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quarta-feira, outubro 05, 2011

MARIA VITÓRIA


Maria Vitória por Armando Neves

" P'ra se cantar bem o fado / não é preciso talento... / -É preciso ter chorado / p'ró cantar com sentimento! " (Pereira Coelho)


sábado, setembro 24, 2011

O "Chico da Mouraria" - SAUDADE DOS SANTOS

Numa I.P. de 1906, a encimar um interessante artigo de Albino Forjaz Sampaio, que pode ler aqui, a imagem de Francisco da Conceição, o Chico da Mouraria, uma figura fadista que o fado com o mesmo nome celebra e a propósito se lembra, na notável interpretação de Saudade dos Santos. Este fado, que também se encontra gravado por Argentina Santos, foi, salvo melhor opinião, criação e pertenceu ao repertório de Arminda Vidal, uma fadista quase esquecida, mas que teve notoriedade nos anos 30/50, que fez parte do elenco privativo do Retiro da Severa (1938), ao lado de grandes nomes do fado, tais como Berta Cardoso, Alfredo Marceneiro, Mª Emília Ferreira, Júlio Proença e outros.

Doutra figura mítica também se fala nesse artigo, o Sérgio do violoncelo, que tocava na Carreirinha do Socorro e que ficou também imortalizado num fado, interpretado por Berta Cardoso, que deu brado na Revista Cartaz de Lisboa.


Plat.

domingo, julho 31, 2011

"FADO DE MOURARIA"





Atrevo-me a divulgar mais esta faixa do Vol. VI dos Arquivos do Fado, da Tradisom, porque sei que o seu Director me autoriza a fazê-lo, mais ainda porque naquela, para além dos já conceituados fadistas Ercília Costa e Joaquim Campos, participa a então nóvel fadista Berta Cardoso, nome maior entre os maiores do Fado, de quem este ano se comemora o centenário. A convite de Armandinho, que a acompanhou e ouviu cantar quando, pela primeira vez se exibiu em público no Salão Artístico de Fados, Berta Cardoso foi a Madrid gravar, acompanhada por Maria Alice e seguidamente por outros cantadores e cantadeiras, como é o caso.
Ercília Costa, Joaquim Campos e Berta Cardoso são, pois, as vozes que dão voz a este "Fado de Mouraria", acompanhados pelo insigne guitarrista Armando Freire e o distinto violista Georgino de Sousa.


Silêncio, que se vai cantar o Fado!


"Cierto día del año 1930 llegó a Madrid un contingente fadista procedente de Lisboa y compuesto por los cantantes Joaquim Campos, Berta Cardoso, Cecília d’Almeida y Ercília Costa, todos ellos rutilantes estrellas de famoso Café Luso..."

sexta-feira, junho 10, 2011

"Deixem passar Portugal!"

Em 1927, quando o duo "Guitarra de Portugal", constituído pelo insigne violista João da Mata Gonçalves e pelo distinto guitarrista Armando Augusto Freire, fez, no Politeama, a sua festa de despedida, antes de iniciarem a tournée para divulgação do Fado por terras estrangeiras, foram lidas estas quadras que o consagrado poeta Silva Tavares escreveu

Deixem passar Portugal!...
O seu melhor atestado
Vai nessas almas de ideal
Gemendo e chorando o Fado...

Ninguém lhes tome a passagem
E hão-de vencer afinal...
São espelhos da nossa imagem,
Deixem passar Portugal!


Portugal, que deu mundos ao mundo, deu também essa melhor parte da diáspora lusitana, a Língua e a música que dizem o sentir do Fado e melhor revelam a nossa identidade -

Esta canção que se fez
P'ra o coração português
Achou sempre o mundo estreito,
Canta-a com a guitarra ao peito,
Todos te dirão quem és.


Assim diz o poeta no fado "Lés a lés" que já aqui foi recordado, na superior interpretação de Berta Cardoso, acompanhada pela guitarra de Armandinho e pela viola de Georgino.


Hoje, como então prometera, trago-vos esse mesmo fado, na notável interpretação de Fernando Maurício.



terça-feira, novembro 23, 2010

Coisas e loisas do Fado...

