermínia Silva.

E aqui http://www.youtube.com/watch?v=3q-1MSn0x_U podemos ouvir a bonita voz de Arminda Vidal, interpretando "O combóio da Beira Baixa".

terça-feira, julho 28, 2009

MANUEL BRANQUINHO - "Balada do Encantamento"

Esta "Balada do Encantamento" tem, para mim, encantos muito especiais e, por isso, aqui a incluo; penso que não desmerecerá o Fado, se bem que o de Coimbra, se como tal for apelidada...

Interpretada pelo meu amigo Manuel Branquinho, voz consagrada do Fado de Coimbra, esta balada, da autoria de D. José P. d'Almeida e Silva (Dr.), transporta-me inevitável e saudosamente ao tempo da minha juventude, da descoberta das sonoridades do Fado de Coimbra e depois do Fado de Lisboa, que era também cantado nas nossas tertúlias, principalmente os repertórios da então já veterana Mª Teresa de Noronha e da ainda principiante Tereza Tarouca.

Assim presto homenagem ao intérprete desta balada e à minha cidade de Leiria, onde mora a saudade e o encantamento...

Leiria dos Poetas e da Melancolia, Leiria do Marachão e do rio Lis, dos amores proibidos, do Castelo de Afonso, o Conquistador, de Dinis, o Lavrador, e da Rainha Santa Isabel, a que transformou o pão em rosas... antiga e misteriosa minha Leiria d' O Menino do Lapedo, do encantado vale!...

sábado, julho 25, 2009

LINA MARIA ALVES - "Fado da Vida"

Lina Maria Alves deixou-nos em 2007.
Conheci-a na "Parreirinha", de cujo elenco fez parte durante cerca de 40 anos.
Aqui fica a minha homenagem à criadora de "O cigano é só meu", provavelmente o seu mais conhecido sucesso.
Contudo, hoje recordo-a cantando este "Fado da Vida" da autoria de J. Frederico de Brito.

VÍDEO DE HOMENAGEM

quinta-feira, julho 16, 2009

RUI DE MASCARENHAS - "Saudade sem vida"

eva, Jan.54
Nota biográfica:
Nasceu a 14 de Dezembro de 1932, em Vila Perry na antiga colónia Portuguesa de Moçambique.Veio para o Continente aos 5 anos de idade, passou depois pelos Açores. Cursou Arquitectura, mas concorrendo a um programa de rádio(APA), na altura muito em voga e donde saíram muitos dos Grandes nomes da nossa Canção, ganhou!!!, mandou o curso ao ar e canta por todo o lado ; levado pelos Companheiros da Alegria de Igrejas Caeiro percorre Portugal e o Brasil. Vai para França e é o segundo Artista Português a Pisar o palco de L'Olimpia de Paris, a primeira seria Amália Rodrigues. Nesse tempo ir a esta sala de espectáculo era a consagração total de um artista. Hoje qualquer artista lá canta desde que pague o aluguer. Sinais dos Tempos. Ganha a Medalha de ouro Grand Prix de Cannes. De volta a Portugal grava " Os Pauliteiros do Douro" que ficará para sempre como o seu cartão de visita. Em todos os passatempos APA realizados no Ex-cinema Eden, é presença obrigatória. Parte para os Estados Unidos onde fica alguns anos com Sucesso, fala e canta em 8 línguas diferentes. Segue para o Canadá onde renova o Sucesso de cantor; a sua bonita presença e voz encantadora leva-o para o maior Teatro de Montreal onde, sendo o único Português em centenas de cantores e actores, representa com muito sucesso a Opereta " Viúva Alegre". Grava Discos no Canadá. O seu " Amor" e " Mourir ou Vivre" manteem-se longos meses no Top, são de facto grandes êxitos. A Fama chega a Portugal. Regressa com o "Encontro às dez" e " Maria Helena", como grandes sucessos. Mas é o eterno " Pauliteiros do Douro" a que mais entra no coração dos Portugueses. Ganha o 1º prémio da Costa Verde-Espanha. Contudo, os tempos de mudança, instalados no País após a Revolução de 25 de Abril, trouxe-lhe a ele como a muitos outros Grandes um crescente desencanto. A sua "estrelinha" começa lentamente a definhar... ainda canta nalguns cabarets... triste e desolado aponta culpas, sente-se injustiçado ( e foi)... pensou gerir a sua fama... mas actores... fadistas... cantores, todos Eles começam a ficar na prateleiras... não teem espectáculos. Hoje qualquer Modelo é actor... cantor... as próprias televisões promovem esses" artistas"; hoje tudo o que é Pimba... canta canções lamechas... tem padrinho ou afilhado. Vence. Os grandes estão esquecidos, eles que deram tudo por tudo subiram a pulso, tiveram lições de canto com os maiores professores, esses ficam esquecidos. As rádios perdem a força... pouca música Portuguesa passam...Tem que se pagar fortunas para gravar... gravando, não teem quem os promova. O passado não tem futuro neste País por vezes tão ingrato. Os políticos só querem os artistas para caçar votos. No dia 22 de Fevereiro de 1987, aparece morto em sua casa, no Porto. Embolia cerebral dizem uns... e outros nem nada dizem. Morreu uma Estrela. Um Cantor de Sucesso. Um dos Grandes entre os Grandes... e o silêncio cai na cidade. Ninguém hoje recorda RUI DE MASCARENHAS. Eu, que trabalhei ainda com ele no "Satélite", não deixarei de o relembrar e dizer que os " Pauliteiros do Douro" ainda existem.
(in http://www.fotolog.com/luisduval_20/69311547)

De facto, Rui de Mascarenhas celebrizou-se e é lembrado como cançonetista, "cantor romântico", sendo dessa área os seus mais conhecidos êxitos; mas, como acontecia na época com muitos outros, também cantou Fado, gravou fado e até cantou durante algum tempo numa Casa de Fados - a "Nau Catrineta", que viria depois a ser "O Poeta" e acabaria demolida... hoje está lá o sítio, em Alfama... É, pois, essa sua faceta de fadista, quiçá menos conhecida, que aqui vamos recordar com este fado tradicional, com letra de F. Peres e música de F. Viana.

