Recuperada pela Tradisom em 1994, esta interpretação poderosa de Mª Emília Ferreira (1896-1941) é datada de 1929.
O Aljube, que até ao início da década de (19)30, foi estabelecimento prisional que recebia presos comuns, começou então a ser local de reclusão de presos políticos do Estado Novo. Esta cadeia foi encerrada em Agosto de 1965.
Este continua a ser um dos meus fados preferidos, na voz do consagrado Alfredo Marceneiro (1891-1982).
Mais uma lição de Fado!
A VIELA
Letra – Guilherme Pereira da Rosa Música – Fado Cravo de A. Marceneiro
Fui de viela em viela Numa delas dei com ela E quedei-me enfeitiçado Sob a luz dum candeeiro Estava ali o Fado inteiro Pois toda ela era fado
Arvorei um ar gingão Um certo ar fadistão Que qualquer homem assume Pois confesso que aguardei, Quando por ela passei, O convite do costume
Em vez disso, no entanto, No seu rosto só vi pranto Só vi desgosto e descrença Fui-me embora amargurado Era fado, mas o fado Não é sempre o que se pensa
Ainda recordo agora A visão que ao ir-me embora Guardei da mulher perdida A pena que me desgarra Só me lembra uma guitarra A chorar penas da vida
Há quem diga que o Fado Menor é o Maior dos Fados...
Maria Alice (1904-1997), que ficou conhecida como a criadora do Fado "Perseguição", interpreta este Menor servido com um tema de tratamento muito melindroso. Aqui fica a letra
FADO MENOR
Por eu vender o meu corpo Olham para mim com desdém As ricas também se vendem E tudo lhes fica bem
Ninguém censure a mulher Que p’ra dar aos filhos pão Depois de tudo sofrer Ponha o seu corpo em leilão
Não há ninguém que suponha Qual a cruz do meu penar É ser mãe e ter vergonha Dos meus filhitos beijar
Este fado, que tem letra (http://fadocravo.blogspot.com/2005_10_01_archive.html) de Frederico de Brito e música de Francisco Viana, e que foi, creio, uma criação de Noémia Cristina, tornou-se conhecido na voz genuína de Rodrigo. Um fado que recorda alguns dos nomes de referência da cultura fadista, à qual os próprios autores também pertencem.
E Rodrigo é, sem dúvida, um nome que já tem história na História do Fado.
BEATRIZ DA CONCEIÇÃO - "As meninas dos meus olhos"
VÍDEO DE HOMENAGEM
Beatriz da Conceição irá receber amanhã, 21 de Maio, o Prémio Carreira Amália Rodrigues. Aqui a lembramos na interpretação deste fado que tem letra de Fernando Pinto Coelho e música de Jaime Santos. Divina Bia!
Este fado, de Franklin Godinho e de Jaime Lúcio, na voz de Joaquim Silveirinha lembra-nos um tempo passado, esse tempo em que se andava de tipóia que era, como todos sabemos, um meio de transporte movido a feno... mais ecológico, portanto, se bem que menos amigo dos animais... E de tipóia se ia ouvir o fado fora de portas, aos retiros... Mas se não se quisesse ir tão longe, ficava-se logo ali, na Rua do Norte, n' A Tipóia, da Adelina Ramos...
São já poucas as janelas enfeitadas que se encontram na Grande Cidade e tudo leva a crer que tendem a desaparecer, mesmo porque os actuais padrões arquitectónicos não as consideram. Vamos aqui recordar esse costume, através deste fado que tem letra (http://fadocravo.blogspot.com/2007/04/janelas-enfeitadas.html) de J. Linhares Barbosa e música de Casimiro Ramos, na magnífica interpretação de Flora Pereira, recentemente falecida (1929 - 2008).
Permito-me aqui destacar alguns dos comentários ao post que editei no passado dia 9 de Abril, a todos agradecendo a atenção:
Aldina Duarte said... "Inesquecível o momento em que ouvi Flora Pereira ao vivo!"
"Fadista de rara sensibilidade na maneira única que dava a cada interpretação, tornando-a sua. Ouvi-la era um deleite pela finura com que interpretava e cantava cada verso, numa dicção clarissíma!" Flores de Verde Pino
"Uma bonita voz que não conhecia" Pedro Fonteiro
"Foi sempre em clima de grande emoção que ouvia Flora" Maria Luísa Castanheira
"Nunca esquecerei uma noite de fados na Ajuda com a Flora Pereira e o Fernando Maurício. Que saudades destes fadistas!" António Antunes
"As vezes que ouvi a Flora Pereira impressionou-me sempre muito pela capacidade de entrega, e de cativar sem "gritos" ou "arranques" de voz. Sem encenação alguma ou gestos gratuitos a sua figura cativava a audiência, impondo-se pela sua qualidade e uma voz límpida."Nuno Almeida Coelho
"A Flora era uma serenidade de interpretação, mas (atenção!) não uma monotonia, de facto sem os "arranques" de voz como afirma o Sr. Almeida Coelho, mas certamente de uma vincada personalidade interpretativa. "Finura" como escreveu alguém" José Regaleira
Bruno Dias said... Ela era a Minha Tia Avó. Infelismente não tive oportunidade de a conhecer pessoalmente
"Tinha uma voz lindíssima ..." José Jaquetão
"Gostei sempre de a ouvir e fiquei pasmada quando li a notícia no DN e com um fotografia trocada. Que continue a cantar onde quer que esteja! Adorava ouvi-la interpretar o "Voltaste" ou "Sou tua". Emília Pereira
Música de Alfredo Duarte Marceneiro, interpretação de Amália Rodrigues, Letra de António Amargo, cf. indicação de autoria no fonograma; outros registos há que indicam (e parece que muito bem), como autor desta letra, Gabriel de Oliveira. (Prontos! Agora já sei fazer vídeos... Até nem correu mal, hem ?...)
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De acordo com Eduardo Sucena, in Lisboa, O Fado e os Fadistas, esta letra que Amália aqui canta é efectivamente da autoria de Gabriel de Oliveira, mais conhecido por Gabriel Marujo, foi criação de Alberto Costa, com música de Alfredo Marceneiro; porém, "a sextilha que serviu de mote a esta letra seria ainda glosada assim por um outro poeta, António Amargo (aliás, António Correia Pinto d'Almeida) que também viveu na Figueira da Foz e faleceu em 12.05.1933":
Desde manhã os fadistas, / Jaquetão, calça esticada, / Se aprumam com galhardia; / Seguem as praxes bairristas, / É data santificada / Há festa na Mouraria!
Toda aquela que se preza / De fumar, falar calão, / Pôs em praça a juventude, / Nessa manhã chora e reza. / É dia da procissão / Da Senhora da Saúde!
Nas vielas do pecado / Reina a paz, tranquila e sã, / Vive uma doce alegria. / À noite, é noite de fado, / Tudo toca, tudo canta / Até a Rosa Maria.
A chorar, arrependida, / A cantar com devoção, / Numa voz fadista e rude, / Aquela Rosa perdida / Da Rua do Capelão / Parece que tem virtude!