Acordei hoje com esta vontade de confabular acerca do Fado e assim incomodar, uma vez mais, alguns, dos quais uns até muito admiro e aprecio... o que, à primeira vista, pode parecer incongruente, mas não é!, direi eu sem demais explicações.


Em sumário, são 3 os assuntos que me apetece abordar, ou mesmo neles mergulhar, sem escafandro, desprotegida, pois, de qualquer soez ataque tubarónico...


O primeiro dos quais, como não poderia deixar de ser, é o do espectáculo que ontem se terá realizado em homenagem a FERNANDA MARIA e ao qual não assisti por não ter conseguido bilhetes; quando fui por eles, já eram!... Esgotado! Por um lado, pensei eu, esgotou e ainda bem (embora eu nem esperasse outra coisa) mas, por outro lado, que ferro!, saber sempre de tudo à última hora, não sei se por culpa da minha incapacidade para andar mais bem informada ( e não melhor, como agora diz muita gente, mesmo quem deveria saber que "melhor" é superlativo do adjectivo bom e não do advérbio bem, como estabelece a gramática, ou estabelecia, sei lá...), se dos (in)capazes meios de informação. Por certo, terá sido um enorme evento de Fado de que algum blogue da especialidade dará notícia, aproveitando mesmo esta feliz circunstância de a não poder dar eu :-)... Quem deu de novo, no verdadeiro sentido do termo, notícia do espectáculo foi o HardMúsica a cujo primeiro texto, da pena de Zita Ferreira Braga, me referi no anterior verbete; e, não tivesse eu transcrito o mesmo, já a ele não teriam acesso, que foi apagado do espaço, surgindo ontem outro, encabeçado pelo respectivo cartaz e subscrito pela já conhecida Inês Benamor, documentos que, para os devidos efeitos, aqui igualmente ficam registados