Vídeo de Homenagem

 
Plat.

sábado, julho 11, 2009

ODETE MENDES - "O mundo que há em mim"

VÍDEO DE HOMENAGEM


Odete Mendes, nome artístico de Mª Odete Pessoa Mendes Novo Gomes, cantadeira e letrista, nasceu em Lisboa em 1943, tendo-se estreado como profissional em 1960, na casa de fados "A Márcia Condessa", encontrando-se a actuar n' "O Forcado" quando se retirou. Filha de um dos mais importantes violistas de fado do séc. XX - Alfredo Mendes (1907-1967) - carregou consigo o peso dessa responsabilidade, mas também a do talento com que igualmente o Fado a marcou.

Intérprete e autora da letra, Odete Mendes dá voz a este fado como convém -com alma, sentir e saber; a música é de João Mª dos Anjos.


Agradecimento

Ao investigador José Manuel Osório, pela gentileza de me disponibilizar o inédito da biografia desta cantadeira, permitindo-me a sua integral utilização, se assim eu o entendesse. Bem Haja!

sexta-feira, julho 10, 2009

UM PLAGIADOR


Há já algum tempo, encontrei no Ilustração Portuguesa este artigo, retirado de uma Ilustração, dos anos 30, a que o autor, o conhecido Repórter X - Reynaldo Ferreira, deu o sugestivo título "A Exportação do Fado Português... por grosso e em contrabando" (sublinhado meu). Trata-se, muito simplesmente, de um caso de plágio, levado a efeito por um estranho personagem de nacionalidade polaca, que durante algum tempo residiu em Lisboa e que, de tal modo apaixonado pelo Teatro de Revista e pelos sons do Fado, regressou com eles ao seu país onde os apresentou como se seus fossem!...
Por certo, nunca lhe terá passado pela cabeça que um português fosse a Varsóvia e, demais, fosse assistir a uma representação de uma das "suas" Revistas... Azar! Logo ele, que tanto cuidado tinha tido, que, ainda com algum "pudor", tinha ido plagiar para tão longe...
A ser verdadeira esta história, não terá tido bom desfecho... é que, deste polaco plagiador, Oswald Zelñick, não há qualquer registo de autorias, nem ninguém me soube dar notícia...
Terá sido, por assim dizer, exterminado!?
Afinal, por cá, outros há, continua a haver, que sem qualquer pingo de vergonha e alarvemente, nas barbas do autor, reclamam como suas autorias consagradas que (quase) toda a gente (re)conhece... e ainda assim são premiados!...
É mesmo caso para gritar: "-Ó pai, o Rei vai nu!..."
Ou, se preferir "-E esta, hem?!"...

domingo, julho 05, 2009

CARLOS DUARTE - "Teu vestido azul"



Filho de Alfredo Duarte "Marceneiro" e irmão de Alfredo Duarte Jr., Carlos Duarte (1921 - 1966) é, dos Marceneiro, provavelmente, o menos conhecido do grande público, tanto mais que
cantou o Fado apenas como amador.
Era frequentador assíduo dos retiros de fado, onde era muito considerado, sendo unânime a opinião, de todos quantos o escutavam, de que era um grande intérprete do Fado. São de sua autoria algumas letras de fados que interpretou; porém, a do fado, com que hoje o lembro, é da autoria de Henrique Rego, uma letra muito interessante, com um certo gosto e codificação petrarquistas, interpretada no Fado Mª Marques, da autoria de seu pai, Alfredo Duarte Marceneiro.
Vídeo de Homenagem

quarta-feira, junho 24, 2009

EXPOSIÇÃO " EU SOU FERNANDA BAPTISTA..."

EXPOSIÇÃO - ÚLTIMOS DIAS

“EU SOU FERNANDA BAPTISTA,NASCI PARA O FADO
E PARA A REVISTA”