Cantar Fernanda Maria
"Cantar Fernanda Maria”, título de um espetáulo no Teatro Armando Cortez, em Lisboa, a Carnide, junto á Casa do artista, que é "um brinde" à eterna interprete de “Não passes com ela à minha rua”.
Os fadistas são Gonçalo Salgueiro, Ana Moura, André Baptista, Cristina Navarro, Ana Maurício, Luís de Matos, Filipa Cardoso, Ricardo Ribeiro, Aldina Duarte, Pedro Moutinho, e Ana Sofia Varela.Serão acompanhados pelos guitarristas José Luís Nobre Costa e José Manuel Neto, os violas Jaime Santos Jr. e Carlos Manuel Proença, e os violas baixo Joel Pina e Daniel Pinto.
Fernanda Maria foi distinguida em 2006 com o Prémio Amália Rodrigues, no programa da gala, que ocorreu no Municipal S. Luiz, Nuno Lopes escreve: “Uma história abreviada do fado não pode deixar de referenciar Fernanda Maria” que qualifica de “intérprete de excepção” e “criadora de fados que perduram na memória”.
À Lusa o fadista Gonçalo Salgueiro, amigo desde sempre da fadista, afirmou: “No fundo, é mostrarmos-lhe o quanto gostamos dela e lhe estamos gratos”.
O fadista que é um dos protagonistas de “Fado – história de um povo”, no Casino Estoril foi o autor da ideia.“A ideia surgiu de uma conversa com a Cristina Navarro e o André Baptista, a que pronta e generosamente muitos aderiram, porque somos fãs da Fernanda Maria”, disse.
“Quem canta são os fãs da Fernanda Maria, daí não subir ao palco ninguém da sua geração”, justificou Gonçalo Salgueiro.
Para o fadista, Fernanda Maria “é uma referência de estilo”.“A Fernanda Maria é uma fadista de raça, tem uma voz completa com graves lindíssimos, médios cheíssimos e agudos esplendorosos e límpidos”, referiu.Nuno Lopes no citado programa refere a “voz límpida e segura”“Uma mulher – acrescentou Salgueiro – em que se percebia tudo o que dizia, cada uma das palavras, que tinha um respeito enorme pelos sentimentos dos poetas, que pesquisava ao máximo quando recebia um poema para não trair a ideia do poeta. Uma intérprete de exceção que nunca imitou ninguém”.Argentina Santos, Amália Rodrigues e Maria Teresa de Noronha são referências para a criadora de “Saudade vai-te embora”
A receita do espectáculo reverterá totalmente para a Casa do Artista.“É uma forma de lhe dizermos muito obrigado, gostamos muito de si, estamos-lhe gratos”, disse Salgueiro, acrescentando que “a utilidade de ajudar uma causa como a Casa do Artista que cada vez precisa de mais apoio”.
Fernanda Maria, 73 anos, começou a cantar aos 12 na Parreirinha de Alfama, e mais tarde, n'0 Patrício, na calçada de Carriche. Com 15 anos apresentou-se na Emissora Nacional, e entre cem candidatos foi uma das escolhidas, passando a atuar em programas como "Serão para trabalhadores", "Estrelas no Odeon", "Comboio das seis e meia" ou "Passatempo PAC".Integrou o elenco de várias casas de fado de Lisboa até fundar a sua própria, “Lisboa à noite”, no Bairro Alto, em 1964.Apenas uma vez cantou fora de Portugal, na Holanda, apesar “dos insistentes convites, até para ir ao Lincoln Center”, recordou numa entrevista à imprensa. Para os Estados Unidos gravou 20 álbuns.
A ex-locutora radiofónica Ema Pedrosa afirmou à Lusa: “se fosse hoje, com a quantidade de discos que vendeu, a Fernanda Maria tinha mais que uma parede só com discos de ouro, foi um estrondo de carreira”.
Entre os seus sucessos contam-se “Não passes com ela à minha rua”, “Saudade vai-te embora”, “Algemas de vidro”, “Negro ciúme”, “As pedras da minha rua”, “Às de espadas”, “Homem de fato castanho”, “Barcos do Tejo” ou “Aquela velhinha”.
Todos os fadistas interpretarão um fado do repertório de Fernanda Maria que obteve a carteira profissional em 1957 e encarou o Fado como razão e explicação da sua existência. Em 1968 afirmou à revista Magazine: "Não sei se foi a pobre existência que tive, se foi a influência de ouvir cantar fado, que gravaram em minha alma esta forma de sentir".
Inez Benamor
Registada aqui fica igualmente a ligação para o relato do evento, a que a venturosa Inês assistiu e de que dá fé no seu Jornal que, agora mesmo, acabei de receber e ler. Ainda bem que foi noite "sem discursos e medalhas de hipocrisia"; mais me aborrece não ter participado de tão raro momento, mas, como se lá estivesse, à de António Sala junto a minha voz e direi também "Viva a Fernanda Maria!".
O assunto a que me quero referir seguidamente prende-se, de certo modo, com este em virtude do tema e do local da ocorrência. O Fado é novamente o assunto e o local a FNAC, à bilheteira da qual me dirigi procurando os supracitados ingressos... é claro que, quando resolvi, "já agora que estou aqui", ir ver o que de novo e velho haveria a nível de discografia fadista, é claro que já não ía com a melhor das disposições... e, rapidamente, fiquei mesmo chateada, digamos assim, mesmo de mal com o mundo. Porquê, perguntarão. Por imensas razões das quais só duas direi: 1.não encontrei nenhum disco de fadistas que procurava ; 2.encontrei à venda o maravilhoso DIVAS, que, por pessoa mais que responsável, me tinha sido dito que iria ser retirado, uma vez que a obra estava praticamente esgotada... Baldito comércio cultural!... Afinal, nem admira que, agora, os poetas já não sejam cultos ou eruditos, mas cultivados!... Vánessa, vá!
E, finalmente, "last but not least", um assunto afrontoso que descobri há já algum tempo, de passeio pela net, tendo aterrado nesta inominável coisa (que parece de encomenda) dum auto-denominado orgulho branco...
http://www.stormfront.org/forum/t592627-8/

Ó mulata Berta Cardoso, olha que, ariana que sou, fiquei negra de vergonha!

Laus Deo!

quinta-feira, outubro 21, 2010

BERTA CARDOSO


Como já vem sendo hábito, desde que iniciei este blog, em 2005, sempre assinalo o 21 de Outubro, lembrando esse nome maior do Fado, que foi a cantatriz BERTA CARDOSO, nascida em Lisboa, neste dia, em 1911.

Hoje, ao recordá-la, lembro também um assunto de que me ficou alguma mágoa. Há cerca de uns quatro anos, fui contactada por uma editora fonográfica no sentido de disponibilizar a informação possível, uma vez que ia ser editado, na colecção Biografias - Fado, um CD de Berta Cardoso. É claro que não me fiz rogada e forneci todas as indicações que tinha e documentos que me foram solicitados, e até escrevi, por igualmente me ter sido solicitado, um breve apontamento acerca da Diva. Tempo passou, a água dos rios correu sob as pontes e, do CD, nem novas nem mandados... O responsável pela editora, pessoa tão bem educada quanto desalembrada, nunca teve uma palavra de agradecimento pela colaboração prestada e nem sequer uma explicação pelo facto de, afinal, o CD não ter saído da fase de projecto... Do "livrinho" que o acompanharia, dou a conhecer a capa e o texto que então escrevi.

É lamentável que, até hoje, se não tenha reeditado, em CD, pelo menos o pouco que ficou e/ou se conhece gravado do que foi o imenso repertório de Berta Cardoso. Talvez que, algum dia, alguém nos presenteie com a edição de um desses CD... Pela minha parte, para o ano, data em que se comemora o centenário da artista, penso editar um livro em que reunirei a parte mais significativa do seu repertório e... quem sabe?!... Vai ser edição mais que limitada; por isso, meus amigos, o melhor é irem já inscrevendo-se!... Entretanto, não deixem de consultar a Fadoteca; ajuda a clarificar muitas obscuridades circulantes difundidas pelas instituições dominantes e descobrir-vos-á, por certo, alguns "segredos" que, embora, tendo sido bem guardados, deixaram de o ser, hélas!... Creio que não se arrependerão!

Para ti, Berta Cardoso, esta constante saudade!

sexta-feira, setembro 17, 2010

"Lembrança é quase presença..."

Duas grandes interpretações de um mesmo fado "Vi-te há bocado", do repertório de BERTA CARDOSO, que não o gravou, nas vozes das veteranas Mª AMÉLIA PROENÇA e BEATRIZ DA CONCEIÇÃO, vulgo BIA.


Agora que, Graças a Deus, parece que a toda a gente já agrada o Fado, mesmo àqueles que há uns anos o desdenhavam ou parecia..., convém lembrar quem, em tempos difíceis, cultivou esta arte maior, mesmo que em tom menor; e, nesse grupo, por certo se incluem as fadistas que aqui lembro e também o artista plástico e poeta a quem se deve a letra, JORGE ROSA, e o músico e instrumentista, autor da música, ACÁCIO GOMES.








domingo, agosto 15, 2010

La "Manola Caracol"

Datada de Maio de 1963, esta dedicatória do conceituado poeta e letrista espanhol Xandro Valério à grande Berta Cardoso, "Manola Caracol" de Portugal!...

e Olé!

domingo, agosto 01, 2010

As TIAS

A "TIA", essa instituição nacional que o fado também celebra...

"TIA MACHETA"
letra de Linhares Barbosa, música de Manuel Soares, do repertório de Berta Cardoso, interpretado pela própria

"TIA DOLORES"

letra de Linhares Barbosa, música de José António Sabrosa, do repertório de Lucília do Carmo, interpretado pela própria


"TIA ANICA"

letra de Francisco Radamanto, música de Acácio Gomes, criação de Florinda Maria, interpretado por Anita Guerreiro

P'ra quando o Dia da Tia? não fora a cacofonia!... :-)

segunda-feira, julho 12, 2010

BERTA CARDOSO


Faz hoje 13 anos que Berta Cardoso partiu.