DESDE O PASSADO DIA 25 DE MAIO DE 2009 PATENTE AO PÚBLICO NA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O VELHO, CHEGA AO FIM NO PRÓXIMO DIA 28 DE JUNHO A EXPOSIÇÃO DE HOMENAGEM À MAIOR VOZ DO TEATRO DE REVISTA .
FERNANDA BAPTISTA NASCEU EM LISBOA A 7 DE MAIO DE 1919 E FALECEU EM CASCAIS A 24 DE JULHO DE 2008,TEVE UMA CARREIRA DE 65 ANOS PREENCHIDA DE GRANDES SUCESSOS
NO TEATRO DE REVISTA COMO FADISTA E ACTRIZ, MAS TAMBÉM NA COMÉDIA E EM OPERETA
DO SEU VASTO CURRICULUM CONSTAM 48 REVISTAS,2 COMÉDIAS ,2 OPERETAS E UM FILME.
MIGUEL VILLA DECIDIU RELEMBRAR A FADISTA E AMIGA NUMA EXPOSIÇÃO ONDE SE RECORDAM ESTES 65 ANOS DE CARREIRA E 90 DE IDADE ,TRAZENDO A PÚBLICO ALGUNS DOS SEUS MAIS BONITOS VESTIDOS DE CENA BEM COMO CARTAZES DE ESPECTÁCULOS ONDE PARTICIPOU, FOTOGRAFIAS DE CARTAZ E DE CENA, SAPATOS, BRINCOS, GARGANTILHAS, PARTITURAS, MANUSCRITOS, CARICATURAS, ENTRE OUTROS OBJECTOS QUE NOS RECORDAM A FADISTA.
A JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS–O–VELHO ABRAÇOU DESDE LOGO ESTA EXPOSIÇÃO ESTANDO, ASSIM, JUNTAMENTE COM MIGUEL VILLA E NO BAIRRO DA MADRAGOA A HOMENAGEAR AQUELA QUE FOI MADRINHA, DURANTE ANOS, DA MARCHA DO BAIRRO
E ONDE O SEU NOME AINDA HOJE PERMANECE COMO MADRINHA HONORÁRIA.
ESTA EXPOSIÇAO PODERÁ SER VISTA NA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O-VELHO, DIARIAMENTE, ENTRE AS 14 E AS 19H ATÉ AO PRÓXIMO DIA 28 DE JUNHO.
DIA 28 ENCERRARÁ EM GRANDE COM A APRESENTAÇAO DE UM ESPECTÁCULO DE VARIEDADES ONDE IRÃO ESTAR PRESENTES A FADISTA MARIA AMÉLIA PROENÇA, ANITA GUERREIRO, ADA DE CASTRO E CAROLINA TAVARES PARA NOS RECORDAR ALGUNS DOS SUCESSOS DE FERNANDA BAPTISTA, A GRANDE MARCHA DA MADRAGOA(DE QUE FERNANDA BAPTISTA É MADRINHA HONORÁRIA), O GRUPO “ARTISTAS PRÓ PALCO”, QUE IRÃO FAZER UM EXCERTO DO ESPECTÁCULO QUE TÊM EM DIGRESSÃO E ONDE HOMENAGEIAM A FADISTA E AINDA UM COLÓQUIO ONDE O PÚBLICO IRÁ FAZER PERGUNTAS SOBRE A CARREIRA DA CITADA FADISTA E AS MESMAS IRÃO SER RESPONDIDAS POR MIGUEL VILLA.
ASSIM, VENHO POR ESTE MEIO E MAIS UMA VEZ CONTAR COM A VOSSA COLABORAÇAO E DIVULGAÇAO DAS INICIATIVAS DE ENCERRAMENTO DA EXPOSIÇÃO “EU SOU FERNANDA BAPTISTA, NASCI PARA O FADO E PARA A REVISTA”
E CONVIDO-VOS, DESDE JÁ, A ESTAREM PRESENTES NO ENCERRAMENTO QUE TERÁ INICIO ÀS 16H NA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O-VELHO, NA RUA DA ESPERANÇA, 49, À MADRAGOA
PARA MAIS INFORMAÇÕES E ESCLARECIMENTOS CONTACTE:
MIGUEL VILLA
TLMS: 91 727 15 11/964 972 994
OU POR MAIL :miguelvilla@iol.pt
atentamente
Miguel Villa

ESTA EXPOSIÇÃO CONTA COM O APOIO DE:
TEATRO POLITEAMA/FILIPE LÁ FERIA TEATRO MARIA VITÓRIA/HELDER FREIRE COSTA
JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS O VELHO M.ROLO-EMPRESA DE MANEQUINS
GIVETGIFE/PEDRO ALMEIDA CARLOS CASTRO SUSANA ROGEIR
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VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, junho 20, 2009

"ROSA ENJEITADA" e o "Fado Aristocrático"

(Doc. "Berta Cardoso na Revista")


Como já referi no post anterior, o fado "Rosa enjeitada" foi estreado no teatro de revista, tendo aí tido como intérpretes duas das mais representativas cantadeiras-actrizes do séc. XX - Hermínia Silva e Berta Cardoso. Este documento, que aqui se reproduz, corresponde à fala cantada pela Rosa Engeitada (letra do fado), papel desempenhado por Berta Cardoso.

A letra deste fado resume, digamos assim, a trama que enforma o melodrama (1901), da autoria de D. João da Câmara, cujo nome é o da personagem principal, a Rosa Engeitada; e, afinal, quem era essa Rosa engeitada? uma rameira, que vive com Francisco (o homem de quem gosta e que sustenta) e que pensa mudar de vida, mas não consegue, não tem coragem... até que um dia, conhece um outro rapaz, o João - trabalhador, simples, honesto -, em tudo a antítese do Francisco, nascendo desse encontro o amor verdadeiro que faz renascer na meretriz a esperança de uma nova vida...

É, como se vê, uma história actualíssima, melhor, de todos os tempos... um drama vivencial cujas implicações sociais não têm hoje, digo eu, a carga reprobatória e de indesculpabilidade que tinham então, mesmo já em finais da primeira metade do século XX, altura em que Maria Teresa de Noronha se deixou enCANTAR por este fado, da autoria de José Galhardo e de Raúl Ferrão, enCANTAmento bem patente na sua magnífica interpretação, recordada neste vídeo.


Já agora, a talho de foice, presta-se perguntar: é este o fado que os especialistas designam por "fado aristocrático"?!...

Esta é uma etiqueta com que sempre embirrei porque não alcanço qualquer bom motivo para que se empregue. Vejamos. À semelhança do designado "Fado Marialva", onde cabem todos os fados com determinada temática, o "Fado Aristocrático" deveria designar e englobar os fados que obedecessem a uma certa temática, por certo relacionada com a aristocracia, ou forma de poema ou qualquer música associada, mas isso não se verifica efectivamente... Assim, essa designação apenas indicará, por certo, o estatuto aristocrático de alguns intérpretes do Fado, e, nesta perspectiva, parece-me absolutamente desadequada, melhor, incorrecta, porque, em boa verdade, não é o fado que passa a ser aristocrático, mas sim os aristocratas que passam a ser fadistas... E, embora eu não consiga descortinar a mais valia de colocar numa mesma gaveta os aristocratas que enfileiraram pela carreira de fadistas e etiquetá-los, o que desde logo se me afigura até uma forma de discriminação, se bem que positiva, entendo que a designação mais correcta seria, então, a de "Fadistas Aristocráticos", pois é disso que se trata, e nunca "Fado Aristocrático" que, até prova em contrário, não existe.

O Fado é do Povo e, por isso, não é aristocrático, mesmo que cantado por um fidalgo, acompanhado ao piano, no salão do seu palacete...

Mas, não sendo aristocrático, o Fado é nobre, tão nobre quanto o Povo que canta e que o canta, aristocratas incluídos...

Porque o Fado é a expressão da Alma de um Povo que na História é reconhecido pela sua nobreza de carácter! Esta é a verdadeira nobreza e a mais valia do Fado.