Idolatrada, durante décadas, por um público tão exigente quanto conhecedor de Fado, reconhecida pelos seus pares como "a maior" e indestronável, requerida por poetas e compositores que ansiavam o êxito dos seus fados que aquela "voz d'oiro" lhes traria, Berta Cardoso, que foi uma das primeiras grandes embaixadoras do Fado, que divulgou, nos anos 30 e 40, pela Europa, África e América, nomeadamente no Brasil onde obteve estrondosos êxitos, nunca obteve das Instituições o reconhecimento que lhe era / é devido, como já em 1967 muito bem se assinalava...

Dessa Severa do séc XX, melhor fala o seu legado do que tudo o que alguém possa dizer...

Obrigada, Berta!

quarta-feira, junho 23, 2010

ALDINA DUARTE - BERTA CARDOSO




"Princesa prometida" em Noite de S. João, o Triplicado interpretado por Aldina Duarte com um excelente poema da sua autoria, e também interpretado por Berta Cardoso com um não menos excelente poema de Linhares Barbosa, a celebrar o S. João...

sábado, junho 05, 2010

RUI VELOSO - BERTA CARDOSO - ANA SOFIA VARELA



FADO DO LADRÃO ENAMORADO(Letra de Carlos Tê - música e interpretação de Rui Veloso)

Vê se pões a gargantilha / Porque amanhã é Domingo / E eu quero que o povo note / A maneira como brilha / No bico do teu decote...


CINTA VERMELHA (Letra de J. Linhares Barbosa, Fado Magala, Repertório: Berta Cardoso)

Põe esta cinta vermelha / Para adelgaçar-te a cintura / Eu quero que as outras vejam / Que tens bonita figura...

Interpretação de Ana Sofia Varela

quinta-feira, junho 03, 2010

ANA MOURA - "Caso arrumado"

VÍDEO DE HOMENAGEM


Não te via há quase um mês / Chegaste e mais uma vez / Vinhas bem acompanhado / Sentaste-te à minha mesa / Como quem tem a certeza / Que somos caso arrumado // Ela não me queria ouvir / Mas tu pediste a sorrir / O nosso fado preferido / Fiz-te a vontade, cantei / E quando à mesa voltei / Ela já tinha saído // Não é a primeira vez / Que começamos a três / Eu vou cantar e depois / O nosso fado que eu canto / É sempre remédio santo / Acabamos só nós dois // Eu sei que tu vais voltar / P'ra de novo te livrar / De um caso sem solução / Vou cantar o nosso fado / Fica o teu caso arrumado / O nosso caso é que não.

Ana Moura interpreta, de Manuela de Freitas, no Pedro Rodrigues, este "Caso arrumado", cuja letra, tão curiosa quanto interessante, vale a pena aqui patentear, até mesmo porque reflecte, de certo modo, uma realidade tantas vezes vivida - a do "caso a três", remediado por um certo "nosso fado" que tem o poder de anular, sempre que necessário, o indesejado terceiro membro da relação e repôr o "nosso caso" a dois, eternamente arrumado... o reconhecimento e aceitação da infidelidade, sem dramatismos, a ajuda até na resolução desse deslize... isto é muito fadista! Lembra-me o "Fado Antigo", de Berta Cardoso, cuja letra, do Linhares, diz assim "...Eu ando cheia de ciúme / pelo meu bem que está ausente / É o rapaz mais valente / e também o mais infiel / Mas não me digam mal dele / Que eu não sou nenhuma santa..." Lindo! Quantas vezes ouvimos esta confissão?... Geralmente, os outros é que são infiéis!; nós, de santo/as, só nos falta o altar!...
Mas, o mais intrigante neste fado da Ana Moura é que, ao ouvi-lo, sempre me acorda a lembrança de um fado que ouvi na poderosa e inolvidável interpretação de Berta Cardoso e que, creio, pertence ao seu repertório, mas que apenas tenho na também superior versão de Fernanda Maria, "Candeia", de Frederico de Brito e J. Campos; oiçam lá, que vale a pena, embora o estado desta cópia não seja já dos melhores...