VÍDEO DE HOMENAGEM


domingo, junho 14, 2009

FIDALGOS POETAS E FADISTAS




























Andava eu a tentar pôr uma certa ordem na papelada, cairam-me os olhos neste artigo, datado de 1908, de Júlio Dantas, que é, de facto, uma página de História, documento que eu tinha seleccionado para, em tempo, divulgar... Nem de propósito (nada é por acaso), contacta-me o amigo Antón, do blog http://fadous.blogspot.com/, pretendendo informações acerca do poeta de fado D. António de Bragança, autor, entre outras, da letra do "Fado das Horas"...

Respondi-lhe muito atabalhoadamente, dando-lhe informação do pouco que sabia e pensei então que seria tempo de melhor me informar e publicar esta página, pretexto para recordar alguns Fidalgos, da melhor linhagem Portuguesa, cujo contributo tem enobrecido e enriquecido a família fadista.

Este artigo de Júlio Dantas evoca, nem mais nem menos, a figura do eminente dramaturgo e poeta Dom João Maria Evangelista Gonçalves Zarco da Camara (1852 - 1908), autor da peça "Rosa Engeitada", donde se extraiu a opereta popular com o mesmo nome e um dos mais emblemáticos fados, superiormente interpretado por Hermínia Silva, Berta Cardoso, Fernanda Maria e Maria Teresa de Noronha, que o celebrizou; de uma simplicidade e afabilidade notáveis, D. Maria Teresa do Carmo de Noronha, bisneta do 2º Conde de Paraty, dedicou a sua vida (1918 - 1993) ao fado, tendo mesmo casado com o distinto compositor e guitarrista amador José António Barbosa de Guimarães Serôdio, filho do 2º Conde de Sabrosa; era, podemos dizer, um nobre casal fadista! Igualmente descendente de Dom João da Camara e sobrinho de D. Maria Teresa de Noronha, é o consagrado fadista Vicente da Câmara (1928), D. Vicente Maria do Carmo de Noronha da Camara, filho de D. João Luís de Seabra da Camara (1905) e pai do também fadista José da Camara (1967), D. José do Carmo de Ataíde da Camara.
Finalmente, o poeta de fado D. António José Manuel de Bragança (1895 - 1964), autor, entre outros, do célebre Fado das Horas, pai de D. Segismundo Caetano da Camara de Bragança(1925), violista amador de reconhecido mérito, primo de Vicente da Câmara e sobrinho de uma das mais emblemáticas figuras da boémia lisboeta do passado século, frequentador assíduo de casas de fado, particularmente da Adega Mesquita, de cujo dono era muito amigo - refiro-me, claro está, a D. Pedro João Libânio Manuel de Bragança (1885 - 1972).
Destes diria eu, parafraseando Júlio Dantas, que não tiveram "de inventar um brazão como Garrett" e nem o tiveram também que inventar dois outros nobres fadistas que não poderia deixar de aqui lembrar - Frei D. Hermano Vasco Villar Cabral da Câmara (1934) e Nuno Maria de Figueiredo Cabral da Camara Pereira (1951).
Todos descendentes de D. Afonso Henriques, de resto como o era também a grande actriz IVONE SILVA, de sua graça Maria Ivone da Silva Nunes (1935 - 1987)...
Com todos estes dignos cultivadores e amantes de fado, comprovados representantes da mais nobre linhagem portuguesa, digam lá que o fado era apenas canção de rameiras e rufias!...
E se o era, lá teria os seus encantos para rapidamente o deixar de ser. De facto, parece-me que o célebre par da fadista Severa e do Conde de Vimioso é, para além dessa história, o ícone dessa sistemática e apaixonada transgressão que sempre uniu as mais nobres às mais populares casas portuguesas, proporcionando uma apetecida e saudável renovação genética, que, de tão proveitosa, levou à ratificação dessa fantástica e nobre instituição que é a bastardia!...
Ligação: Acerca deste assunto pode ler, em inglês, o artigo mais específico sobre Dom António de Bragança, the Author of the “Fado das Horas” , por Anton Garcia-Fernandez.

quarta-feira, junho 10, 2009

"EVOCAÇÃO" - Fernando Farinha

Com esta evocação, da autoria de Fernando Farinha e por si interpretada no Fado Corrido, acompanhado pelo conjunto de guitarras de Raul Nery, se suspende temporariamente este blog, para melhoramentos, dando-se seguimento regular de novos verbetes no blog http://fadistascomoeusou.blogspot.com/


Contudo, para quem acompanhe este trabalho com interesse, fica o aviso de que grande parte dos verbetes vão ser actualizados, pelo que não será em vão consultar, de vez em quando, este blog ...

Vamos, pois, continuar a lembrar e a homenagear o Fado e todos os Fadistas - letristas, compositores, cantadores e cantadeiras, instrumentistas... enfim, todos os

"Fadistas como eu sou"!

VÍDEO DE HOMENAGEM

quinta-feira, junho 04, 2009

MIRITA CASIMIRO - "Maria Papoila"

MIRITA CASIMIRO, A ETERNA MARIA PAPOILA


Em 10 de Outubro de 1914 nasceu, em Viseu, Maria Zulmira Casimiro de Almeida. O seu pai foi o famoso cavaleiro tauromáquico José Casimiro. Os seus irmãos Manuel e José eram praticantes da mesma arte. Apesar de ter ficado para a posteridade como a "Maria Papoila", ela foi muito maior nos palcos, onde se estreou profissionalmente em 1935, na revista "Viva a Folia", cantando alguns números e integrada na Companhia de Maria das Neves, no Teatro Maria Vitória. Já desde miúda que cantava e encantava a família e os amigos. Em Lisboa conquistou o público ao interpretar canções tradicionais da Beira Alta, envergando a capucha castanha, feita de burel, das serranas e exibindo a pronúncia da região de Viseu. No ano seguinte fez um aplaudido travesti na peça "João Ninguém" e rapidamente obteve sucesso em revistas e operetas. Em 1941 casou com Vasco Santana e formou uma dupla de enorme êxito. Alguns anos mais tarde e depois de uma dolorosa e algo escandalosa separação, Mirita passou a ser mal vista, no meio teatral, e a sua carreira começou a desmoronar-se. Em Março de 1956 tentou a sua sorte no Brasil, para onde foi trabalhar e viver, sem grande nota. No ano de 1964 voltou a Portugal para trabalhar no Teatro Experimental de Cascais. Em Janeiro de 1966, inaugurou uma nova fase do seu trabalho, estreou-se em "A Casa de Bernarda Alba", de Frederico Garcia Lorca.Voltou ao teatro mais popular e apesar de ter participado em vários projectos vocacionados para a fazer brilhar, desde "A Maluquinha de Arroios" em 1966 e "O Comissário de Polícia" em 1968, não conseguiu recuperar o anterior fulgor. A fatalidade bateu-lhe à porta, em 12 de Novembro de 1968, no Porto, onde sofreu um grave acidente de viação. Impossibilitada de voltar ao palco e deprimida, acabou por desistir de viver, em 25 de Março de 1970, na sua residência em Cascais.

Nome completo: Maria Zulmira Casimiro de Almeida

Data de nascimento: 10 de outubro de 1918 (Viseu)

Filmografia 1937 - "Maria Papoila" - Leitão de Barros
1967 - "Um Campista em Apuros" - Herlander Peyroteo

Data de Óbito: 25 de Março de 1970


(Nota biográfica retirada daqui http://filmes_portugueses.blogs.sapo.pt/34577.html )

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Mirita Casimiro era frequentemente lembrada por Berta Cardoso, que muito a admirava enquanto pessoa e como actriz e com quem trabalhou na Revista "Olaré Quem Brinca", um espectáculo de assinalável êxito; Berta Cardoso estreou nessa revista, entre outros, o "Fado Antigo", de Amadeu do Vale e Raul Portela, fado que posteriormente gravou com o nome de "Perna de Pau".
*
Neste vídeo de homenagem, Mirita interpreta o tema popular "Ó ai, esteja quedo", que Celeste Rodrigues recuperou e gravou posteriormente; reparar-se-á que Mirita utiliza a pronúncia característica da região de Viseu.
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(Agradecimentos a Miguel Villa http://istoeespectaculo.blogspot.com/,
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VÍDEO DE HOMENAGEM

quinta-feira, maio 28, 2009

CARMENCITA AUBERT




















"Nestes olhos bem espanhóis, há a nostalgia do fado lusitano"
Nascida em Espanha - Barcelona, Carmencita / Carmelita Aubert morreu em Portugal, em 1979, país que adoptou e escolheu para viver durante uma parte significativa da sua vida.

Figura de 1º plano do Teatro e da Canção, em Espanha e em Portugal, Carmencita Aubert também cantava o fado; infelizmente, não tenho qualquer registo de fado da Aubert nem imagino se haverá; podemos contudo ouvi-la interpretando os tangos "Mi vida" e "Un compadrito fue" aqui http://www.todotango.com/english/creadores/caubert.asp
acompanhado de uma nota biográfica.
Também muito interessante e esclarecedor o artigo da Canção do Sul...
Aqui fica a minha homenagem a esta Catalã de alma Lusa, de quem Berta Cardoso, sua contemporânea, falava com muita admiração e carinho.

sábado, maio 16, 2009

VASCO RAFAEL - "Que fazes aí Lisboa"


"Que fazes aí Lisboa", da autoria de Arlindo de Carvalho e de Mário Gonçalves, a recordar Vasco Rafael.
"Vasco Rafael Simões de Sá Nogueira, nasceu em Angola na província de Moçamedes.
Começou com cançonetista, tendo um início de carreira difícil, até que é convidado de um espectáculo publicitário que se realizava num dos cinemas de Luanda, “Chá das Seis” onde começa a ser notado e vem a atingir um assinalável êxito.
Vem para Portugal e sente as dificuldades de um novo inicio de carreira. Beatriz da Conceição apresenta-o a uns empresários no Porto e lá fica a actuar durante cerca de um ano, é no Porto que grava o seu primeiro disco.
Vem para Lisboa contratado para o elenco do “Painel do Fado”, seguidamente é convidado por Sérgio de Azevedo para actuar no “Frou Frou” , agradou ao empresário que logo o convida para a revista “Ó da Guarda”, onde obtém o seu maior êxito de sempre com o Fado “ROSEIRA BOTÃO DE GENTE” com letra de José Carlos Ary dos Santos e música de Paulo de Carvalho, gravado em 1981 para Rádio Triunfo
Faz ainda parte do elenco da revista “A Aldeia da Roupa Suja”, mas deixa as revistas porque acha que o prendem muito tempo no mesmo local.
Tem algumas deslocações ao estrangeiro.
Já com poetas de relevo a escreverem para ele, realçando Ary do Santos, Vasco de Lima Couto, etc. grava mais uma série de EP e LP.
É contratado para as Arcadas do Faia, onde se mantém até à sua morte prematura.
Estejas onde estiveres Vasco Rafael, recebe esta pequena homenagem da “Linhagem Marceneiro”"

in lisboanoguiness
VÍDEO DE HOMENAGEM

quinta-feira, maio 14, 2009

JAIME SANTOS E MIGUEL RAMOS

















Um apontamento sobre estas duas grandes figuras do Fado - o guitarrista Jaime Santos e o violista Miguel Ramos.




















E dois sonetos da autoria do fadófilo, jornalista e poeta ARMANDO NEVES, autor, entre muitas outras, das letras dos Fados "A Cruz de Guerra" e "Fado Berta", ambos musicados por MIGUEL RAMOS, do repertório de BERTA CARDOSO.

sábado, maio 09, 2009

ANITA GUERREIRO - "Senhora da Saúde"

Plat.