Não o via há tantos dias / Tinham dado avé Marias / Na capelinha da aldeia / Esperava por ele e não vinha / E como estava sozinha / Fui acender a candeia // Gemia o vento lá fora / Passa uma hora, outra hora / E ao romper da lua cheia / Ei-lo que vem meigo e doce / E fosse lá pelo que fosse / Tinha mais luz a candeia // Mil beijos, mil juramentos / E nesses loucos momentos / Toda a minha alma se enleia / Quis mostrar-me o amor seu / E jurou que era só meu / Pela luz daquela candeia // Mas vi-lhe a boca a tremer / Eu mesma não sei dizer / O que me veio à ideia / É que a verdade realça / Essa jura era tão falsa / Que se apagou a candeia.
E então?!... Se isto tem alguma coisa a ver!?... 'Tá bem, mas eu acho que sim, correcto? Há aqui umas associações fundamentais a que nem todos chegam, mas porém... é bom até, de vez em quando, dizer umas certas alarvidades... dá estatuto! Ah, pois é! A propósito, logo, lá te espero, na Procissão. Já sabes, se estiver com companhia, falamos depois... Claro, deixa lá... Isto, do Fado, é tramado, pá! Já estava aqui a lembrar-me doutro... os fados são como as cerejas Este ano estão um bocadito acres, p'ra meu gosto Não é isso... vêm uns atrás dos outros Ah, quem diria... como tu estás!... Eu, não é?! Ah, pois é!... :-)

terça-feira, junho 01, 2010

Rua Berta Cardoso







Para começar bem o mês, fui hoje em romagem à Rua a que a edilidade entendeu dar o nome de Berta Cardoso, possivelmente em reconhecimento e como memória de uma das mais importantes fadistas do século XX, seguramente a mais importante durante as décadas de 30 a 50, como provadamente se prova por documentação nacional e estrangeira, da época.
Situa-se o referido arruamento na Ameixoeira, em boa vizinhança, precisamente entre a Rua Maluda (pintora) e a Rua Barata Feyo (escultor), tendo acesso privilegiado (praticamente à porta de quem lá mora circula o 106), havendo ainda a notar a feliz localização a cota elevada, donde se disfruta uma belíssima "paisaigem" como acima fica documentado em pormenor.

Fica assim, sem mais formalidades, inaugurada on line a Rua Berta Cardoso, rua que em tamanho é inversamente proporcional à importância que esta fadista e actriz teve/tem na História do Fado, hélas!...

segunda-feira, abril 19, 2010

RICARDO RIBEIRO - "Horas de Fado"

VÍDEO DE HOMENAGEM

É, hoje, editado o novo disco de Ricardo Ribeiro, uma Voz, um talento e um dos mais genuínos intérpretes actuais do Fado tradicional.
Desejando que tenha um enorme, já que bem merecido sucesso, com o seu novo trabalho, recordo-o nesta magnífica interpretação de "Horas de Fado", da autoria de Artur Ribeiro e Armando Machado.
Beijinho.

Horas de Fado
Horas de solidão, horas de fado / No meu andar perdido, a razão / Horas de ser poema amargurado / A falar de pecado e de traição

Horas de ser poema e não poder / Gritar, gritar até que fique rouco / O meu castigo de viver viver / Castigo de não ser ainda louco

Horas de solidão recomeçadas / De cada vez que fico só assim / Horas que vão ficar em mim paradas / Até que novo amor renasça em mim
***
Como curiosidade, e melhor respondendo à questão do amigo Jaume, aqui ficam estes dois documentos que complementam o que já ficou dito acerca deste Fado
Por estas e outras!...

terça-feira, março 02, 2010

«A Noite de BERTA CARDOSO»

"Pode dizer-se que no Brasil o fado nasceu com Berta Cardoso"; o mesmo se poderá dizer relativamente a África. E como, nessa época, eram complicadas as deslocações e tudo o mais!...
Certo é que "a memória dos homens é curta e ocupada a mor das vezes por cousas poucas"!...
Para que isso menos aconteça, aqui fica esta lembrança
E a ligação ao site desta relevante figura do fado