Nota biográfica:
Uma das atracções mais típicas e queridas da revista, Anita Guerreiro continua ainda hoje a trabalhar e a ser uma autêntica preferida do público, embora actualmente na televisão, onde participa regularmente em telenovelas e séries de comédia. Tal como muitos outros, Anita Guerreiro começou, com apenas sete anos, por ser uma das "miúdas", fadistas infantis que ficavam identificados com o bairro de onde vinham - sendo "a miúda do Intendente", bairro onde nasceu em 1936. Com apenas quinze anos de idade, em 1952, Anita Guerreiro (nome artístico, pois o seu verdadeiro nome é Bebiana Cardinalli) concorria a um passatempo do popular programa radiofónico Combóio das Seis e Meia. Espantado com o que ouvia, o produtor do programa, Marques Vidal, convidou-a imediatamente para se juntar ao elenco e, poucas semanas depois, estreava-se como fadista no Café Luso. E antes de completar os vinte anos, era já vedeta de revista, género em que se estreou em 1955. A Anita Guerreiro se deve a criação de um fado-canção que ficou na boca do povo e até Amélia gravou: Cheira a Lisboa, que criou em 1969 na revista Peço a Palavra. Ironicamente, pouco depois desse sucesso colossal, Anita Guerreiro afastou-se da revista durante mais de uma década, apenas regressando em 1982. Manteve-se entretanto activa como fadista, cantando em casas de fados e actuando no estrangeiro.
Com letra de Francisco Radamanto é este fado que Anita Guerreiro interpreta no Fado Alcântara, de Raul Ferrão - "Senhora da Saúde", a Nossa Senhora do Fado!
Vídeo de Homenagem

quinta-feira, maio 07, 2009

LEMBRAR FERNANDA BAPTISTA





“Eu sou Fernanda Baptista
nasci para o Fado e para a Revista”



FERNANDA BAPTISTA, FADISTA E ACTRIZ,
NASCEU NA FREGUESIA DE SANTA CATARINA, EM LISBOA, A 7 DE MAIO DE 1919. COMEMORARIA ESTE ANO, SE FOSSE VIVA, 90 ANOS DE IDADE. 65 DELES DEDICOU-OS AO QUE MAIS GOSTAVA DE FAZER CANTAR O FADO E FAZER TEATRO DE REVISTA.
DEIXOU-NOS A 24 DE JULHO DE 2008, FICANDO O PANORAMA ARTÍSTICO MAIS POBRE.
PARA ASSINALAR A PASSAGEM DO SEU 90º ANIVERSÁRIO MIGUEL VILLA E A JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O VELHO NA MADRAGOA ,IRÃO APRESENTAR UMA EXPOSIÇÃO COM O TITULO
“EU SOU FERNANDA BAPTISTA, NASCI PARA O FADO E PARA A REVISTA” COM INAUGURAÇÃO MARCADA PARA O PRÓXIMO DIA 25 DE MAIO PELAS 18H NO ESPAÇO DE EXPOSIÇÕES DA CITADA JUNTA -(RUA DA ESPERANÇA 49-LISBOA)
A EXPOSIÇÃO, COMPOSTA POR ESPÓLIO DE MIGUEL VILLA, RECORDARÁ O PERCURSO DA FADISTA AO LONGO DE 65 ANOS DE CARREIRA ARTÍSTICA COM FOTOS DE CENA, CARTAZES CARICATURAS DA FADISTA, GUARDA ROUPA E ADEREÇOS VÁRIOS. A EXPOSIÇÃO FICARÁ PATENTE ATÉ 28 DE JUNHO, DIARIAMENTE, ENTRE AS 14 H E AS 19H E TEM ENTRADA LIVRE.

FERNANDA BAPTISTA A CRIADORA DO TEMA “FADO DA CARTA” TEVE UM CARREIRA PREENCHIDA E CHEIA DE SUCESSOS NO TEATRO DE REVISTA COMO ATRACÇAO E TAMBÉM COMO ACTRIZ. PARTICIPOU EM 48 REVISTAS, 2 COMÉDIAS E 3 OPERETAS. FEZ AINDA UMA PARTICIPAÇÂO ESPECIAL NO FILME “ SOL E TOUROS” AO LADO DE AMÁLIA RORIGUES E MANUEL DOS SANTOS.
ESCREVERAM PARA ELA OS MELHORES AUTORES E COMPOSITORES DA ÉPOCA COMO JOÃO NOBRE , EDUARDO DAMAS OU MANUEL PAIÃO SÓ PARA CITAR ALGUNS.
FEZ IMENSAS DIGRESSÕES AO ESTRANGEIRO ATINGINDO SEMPRE GRANDE SUCESSO.
A SUA PRESENÇA NA TELEVISÃO FOI ENORME AO LONGO DOS ANOS PARTICIPANDO EM VARIADÍSSIMOS PROGRAMAS.
FOI MADRINHA DE VÁRIAS MARCHAS POPULARES INCLUINDO NOS ÚLTIMOS ANOS MADRINHA DA MARCHA DA MADRAGOA, FICANDO MESMO DEPOIS DE JÁ NÃO DESFILAR COMO MADRINHA HONORÁRIA.
EM 1996 TEVE NO TEATRO SÃO LUÍZ A SUA FESTA DE CONSAGRAÇÃO
E EM 2005 RECEBE NO MESMO PALCO DAS MÃOS DO ENTÃO MINISTRO DA CULTURA A COMENDA DE ORDEM DE MÉRITO,NO TEATRO POLITEAMA A 27 DE DEZEMBRO DE 2005 FOI DESCERRADA UMA PLACA COMEMORATIVA DA SUA PASSAGEM PELO MUSICAL DE FILIPE LA FERIA “A CANÇAO DE LISBOA”
EM FEVEREIRO DE 2008 NA CÂMARA MUNICIPAL DE LISBOA RECEBE PELAS MÃOS DO PRESIDENTE DA CÂMARA A MEDALHA DA CIDADE DE LISBOA.
DESPEDIU-SE DEFINITIVAMENTE DOS PALCOS NUMA PARTICIPAÇÃO ESPECIAL A CONVITE DE FILIPE LÁ FERIA NO PALCO DO TEATRO POLITEAMA NO MUSICAL “ A CANÇÃO DE LISBOA” EM 2005/6.
ESTA EXPOSIÇÃO CONTA COM O APOIO DA JUNTA DE FREGUESIA DE SANTOS-O-VELHO,TEATRO MARIA VITÓRIA E TEATRO POLITEAMA


PARA MAIS INFORMAÇÕES, MARCAÇÃO DE ENTREVISTAS PARA PROMOÇÃO E DIVULGAÇÃO DESTA EXPOSIÇÃO
CONTACTE MIGUEL VILLA
TLMS
91 727 15 11
96 497 29 94

OU POR MAIL

MIGUELVILLA@IOL.PT


DESDE JÁ OBRIGADO PELA ATENÇÃO DISPENSADA
CONTO COM O VOSSO APOIO NA DIVULGAÇÃO E PROMOÇÃO.

MIGUEL VILLA




Agradeço o contacto de Miguel Villa, editor do fotolog
que me enviou o cartaz e o texto acima, assim possibilitando a divulgação da exposição sobre esta grande figura do Fado e da Revista que hoje, uma vez mais, lembro, interpretando o "Fado do Toureiro", de Amadeu do Vale e de Raul Ferrão
VÍDEO DE HOMENAGEM

sábado, maio 02, 2009

JOÃO CASANOVA - "Quero que sintas que te quero"



















João Casanova, 40 anos de carreira, um veterano no fado!

A homenagem, que promete ser um excelente espectáculo de fado, realiza-se no Forum Lisboa, no próximo dia 10, das 15h às 20h., contando com a participação de vários fadistas e instrumentistas, cujos nomes pode visualizar melhor, clicando na imagem, para ampliar. O custo por bilhete, segundo me foi dito, é de 10 euros , podendo ser adquiridos nos locais indicados no cartaz.
Até lá, vamos recordando João Casanova, a interpretar este seu clássico, da autoria de Carlos Alberto C. Gonçalves.
VÍDEO DE HOMENAGEM

quarta-feira, abril 29, 2009

ALICE MARIA - "Velhinho Parque Mayer"


PARQUE MAYER!
A Catedral do Teatro de Revista, produto genuinamente português, cód.b. 560!...
Um produto em vias de extinção que alguns bravos resistentes, teimosamente, não deixam morrer... Bravo! Hélder Costa, Bravo! Marina Mota, Bravo! toda a equipa que mantém vivo o MARIA VITÓRIA.


VÁ À REVISTA!... VÁ AO TEATRO!... VÁ AO MARIA VITÓRIA!... VÁ AO PARQUE MAYER!...
E veja este vídeo
Vídeo de Homenagem
e ouça bem a letra deste fado interpretado por Alice Maria, cuja autoria se deve a Carlos Rocha e Paulino Gomes Jr. e que começa assim:
"Parque Mayer, meu amigo / Lisboa anda alvoroçada / Pois querem correr contigo / Donde ri à gargalhada..."

sábado, abril 25, 2009

PAULO BRAGANÇA - "Na ribeira deste rio"



Pode gostar-se ou não de Paulo Bragança, mas não se pode ignorá-lo!...
É belíssimo o CD que inclui este tema denominado "Na ribeira deste rio", da autoria de F. Pessoa e de M. Pacheco. Paulo Bragança é autor de grande parte das letras deste album de 1996, " O Mistério do Fado", que "celebra a maturidade da voz de Paulo Bragança", que dedica este seu trabalho a seu avô Manuel Afonso "com muito amor" e "a todos os Peregrinos que como ele cumprem em si mesmos Portugal".
algumas notas biográficas sobre este jovem que "escandalizou" os que não fecham os olhos para ouvir o fado... e que eu tanto gostaria de ouvir de novo, numa casa de fados, ao vivo e a cores!
Natural de Luanda, onde nasceu em 1968, vem para Bragança em 1978 e, 8 anos mais tarde, muda-se para Lisboa, onde ingressa na Faculdade de Direito...
É a diferença a sua marca por excelência que o impõe e lhe traça um percurso fulgurante, essa mesma diferença que ditará a sua "perdição"...
Para o Paulo Bragança, com um beijinho, este meu
VÍDEO DE HOMENAGEM

quinta-feira, abril 23, 2009

FADO MARIALVA




















Foi um evento muito agradável, e que encheu por completo o Auditório do Museu do Fado, o que ontem ali teve lugar para apresentação do livro FADO MARIALVA, da autoria do advogado, historiador, escritor, poeta e investigador António Manuel de Moraes (Dr.), prefaciado por Vicente da Câmara (Dom).


O livro, acerca do Fado e da Festa Brava, reflecte um sério trabalho de investigação nesses dois Universos e é, por certo, um dos mais completos, senão mesmo o mais acabado documento acerca da convivência dessas duas artes tão lusitanas, que fazem parte da mais genuína Cultura Portuguesa.
De facto, a palavra marialva contém, para além do seu mais pertinente significado de fidalgo, conquistador de mulheres, um outro mais oculto, mas sempre presente, o de que esse fidalgo leva uma vida marginal, convivendo com toureiros e fadistas.

E assim é que, duma ilícita união dum fidalgo marialva com a Severa, dessa insustentável paixão, porque socialmente reprovável, nasceu "o fado triste da Mouraria", como aventa Linhares Barbosa (que no Fado ficará conhecido como Príncipe dos Poetas), no conhecido e emblemático Tia Macheta, que todos conhecem na interpretação magistral de Berta Cardoso.

O nome marialva, tão exclusivo à lusitana Língua como o é também a palavra Fado e o vocábulo saudade, fica a dever-se, por certo, ao Marquês de Marialva; se bem que não seja esse o fidalgo pelo qual indaga a Severa à alcoveta Tia Macheta...

O marialva é um produto português! desgraçadamente em extinção, como as próprias sociedades rurais...

O gosto pelas coisas da terra, pelo cavalo e pelo touro, caracterizaram, de algum modo, parte da nobreza rural que "às portas" de Lisboa vivia e na cidade, onde buscava divertimento, plasmava esse seu estar, de homem civilizado mas simultaneamente selvagem, tão bravio como a própria Natureza a que pertencia... era ele o homem de uma força telúrica, admirado pelas frágeis donzelas e cortesãs urbanas que estimavam essa lusitanidade e esse porte altivo que copiara das giestas...

O marialva, esse produto 100% nacional que fez escola - o Marialvismo, mas que não se internacionalizou, terá, como seu congénere estrangeiro, o playboy, este de características bem urbanas, que, em vez do cavalo, se desloca a centenas de cavalos, que em vez de casa no campo tem apartamento numa qualquer das mais badaladas estâncias de veraneio, que não se dá com fadistas, antes com pop-stars e que toureiros nem vê-los, toiro é animal que não gosta de encontrar, nem na tela... de resto, animais só em louça ou então os da mesma espécie...
Do cruzamento de ambos, temos notícia do surgimento de uns novos espécimens - os marialvas playboys, de que iria falar seguidamente, mas que, a conselho avisado da minha gata, a Fifi, me escuso agora de escrever, até porque como muito bem disse a gata "nem vem a propósito... estás-te a passar! ... Esse programa é logo à noite na Sic. Fala é do livro para ver se acabas com o assunto, que não tens falado noutra coisa!..."
Gata manda, humano obedece!
Concluindo, então,

O Fado Marialva é, já pelo assunto, já pela qualidade, um livro indispensável na biblioteca de qualquer português ou de qualquer um com alma lusitana!

Parabéns por esta inestimável Obra!

domingo, abril 19, 2009

ELSA LABOREIRO - "Lisboa à meia noite"


















Porque hoje é dia do seu aniversário... Parabéns!
Fadista residente do Luso, hoje podemos também ouvi-la aqui a interpretar "Lisboa à meia noite", um fado da autoria de Artur Ribeiro e de António Mestre.
Beijinho!
VÍDEO DE HOMENAGEM

sexta-feira, abril 17, 2009

O Fado no S. Carlos - II










Anunciada Gala do Fado a transmitir pela RTP1, Internacional e África.

Para o Fado, abro excepção e aí estou eu, frente ao televisor, tentando confirmar aquela primeira impressão de que a Gala decorre no S. Carlos... sim, é o Teatro Nacional de S. Carlos! Boas!, disse cá pr'a mim e pr'á Fifi, a minha gata que, como eu, adora Fado... ora nem de propósito o meu post do passado dia 10, acerca da representação da peça "O Fado" no S. Carlos, em 1915!

Pelo que as câmaras mostraram, pareceu-me que a assistência se comporia exclusivamente por convidados e que muitos, ou não teriam recebido os convites, ou teriam ido a outros espectáculos, ou então são dos tais que, nem no S. Carlos, não ouvem Fado!... que pena que a sala estivesse tão vazia!

Quanto aos fadistas, de que não se disse qual o critério de escolha, a abrir tivémos a Ana Moura, que quase não reconheci naquele seu novo visual, mas que continua a ser, para mim, a mais tradicional e autêntica das fadistas da sua geração; a fechar, o "tio" João Braga, que esteve muito bem, como só ele sabe, digam o que disserem, a brindar o poeta Alegre com duas letras de sua autoria... o que, nem por isso, lhe transformou o semblante pesado que em nada fazia jus ao apelido que carrega... "a vida costa!..."; a Carminho, acompanhada ao piano... perguntava-me a Fifi "mas porquê?" "-sei lá, respondia eu, deixa ouvir, que mesmo assim vale sempre a pena...", mas de facto a Fifi estava cheia de razão e até duvidou que eu a tivesse quando lhe atirei com uma outra possível explicação "-quem sabe se não estará aqui a representar o "fado fino", o que se cantava em salões, acompanhado ao piano..."; O Gonçalo Salgueiro, tão lindo, meu Deus, a voz, então, uma voz singular, linda também... que pena só cantar coisas da Amália, ou quase... merecia repertório próprio, nem deve ter dificuldade em arranjar quem lho escreva...; Jesus!, a Kátia, com Kapa, porque é que não continua a cantar como dantes, com as mãos e os braços presos atrás das costas?... era preferível, a sério, era a diferença; assim com toda essa gestualidade tão exuberante e, por vezes, "complicada"... melhor só ouvir, muito bem!

Prontos! Passou rápido demais. Deverei confessar, em abono da verdade, que esperava mais, uma gala"em bom", em grande, sei lá!, demais no S. Carlos!
Por isso,

Não saí do lugar, embora a Fifi estivesse impaciente para ir deitar-se, porque a seguir teríamos "Mariza and the story of fado" e eu sempre queria ver do que se tratava. Deveria ter acedido ao bom senso da gata... que bem sabe que a curiosidade se não dá muito bem com a sua espécie (e nem com a minha, direi).

Não terá sido, contudo, tempo perdido; devo admitir que fiquei encantada, por ex., com a prestação do Nery, que mostrou ser tão exímio a falar inglês, quanto o pai a tocar guitarra; a Mariza também se safa muito bem nesse idioma, sim senhor! agora, propriamente no que respeita à história do fado... é que me pareceu que nem mesmo a Salwa tivesse salvo a situação...
Já que, por causa deste documentário, se não venha a "descobrir" daqui a cem anos que o Fado, afinal, teve origem em Moçambique e que foi trazido p'rá Mouraria por um casal que, vindo de lá, ali se estabeleceu e tal e treta... já não será mau, valha-nos Deus!.... O fado já tem tantas hipotéticas origens... só faltaria essa!...
De relevar as belas imagens que este documentário, com selo da BBC, oferece.
Quanto ao resto, talvez eu não tenha percebido bem a história do fado, que os especialistas entenderam contar, não só porque domino mal o idioma de Shakespeare, mas também porque tinha que estar constantemente a ler as legendas à Fifi, o que, quer se queira quer não, desconcentra.
Dormi foi muito melhor com aquela certeza que o fado tinha vindo do Brasil!... Obrigada, senhores investigadores! Agora, sim, já se fica a perceber até muito melhor a história das novelas e assim... É confortável ganharmos certezas, tanto mais dada a dificuldade de as obter.
A vós, muito agradecida!